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Processo revela valores que, segundo o MP, Rogério Andrade teria pago a UPPs; montante não havia sido divulgado

Em abril de 2025, uma reportagem do Portal G1 revelou detalhes da investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que apontou que o contraventor Rogério Andrade teria destinado cerca de R$ 500 mil em propinas a batalhões da PMERJ e delegacias da Polícia Civil em apenas dois dias. Na ocasião, a reportagem expôs os valores que, segundo a investigação, teriam sido destinados a diversas unidades policiais, mas não detalhou as quantias que também teriam sido repassadas às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Agora, a reportagem teve acesso ao processo nº 0087234-41.2025.8.19.0001, que traz uma planilha atribuída ao esquema e revela os valores que, segundo o Ministério Público, teriam sido destinados a cinco UPPs entre os dias 6 e 9 de maio de 2023: De acordo com a denúncia, os pagamentos fariam parte de um esquema que teria resultado em 19 atos independentes de corrupção ativa majorada, com o objetivo de fazer com que unidades policiais retardassem ou deixassem de praticar atos de ofício. O Ministério Público sustenta que a exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níquel ocorria de forma ostensiva, em estabelecimentos comerciais e à luz do dia, sem a repressão esperada por parte dos órgãos responsáveis. Segundo a investigação, os indícios dos supostos pagamentos foram obtidos a partir de mensagens encontradas no celular de Flávio da Silva Santos, conhecido como Flávio Mocidade. Nas conversas, ele se comunicaria com um interlocutor identificado pelo codinome “Botafogo”. Ainda segundo a denúncia, em 8 de maio de 2023, “Botafogo” enviou uma versão inicial de uma planilha de contabilidade e, após diversas chamadas de voz e vídeo com Flávio Mocidade, elaborou um arquivo em formato PDF mais detalhado. Para o Ministério Público, o conteúdo das conversas indicaria que Flávio exercia supervisão sobre as finanças do grupo e sobre o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos corrompidos. As informações fazem parte da ação penal em curso e correspondem às acusações formuladas pelo Ministério Público, que ainda serão submetidas ao contraditório e à análise da Justiça.

“Somos milícia raiz.. Não gostamos de droga não”. Áudio de supostos milicianos de Rio das Pedras contradiz investigação da Polícia Civil sobre aliança com o TCP. OUÇA

Em meio às investigações da Polícia Civil que apontam uma aliança entre a narcomilícia de Jacarepaguá e traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), um áudio atribuído a integrantes da quadrilha que atua em Rio das Pedras passou a circular nas redes sociais negando qualquer associação com a facção criminosa. A DRACO faz uma operação hoje contra esse suposto pacto entre as quadrilhas. “Tem essa palhaçada aqui não. Essa história de Terceiro, a gente não tem boca de fumo aqui não. Nós não gostamos de droga. A gente é milícia raiz”, diz a gravação atribuída a criminosos que estariam à frente do grupo paramilitar na comunidade. A declaração surge em meio à guerra provocada pela deserção do ex-miliciano Kauan de Oliveira Teles, de 26 anos, apontado pelas investigações como uma das lideranças da ofensiva do Comando Vermelho em Rio das Pedras. Segundo a Polícia Civil, ele é acusado de recrutar antigos integrantes da milícia, oferecendo pagamentos semanais para que abandonem o grupo paramilitar e passem a atuar pela facção. Após a ruptura, a milícia de Rio das Pedras passou a ter como principais frentes criminosos conhecidos pelos apelidos de Labareda e Catolé. No áudio que circula nas redes sociais, um dos interlocutores chega a chamar Kauan de “filho da p…”. Segundo apuração do repórter Bruno Assunção, a chamada “Tropa do Caranguejo”, liderada por Kauan e apoiada pelos chefes do Comando Vermelho conhecidos como Gardenal e BMW, ocupa há pelo menos uma semana a localidade do Caranguejo, no Areal de Rio das Pedras. Vídeos divulgados pelos próprios criminosos mostram homens armados circulando pela região e afirmando que antigos pontos controlados pela milícia foram abandonados. Por conta da guerra, tês chefes da milícia foram transferidos para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1, após a Secretaria de Administração Penitenciária identificar indícios de comunicação ilegal dentro do sistema prisional. Entre os transferidos está Gerlan Anacleto de Oliveira, apontado por investigações como um dos líderes da milícia de Rio das Pedras e irmão de Kauan, . A suspeita é de que a comunicação ilegal tenha relação direta com a guerra pelo controle da comunidade. A medida foi adotada um dia após 19 milicianos deixarem o grupo criminoso e supostamente passarem a atuar ao lado do Comando Vermelho (CV) na disputa por territórios em Rio das Pedras, na Zona Sudoeste. Nas redes sociais, circulam imagens que indicariam que os detentos realizavam chamadas de vídeo de dentro da prisã Moradores relatam que a guerra tem provocado um êxodo silencioso de integrantes do grupo paramilitar e de familiares. Caminhões de mudança são vistos diariamente na comunidade e, segundo relatos, antigos milicianos que aderiram ao Comando Vermelho conhecem os esconderijos, rotinas e endereços dos ex-aliados, aumentando o clima de medo. Moradores afirmam que estão encurralados pela disputa e rejeitam tanto a milícia quanto o tráfico. “A gente não quer tráfico e nem milícia. Só queremos viver em paz”, desabafou um morador. Além da violência, moradores denunciam cobranças ilegais e extorsões praticadas pelos grupos criminosos. As reclamações incluem taxas de segurança, cobranças abusivas de gás, condomínio e valores exigidos de comerciantes para que possam continuar trabalhando. Também há denúncias sobre o corte de serviços de internet regularizados para forçar a contratação de empresas ligadas ao crime organizado. “Estamos abandonados. Precisamos de socorro. Não temos liberdade nem para escolher os serviços que usamos”, relatou uma moradora. Enquanto o áudio tenta sustentar a imagem de uma “milícia raiz”, sem ligação com o tráfico, uma operação realizada nesta terça-feira pela Draco reforçou as suspeitas da Polícia Civil sobre a aproximação entre a narcomilícia e o TCP. As investigações apontam que integrantes do grupo utilizam a parceria com traficantes da facção para ampliar o poder bélico, consolidar territórios e enfrentar o Comando Vermelho. A operação teve como alvo dois integrantes considerados “puxadores de guerra” da organização criminosa, responsáveis por comandar ataques, invasões e cobranças extorsivas contra moradores e comerciantes. Um dos criminosos foi preso em Rio das Ostras. O outro já havia sido capturado em abril deste ano em Niterói, quando foi encontrado com uma arma de fogo e uma granada enquanto participava de uma ofensiva ao lado de comparsas ligados ao TCP oriundos da Vila do João, no Complexo da Maré. e acordo com as apurações, a organização criminosa mantém uma aliança com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), utilizando essa parceria para ampliar seu poder bélico, consolidar territórios já dominados e avançar sobre áreas controladas pela facção rival Comando Vermelho. A investigação teve início em setembro de 2025, após uma ação da Draco na Estrada do Cafundá, na Taquara, que resultou na prisão de integrantes ligados à estrutura criminosa. Na ocasião, foram apreendidos dinheiro em espécie, celulares, uma pistola e um veículo clonado, posteriormente identificado como roubado. A partir das diligências de inteligência e da análise de dados telemáticos, os policiais mapearam a cadeia de comando da organização. Os elementos reunidos revelaram diálogos explícitos sobre cobranças diárias, divisão territorial, movimentação de equipes e alinhamento entre operadores financeiros e criminosos armados, evidenciando uma estrutura criminosa altamente organizada, violenta e financeiramente robusta. As investigações continuam para desarticular toda a estrutura criminosa.

Milícia e política: assessor da Câmara do Rio teria tentado esconder miliciano baleado após confronto com a polícia na Zona Oeste

Um processo sigiloso que tramita na Justiça do Rio aponta que um assessor da Câmara Municipal do Rio de Janeiro teria atuado para proteger um miliciano ferido em confronto armado com policiais civis, em um episódio que teria envolvido a tentativa de ocultação de atendimento médico em uma unidade de saúde da Zona Oeste carioca. Segundo a denúncia, o caso ocorreu na madrugada de 15 de maio de 2024, na UPA Césarão, em Santa Cruz. O homem atendido na unidade seria integrante de uma milícia armada e teria participado de uma tentativa de homicídio contra policiais civis durante um confronto armado ocorrido dias antes, na mesma região. Suspeita de ocultação de atendimento e fraude em registro médico De acordo com o Ministério Público, funcionários da unidade de saúde teriam omitido dados de identificação do paciente no Boletim de Atendimento Médico, de forma deliberada, para impedir sua correta identificação pelos órgãos de segurança pública. A acusação aponta que o assessor parlamentar teria utilizado sua influência política para intermediar o atendimento e garantir que o paciente fosse atendido sem o registro completo de identificação, o que, segundo o MP, teria dificultado a atuação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), responsável por investigar o caso. Miliciano teria participado de ataque contra policiais O homem atendido na UPA é descrito na investigação como integrante de uma milícia que atua na região de Santa Cruz e suspeito de envolvimento direto em uma tentativa de homicídio contra policiais civis durante confronto armado. Para o Ministério Público, a suposta omissão de dados no atendimento médico teria tido como objetivo impedir que o investigado fosse imediatamente localizado e identificado pelas forças de segurança, interferindo em uma linha de investigação em andamento. MP aponta uso de influência política A denúncia sustenta que o assessor parlamentar teria atuado como intermediário utilizando sua posição institucional para facilitar a supressão de informações no registro hospitalar, o que teria resultado em atendimento sem identificação formal do paciente. Segundo o Ministério Público, a conduta indicaria possível uso de influência política para beneficiar indivíduo investigado por crime grave, em contexto de confronto armado entre agentes do Estado e grupos paramilitares. Acusações e andamento do processo O Ministério Público enquadrou os fatos, em tese, como falsidade ideológica e favorecimento pessoal, apontando que a conduta teria dificultado a atuação policial em investigação envolvendo organização paramilitar armada. A denúncia foi apresentada à Justiça, que agora vai decidir se recebe a ação penal e se o assessor se torna réu no processo. O caso segue sob sigilo parcial e em fase inicial de análise judicial.

53 investigações e liderança no CV: por que a polícia mantém chefão do Dona Marta longe do Rio

Em meio a operação policial de hoje no Morro Dona Marta, que provocou pânico em Botafogo, deixou um passageiro baleado dentro de um ônibus e deixou turistas que visitavam um mirante em situação difícil, relatórios de inteligência da Polícia Civil, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e manifestações do Ministério Público revelam por que as autoridades defendem a manutenção do chefão da comunidade, Ronaldo Pinto Lima Silva, o “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”, em uma penitenciária federal de segurança máxima, distante do Rio de Janeiro. Apontado nos documentos como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Zona Sul carioca, Ronaldinho é descrito como responsável por exercer influência sobre as comunidades da Ladeira dos Tabajaras, Dona Marta e Morro dos Cabritos. Segundo os relatórios reproduzidos em decisões judiciais, ele tinha poder de decisão sobre a movimentação de criminosos, posicionamento das bocas de fumo, administração financeira do tráfico, compra e venda de drogas e armas e autorização para diversas ações praticadas por integrantes da facção. De acordo com os documentos da inteligência penitenciária, mesmo recolhido em presídios federais, Ronaldinho continua sendo considerado uma peça importante dentro da estrutura do Comando Vermelho e é apontado como um preso de “altíssima periculosidade”. Mais de 53 procedimentos e suspeitas de crimes mesmo preso Os relatórios anexados aos autos indicam que existem mais de 53 procedimentos policiais instaurados para apurar a participação do criminoso em diversos delitos, entre eles homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, receptação, ameaça, corrupção ativa e corrupção de menores. Segundo a Senappen, ele ainda é investigado por supostas ações criminosas praticadas durante o período em que já se encontrava preso. As autoridades afirmam que, mesmo no Sistema Penitenciário Federal, continuou sendo alvo de investigações relacionadas ao exercício de influência sobre áreas sob domínio da facção. Uma das apurações citadas nos documentos é o inquérito que investigou o assassinato de Sandro Paulo Rangel, ocorrido em março de 2022, na localidade conhecida como Beco da Dezenove, na Ladeira dos Tabajaras. Conforme o relatório policial reproduzido na decisão, os executores do crime teriam agido subordinados às lideranças locais e, dentro da hierarquia do Comando Vermelho, ações dessa natureza dependeriam da autorização da principal liderança da região, atribuída a Ronaldinho Tabajara. Mexicano e Coala seriam homens de confiança As investigações apontam que Ronaldinho contava principalmente com dois homens de confiança para administrar os negócios da facção em suas áreas de influência. Segundo os documentos, Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, e Luiz Roberto Pereira do Rosário, o “Coala”, eram descritos pelos investigadores como chefes do tráfico e executores das ordens atribuídas a Ronaldinho Tabajara. Os relatórios afirmam que ambos seriam responsáveis por colocar em prática as determinações relacionadas à movimentação dos criminosos, controle das bocas de fumo e outras atividades do grupo nas comunidades da Zona Sul. Histórico de fuga e problemas dentro do sistema prisional Os documentos também mostram que o histórico atribuído a Ronaldinho Tabajara vai além das acusações ligadas ao tráfico. As autoridades registram que ele possui antecedentes por evasão de unidade prisional estadual, além de um extenso histórico de faltas disciplinares. Conforme o relatório técnico, o preso foi punido por infrações previstas na Lei de Execução Penal, tendo sofrido isolamento disciplinar, suspensão de direitos e rebaixamento para índice comportamental negativo. Ainda segundo o Ministério Público, quando esteve custodiado no sistema prisional do Rio, Ronaldinho integrava as chamadas “comissões do CV”, responsáveis pelo comando dos integrantes da facção dentro das cadeias, e chegou a responder por delitos cometidos durante o período de prisão. Influência mesmo atrás das grades Os relatórios da Senappen afirmam que Ronaldinho permanece exercendo posição de destaque dentro do Comando Vermelho, recebendo auxílio financeiro da facção e sendo alvo de interesse de integrantes de outra organização criminosa, que buscariam uma aproximação para possíveis articulações. As autoridades também chamam atenção para a estrutura mantida pelo preso. Segundo os documentos, ele possui cinco advogados ativos cadastrados para atendimento e outros 22 profissionais inativos, estrutura considerada incompatível com sua condição de encarcerado e que, na avaliação dos órgãos de inteligência, pode indicar o uso de recursos provenientes da chamada “caixinha do CV”. Temor de fortalecimento do tráfico no Dona Marta e Tabajaras A Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que as comunidades do Dona Marta, Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos ainda convivem com os efeitos da influência atribuída a Ronaldinho Tabajara e afirmam que essas localidades “não experimentaram momentos de paz” desde sua ascensão ao poder paralelo. Para as autoridades, a transferência do criminoso para uma unidade prisional do Rio de Janeiro poderia facilitar a comunicação com comparsas, fortalecer ainda mais sua liderança e potencializar conflitos armados em comunidades da Zona Sul. Por esse motivo, a Justiça renovou sua permanência em penitenciária federal de segurança máxima. O entendimento dos órgãos de segurança é que mantê-lo distante do Estado dificulta a emissão de ordens criminosas e contribui para o enfraquecimento da estrutura do Comando Vermelho nas áreas em que ele é apontado como uma de suas principais referências. Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) realizam, nesta manhã, uma operação no Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio, para cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho que atuam na região. A ação é resultado de um trabalho de inteligência e investigação desenvolvido pela DRE-CAP ao longo de 22 meses, que permitiu identificar alvos estratégicos ligados à estrutura e à logística da organização criminosa. As diligências possibilitaram, ainda, identificar a liderança responsável pela administração das atividades criminosas desenvolvidas no Morro Dona Marta, incluindo a coordenação da logística do tráfico de drogas, a distribuição de funções entre integrantes da facção e a manutenção do domínio territorial armado na localidade. A operação conta com apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC). A ação faz parte da “Operação Contenção”, uma ofensiva estratégica do Governo do

O império do medo de Doca: como o CV dominava a Gardênia Azul”

As investigações da Delegacia de Homicídios revelam que a chegada do Comando Vermelho à Gardênia Azul, em 2023, foi sustentada por uma complexa estrutura de guerra comandada pelo traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, apontado como um dos chefes do tráfico no Complexo da Penha. Segundo os autos, ele fornecia homens, armas, drogas e apoio logístico para garantir a conquista e a manutenção do controle criminoso da comunidade. De acordo com as investigações, Doca e seu braço direito, Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, coordenavam à distância as ações na Gardênia Azul. A dupla abastecia os criminosos com armamentos, soldados e recursos financeiros, além de autorizar execuções e repassar ordens às lideranças que atuavam diretamente na região. Na linha de frente estavam Philip Motta Pereira, o “Lesk” ou “CR7”, Francisco Glauber Costa de Oliveira, o “GL”, e Luís Paulo Aragão Furtado, o “Vin Diesel”, responsáveis por colocar em prática as determinações vindas da Penha. Já Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o “BMW”, atuava como um dos principais homens de guerra da organização, sendo apontado como peça importante na ofensiva que permitiu ao Comando Vermelho se estabelecer na Zona Oeste. As investigações mostram que a Cidade de Deus e o Complexo da Penha funcionavam como bases de apoio para a guerra travada em Jacarepaguá. Armas, munições, drogas e traficantes eram transportados entre as comunidades por uma rede logística estruturada. Um dos colaboradores ouvidos pela polícia relatou que carros eram usados exclusivamente para levar soldados, armamentos e entorpecentes entre a Penha, a Cidade de Deus e a Gardênia Azul. Segundo a apuração, a organização criminosa possuía divisão de tarefas. Enquanto Doca e Gardenal comandavam a ofensiva, “GL”, “Lesk” e “Vin Diesel”, antigos milicianos da região que migraram para o Comando Vermelho, aproveitavam o conhecimento da área para identificar alvos, organizar ataques e facilitar a expansão da facção. A polícia afirma que, durante a guerra pela Gardênia Azul, diversos assassinatos foram praticados contra pessoas acusadas de serem “X9”, informantes da polícia ou ligadas à milícia rival. Investigadores relataram ainda que integrantes da organização utilizavam redes sociais para divulgar ameaças e mortes, numa espécie de campanha de intimidação destinada a espalhar medo entre os moradores e consolidar o domínio do grupo. Além do tráfico de drogas, a quadrilha é acusada de envolvimento em homicídios, porte ilegal de armas, receptação e até na exploração da venda clandestina de botijões de gás. Os lucros obtidos com as atividades ilícitas na Gardênia Azul eram repartidos com a cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha, reforçando a importância estratégica da comunidade para a facção. Depoimentos de policiais que participaram das investigações apontam que a aliança entre antigos milicianos da Gardênia Azul e o Comando Vermelho surgiu depois que grupos expulsos da região tentaram obter apoio do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o “Zinho”. Como o chefe da milícia estava envolvido em outros conflitos na Zona Oeste, o auxílio acabou vindo de Doca e Gardenal, que passaram a fornecer armas, homens e estrutura para a retomada do território. A partir daí, antigos milicianos migraram para o Comando Vermelho e passaram a integrar a facção. Três anos depois, muitos dos personagens centrais daquela guerra já estão mortos. Entre eles estão Philip Motta Pereira, o “Lesk” ou “CR7”, e Luís Paulo Aragão Furtado, o “Vin Diesel”, apontados nas investigações como líderes locais da organização. Outros integrantes foram presos ou respondem a processos na Justiça. A guerra que marcou a tomada da Gardênia Azul deixou dezenas de mortos e acabou consumindo vários dos próprios homens que ajudaram a construir o domínio do Comando Vermelho na comunidade, transformando de forma definitiva o cenário criminal da região. Além do tráfico de drogas e da guerra pela expansão territorial, as investigações apontam que a quadrilha comandada por Doca diversificava suas fontes de renda. Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização era responsável por crimes como receptação e pela exploração da venda de botijões de gás na Gardênia Azul. Um dos homicídios investigados pela Delegacia de Homicídios teria sido motivado justamente por disputas relacionadas a essa atividade. Os lucros obtidos na comunidade eram repartidos com a cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha, reforçando a importância estratégica da região para a facção.

Bandido que foi morto em ‘tribunal do CV’ na Penha teve que deixar favela após matar ex-namorada. Ele comandou esquema que misturava tráfico, roubos de carga e extorsão no Rio; investigação aponta cobrança de até R$ 10 mil a comerciantes

Segundo documento de investigação que a reportagem teve acesso, o traficante Dalton Vieira Santana, o DT, que foi morto em um suposto tribunal do tráfico do Comando Vermelho neste fim de semana, teve que deixar a Favela Kelsons, na Penha, depois do assassinato da sua ex-namorada Bianca Lourenço, de 24 anos, em 2021.Quem assumiu no seu lugar foi um bandido conhecido como Maçã, que acabaria morto anos depois também em um ‘tribunal do tráfico’.DT foi o responsável pela estruturação do esquema que continuou operando com outros nomes à frente da facção O modelo operacional do grupo era baseado na integração entre tráfico de drogas, roubo de cargas e extorsão de comerciantes. De acordo com os depoimentos colhidos, ele exercia papel de comando, determinando ações do grupo e influenciando diretamente a dinâmica criminosa na região.outros nomes à frente da facção. Mesmo após sua saída, a investigação sustenta que o modelo criminoso por ele associado permaneceu ativo, com divisão de funções entre traficantes, executores de roubos, receptadores e operadores logísticos responsáveis pelo escoamento de cargas roubadas. ESQUEMA NO MERCADO SÃO SEBASTIÃO: ARROMBAMENTOS, CAMINHÕES E EXTORSÃO EM SÉRIE O núcleo mais detalhado do esquema descrito nos autos envolve o entorno do Mercado São Sebastião e empresas próximas, onde comerciantes passaram a relatar uma sequência de arrombamentos seguidos de cobranças extorsivas. Uma das testemunhas afirmou que o padrão criminoso começava com um ataque de grande impacto: galpões e lojas eram arrombados durante a madrugada, com quebra de paredes, portas e sistemas de segurança. Em um dos casos, foi relatado que os criminosos subtraíram praticamente todo o estoque de uma empresa, causando prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil, além de danificar estrutura física do local. Logo após esses ataques, segundo os depoimentos, começavam as ligações telefônicas com exigências de pagamento. As primeiras cobranças chegaram a cerca de R$ 10 mil, apresentadas como condição para que os comerciantes pudessem “trabalhar em paz” na região. Com a negativa das vítimas, os valores passaram a ser reduzidos gradualmente durante as conversas, até chegar em torno de R$ 2 mil mensais, valor que seria pago de forma recorrente para evitar novos roubos e invasões. As testemunhas relataram que não se tratava de uma cobrança única, mas de um sistema contínuo de pressão: os criminosos ligavam diversas vezes, insistindo na “negociação”, alternando ameaças e promessas de cessar os ataques caso o pagamento fosse aceito. Em alguns relatos, as vítimas afirmaram que não chegaram a efetuar pagamento, mas que as ligações tiveram efeito imediato no funcionamento dos estabelecimentos, levando comerciantes a: fechar lojas mais cedo por medo de novos ataques; reforçar segurança privada; reduzir circulação de mercadorias;suspender atividades temporariamente após os episódios. DINÂMICA DOS ROUBOS: CAMINHÕES, VAN E TRANSPORTE PARA DENTRO DA KELSON Além das extorsões, os depoimentos descrevem a logística dos roubos de carga como parte essencial do esquema. Segundo testemunhas e policiais, os crimes ocorriam principalmente na Avenida Brasil, onde caminhões, vans e veículos de carga eram interceptados por criminosos armados. Após a subtração, os veículos eram direcionados para dentro da Comunidade da Kelson. Em um dos relatos, foi mencionado o uso de dois caminhões, uma van e diversas motos para transportar mercadorias roubadas de um grande galpão. Após o arrombamento, os veículos teriam seguido em direção à comunidade, conforme identificado por marcas de pneus e análise de imagens de câmeras de segurança. Dentro da Kelson, os caminhões eram descarregados e as mercadorias imediatamente distribuídas entre integrantes do grupo, que participavam do escoamento, separação e ocultação dos produtos roubados. As investigações apontam que esse fluxo era recorrente, com múltiplos episódios semelhantes na mesma região, envolvendo desde alimentos e ferramentas até grandes volumes de mercadorias de alto valor. EXTORSÃO COMO “SEGUNDA FASE” DO CRIME O ponto central destacado nos depoimentos é que a extorsão não ocorria de forma isolada, mas como continuação direta dos roubos. Segundo uma das testemunhas, o padrão era sempre o mesmo: Primeiro vinha o roubo ou arrombamento com grande prejuízo;Em seguida, surgiam os contatos telefônicos;Os criminosos apresentavam a cobrança como forma de “evitar novos ataques”;O valor era inicialmente alto e depois reduzido para parecer uma negociação. Uma das falas resumiu a dinâmica como uma estratégia de intimidação progressiva: o grupo causava o dano e depois oferecia a solução mediante pagamento mensal. CONTEXTO GERAL DO ESQUEMA A investigação aponta que a Comunidade da Kelson funcionava como base territorial de uma organização criminosa voltada simultaneamente para tráfico de drogas, roubo de cargas e extorsão de comerciantes. A estrutura incluía líderes, operadores de rua, responsáveis pelo transporte de cargas, vigilância armada e receptadores. Depoimentos também indicam a utilização de rádios transmissores para comunicação interna e controle da movimentação de veículos na região. O conjunto de provas reunido — incluindo depoimentos de policiais civis, militares e testemunhas civis — foi considerado convergente no sentido de demonstrar a existência de uma organização criminosa estável, com atuação contínua e divisão de tarefas, tendo Dalton como uma das figuras centrais da estrutura original.

Dentro do ‘Mercado das Armas’: a rede de WhatsApp usada para vender revólveres e munições no RJ”

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro expôs o que os agentes descrevem como um esquema estruturado de negociação de armas de fogo e munições por meio de aplicativos de mensagem, especialmente o WhatsApp, funcionando como uma espécie de “feirão digital do crime”. O caso veio à tona a partir de uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF), que apura denúncias de comércio ilegal de armamento pela internet. A prisão em flagrante realizada em São João de Meriti, é tratada pelos investigadores como um dos desdobramentos do mapeamento desse ambiente digital de vendas ilícitas. Segundo relatório policial, o investigado utilizava redes sociais e aplicativos de mensagem para armazenar imagens de armas, munições e registros de negociações, além de pesquisas relacionadas à compra de peças e acessórios bélicos em plataformas de comércio eletrônico. WhatsApp como vitrine do crime O material analisado pelos agentes aponta para a existência de conversas e grupos com dinâmica de compra e venda de armamentos. Em um dos dispositivos apreendidos, a polícia identificou capturas de tela de um grupo de WhatsApp identificado como “MERCADO DAS ARMAS”, onde seriam compartilhados anúncios de revólveres e negociações diretas entre usuários. Além das conversas, foram localizadas imagens de armas de fogo, grandes quantidades de munições e registros de valores em dinheiro, elementos que, segundo a investigação, reforçam a hipótese de circulação ativa de material bélico fora dos canais legais. Em outro conjunto de arquivos, aparecem ainda pesquisas sobre pistolas e acessórios de armas em sites de comércio eletrônico, como modelos Glock e PT92, frequentemente associados a armamentos de uso restrito. Rede paralela de negociação e anúncios De acordo com a polícia, o conteúdo extraído dos aparelhos indica que o aplicativo era utilizado não apenas para conversas, mas como ferramenta de divulgação de ofertas, com envio de imagens de revólveres, munições e combinações de entrega em diferentes pontos do município de São João de Meriti. Em uma das conversas analisadas, segundo o relatório, há indícios de negociação direta de arma de fogo com definição de valor e local de entrega, o que, para os investigadores, caracteriza uma dinâmica de mercado paralelo operando de forma contínua. Dinâmica digital do comércio ilegal A investigação aponta ainda que esse tipo de operação segue um padrão: armazenamento de imagens de armamento em celulares, circulação em grupos fechados e negociação individual por mensagens privadas, criando uma rede descentralizada e de difícil rastreamento. Para a polícia, esse modelo representa uma adaptação do comércio ilegal às plataformas digitais, onde o WhatsApp assume o papel de canal principal de oferta, contato e fechamento de transações. Elementos encontrados na residência Durante a diligência que deu origem ao caso, os agentes também localizaram munições de diferentes calibres na residência investigada, além do acesso autorizado aos aparelhos celulares que permitiram a extração do material analisado. Segundo o relatório, o conjunto de elementos — munições, imagens, conversas e buscas online — foi considerado pelos investigadores como indícios convergentes de atuação no comércio ilegal de armas. Investigação em andamento A Polícia Civil trata o caso como parte de uma investigação mais ampla sobre circulação de armamento em ambientes digitais, especialmente aplicativos de mensagem, que vêm sendo monitorados como possíveis canais de negociação clandestina. O material apreendido segue em análise, e o caso será encaminhado para avaliação jurídica quanto ao enquadramento final das condutas.

Granada, sangue e um vulto armado: policiais da Core revelam bastidores da operação do Jacarezinho (CV). Confronto terminou com 28 mortos

Antes mesmo do sol nascer completamente sobre o Jacarezinho, o som dos helicópteros já cobria a comunidade. Eram pouco mais de cinco horas da manhã quando o barulho das aeronaves se misturou ao estampido dos tiros. O que viria nas horas seguintes entraria para a história como uma das operações mais letais já realizadas pela polícia no Rio de Janeiro que terminou com 28 mortos. Cinco anos depois, os bastidores daquela manhã de 6 de maio de 2021 voltaram a ser reconstruídos em detalhes na Justiça. Os policiais civis Douglas Siqueira e Anderson Silveira Pereira, ambos da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), prestaram depoimentos minuciosos sobre a sequência de acontecimentos que terminou na morte de Omar dentro de uma residência da comunidade. Os dois irão a júri popular pela morte de um suspeito. As declarações descrevem uma operação em clima de guerra, com tiroteios ininterruptos, policiais feridos, um agente morto, disparos partindo de diferentes direções e a tensão permanente de entrar em vielas estreitas sem saber de onde viria o próximo ataque. “Tinha tiro por toda a favela” Comissário da Polícia Civil e integrante da Core há 13 anos, Anderson Silveira Pereira contou que participou de mais de mil operações semelhantes, mas classificou o Jacarezinho como um dos ambientes mais hostis que já enfrentou. Segundo ele, os confrontos aconteciam praticamente em todos os setores da comunidade. — Estava tendo tiroteio a todo momento por toda a favela. Parava um pouco e começava de novo. Era intenso — relatou. Em determinado momento, as equipes receberam a notícia de que um policial havia sido baleado. Somente depois souberam que o colega havia morrido. Mesmo assim, segundo Anderson, não houve qualquer movimento de vingança. — Não surgiu nos grupos nenhuma conversa de retaliação. Ficamos sabendo da morte dele quando já estávamos socorrendo outro ferido. Os policiais avançavam em progressão tática, cobrindo uns aos outros. O cenário era considerado extremamente perigoso. O terreno acidentado, os becos estreitos e a possibilidade de disparos vindos de lajes faziam com que cada deslocamento fosse feito lentamente. O rastro de sangue Em determinado momento da operação, Anderson encontrou a equipe comandada por Douglas Siqueira. Os dois seguiam por um dos becos quando perceberam marcas de sangue espalhadas pelo chão. As gotas se estendiam pela viela e continuavam escada acima. — Pensamos: “Tem algum baleado que entrou aqui” — relatou Anderson. Ao chegarem diante de uma porta preta, Douglas entrou primeiro. Uma mulher apareceu. Segundo os policiais, ela confirmou que havia uma pessoa baleada dentro do imóvel. Os agentes retiraram os moradores e iniciaram uma entrada tática. Douglas seguia à frente. Anderson vinha logo atrás, praticamente ombro a ombro, mas ligeiramente recuado, a uma distância de cerca de um braço. O espaço era apertado. — Era tudo muito pequeno. Um barraco. A cozinha já ficava colada no quarto — descreveu. O instante decisivo Segundo Anderson, eles ainda não haviam conseguido visualizar ninguém. A única pista era o sangue. Douglas avançou em direção a um dos quartos enquanto Anderson permanecia na posição de cobertura, voltado para a cozinha. Foi então que ouviu um barulho. Só mais tarde identificaria aquele som como sendo o de uma granada. — Quando ouvi, virei automaticamente. Segundo o policial, naquele instante viu a granada rolando na direção dos agentes. E viu também um vulto. — Só vi um vulto segurando uma arma. Era Omar. Anderson contou que não tinha visão completa do cômodo porque Douglas estava na sua frente. — Vi apenas o vulto e o disparo. Segundo ele, tudo aconteceu em frações de segundo. Douglas atirou uma única vez. Omar caiu. “Ele ainda se debatia” Os policiais afirmam que Omar ainda estava vivo. Segundo Anderson, ele continuava gesticulando. A pistola teria caído no chão e estava ao alcance da mão do suspeito. Os agentes então recolheram a arma. Mais tarde, segundo eles, verificaram que a pistola possuía um kit rajada. Ao mesmo tempo, chamaram o esquadrão antibombas para recolher o explosivo. Mesmo em meio ao confronto externo, os policiais decidiram socorrer Omar imediatamente. — Era melhor levar até o blindado do que esperar o socorro chegar. Sem maca e sem espaço para manobras, os agentes improvisaram. Pegaram um lençol ou cobertor e suspenderam o ferido. As escadas estreitas dificultavam a remoção. — Era da forma que dava. Não arrastamos pelo chão. Segundo Anderson, a descida foi lenta porque o tiroteio continuava. — Parava um pouco e voltava. A progressão até o blindado foi difícil. O caveirão estava do lado de fora, já que era impossível sua entrada na viela. “Jacarezinho foi a única favela onde tomei tiro” Ao longo do depoimento, Anderson afirmou que perdeu dois amigos em operações no Jacarezinho e revelou que aquela foi a única comunidade em que acabou atingido por disparos ao longo da carreira. — É uma das piores. Ele contou que já participou de mais de mil operações e continua lotado na Core. A outra versão Dentro da residência, porém, os moradores contam uma história completamente diferente. Segundo eles, Omar havia chegado cerca de meia hora antes. Ferido no pé, sangrando muito, sem camisa e vestindo apenas uma bermuda tactel, ele pedia ajuda. O sangue espalhou-se pela escada, pela sala e pelo quarto da criança. Moradores dizem que ele recebeu um pano para estancar o ferimento e se deitou em uma cama. Ninguém afirma ter visto arma. Ninguém afirma ter visto granada. Todos descrevem um homem desesperado e debilitado. “Cadê a arma?” Os moradores relatam que ouviram os passos dos policiais subindo a escada. Flávia, dona da casa, teria descido para avisar: — Tem um menino baleado aqui, mas tem criança em casa. Segundo ela, o policial passou por ela e entrou. Seu marido gritou: — Morador, estou com criança! A resposta teria sido: — Sai, sai. Na sequência, testemunhas afirmam ter ouvido o policial gritar: — Cadê a arma? Cadê a arma? E logo depois veio um único disparo. Os moradores afirmam que não ouviram resposta. Nenhum deles diz ter visto Omar armado. Corpos espalhados pela

Traficante que comandava Kelsons e foi acusado de matar namorada caiu no ‘Tribunal do CV’

O traficante Dalton Vieira Santana , o “D da Kelson’s” foi morto no Tribunal do Crime no Complexo da Penha (CV). A ordem teria vindo de Doca, e a motivação teria sido devido a dívidas do traficante com a facção. O corpo foi localizado por policiais militares dentro de um veículo na própria região. De acordo com apurações obtidas pelo reporter Bruno Assunção, DT teria sido o articulador do assalto a uma joalheria localizada na Estrada do Mendanha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O roubo causou um prejuízo estimado em R$ 4 milhões. Na ação, um homem e uma mulher se passaram por clientes interessados na compra de alianças de casamento, apresentaram documentos falsos para entrar no estabelecimento e, já no interior da loja, renderam os proprietários e uma funcionária sob ameaça de arma de fogo. Ainda segundo informações obtidas pela reportagem, após o roubo, DT teria tentado enganar integrantes da cúpula do Comando Vermelho, alegando que um ourives responsável por avaliar as joias ainda não havia contabilizado o valor total do material subtraído. A suspeita é de que parte dos recursos obtidos no crime não teria sido repassada conforme o esperado pela organização criminosa. Dalton ficou conhecido ao ser acusado do assassinato de Bianca Lourenço, de 24 anos,, em 2021, após não aceitar o fim do relacionamento. Segundo relatos da época, Dalton mandou matá-la e jogarcseu corpo na praia dentro de um tonel Em 2021, o juiz Alexandre Abrahão, titular do 3º Tribunal do Júri, decretou a prisão preventiva de Dalton, acusado de envolvimento no assassinato da jovem .O corpo de Bianca só foi reconhecido devido às suas tatuagens. A suposta morte de Dalton, no entanto, ainda não está confirmada oficialmente.

Presidente de associação de moradores foi denunciada sob suspeita de atuar como tesoureira do TCP em Vargem Grande. Moradores são obrigados a pagar taxas e por serviços

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou a presidente de uma associação de moradores de uma comunidade em Vargem Grande sob a acusação de integrar a estrutura de arrecadação financeira do Terceiro Comando Puro (TCP), uma das facções criminosas que disputam o controle territorial na Zona Oeste da capital. Segundo a denúncia, a investigada exerceria função central dentro do esquema de extorsão imposto pelo grupo, atuando como responsável pela arrecadação e controle de valores pagos por moradores, comerciantes e prestadores de serviço. Na prática, ela seria apontada como uma espécie de tesoureira da organização criminosa na região. De acordo com o Ministério Público, o TCP mantém na área uma estrutura criminosa estável, hierarquizada e permanente, baseada no chamado “domínio social estruturado”, em que o grupo exerce controle sobre o território e sobre a rotina da população local por meio de violência, intimidação e coerção econômica. A denúncia detalha que o esquema não se limita ao tráfico de drogas. Além da atividade ilícita principal, a facção também impõe uma rede de cobranças ilegais que atinge diretamente a população civil. Moradores e comerciantes seriam obrigados a pagar taxas mensais sob ameaça de agressões, expulsão e retaliações, em um sistema paralelo de cobrança que substitui serviços públicos e regula atividades econômicas dentro da comunidade. Entre as cobranças relatadas estão taxas sobre fornecimento de energia elétrica, água e internet, além de valores exigidos em transações imobiliárias, como compra, venda e ocupação de imóveis na região. Segundo a acusação, o não pagamento dessas quantias poderia resultar em punições impostas pelos criminosos, incluindo ameaças diretas e violência física. A investigação aponta que a denunciada teria papel relevante na operacionalização desse sistema, sendo responsável por recolher e organizar os valores arrecadados, funcionando como elo entre os moradores e a estrutura financeira da facção. A atuação dela, segundo o Ministério Público, ajudaria a garantir a regularidade da arrecadação e a manutenção do fluxo de dinheiro dentro da organização. A denúncia foi embasada em informações colhidas durante uma operação policial realizada por agentes da 42ª DP, com apoio do 31º BPM, na comunidade apontada como área de influência do TCP. Durante a ação, policiais receberam relatos de moradores que optaram por não se identificar por medo de represálias. Esses depoimentos indicavam que a dirigente comunitária teria participação direta no recolhimento das taxas impostas pelo grupo criminoso. Além das informações obtidas em campo, o Ministério Público menciona que investigações anteriores já vinham recebendo comunicações anônimas por meio do Disque-Denúncia, relatando a existência de um sistema de extorsão estruturado na região. Esses relatos apontariam a cobrança sistemática de valores sob ameaça, incluindo taxas relacionadas a serviços básicos e a atividades comerciais. A acusação também cita a existência de vínculos entre a estrutura local e outros integrantes da facção, que seriam responsáveis por dar suporte ao esquema de dominação territorial e pela aplicação das regras impostas pelo grupo criminoso. A organização, segundo a peça acusatória, atua de forma hierarquizada, com divisão de tarefas entre membros responsáveis pela vigilância, cobrança, intimidação e controle financeiro. A denunciada foi localizada durante a operação policial e encaminhada à delegacia. Ela responde a ação penal na 34ª Vara Criminal da Capital. O Ministério Público sustenta que o conjunto de elementos indica a existência de uma estrutura criminosa consolidada na região, na qual funções como arrecadação, coerção e controle territorial estariam distribuídas entre diferentes integrantes, permitindo a manutenção do domínio da facção sobre a comunidade. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e a defesa poderá se manifestar no curso do processo.

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