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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Complexo de Israel (TCP): investigações revelam tráfico que cobra taxas, controla serviços, mantém homens armados e trava guerras pelo território

As operações policiais realizadas desde a última sexta-feira (21) no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, acontecem em um território que, segundo uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é submetido a uma estrutura criminosa muito mais ampla do que o comércio de drogas. A denúncia descreve uma organização ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP) que teria construído um sistema de poder baseado em tráfico, extorsões, exploração de serviços, cobrança de taxas, controle territorial, violência e uma estrutura armada utilizada contra rivais e agentes do Estado. O processo reúne informações sobre a atuação do grupo nas comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-pau e Cinco Bocas. Segundo o Ministério Público, a organização teria se estruturado para obter vantagens econômicas não apenas com a venda de entorpecentes, mas também com a exploração de outros serviços existentes no território. Entre as atividades apontadas pela investigação estão o fornecimento de TV a cabo, internet e a cobrança de taxas de funcionamento de estabelecimentos comerciais e de serviços. Também são mencionadas cobranças relacionadas a telecomunicações, distribuição de sinais de internet e transportes alternativos. Na avaliação do Ministério Público, o modelo de atuação apresentava características semelhantes às de uma milícia, razão pela qual a denúncia utiliza a expressão “narcomilícia” para descrever a estrutura. A organização, segundo a acusação, teria como objetivo ampliar o domínio territorial e transformar esse controle em fonte permanente de arrecadação. Estrutura hierarquizada e divisão de funções A denúncia descreve uma organização estruturalmente ordenada, permanente e com divisão de tarefas. No topo, segundo o Ministério Público, está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como principal líder da organização. A investigação afirma que ele exerceria comando sobre o grupo e seria responsável pela administração da sistemática de arrecadação de aluguéis e taxas de funcionamento de comércio e serviços no chamado Complexo de Israel. Peixão também é apontado na denúncia como mandante de homicídios, torturas e invasões armadas a imóveis e áreas dominadas por grupos rivais. Ainda segundo o Ministério Público, foi durante sua liderança que o território controlado pelo grupo teria se expandido significativamente. A denúncia também atribui ao líder a imposição da fé cristã aos moradores das áreas dominadas. Abaixo da principal liderança, a investigação identificou diferentes funções. Um dos integrantes é apontado como braço direito e liderança do tráfico em Parada de Lucas, enquanto outro, mesmo estando preso, teria mantido posição de prestígio na hierarquia do TCP e continuado a se comunicar com subordinados, inclusive para autorizar ou orientar ações relacionadas a invasões de outras comunidades. Outro integrante, também atuando de dentro do sistema prisional, é apontado como responsável pela coordenação de invasões a comunidades rivais e pela execução de desafetos de Peixão, além de exercer influência sobre uma comunidade localizada em Duque de Caxias. Há ainda integrantes identificados como responsáveis pelo gerenciamento de pontos de venda de drogas em Cinco Bocas e Cidade Alta. Foi justamente a quebra do sigilo de dados de um dos celulares apreendidos durante a investigação que permitiu, segundo o Ministério Público, reunir um grande acervo de conversas entre integrantes da organização. Esse integrante também teria sido identificado em imagens publicadas em redes sociais ostentando armas de grosso calibre, um caderno de anotações do tráfico e fazendo gestos relacionados à facção. Outro denunciado é apontado como liderança do tráfico em uma área controlada pelo grupo fora da capital, no Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Segundo a investigação, ele aparecia em redes sociais em pontos de venda de drogas e ao lado de integrantes armados da organização. Braço armado e homens responsáveis pela segurança A estrutura tinha ainda uma camada dedicada exclusivamente à força. Um dos integrantes é apontado como braço armado da organização na Cidade Alta, tendo atuado anteriormente como segurança de uma liderança. A investigação afirma que ele ostentava armas de fogo em redes sociais e comemorava a morte de traficantes rivais. Outro integrante é apontado como responsável pelo gerenciamento das bocas de fumo da Cidade Alta e como um dos homens de confiança de Peixão, contando inclusive com segurança própria. Também havia criminosos responsáveis especificamente pela segurança das bocas de fumo e pela contenção de invasões de rivais e operações policiais. A denúncia cita, inclusive, um episódio em que um desses integrantes teria efetuado disparos contra uma guarnição da Polícia Militar que, ao tentar escapar do trânsito, acabou entrando na comunidade. Outro integrante exerceria a função de segurança armada, especialmente na Cidade Alta, enquanto outro atuaria como vendedor de drogas, descrito na investigação como responsável pela comercialização dos entorpecentes dentro da comunidade. A investigação aponta ainda outros três integrantes como seguranças armados da organização, sendo um deles descrito pelos investigadores como particularmente violento. O Ministério Público ressalta que os chamados “soldados do tráfico” exerciam também a função de proteger criminosos que ocupavam posições superiores na hierarquia da organização, permanecendo constantemente armados e utilizando outros equipamentos bélicos. Nem o SAMU escapou do domínio territorial Um dos episódios descritos no processo ajuda a mostrar até onde, segundo a investigação, chegava o controle exercido pelos criminosos. Em 2 de maio de 2022, uma ambulância do SAMU foi chamada para atender uma emergência dentro de uma comunidade. Quando a equipe chegou ao local, um integrante apontado pela investigação como segurança armado da organização abordou a técnica de enfermagem e o motorista da ambulância e determinou que eles deixassem a comunidade, alegando que naquele momento ocorria uma operação policial. O episódio demonstra, segundo os elementos reunidos na investigação, que os criminosos não se limitavam a controlar atividades diretamente relacionadas ao tráfico. Eles também impunham regras sobre a circulação de serviços públicos e de emergência dentro do território, utilizando a força e a ameaça como instrumento de controle. Menores também participavam da estrutura A investigação identificou ainda a participação de adolescentes na organização criminosa liderada por Peixão. Segundo o Ministério Público, menores de idade participavam ativamente de atividades de interesse da facção. A presença de adolescentes se somava à utilização de homens armados para garantir a vigilância das

Madrinha da Cidade Alta (TCP) é suspeita também de envolvimento em homicídio de homem que foi morto com 17 tiros nas costas. Vítima foi executada porque testemunhou morte do irmão e jurou vingança

Luana Rosa de Araújo, a Madrinha da Cidade Alta, presa hoje em operação no Complexo de Israel, é suspeita de envolvimento em um homicídio cometido no dia 30 de dezembro de 2015, em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias. Segundo a denúncia, Luana junto com Ratinho, Paraná e Gelsinho efetuaram disparos de arma de fogo contra a vítima Rubens de Oliveira Silva, que veio a óbito. O crime foi praticado por motivo torpe, eis a vítima, além de ser testemunha do homicídio de seu irmão, Luis Carlos deOliveira Silva, ocorrido em 2014, o qual também foi arquitetado pelos recorrentes, não se conformava com a morte do mesmo, prometendo vingá-lo um dia. O crime foi praticado por meio cruel, eis que a vítima foi atingida por 21 disparos de arma de fogo, O crime foi perpetrado mediante recurso que dificultou adefesa da vítima, eis que foi atingida de surpresa quando menos poderia supor o ataque. O crime foi praticado mediante outro recurso que dificultou a defesa da vítima, eis que foi atingida por 17 disparos de arma de fogo pelas costas,. Luana é apontada como uma das chefes do tráfico do Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação em Imbariê e Massapê, em Duque de Caxias, além de ligações com Cidade Alta e Parada de Lucas. Ela também é apontada como braço direito do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”. A Polícia Civil investiga ainda a suspeita de que Luana tenha expulsado moradores de imóveis do Minha Casa, Minha Vida para utilizar os locais como pontos de venda de drogas e esconderijos. Ela também é investigada por suposto envolvimento em ataques a ônibus.

Presa hoje, Madrinha da Cidade Alta (TCP) é suspeita de participar falsa blitz de traficantes que terminou com homem morto

A traficante Luana Rosa de Araújo, conhecida como “Madrinha da Cidade Alta”, presa nesta terça-feira (25) durante uma operação policial no Complexo de Israel, é suspeita de envolvimento em um homicídio ocorrido em 2020, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O crime aconteceu em meio a uma disputa territorial entre traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e integrantes do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, criminosos armados realizavam uma espécie de falsa blitz na Avenida dos Coqueiros, na região da comunidade do Massapê, quando abordaram veículos que passavam pelo local. A vítima fatal foi Alan Kardec, que estava em uma Ford Ranger prata. O processo aponta que ele acabou atingido por disparos de arma de fogo depois de tentar escapar do bloqueio realizado pelos criminosos. O caso também envolve o traficante conhecido como “Noventinha”, apontado como parceiro de Luana. Ele será submetido a júri popular pelo homicídio, enquanto o processo em relação à traficante foi desmembrado e continua tramitando. Traficantes esperavam confronto com o CV De acordo com os elementos reunidos na investigação e posteriormente apresentados no processo, os criminosos estariam posicionados na Avenida dos Coqueiros à espera de um possível confronto com integrantes do Comando Vermelho, que dominariam a comunidade conhecida como “Vai Quem Quer”. A dinâmica descrita pelas testemunhas ajuda a explicar como Alan acabou sendo morto. Segundo o relato de um amigo da vítima, policiais que atenderam a ocorrência disseram que os criminosos realizavam uma falsa blitz na região do Massapê, área apontada como dominada pelo TCP. O amigo afirmou ainda ter ouvido dos policiais que, antes de Alan tentar passar pelo bloqueio, um Toyota Corolla blindado, conduzido por um homem que seria policial militar, havia chegado ao local. O motorista teria reagido à abordagem e efetuado disparos contra os traficantes. Foi nesse momento que Alan, que vinha logo atrás em sua Ranger, teria tentado fugir. A suspeita levantada durante a investigação é que os criminosos possam ter confundido a Ranger com um veículo ligado à facção rival, já que o motorista tentou escapar depois de presenciar os disparos. Grupo tinha fuzis e atirou contra veículos Uma das pessoas que sobreviveu ao ataque contou em juízo que retornava para casa, em Santa Cruz da Serra, acompanhado da esposa, Danielle, depois de um treinamento. Ao acessar a Avenida dos Coqueiros, próximo a uma praça antes da Rua Massapê, o casal teria sido abordado por um homem armado com uma pistola, que apontou a arma para o vidro do veículo. O motorista, que é policial militar, decidiu fugir porque seu carro era blindado. Segundo seu depoimento, o criminoso chegou a se colocar à frente do veículo, mas caiu no chão sem ser atropelado e passou a efetuar disparos contra o automóvel. O policial acreditou inicialmente que a situação havia terminado. No entanto, pouco depois, deparou-se com outro grupo de criminosos. Desta vez, segundo seu relato, havia pelo menos seis homens armados com fuzis. Sem alternativa para retornar, o motorista decidiu atravessar o bloqueio. Os criminosos então passaram a atirar contra o veículo. O carro sofreu pelo menos 16 perfurações provocadas por disparos. Durante o ataque, Danielle, que estava no banco do carona, que havia sido reclinado para baixo, acabou atingida por um tiro na região do cóccix. O projétil atravessou o glúteo. Ela teria avisado ao marido que havia sido atingida somente depois que conseguiram deixar o local. PM reconheceu um dos acusados Em seu depoimento, o policial afirmou ter conseguido reconhecer um dos acusados. Segundo ele, a identificação foi possível porque havia boa iluminação pública no local e o criminoso não utilizava qualquer acessório para esconder o rosto. O policial afirmou ainda que, por exercer a função de agente de segurança e morar na região, já havia visto o acusado anteriormente no Portal dos Procurados. A testemunha contou que só posteriormente tomou conhecimento de que outro veículo, que vinha atrás, também havia tentado atravessar o bloqueio. Era o carro de Alan. Ranger foi atingida por vários disparos A perícia encontrou diversas marcas de tiros na Ford Ranger conduzida por Alan. Foram identificadas perfurações provocadas por projéteis de arma de fogo na porta dianteira direita, roda dianteira direita, para-choque dianteiro, para-lama dianteiro esquerdo, porta dianteira esquerda e para-choque traseiro. Os vestígios indicaram impactos no sentido de fora para dentro. A prova pericial foi reforçada pelos depoimentos das testemunhas, que relataram que Alan havia sido atingido por disparos. Depois de conseguir sair da região, ele ainda estava vivo. Um amigo da vítima contou que recebeu a informação de que Alan havia sido baleado e estava sendo levado para o Hospital Adão Pereira Nunes. Ao chegar à unidade, encontrou o colega sendo submetido a uma cirurgia. Alan, entretanto, não resistiu aos ferimentos e morreu pouco tempo depois. Mulher também foi atingida durante o ataque A ocorrência deixou outras vítimas. Além de Alan, Danielle foi baleada enquanto estava dentro do Corolla blindado. Segundo os depoimentos, ela foi atingida na região do cóccix, com o disparo atravessando o glúteo. O amigo de Alan também afirmou ter recebido dos policiais a informação de que uma mulher que estava no veículo blindado havia sido atingida durante a troca de tiros. As circunstâncias descritas no processo apontam para um cenário de extrema violência, com criminosos fortemente armados tentando controlar a circulação de veículos em uma área disputada por facções rivais. Processo aponta atuação do TCP na região Segundo o relato prestado pelo amigo de Alan, policiais que participaram da ocorrência atribuíram o ataque a traficantes que controlavam a região do Massapê. O depoente afirmou ter ouvido que os criminosos pertenciam ao grupo comandado pelo traficante conhecido como “Peixão”, apontado como liderança do TCP na região. Ainda de acordo com o depoimento, a disputa pelo território ocorria justamente entre criminosos do TCP e do Comando Vermelho. A investigação, portanto, trabalha com a hipótese de que Alan tenha sido vítima de uma ação criminosa relacionada à guerra entre as duas facções. O fato de ele ter tentado escapar da falsa blitz, segundo a linha investigativa apresentada

Advogado morto no Centro do Rio queria montar estabelecimento de apostas justamente em área dominada por Adilsinho, que foi denunciado como mandante do crime

O advogado Rodrigo Marinho Crespo pode ter sido assassinado porque pretendia entrar no mercado de apostas abrindo um estabelcimento jsutamente em uma área controlada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o contraventor foi denunciado como mandante da execução do advogado, morto a tiros em fevereiro de 2024, no Centro do Rio. A suspeita de que o crime estaria relacionado à disputa pelo mercado de jogos e apostas já havia sido apresentada pelo Ministério Público durante o julgamento dos executores de Crespo, realizado em março deste ano. Na ocasião, o promotor Bruno de Faria Bezerra afirmou que Rodrigo Crespo estudava entrar no ramo das chamadas bets e pretendia montar um Sporting Bar em Botafogo, onde seriam realizadas apostas e poderiam funcionar máquinas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet. O detalhe apontado pela acusação era justamente o local onde o advogado pretendia instalar o empreendimento. Segundo o Ministério Público, Adilsinho era o responsável pelos pontos de jogo do bicho e por um bingo clandestino na região de Botafogo. Para a acusação, portanto, a entrada de Crespo nesse mercado poderia representar uma ameaça aos interesses econômicos da organização comandada pelo contraventor. Durante a sustentação no Tribunal do Júri, o promotor afirmou que o assassinato teria servido como um recado para quem pretendesse disputar aquele mercado. “A morte dele, encomendada, foi um recado claro.” Rodrigo Marinho Crespo foi executado no dia 26 de fevereiro de 2024, por volta das 17h15, na Avenida Marechal Câmara, em frente ao número 160, no Centro do Rio, próximo à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Executores foram condenados a 30 anos A ligação entre o assassinato e a organização de Adilsinho já havia aparecido de forma contundente no julgamento realizado em 6 de março de 2026 pelo III Tribunal do Júri do Rio. Na ocasião, Leandro Machado da Silva, o “Cara de Pedra”, Cezar Daniel Môndego de Souza, o “Russo”, e Eduardo Sobreira Moraes foram condenados a 30 anos de prisão cada um pela participação na morte do advogado. O Ministério Público sustentou no julgamento que os três faziam parte da organização criminosa chefiada por Adilsinho. A acusação apresentou ao Conselho de Sentença a dinâmica dos acusados antes e depois do assassinato e afirmou que eles participaram do planejamento e da execução do crime. As defesas, porém, negaram que os réus soubessem que Rodrigo seria assassinado. Cezar Daniel Môndego de Souza afirmou, por meio de seus advogados, que havia sido contratado por R$ 5 mil apenas para monitorar a vítima e que não sabia que ela seria morta. A defesa de Eduardo Sobreira Moraes sustentou que ele teria sido contratado somente como motorista de Cezar Mondego e também desconhecia a existência de um plano de execução. Já os advogados de Leandro Machado da Silva alegaram que o nome dele sequer aparecia no checklist do veículo usado no monitoramento de Rodrigo e afirmaram que ele apenas sublocava carros da empresa Horizonte 16 para obter renda extra. As teses não convenceram os jurados. Sentença descreveu “extenso grupo de sicários” Ao proferir a sentença, o juiz Cariel Bezerra Patriota afirmou que ficou evidenciada a participação dos três condenados em um grupo maior, estruturado para a prática de homicídios e outros crimes. O magistrado classificou a organização como um “extenso grupo de sicários”, com ordenação, divisão de tarefas e estrutura voltada à obtenção de vantagens econômicas e expansão de poder. A sentença apontou ainda que o grupo teria utilizado métodos para destruir provas e dificultar investigações futuras. Um dos trechos mais graves da decisão trata da participação de policiais militares da ativa na estrutura. “É extremamente preocupante que a investigação da morte de RODRIGO MARINHO CRESPO revelou a participação de vários policiais militares da ativa em um grupo de execução/extermínio, um verdadeiro grupo de sicários que se aproveita do poder estatal para criar um poder paralelo e ainda se infiltrar no Poder Estatal.” Para o juiz, o grupo não apenas executava pessoas, mas também atuava na destruição de evidências e na obstrução de investigações. Agora, MP aponta Adilsinho como mandante O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou e obteve a decretação da prisão preventiva de mais quatro acusados de envolvimento no homicídio do advogado Rodrigo Crespo, morto a tiros no Centro do Rio, em 26 de fevereiro de 2024. Nesta segunda-feira (24/08), a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão preventiva contra o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull, lotado no 15º BPM. Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o Motinha, já estavam presos, e os mandados de prisão foram cumpridos no dia 20/08. Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, é considerado foragido pela Justiça. De acordo com a denúncia, Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, encomendou o assassinato do advogado por considerar que sua atuação representava risco aos seus interesses na exploração do mercado de apostas online, as bets. À época do crime, de acordo com o GAECO/MPRJ, os chamados “contraventores” estavam se inteirando sobre a entrada no lucrativo mercado de bets, segmento em que Rodrigo Crespo manifestava interesse em investir. As investigações revelaram que ele, inclusive, já buscava financiadores para a implantação de empreendimento de grande porte, além de ter exposto a intenção de abrir um “sports bar” com máquinas semelhantes a caça-níqueis, universo historicamente dominado pelos bicheiros. “Os elementos de investigação indicam que a escolha do local, do horário e do modo de execução não foi aleatória, havendo fortes indícios de que a organização buscou conferir ao crime caráter ostensivo e intimidatório, com o propósito de transmitir uma mensagem de poder e dissuasão a potenciais concorrentes ou a terceiros que viessem a contrariar seus interesses econômicos/criminosos”, descreve a denúncia. A denúncia também aponta que Ryan fez a vigilância da vítima nos dias anteriores ao homicídio, identificando os locais e horários favoráveis à

Tirado de dentro de loja para morrer: Justiça manda prender suspeitos de execução da milícia de Rio das Pedras quase 3 anos depois

Uma execução atribuída à milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, ganhou um novo capítulo na Justiça quase três anos depois do crime. A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público contra três homens acusados de envolvimento no assassinato e decretou a prisão preventiva dos suspeitos. Foram denunciados João Henrique Pedro da Silva, conhecido como “Pezão”; Gerlan Anacleto de Oliveira; e Ulisses da Silva Oliveira, o “Caju”. Eles são acusados de homicídio qualificado e de integrar organização criminosa de caráter paramilitar. O crime ocorreu em 26 de novembro de 2023 e, segundo a investigação descrita na decisão judicial, teria sido praticado em um contexto de domínio territorial da milícia. A vítima teria sido abordada dentro da loja de materiais de construção e retirada do estabelecimento por integrantes do grupo. De acordo com a investigação, a vítima teria sido levada posteriormente para outro local, onde acabou executada a tiros. A Justiça afirma que o homicídio teria sido cometido como uma espécie de “punição” imposta pela milícia por supostos delitos praticados na comunidade. Câmeras registraram abordagem dentro da loja As imagens das câmeras de segurança do Fluzão aparecem como um dos principais elementos usados pela investigação para apontar a participação dos denunciados. Segundo a decisão, Gerlan Anacleto de Oliveira teria sido identificado nas imagens como o homem que aparece usando uma camisa escura e segurando a vítima pelo braço esquerdo. Já João Henrique Pedro da Silva, o “Pezão”, teria sido identificado como o homem que aparece usando uma camisa do Flamengo e saindo logo atrás da vítima. A identificação de Ulisses da Silva Oliveira, o “Caju”, teria ocorrido a partir da análise comparativa das imagens, de informações obtidas nos sistemas policiais e também de uma declaração prestada pelo próprio Gerlan durante a investigação. Segundo esse relato, Ulisses seria o homem que aparece nas imagens usando uma camisa branca e carregando uma mochila que teria sido deixada pela vítima, seguindo posteriormente para encontrar os demais envolvidos. Justiça aponta atuação de grupo paramilitar Ao determinar as prisões, a Justiça destacou que os elementos reunidos no inquérito apontam que os acusados estariam inseridos em um grupo paramilitar responsável pelo controle armado da região. A decisão afirma que o crime teria ocorrido em um ambiente marcado por “intimidação coletiva e controle social armado”, características associadas ao domínio territorial de organizações criminosas. Para a Justiça, a gravidade do assassinato, a forma como o crime teria sido praticado e os indícios de pertencimento dos acusados à organização criminosa demonstram risco de reiteração delitiva. A decisão também menciona registros envolvendo os denunciados relacionados a outros delitos violentos que teriam ocorrido em contexto de organização criminosa armada. Testemunhas teriam demonstrado medo Outro fundamento utilizado para justificar a prisão preventiva foi o risco de intimidação das testemunhas. Segundo a decisão, funcionários do Fluzão demonstraram receio concreto ao fornecer as imagens das câmeras de segurança utilizadas na investigação. A Justiça considerou que, diante do suposto domínio territorial exercido pelo grupo paramilitar, testemunhas poderiam sofrer intimidações ou retaliações caso os acusados permanecessem soltos durante a instrução do processo. Por isso, o juiz entendeu que medidas alternativas à prisão seriam insuficientes. Prisão só foi decretada agora Apesar de o crime ter ocorrido em novembro de 2023, a prisão preventiva dos três denunciados foi decretada somente agora, após o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público e o recebimento da acusação pela Justiça. Ao analisar o caso, o juiz considerou que existem elementos suficientes de materialidade e indícios de autoria para permitir o prosseguimento da ação penal. Entre as provas citadas estão laudos de necropsia, perícias, registros de ocorrência, autos de apreensão, depoimentos, informações produzidas durante a investigação, análise de imagens de câmeras de segurança e o relatório final do inquérito. A Justiça ressaltou, porém, que o recebimento da denúncia não representa condenação. Os três acusados ainda terão direito à defesa e ao devido processo legal. Mandados de prisão foram expedidos Diante da gravidade concreta do caso, dos indícios de participação em organização criminosa armada, do risco de reiteração delitiva e da necessidade de proteger as testemunhas, a Justiça decretou a prisão preventiva de João Henrique Pedro da Silva, Gerlan Anacleto de Oliveira e Ulisses da Silva Oliveira. Os mandados de prisão foram determinados com prazo de 20 anos. O processo agora seguirá para a fase de instrução, na qual serão produzidas e analisadas as provas e ouvidas as testemunhas antes das próximas decisões judiciais.

Meio a operações e ocupação policial, Complexo de Israel (TCP) tem pichações alusivas ao CV

Moradores acusam policiais de terem pichado paredes e casas durante a operação no Complexo de Israel, deixando siglas associadas ao Comando Vermelho(CV) e referências à chamada “Tropa do Urso”, comandada pelo traficante Doca, chefão do Complexo da Penha. Segundo os relatos que serão repassados, as pichações teriam sido feitas durante a ação policial. As acusações ainda precisam ser apuradas e confirmadas pelas autoridades. Não é a primeira denúncia que moradores fazem contra PMs desde que o conjunto de favelas foi ocupado na última sexta-feira. No sábado, a TV Globo afirmou que a população acusou os agentes da lei de abusos como invasão de domicílios. Agora a noite, policiais do #BAC, com apoio de cães farejadores, localizaram um bunker usado para esconder material entorpecente durante operação em Vigário Geral. O compartimento, localizado em um imóvel abandonado, foi encontrado após alteração de comportamento do cão durante o vasculhamento. Mais cedo, quatro criminosos foram presos por policiais do #BOPE durante operação em Parada de Lucas e Vigário Geral. Após negociação para rendição, os agentes apreenderam 2 fuzis na área de charco.

PMs suspeitos de cobrar propina de comerciantes em Nilópolis podem ser expulsos da corporação: “Agem como milicianos”, denuncia relato. Câmeras flagraram suposta entrega de dinheiro. Acusados pegavam até coca-cola e cerveja

Dois policiais militares estão sendo submetidos a um Conselho de Disciplina que poderá decidir pela expulsão deles da Polícia Militar. Os agentes são suspeitos de, entre maio de 2023 e abril de 2024, exigir pagamentos semanais de R$ 50 de comerciantes de Nilópolis, na Baixada Fluminense. As suspeitas surgiram a partir da análise de imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais, além de gravações feitas por câmeras de monitoramento de um estabelecimento comercial. Os registros, segundo a investigação, revelaram indícios de desvios funcionais atribuídos aos militares. Uma das denúncias encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) fez um relato contundente sobre a suposta cobrança. “Peço ajuda ao MPRJ e para o pessoal do GAECO, porque os comerciantes não aguentam exploração dos policiais que agem como milicianos. Obs.: isso acontece todo domingo, não estamos aguentando mais essas atitudes.” A denúncia foi encaminhada à 1ª Promotoria de Justiça com Atribuição na AJMERJ e acompanhada de uma mídia contendo dois vídeos curtos, com duração total de aproximadamente dez segundos. Vídeo mostra PM recebendo objeto semelhante a dinheiro No vídeo 1, conforme descrito no relatório de investigação, foi possível observar, por meio da câmera interna de monitoramento de um estabelecimento comercial, um policial militar fardado no momento em que recebeu “algo semelhante a um papel-moeda” durante um aperto de mãos com uma funcionária do estabelecimento. O policial estava usando colete e portava um fuzil. Segundo o relatório, entretanto, ele não fazia uso de sua câmera corporal naquele momento. A partir da decoração do local, do balcão com diversos papéis semelhantes a cardápios e das grades de ferro existentes no interior do estabelecimento, os investigadores apontaram que o episódio ocorreu em uma hamburgueria situada na Rua Alberto Teixeira da Cunha, no Centro de Nilópolis. A investigação descreveu detalhadamente a sequência registrada pelas câmeras. Imagem 1: o policial militar entra no comércio e estende a mão para uma funcionária, ainda não identificada. Imagem 2: a funcionária aparece conduzindo algo semelhante a um pedaço de papel colorido em sua mão direita, levando o objeto em direção à mão do policial. Imagem 3: policial e funcionária completam o aperto de mãos. Imagem 4: a funcionária deixa a cédula na mão do policial. Logo em seguida, afasta a própria mão, como se tivesse o cuidado de deixar visível para a câmera que havia entregado o objeto ao PM. A câmera estava posicionada bem próxima, na parte superior do local. Imagem 5: os dois desfazem o aperto de mãos. A funcionária abre as mãos, aparentemente como se quisesse evidenciar que a entrega havia sido concluída, e retira a mão vazia. Imagem 6: posteriormente, o policial leva a mão em direção ao bolso lateral da calça. Imagem 7: o PM tenta, pela primeira vez, colocar o papel semelhante a dinheiro no bolso, mas não consegue. Imagem 8: em uma segunda tentativa, coloca o objeto no bolso lateral direito da farda. Nesse momento, o pedaço de papel semelhante a dinheiro fica ainda mais exposto. A imagem também permite observar que o policial possui uma tatuagem no antebraço. Imagem 9: finalmente, o policial consegue guardar o objeto no bolso. Segundo vídeo mostra viatura e outro policial O vídeo 2, com duração aproximada de três segundos, foi feito por uma câmera externa. Pela posição do equipamento, os investigadores conseguiram identificar novamente o estabelecimento comercial, além da viatura do Setor D do 20º BPM. Um cabo da PM aparece próximo ao estabelecimento. Segundo o relatório, o policial é visto em pé na calçada, aparentemente resguardando o colega de farda, enquanto conversa com um homem que vestia camisa preta e bermuda jeans. A análise das imagens foi confrontada com os registros das câmeras corporais dos policiais. Segundo a investigação, o sargento envolvido no esquema encontrava-se embarcado na viatura, que permanecia estacionada, enquanto o cabo ficava do lado de fora, conversando com dois homens não identificados. Conversas captadas pelas câmeras corporais A análise dos registros audiovisuais captados pelas câmeras corporais identificou diversos diálogos considerados relevantes pelos investigadores. Às 00h22min52seg, a guarnição deixa o local e segue em patrulhamento. Às 00h24min24seg, o sargento recebe mensagens pelo celular e comenta: “Ocorrência lá no …, pegar os bagulho hein?” Às 00h24min38seg, ele explica que se tratava de uma ocorrência na Rua Antônio Pereira de Carvalho, no Centro de Nilópolis, próximo à Caixa D’Água, na altura do número 19. Às 00h27min56seg, começa outro diálogo: “Daqui a pouco o Pedro fecha, tá vazio hein? É o Pedro é hoje.” O cabo pergunta: “Quer pegar logo?” O sargento responde: “Não! Agora não vai vir não.” O cabo pergunta: “É Pedro, depois?” O sargento responde: “Luiz Leite tá até pago.” O cabo volta a questionar: “E Pedro?” O sargento responde: “Pedro, Luiz, … faixa 10 acho que é hoje hein?” Em outro momento da gravação, o sargento diz: “Aqui pai, é hoje também pai, para aí, para aí. Pai, o bagulho aqui ficou maneiro hein?” O cabo responde: “Vê se pega uma água aqui…” O sargento orienta: “É, pega aí ó, vai lá, pega uma água com ela, ela vai te dar na tua mão.” O cabo diz: “Aqui, aqui, aqui, aqui!” E o sargento responde: “Aproveita que ela tá bebendo aí, duas aguinhas e pega o negócio. E não, tá legal não pai, maior bondão já aí, tá legal não! Tá legal não.” O cabo pergunta: “Hã?” O sargento repete: “Tá legal não, tá legal não!” “Vão fazer o pagamento do pessoal” Às 00h28min50seg, a viatura para em frente à hamburgueria. Em novo diálogo, o sargento, que estava sem a câmera corporal, recoloca a COP no local correto. Na sequência, afirma: “É, vamos lá… vão fazer o pagamento do pessoal aí, mané. Vamos lá só bicar logo essa ocorrência… ééé, e volta logo para cá para dar uma moral.” Em outro trecho da conversa, o sargento diz: “É lá no Luiz. Amanhã vou marcar um dezinho lá, botar as mochilas na frente que aqui não cabe

Traficante Peixão (TCP) fica acuado entre ofensiva da PM no Complexo de Israel e ataques do CV na Baixada mas reage com violência

A quadrilha do traficante Peixão, uma das principais lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP) no Rio, vem sendo pressionada simultaneamente por operações da Polícia Militar e por ataques do Comando Vermelho (CV), que tenta avançar sobre áreas controladas pelos rivais. Enquanto a PM intensifica as operações no Complexo de Israel, o grupo de Peixão também enfrenta investidas de traficantes do CV em comunidades de sua área de influência. No último fim de semana, criminosos das tropas de Bochecha Rosa, ou BX, e Urso, ligados ao Comando Vermelho, teriam invadido a comunidade do Buraco do Boi, em Nova Iguaçu. Durante a ação, os invasores executaram dois integrantes do bando de Peixão e levaram drogas que pertenciam aos rivais. Depois da invasão, traficantes do CV passaram a debochar dos integrantes mortos nas redes sociais, numa demonstração de força diante dos adversários. A pressão sobre o grupo também teria provocado uma deserção. Um traficante conhecido pelo vulgo de “Tá Maluco”, que atuava no Buraco do Boi, teria abandonado o TCP e passado a integrar o Comando Vermelho. No mesmo momento em que enfrenta a ofensiva do CV, Peixão também está no alvo de uma nova operação da Polícia Militar no Complexo de Israel. Nesta segunda-feira, a PM realizou uma nova etapa da operação. Depois de concentrar a primeira fase na Cidade Alta e em comunidades do entorno, as forças policiais avançaram para Parada de Lucas e Vigário Geral. A ofensiva provocou uma nova reação violenta dos criminosos. Houve intensos tiroteios, explosões, incêndios de caminhões e veículos e importantes vias expressas chegaram a ser fechadas preventivamente. S egundo o repórter Bruno Assunção, criminosos agrediram motoristas e retiraram vítimas de seus carros, enquanto gritavam: “Quem manda aqui é a gente. Mete o pé, mete o pé.” Durante a operação em Parada de Lucas e Vigário Geral, quatro criminosos foram presos por policiais do BOPE. Após negociação para a rendição, os agentes apreenderam dois fuzis escondidos em uma área de charco. Segundo a Polícia Militar, um dos soldados de Peixão estava com um explosivo preso ao colete. Ainda de acordo com os policiais, o artefato seria utilizado para ser lançado contra as equipes durante o confronto. As equipes também realizaram a desobstrução de vias, dando continuidade à operação para conter a atuação de grupos criminosos armados e reduzir os impactos da violência sobre moradores e usuários das principais vias expressas da região. A Cidade Alta é considerada uma área de posição topográfica privilegiada, característica que pode ser explorada por grupos criminosos para ampliar a capacidade de observação, controle territorial e enfrentamento às forças de segurança. Depois de estabilizar a Cidade Alta, a Polícia Militar avançou para uma segunda fase da operação, concentrada em Parada de Lucas e Vigário Geral. De acordo com a PM, um dos principais objetivos é conter as disputas territoriais entre facções criminosas nas comunidades do entorno do Complexo de Israel e combater quadrilhas que utilizam essas áreas como base para roubos de veículos e cargas, exploração ilegal de serviços e outras atividades criminosas. A operação também busca combater práticas de perseguição e intolerância religiosa contra minorias religiosas, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos, preservando a liberdade religiosa e a segurança da população. Antes do início da ação, a PM realizou o fechamento preventivo da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, seguindo o protocolo de segurança adotado em operações realizadas em comunidades próximas às principais vias expressas. A medida teve como objetivo proteger motoristas e usuários das duas vias durante a atuação das equipes policiais. Com ataques do CV contra áreas de seu domínio e a pressão crescente das forças de segurança, o grupo de Peixão enfrenta uma situação de forte cerco no Complexo de Israel, tendo de reagir simultaneamente à disputa territorial com uma facção rival e às operações policiais que avançam sobre seus principais redutos.

TRAIÇÃO, ROUBO DE FUZIS E EXECUÇÕES: GUERRA ENTRE FACÇÕES FAZ 10 MORTOS EM MENOS DE UMA SEMANA EM CAXIAS

A guerra entre facções criminosas em Duque de Caxias voltou a fazer vítimas nas últimas horas fazendo chegar a 10 o número de mortos em razão dos conflitos em menos de uma semana. Segundo relatos, por volta das 3h, criminosos associados ao Comando Vermelho (CV) teriam entrado na comunidade do Pantanal onde houve confronto com integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Ainda conforme as informações, dois traficantes do TCP tiveram a vida ceifada durante o confronto. Após a ação, os rivais teriam recolhido armas deixadas no local, entre elas fuzis, pistolas, carregadores e munições. Foi publicado nas redes sociais também que um traficante ligado a Tropa do Flamengo (TCP) que atuava na Jqueira e no Barro Vermelho pulou para o bando de Bochecha Rosa ou BX do Corte Oito (CV) levando dois fuzis, quatro pistolas e outros equipamentos. Há informações de que os traficantes do CV já estavam em contato com o mesmo há alguns dias. Após isso, traficantes da Tropa do BX baquearam a comunidade da Jaqueira e Barro (TCP) e executaram 1 rival da Tropa do Flamengo além de andarem por toda a comunidade gravando vídeos e tirando fotos. Esse traficante que mudou de facção já teria sido ameaçado pelos antigos aliados. Ontem, postamos aqui um print de uma suposta conversa entre BX e Flamengo em que eles falam sobre a possível morte de moradores neste conflito. Integrantes do Comando Vermelho dentro da Favela do Pantanal (TCP), em Duque de Caxias. Nas imagens, é possível identificar o traficante Colete, ex-integrante do Terceiro Comando Puro, além de outros criminosos utilizando a farda da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Segundo relatos, um ex-integrante do TCP teria deixado a facção e se juntado ao Comando Vermelho, no Complexo da Penha, e passou a integrar a chamada Tropa do BX.

Print de suposto diálogo entre chefes do tráfico rivais expõe escalada da guerra em Caxias e levanta suspeita de moradores entre as vítimas

Circulam nas redes sociais prints de uma suposta conversa entre os traficantes Flamengo, ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP), e Bochecha Rosa ou BX, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV), na qual os criminosos falariam sobre a possibilidade de moradores serem mortos em meio à guerra travada entre as duas facções em Duque de Caxias. Em outro print que também circula nas redes, aparecem comentários sobre o lançamento de granadas em locais onde estariam crianças. A autenticidade das conversas, porém, não foi confirmada. A guerra entre as duas facções já deixou pelo menos oito mortos ao longo desta semana, em uma escalada de violência que vem transformando diferentes pontos de Caxias em cenário de confrontos e execuções. A mais recente morte foi registrada por volta das 23h, quando o corpo de um rapaz, ainda sem identidade divulgada, foi encontrado na Avenida Presidente Kennedy, no caminho da comunidade do Pantanal. Segundo relatos, o homem apresentava perfurações provocadas por disparos de arma de fogo. O corpo também estava arranhado porque um motorista que passava pela via não percebeu que havia uma pessoa caída no meio da pista e acabou passando por cima dela. A sequência de mortes ocorre em meio à disputa territorial entre grupos criminosos que tentam ampliar ou manter o controle de comunidades da região. A tensão já provocou confrontos, mortes e ações de represália em diferentes pontos de Duque de Caxias. O mais grave é que não há certeza de que todas as vítimas tenham envolvimento com o tráfico. A possibilidade de moradores estarem sendo atingidos pela guerra aumenta ainda mais a preocupação de quem vive nas áreas afetadas. O traficante conhecido como “Colete”, que recentemente deixou o Terceiro Comando Puro (TCP) para integrar o Comando Vermelho (CV), divulgou nas redes sociais uma foto de um veículo roubado dentro da comunidade do Barro Vermelho, em Duque de Caxias Segundo apuração do repórter Bruno Assunção, soldados do grupo de Colete adentraram na região e realizaram uma série de pichações para marcar território e provocar os antigos aliados. Moradores ouvidos pela reportagem afirmam que Colete, atualmente ligado ao grupo conhecido do “BX”, estaria promovendo ataques contra soldados do TCP. Ainda segundo esses relatos, três soldados da facção rival teriam morrido em uma seman

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