Tortura até a morte: Justiça decreta prisão de traficantes da ADA por assassinato de filha de major da PM. LEIA DETALHES DO CRIME
A Justiça decretou a prisão preventiva de seis traficantes ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), apontados como responsáveis por uma sessão de tortura que terminou na morte de uma jovem em Realengo, na Zona Oeste do Rio.. A vítima era filha de um major da PMERJ. De acordo com a decisão judicial, o crime teria sido motivado por um suposto desvio de dinheiro da própria quadrilha — um episódio que expõe a violência interna do tráfico. A vítima, Naysa Kayllany Costa Borges Nogueira, foi brutalmente agredida e não resistiu aos ferimentos. Apesar da gravidade do caso, os chefes da organização criminosa, conhecidos como Índio e Celsinho da Vila Vintém, não tiveram a prisão decretada neste momento. Segundo a Justiça, embora existam indícios, ainda não foram apresentados elementos suficientes que comprovem a participação direta deles nas agressões. Tortura como punição Segundo as investigações, Naysa trabalhava em um ferro-velho localizado na comunidade da Light. No dia 3 de janeiro de 2026, ela chamou uma amiga para ajudá-la no turno da noite. Ao fim do expediente, mulheres apontadas como integrantes do tráfico teriam ido até o local para recolher o dinheiro arrecadado. Ao perceberem que parte do valor estaria faltando, iniciaram uma sequência de violência. Naysa e a amiga foram levadas para a parte alta da comunidade, onde, conforme consta nos autos, passaram por momentos de terror: foram ameaçadas, intimidadas e agredidas com pedaços de madeira, fios, além de chutes, socos e joelhadas. Confissão sob violência e nova vítima Ainda segundo o processo, após ser violentamente agredida, Naysa teria admitido que parte do dinheiro estaria em sua residência. Sob pressão, ela entrou em contato com a companheira, pedindo que levasse o valor até o local. Ao chegar, a namorada também foi rendida e levada ao alto do morro, onde, de acordo com os depoimentos, igualmente sofreu tortura. Libertação e morte Após a sequência de agressões, as três vítimas foram liberadas. Naysa, no entanto, já estava em estado crítico. Ela foi levada à UPA de Magalhães Bastos, mas não resistiu. Reconhecimento e provas Dias depois, uma das sobreviventes procurou a polícia e detalhou a dinâmica do crime, reconhecendo inicialmente dois suspeitos por meio de álbum fotográfico. Com base nas informações prestadas, policiais foram até a comunidade da Light e localizaram, em um bar apontado como cenário das agressões, objetos que teriam sido usados na tortura, como pedaços de madeira e fios. Em novos depoimentos, as vítimas ampliaram o reconhecimento dos envolvidos, chegando a identificar ao menos seis suspeitos. Tentativa de álibi não convence Um dos acusados tentou apresentar imagens de câmeras de segurança para sustentar um álibi. No entanto, segundo a decisão judicial, os registros não cobrem todo o período em que o crime teria ocorrido. De acordo com a análise, há lacunas nas imagens, e o intervalo permite a possibilidade de participação do suspeito nas agressões. Por isso, a versão apresentada pela defesa não foi suficiente para afastar os indícios. Chefes fora — por enquanto Apesar de serem citados na investigação, Índio e Celsinho da Vila Vintém não foram reconhecidos pelas vítimas como participantes diretos da tortura. A Justiça entendeu que, neste momento, não há elementos concretos para justificar a prisão preventiva dos dois. Violência interna do tráfico O caso revela mais um episódio de violência extrema dentro das próprias estruturas do tráfico, onde suspeitas de desvio de dinheiro podem resultar em punições brutais. As investigações seguem em andamento.






