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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

“CV NA GUERRA DA UCRÂNIA”: PF e MPF investigam traficante do Comando Vermelho já identificado por viagem ao front para aprender táticas militares usadas hoje nas favelas do Rio com drones e granadas

A suspeita de que traficantes do Comando Vermelho estariam indo para a Ucrânia para receber treinamento e depois retonrar ao Rio para ensinar aos criminosos táticas de guerra virou alvo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Um dos bandidos que teria feito o intercâmbio e já teve a identidade divulgada pela Polícia Civil no ano passado é alvo de um inquérito que tramita na Justiça Federal: trata-se de Philippe Martins Paiva Segundo o que foi divulgado na época,, Marques Pinto é ligado ao traficante Antonio Hilário Ferreira, conhecido como Rabicó, uma das principais lideranças da facção. Ele é considerado chefe do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ). A polícia descobriu que o integrante do CV foi ao menos três vezes para a Europa desde o início do conflito na Ucrânia. Todas as vezes, ele viajou do Aeroporto do Galeão, no Rio, para Lisboa, em Portugal, e depois teria ido até a região do conflito. A primeira viagem aconteceu em junho de 2023. Na ocasião, ele ficou seis meses na Europa até o retorno ao Brasil. Depois, Marques Pinto permaneceu um ano em solo europeu, entre junho de 2024 e junho de 2025. Conforme a investigação, a terceira ida do integrante do CV para a Ucrânia foi no dia 9 de setembro de 2025. Os investigadores tiveram acesso a fotos e vídeos do homem com armas, usando uniforme de combate, e também em áreas de conflito.Os bandidos do Rio de Janeiro estão usando táticas comunemente praticadas na Ucrânia Um relatório de inteligência apontou que o ex-miltiar da Marinha Rian Maurício Tavares Mota, conhecido como Da Marinha, que está preso em penitenciária federal, teria se tornado peça estratégica do Comando Vermelho ao introduzir nas favelas cariocas uma técnica inspirada diretamente na guerra da Ucrânia: o uso de drones adaptados para lançar granadas contra rivais e forças policiais. Rian não era apenas mais um integrante da facção, mas um operador especializado responsável por elevar o nível tecnológico e bélico do Comando Vermelho. As investigações sustentam que ele usou conhecimentos adquiridos durante sua carreira militar para treinar criminosos no manuseio de drones e equipamentos eletrônicos utilizados em ações armadas da organização criminosa. A decisão destaca que relatórios da Secretaria de Inteligência da Polícia Civil apontam que o acusado ocupa posição de relevância dentro da facção, atuando diretamente sob influência de Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, apontado como principal líder do Comando Vermelho no Complexo da Penha. Drones com granadas e “tática de guerra” O trecho mais explosivo da decisão judicial envolve justamente a referência às técnicas utilizadas no conflito entre Rússia e Ucrânia. De acordo com os relatórios anexados ao processo, Rian seria o responsável por implementar em comunidades dominadas pelo CV uma espécie de adaptação das táticas vistas no leste europeu: drones equipados com dispensadores de granadas capazes de atacar alvos à distância e dificultar operações policiais. A investigação afirma que o acusado teria introduzido: drones adaptados para lançamento de explosivos;treinamento de criminosos para uso dos equipamentos;estratégias aéreas para proteção de líderes da facção;técnicas voltadas para impedir avanço de tropas policiais em favelas. Os documentos apontam que o sistema teria sido utilizado em confrontos recentes nos Complexos da Penha e do Alemão, onde traficantes passaram a usar drones armados para tentar conter operações das forças de segurança. Guerra urbana no Rio A decisão menciona diretamente os confrontos ocorridos em 28 de outubro de 2025, quando uma megaoperação resultou em: 113 presos;10 adolescentes apreendidos;118 armas apreendidas;119 mortos;4 agentes de segurança mortos. Segundo o relatório citado pela Justiça, integrantes do Comando Vermelho utilizaram drones com granadas durante os ataques para proteger arsenal, drogas e líderes da facção. O texto afirma que a tecnologia teria sido usada para criar uma espécie de “barreira aérea” contra a entrada da polícia em territórios controlados pelo grupo criminoso. Ex-militar virou peça estratégica do CV Para o Ministério Público, a gravidade do caso está justamente no fato de que o acusado possui formação militar especializada. Os investigadores sustentam que: Rian treinava comparsas;ajudava no desenvolvimento operacional da facção;atuava na modernização tecnológica do grupo;auxiliava no fortalecimento territorial do CV. A Justiça entendeu que o nível de influência do acusado dentro da organização e o risco de continuidade das articulações criminosas justificam sua remoção imediata para o sistema penitenciário federal. Ligação direta com Doca A decisão também ressalta que Rian responde ação penal ao lado de: Edgar Alves de Andrade, o “Doca”;Márcio Soares da Silva, o “Márcio Pedreiro”;Mayelle Stephane Mathias Goulart, a “May”. Os quatro são investigados por crimes ligados à organização criminosa, uso ilegal de explosivos e lavagem de dinheiro. Segundo os autos, o acusado teria atuado diretamente para fortalecer o poder bélico do Comando Vermelho em áreas dominadas pela facção. Justiça vê “elevada periculosidade” Ao autorizar a inclusão de Rian no sistema federal, a Justiça destacou que a combinação entre conhecimento técnico militar, uso de explosivos e participação em organização criminosa representa alto risco à ordem pública. A decisão afirma que o isolamento do acusado em presídio federal é necessário para: interromper comunicação com a facção;reduzir articulações criminosas;impedir continuidade do treinamento de traficantes;evitar expansão das técnicas de guerra A primeira viagem aconteceu em junho de 2023. Na ocasião, ele ficou seis meses na Europa até o retorno ao Brasil. Depois, Marques Pinto permaneceu um ano em solo europeu, entre junho de 2024 e junho de 2025. Conforme a investigação, a terceira ida do integrante do CV para a Ucrânia foi no dia 9 de setembro deste ano.Os investigadores tiveram acesso a fotos e vídeos do homem com armas, usando uniforme de combate, e também em áreas de conflito.Os bandidos do Rio de Janeiro estão usando táticas comunemente praticadas na Ucrânia

“Favela Virou ‘Casas Bahia do Crime’: Investigação Revela Esquema no Complexo do Lins Que Transformava Celulares Roubados na Zona Sul em TVs, Geladeiras, Whisky de Luxo e Joias Para o CV”

Uma operação realizada nesta sexta-feira no Complexo do Lins colocou novamente a comunidade no centro das atenções das forças de segurança. Mas, paralelamente às ações policiais realizadas hoje, uma outra investigação do Ministério Público e da Polícia Civil revela um cenário ainda mais impressionante: segundo os investigadores, criminosos transformaram a favela em uma espécie de “Casas Bahia paralela”, abastecida com produtos comprados com dinheiro roubado de vítimas da Zona Sul do Rio. A investigação aponta que a quadrilha criou um verdadeiro ecossistema criminoso dentro do Complexo do Lins, utilizando celulares roubados para invadir contas bancárias das vítimas e fazer compras milionárias em grandes redes varejistas. Segundo a denúncia, os criminosos agiam principalmente em bairros nobres da Zona Sul, como Jardim Botânico e Lagoa. As vítimas, em sua maioria mulheres desacompanhadas, eram abordadas por criminosos armados em motocicletas. Sob ameaça de morte, eram obrigadas a entregar celulares, joias, alianças, cartões bancários e até senhas. Mas o roubo dos aparelhos era apenas o início da engrenagem criminosa. De acordo com o Ministério Público, o verdadeiro objetivo da quadrilha era acessar as contas bancárias das vítimas para realizar compras eletrônicas em grande escala. A investigação afirma que, logo após os assaltos, os criminosos faziam compras de televisões, geladeiras, eletrodomésticos, bebidas caras e diversos itens de alto valor em redes como Casas Bahia e aplicativos como iFood. Tudo era entregue em endereços ligados ao Complexo do Lins. “Os autores montaram uma espécie de ‘CASAS BAHIA PARALELA’ no Complexo do Lins”, afirma a denúncia do Ministério Público. As notas fiscais anexadas à investigação mostram uma sequência de compras feitas horas depois dos roubos. Somente entre os dias 10 e 11 de julho de 2025, segundo os investigadores, os criminosos realizaram diversas compras usando a conta bancária de uma vítima assaltada no Jardim Botânico. Os produtos eram enviados diretamente para o Morro do Amor, no Lins. As investigações apontam que o esquema possuía estrutura profissional e divisão de tarefas. Havia o núcleo responsável pelos roubos, outro encarregado de movimentar o dinheiro e comprar os produtos, além de um setor voltado para lavagem de dinheiro e um braço ligado à transformação das joias roubadas em peças usadas por integrantes do tráfico. Segundo o Ministério Público, a organização criminosa tinha “verdadeira feição empresarial”. O núcleo dos roubos atuava com motocicletas como Honda XRE verde e Honda CB 300 Twister. As vítimas eram abordadas sob a mira de armas de fogo e obrigadas a desbloquear os celulares. Depois dos assaltos, os criminosos fugiam para o Lins levando aparelhos desbloqueados, alianças, correntes de ouro e cartões bancários. A investigação afirma que o grupo aumentou a quantidade de roubos porque nem sempre conseguia concluir as compras antes de bloqueios bancários feitos pelas vítimas. “O grande objetivo da quadrilha era acessar as contas bancárias das vítimas”, aponta a denúncia. As compras incluíam eletrodomésticos caros e bebidas de luxo, como whisky Gold Label. Parte dos produtos era revendida dentro da própria comunidade. Outra parte seria usada para lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, uma empresa chamada “Ar Velox Distribuidora de Gás” teria sido usada como fachada para ocultar dinheiro obtido através dos crimes. A empresa aparece ligada a integrantes da organização criminosa e, segundo o Ministério Público, servia para “dissimular e reinserir capitais de origem criminosa”. As investigações também revelaram que integrantes do grupo utilizavam os mesmos endereços cadastrados em plataformas de entrega como o iFood. Em um dos casos analisados, duas compras feitas nas Casas Bahia com dinheiro roubado foram entregues em endereços diferentes dentro do Lins. Uma das entregas foi recebida por uma mulher que chegou a colocar o próprio CPF no recebimento. Em outro endereço, um homem identificado apenas como “João” assinou como “funcionário” ao receber os produtos. Outro braço da organização chamou atenção dos investigadores: o chamado “núcleo das joias”. Segundo a denúncia, alianças, correntes e peças de ouro roubadas das vítimas eram encaminhadas para um homem apontado como ourives ligado ao Comando Vermelho. Ele seria responsável por derreter os metais preciosos e transformá-los em joias personalizadas usadas por integrantes da facção. A investigação aponta que o suspeito já era conhecido por fabricar joias para traficantes do Comando Vermelho e teria assumido esse papel após a morte do antigo ourives do Lins. Imagens anexadas ao procedimento mostram o investigado ao lado de criminosos ostentando joias, dinheiro e símbolos ligados ao tráfico. Há ainda referências à chamada “Tropa do Urso”, apontada como um grupo ligado ao Comando Vermelho conhecido por invasões em comunidades rivais. Segundo o Ministério Público, o esquema montado dentro do Complexo do Lins permitia transformar rapidamente celulares roubados em dinheiro, mercadorias e joias utilizadas pelo tráfico, criando uma engrenagem criminosa altamente lucrativa dentro da comunidade.

“Escutas Explodem: Policial Civil Vazava Operações Para Milícia Enquanto PM Planejava Ataques Armados Contra Traficantes Rivais dos paramilitares. LEIA OS DETALHES

As novas escutas obtidas pelo Ministério Público revelam detalhes explosivos sobre a atuação de policiais dentro da milícia que dominava áreas de Belford Roxo e Duque de Caxias. Os diálogos mostram vazamento de operações policiais, tentativa de liberação ilegal de veículos apreendidos, desvio de bens confiscados em ações da polícia e até planejamento de ataques armados contra traficantes rivais na comunidade da Talbinha. Segundo a investigação, um dos principais nomes citados nas conversas é o policial civil conhecido como Jaime, acusado de atuar diretamente em favor da organização criminosa usando a estrutura da Polícia Civil. O envolvimento de Jaime surgiu após a análise do celular de Angelo Adriano de Jesus Guarany, o “Magrinho”, apontado como gerente operacional da milícia. No aparelho, o policial aparecia salvo como “FAMÍLIA DRE”, referência à Delegacia de Repressão a Entorpecentes, onde estava lotado antes de ser transferido. As conversas mostram Jaime repassando informações sigilosas sobre operações policiais e ajudando integrantes da milícia. Em um diálogo do dia 7 de fevereiro de 2025, Jaime avisa que participava de uma grande operação policial na Baixada Fluminense. Logo depois, “Magrinho” pede ajuda ao policial: “Ajuda naquela situação do carro.” Jaime responde: “Vou ver isso agora pra você.” Segundo o Ministério Público, o veículo citado havia sido apreendido anteriormente com os milicianos “Fael” e “Sagaz”. As escutas também revelam que integrantes da quadrilha comemoravam a possibilidade de Jaime assumir a 54ª DP, delegacia localizada justamente na região dominada pela milícia. “Mete Bala” pergunta se o policial conseguiria retirar o carro apreendido da delegacia. “Magrinho” responde: “Mano, parceiro meu estava para assumir lá a 54. Vou ver se ele já chegou pro lado de lá Belford Roxo.” E continua: “Se ele tiver por lá o carro vai estar lá ainda. Fica mais fácil pra eu desenrolar com ele pra ele liberar o carro, entendeu?” Dias depois, Jaime avisa que havia sido transferido da DRE para a 17ª DP. “Magrinho” pergunta: “A rapaziada tua também saiu?” Jaime responde que apenas ele havia sido removido. Na sequência, o miliciano diz: “Tem trabalho pra tu.” Segundo os investigadores, o diálogo reforça a ligação direta do policial com o grupo criminoso. As conversas ficam ainda mais graves em março. No dia 10, “Magrinho” pergunta ao policial: “Tu viu a parada das multas?” Jaime responde: “Cheguei cedo na base. Tô levantando os mandados de quinta-feira.” Para o Ministério Público, o trecho demonstra vazamento de uma megaoperação policial que seria realizada dias depois. Com as informações obtidas através de Jaime, “Magrinho” entra em contato com André Junior, o “Litrão”, integrante da milícia e foragido da Justiça. No diálogo, ele alerta o comparsa: “Amanhã vai ter uma operação grande. Bagulho de carro clonado, roubado e mandado de prisão.” Depois, explica como funcionava o vazamento: “Os policiais desligam o telefone. Quem vaza fica com o telefone ligado.” Preocupado, “Litrão” responde: “Torcer pra não estar no meio dessa porra aí.” E continua: “O que me preocupa é esse mandado de 2018 aí.” “Magrinho” orienta o criminoso a fugir das cidades alvo da operação: “Tu vai estar na rua amanhã, não vai estar em casa, caralho.” “Ah, eles estão em Belford Roxo. Tu não vai pisar em Belford Roxo.” “Ah, eles estão em Caxias. Tu não vai pisar em Caxias.” No dia seguinte, 13 de março, a operação realmente aconteceu. Depois da ação policial, “Magrinho” pergunta a Jaime: “Tá rolando?” O policial responde: “146 presos.” Na sequência, o miliciano pede: “Se bingar algo e der pra trazer, me aciona.” Segundo o Ministério Público, a frase sugere desvio de bens apreendidos durante operações policiais em favor da milícia. Mas outro núcleo da investigação revela ainda mais violência. As escutas mostram o policial militar Gilmar Carneiro dos Santos, o “Professor Gilmar”, discutindo planos para atacar traficantes rivais no Morro da Talbinha. Em conversa do dia 16 de fevereiro de 2025, Gilmar reclama que não conseguia contato com o líder da milícia, “Cabeça de Ouro”. “Magrinho” responde: “Só recebo recado dele e respondo pela advogada.” Logo depois, Gilmar pede armamento pesado da organização criminosa: “Fala pro Cabeça que o Professor precisa pegar o 556 por 3 semanas.” Na sequência, revela o objetivo: “Vai subir a Talbinha e pegar o Pedro.” Segundo o Ministério Público, “Pedro” era apontado como traficante rival da milícia na comunidade. Dois dias depois, Gilmar publicou vídeo em rede social afirmando que moradores da Talbinha haviam vivido “uma madrugada de terror” após pichações do TCP, facção Terceiro Comando Puro. As conversas seguintes mostram que a guerra entre milicianos e traficantes continuava escalando. No dia 6 de março de 2025, Gilmar volta a conversar com “Magrinho” sobre a Talbinha. O policial militar lamenta a morte de um homem conhecido como “Jacaré”. Segundo ele, o assassinato teria sido cometido pelos traficantes “Pedro”, “Da Vovó” e outro criminoso. Gilmar então passa a discutir vingança contra os traficantes. Durante a conversa, demonstra preocupação com eventual confronto envolvendo policiais do 15º BPM: “Tem que ter alinhamento com o batalhão pra ninguém se machucar.” Depois, faz uma declaração considerada gravíssima pelos investigadores: “Os caras do 15 não são nossos amigos.” Na sequência, admite necessidade de proteção política: “Se não tiver alinhado por cima e um político pra respaldar, fica difícil.” “Magrinho” responde mostrando naturalidade nas articulações: “Todas as vezes que a gente foi nunca deu errado.” “A gente sempre faz contato.” “Até um passeio que a gente vai fazer a gente faz um certo contato.” Mesmo assim, Gilmar insiste: “Eu não confio nesses caras do 15.” Segundo o Ministério Público, as escutas revelam policiais discutindo operações ilegais ao lado da milícia, planejando ataques contra traficantes rivais, buscando armamento pesado e articulando apoio dentro das forças de segurança e da política para garantir proteção às ações criminosas.

“‘Manda Dar Uns Esporros’: Escutas Explodem Esquema de Milícia na Baixada e Revelam Ameaças, Guerra por Território e Suspeita de Corrupção Policial”

Novas novas escutas extraídas dos celulares apreendidos pelo Ministério Público revelam, com riqueza de detalhes, o funcionamento interno da milícia que atuava em Belford Roxo e Duque de Caxias. Os diálogos mostram uma organização criminosa estruturada, marcada por ameaças constantes, violência contra comerciantes, disputa armada por território e fortes indícios de corrupção policial dentro do esquema criminoso. Segundo a investigação, o grupo atuava principalmente nos bairros Wona, Lote XV e Vale das Mangueiras, em Belford Roxo, além da comunidade da Talbinha, em Duque de Caxias. A quadrilha é acusada de praticar extorsões, torturas e homicídios de desafetos, impondo medo em comerciantes e moradores das regiões dominadas. O material considerado mais explosivo pelos investigadores surgiu após a prisão em flagrante de integrantes da milícia que realizavam cobranças de comerciantes. Com eles, policiais apreenderam aparelhos celulares que tiveram o sigilo quebrado pela Justiça. A extração dos dados revelou áudios, mensagens e conversas que desmontam o funcionamento interno da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, as provas mostram que a milícia era comandada pelos criminosos Diego dos Santos Souza, o “Cabeça de Ouro”, e Carlos Adriano Pereira Evaristo, o “Carlinhos da Padaria” ou “CL”, que continuavam dando ordens de dentro do sistema penitenciário com livre acesso a celulares. As escutas revelam que o grupo possuía divisão de tarefas, cobradores, gerentes e operadores responsáveis pela arrecadação das extorsões contra comerciantes e mototaxistas. Um dos principais nomes citados nas conversas é Angelo Adriano de Jesus Guarany, o “Magrinho”, apontado como gerente dos cobradores e elo entre os executores das extorsões e os líderes presos. As mensagens mostram o clima de intimidação imposto pela quadrilha. Em uma conversa de 18 de janeiro de 2025, logo após realizar uma cobrança em um estabelecimento comercial, Rafael Messias, o “Fael”, entra em contato com “Magrinho” relatando a reação de uma funcionária que teria resistido ao pagamento da taxa da milícia: “Pô, uma mulher gordinha, viado, uma mulher arrogante pra caralho, marrentona a mulher, entendeu? Mas eu não trato ninguém na ignorância, né mano.” Na sequência, ele deixa claro que o grupo estava impondo cobrança obrigatória aos comerciantes da região: “Aí eu falei com ela mano, que a partir de semana que vem tem que pagar.” A funcionária tenta se afastar da situação: “Aí ela falou assim: ‘Ué, tu não fala com ele? Fala com ele aí, avisa ele aí, não é comigo não, eu não quero falar no telefone não porque eu sou funcionária, eu não posso falar no telefone’.” O diálogo fica ainda mais grave quando “Fael” sugere represálias físicas contra a mulher: “Se for funcionária manda dar uns esporros nela também pra ela se ligar também irmão, pra ela aprender a falar com os outros, entendeu?” O criminoso ainda admite que quase partiu para violência: “Eu sou ignorante pra caralho mano, mas eu me segurei, entendeu mano? Que eu não sei se é parente do amigo aí também, entendeu mano? Por consideração ao amigo aí a gente não falou nada, ficamos quieto.” Depois, ele encerra a prestação de contas sobre a cobrança realizada: “Aí tu vê aí, maninho, valeu? Estamos juntos.” “Já é então, irmão, já é, estamos juntos.” “Já foi, já foi já, irmão. Já pegamos já.” Segundo os investigadores, os áudios mostram como comerciantes eram pressionados através do medo e da ameaça de violência física para aceitar as cobranças impostas pela milícia. As escutas também revelam o funcionamento financeiro da organização criminosa. No dia 4 de fevereiro de 2025, o miliciano Gabriel, o “Biel”, entra em contato com “Magrinho” para prestar contas da arrecadação do dia: “Fala filho do JUNINHO, acabei de chegar em casa. Acabei de pegar as duas FARMÁCIAS agora, fala tu. Faz o que? Tu vem aqui, alguém vem? Passa a visão.” “Magrinho” responde: “Calma aí que eu tô falando com o viado aqui pra ele pegar aí.” Dias depois, em nova conversa, “Biel” relata a transferência dos valores arrecadados: “Mandei 400 reais.” “300 do negócio.” “Falta os da noite.” Para o Ministério Público, os diálogos comprovam a existência de uma estrutura organizada de arrecadação criminosa, com prestação de contas e divisão de funções dentro da milícia. Mas as conversas consideradas mais sensíveis da investigação são as que apontam para a possível participação de policiais e agentes de segurança dentro do esquema criminoso. No dia 11 de fevereiro de 2025, “Biel” informa a “Magrinho” que um homem ligado à milícia rival do “Bombeirinho”, identificado nas escutas pelo código “88”, apareceu em uma farmácia tentando descobrir quem estava realizando as cobranças no local. A fala chama atenção pela maneira como o suspeito se apresenta: “Ele chegou falando: ‘não pô, aqui é o amigo da SEGURANÇA, pá, não sei o que, quem foi que passou aí e pegou hoje?’” Para os investigadores, a referência direta à “SEGURANÇA” reforça a suspeita de envolvimento de policiais civis e militares no funcionamento da milícia. Na sequência, “Biel” relata que a funcionária acabou revelando sua identidade: “A mulher da FARMÁCIA ainda falou o meu nome ainda.” “Aí a mulher, sem querer, sem maldade, falou meu nome, GABRIEL.” Mesmo identificado, o criminoso demonstra sensação de proteção e impunidade: “Pode falar, qualquer um que falar aí pode falar meu nome.” “Que eu dou meu nome pra geral.” Logo depois, ele ameaça o rival: “É que eu não tenho o número desse arrombado, senão eu ia falar umas caralhadas de merda pra ele.” “‘Mano, você tu vai tentar de novo?’” Em seguida, “Magrinho” pede imagens do homem ligado ao grupo rival para identificá-lo futuramente: “Mano, já que ela te mandou mensagem aí, pede pra ela mandar um vídeo, cara, de quem foi lá.” O trecho seguinte é considerado um dos mais graves da investigação: “Pede pra ela: ‘pô, amiga, me ajuda aí, só pra eu saber quem é, tá ligado, se ver na rua saber quem é, pra estar esperando alguma coisa’.” Para os investigadores, a expressão “estar esperando alguma coisa” indica possível preparação para ataque armado ou execução ligada à disputa territorial entre milicianos rivais. “Magrinho” continua: “Tenta desenrolar

Após prisão de membro do CV do RN em Macaé, investigação revela estrutura da facção no estado nordestino com grupos de whatsapp, “decretos” e alianças armadas

A prisão de um integrante do Comando Vermelho em Macaé nesta semana jogou luz sobre a estrutura que a facção mantém no Rio Grande do Norte. Uma decisão da UJUDOCRIM, obtida pela reportagem, detalha como funciona a organização criminosa no estado, incluindo liderança regional, grupos de WhatsApp usados para coordenação interna, controle financeiro, alianças armadas e disputas territoriais violentas. Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Facções Criminosas (DEFAC), o CV no RN opera com divisão de funções, hierarquia definida e comunicação permanente entre integrantes por aplicativos de mensagem. Entre os grupos identificados pela polícia estão “SINTONIA GERAL CV.RL-RN” e “FUTEBOL BREJINHO”, apontados como espaços usados para articulação da facção, transmissão de ordens, alinhamento de ações criminosas e disciplinamento interno. A investigação aponta que havia integrantes responsáveis pela expansão territorial do grupo, administração das comunicações, arrecadação financeira e organização das ações armadas contra facções rivais. Um dos investigados é descrito como principal liderança do CV em Brejinho, no interior potiguar. Segundo os autos, ele administrava o grupo “SINTONIA GERAL CV.RL-RN” e seria responsável por coordenar o crescimento da facção na região. Na casa dele foram apreendidos revólver calibre 38, munições e material tático. As autoridades também identificaram integrantes ligados diretamente ao setor financeiro da organização. Relatórios do COAF apontaram movimentações bancárias consideradas suspeitas, incluindo transferências incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Outro ponto destacado na decisão é o uso de “decretos” internos, prática comum entre facções criminosas. Um dos denunciados teria sido marcado para morrer pela facção rival Sindicato do Crime (SDC) após migrar para o Comando Vermelho, reforçando o cenário de guerra entre grupos criminosos no estado. As investigações mostram ainda que o CV mantém atuação organizada em áreas das zonas Norte e Oeste de Natal, onde integrantes da facção seriam responsáveis por ataques armados, ameaças e homicídios ligados à disputa territorial. Um dos investigados usava redes sociais para divulgar conteúdo criminoso, incluindo referências a assassinatos, ameaças contra rivais e exaltação de ataques promovidos pela facção. A decisão também aponta a existência de alianças criminosas firmadas pelo Comando Vermelho no Rio Grande do Norte. Um dos denunciados aparece ligado à facção “Cangaço”, numa articulação que, segundo os investigadores, fortaleceu o poder bélico e operacional do grupo. Além da estrutura nas ruas, o CV também mantinha integrantes considerados estratégicos dentro do sistema penitenciário. Parte dos denunciados já estava presa em penitenciárias do estado, mas continuava sendo apontada como participante ativa da organização criminosa. O Judiciário manteve a prisão preventiva dos investigados e autorizou o compartilhamento das provas com a DEFAC, DEICOR e forças integradas de segurança pública, permitindo o aprofundamento de novas investigações sobre a atuação do Comando Vermelho no estado. A prisão Em uma ação cirúrgica, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) prenderam, nesta quarta-feira (20/05), uma liderança de alta periculosidade do Comando Vermelho do Rio Grande do Norte. O narcotraficante vulgo Professsor foi localizado em um imóvel em Macaé após troca de informações e trabalho integrado de inteligência com a Polícia Civil potiguar. De acordo com as investigações, o homem exercia função estratégica dentro da estrutura da facção criminosa e era apontado como um dos responsáveis pelo braço armado utilizado nas invasões de territórios dominados pelo “Sindicato do Crime”, grupo rival que atua no Rio Grande do Norte. A disputa desencadeou uma intensa guerra entre facções no estado, marcada por homicídios, ataques armados, execuções e confrontos violentos pelo controle do tráfico de drogas. O criminoso é investigado por diversos homicídios relacionados à escalada da violência e era considerado pelas forças de segurança um alvo de altíssima periculosidade devido à sua atuação operacional dentro da organização criminosa. Segundo as apurações, ele participava diretamente do recrutamento de integrantes para atuar na guerra entre facções, além de ser responsável pela guarda e manutenção do armamento utilizado pelo grupo. Contra o traficante havia mandados de prisão por organização criminosa armada, além de diversas anotações criminais por tráfico de drogas, receptação, roubo e posse de entorpecentes, evidenciando seu envolvimento contínuo com a criminalidade organizada e ações violentas atribuídas ao Comando Vermelho. Após intenso trabalho de inteligência e monitoramento entre as duas instituições, os agentes da Draco localizaram e prenderam o criminoso sem dar chance de fuga.

VERGONHOSO: Justiça liberou para indulto do Dia das Mães homem que matou o patrão e baleou um PM e ele não retornou para a prisão

Rogério Honorato Ramos é um ex-porteiro que ficou conhecido após assassinar seu chefe e balear um subtenente da Polícia Militar (proprietário da empresa de segurança em que trabalhava) em abril de 2014, na cidade do Rio de Janeiro. O crime ocorreu em um escritório em Bonsucesso. Rogério, que prestava serviço no Hospital Quinta DOr, foi chamado ao local para esclarecer sua suposta participação em um assalto à cantina da unidade de saúde. Após ser confrontado pelo supervisor Leonardo Martins da Costa, o porteiro sacou uma pistola calibre .40, matou o chefe com tiros na cabeça e na barriga, e feriu o dono da empresa com um disparo no pescoço. Após o ataque, ele fugiu. Quase cinquenta dias depois, em maio de 2014, ele foi preso em Xerém, Duque de Caxias (Baixada Fluminense), em um carro roubado na companhia de seu irmão, portando também duas bombas de fabricação caseira. O criminoso recebeu o benefício na modalidade de Visita Periódica ao Lar (VPL), referente ao Indulto dos Dia das Mães, quando teriaque voltar na quinta-feira (14/05/2026), e não voltou mais a sua unidade prisional, sendo considerado um Evadido do Sistema Penitenciário, desde então. Ele cumpria uma pena de 44 anos de reclusão, pelo crime de Homicídio Qualificado, com Pena Cumprida Até Data Atual: 13a10m20d, com Pena Remanescente a ser cumprida de 30a2m10d.

Bastidores da guerra no Rio: denúncias revelaram que CV mandou fechar comércio em Anchieta e bloquear avenida no Maracanã depois de megaoperação na Penha e Alemão. “Suspeitos gritaram para fechar mercado”

Denúncias apresentadas pelo Ministério Público à Justiça revelam que integrantes do Comando Vermelho receberam ordens para espalhar ações de intimidação em bairros distantes dos complexos da Penha e do Alemão após a megaoperação “Contenção”, realizada pelas polícias Civil e Militar em outubro de 2025. Os autos mostram que criminosos ligados à facção teriam sido mobilizados para ameaçar comerciantes, provocar pânico e bloquear vias importantes da cidade como forma de represália à ofensiva policial. Um dos episódios aconteceu em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Segundo a denúncia, policiais civis monitoravam informações sobre possíveis saques e ordens para fechamento de comércios quando seguiram até o Mercado Rio Sul, na Estrada Marechal Alencastro, em Anchieta. No local, os agentes flagraram dois suspeitos entrando no estabelecimento e começando a gritar para que o mercado encerrasse as atividades. De acordo com os relatos enviados à Justiça, funcionários foram abordados em tom intimidatório e ficaram com medo de represálias. Ao perceberem a presença da polícia, os suspeitos tentaram disfarçar e se passar por clientes, mas acabaram presos em flagrante. Ainda segundo o Ministério Público, um dos detidos carregava um telefone celular com selos contendo as inscrições “CV” e “maconha” presos à capa do aparelho. Em depoimento, os acusados afirmaram que estavam cumprindo ordens do tráfico local. Entretanto, como testemunhas ficaram com medo de depôr , a Justiça entendeu que não havia provas suficientes e absolveu os suspeitos As investigações também mostram que a reação do Comando Vermelho à operação se espalhou por outras regiões da cidade. Outro denunciado foi preso após incendiar pneus e bloquear a Avenida Rei Pelé, na altura da estação Maracanã. Segundo os autos, o próprio suspeito admitiu que a interdição da via ocorreu por determinação do Comando Vermelho. O bloqueio afetou o trânsito e paralisou o transporte público durante parte do dia. O Ministério Público sustenta que as ações foram coordenadas pela facção para intimidar a população e demonstrar força após a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão.

PM bota em conselho que pode expulsar cabo flagrado fazendo segurança de um dos chefes da nova cúpula do jogo do bicho no RJ

A Polícia Militar decidiu submeter a Conselho de Disciplina, que pode levar a expulsão de seus quadros, de um cabo suspeito de fazer a segurança de Flávio Mocidade, que é investigado por supostamente comandar a nova cúpula do Jogo do bicho uma organização criminosa voltada para a exploração de jogos de azar e corrupção de forças policiais, por meio do pagamento de propina a diferentes unidades das polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro. O PM foi flagrado no dia 03 Out 25, por volta das 06h, na Avenida Lúcio Costa, n.o 3.650, Condomínio Next, Barra da Tijuca/RJ. Na ocasião, o Grupamento de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, doMinistério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO-MPRJ) cumpria mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra Flávio. No endereço do alvo, a equipe, que integrava a escolta do promotor de Justiça, deparou-se com o polical portando a pistola Beretta APX, calibre 9mm, um carregador com 15 (quinze) munições oriundas do Lote ENS67, de propriedade da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, arma acautelada consigo para uso exclusivo no serviço policial militar e sua segurança pessoal. Na ocasião, ao ser interpelado sobre o motivo de sua presença naquele local e horário,inicialmente relatou aos agentes, que prestava serviços à família e trabalhava como segurança no local e na escola de samba Mocidade. Assim, foi determinado pelo Membro do Ministério Público que conduzisse o policial militar à 2a DPJM, a fim de prestar declarações sobre os fatos.Segundo o Boletim Interno da PMERJ, a situação revela atitudes incompatíveiscom a condição de policial militar. Para a corporação, o policial expôs negativamente a Instituição, ao ferir a disciplina castrense ( O envolvimento de PMs com jogos de azar, caça´níquel, independente de responsabilização nas esferas civil e criminal é considerado transgressão de disciplina de natureza grave.

“Nunca mais vamos ser contraventores”: escutas revelam plano da quadrilha de Rogério Andrade para transformar jogo do bicho em império internacional de apostas

Uma investigação explosiva do Ministério Público do Rio revelou bastidores inéditos da sofisticada estrutura tecnológica atribuída ao grupo de Rogério Andrade, apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da contravenção no país. Escutas, e-mails e mensagens interceptadas mostram que a organização não apenas mantinha sistemas clandestinos de apostas online, aplicativos e caça-níqueis funcionando em larga escala, como também discutia uma estratégia para expandir os negócios para fora do Brasil e operar os jogos sob aparência de legalidade internacional. O ponto mais impactante da investigação aparece em um e-mail apreendido pelos investigadores, no qual um integrante do núcleo tecnológico sugere transferir toda a operação para o exterior para evitar ações da Justiça brasileira e transformar o esquema em uma espécie de “empresa legalizada” de apostas. Na mensagem, o investigado afirma que o grupo já possuía licença internacional para atuar com jogos fora do país e propõe migrar a estrutura: “O 01 já possui uma licença fora do Brasil para atuar com os jogos. Sugiro montar todos os projetos funcionando legalmente no país que ele tem autorização.” Em seguida, o texto deixa clara a intenção de blindar a organização das investigações no Brasil: “Quando ele tiver isso, nunca mais vamos correr o risco da Justiça achar que estamos fazendo algo ilegal.” A conversa termina com um trecho ainda mais simbólico: “Nunca mais ele vai ser contraventor de jogos.” Segundo o Ministério Público, o “01” citado nas mensagens seria uma referência direta ao chefe da organização criminosa. aplicativos, links secretos e estrutura milionária As investigações apontam que o grupo possuía um verdadeiro “departamento de tecnologia” voltado exclusivamente para manter de pé o império dos jogos ilegais. A denúncia descreve dois núcleos distintos: um responsável por aplicativos, links, conexões online e sistemas digitais; e outro encarregado da manutenção operacional das máquinas físicas espalhadas pelos pontos de apostas. De acordo com os autos, integrantes conhecidos pelos vulgos “Urso” e “Baiano” teriam papel central na sustentação tecnológica do esquema, atuando na criação e manutenção de aplicativos de apostas clandestinas. Os investigadores descobriram inclusive registros ligados à empresa Oracle, gigante mundial da tecnologia, utilizados para hospedar sistemas usados pela organização. Nos arquivos encontrados, aparecem aplicativos identificados como: Para o Ministério Público, isso demonstra que a contravenção havia ultrapassado há muito tempo o modelo antigo de bancas espalhadas pelas ruas e migrado para uma operação digital sofisticada, com capacidade de movimentação em larga escala. “paralisação total” e medo de operações policiais Outro trecho que chamou atenção dos investigadores revela o temor da quadrilha diante de possíveis operações policiais e bloqueios judiciais. Em um e-mail apreendido, um dos integrantes alerta sobre risco de colapso completo do sistema: “Paralisação TOTAL de TUDO (…) por um TEMPO MÍNIMO DE 30 DIAS.” A mensagem ainda afirma: “Hoje não temos contingência para os sistemas.” Segundo os investigadores, isso reforça a tese de que o grupo operava como uma empresa estruturada, com preocupação constante em manter os servidores, aplicativos e links funcionando sem interrupções. expansão internacional e aparência de legalidade Para o Ministério Público, as mensagens revelam um passo além da contravenção tradicional: a tentativa de internacionalização da atividade. A ideia discutida internamente seria utilizar licenças de apostas em países estrangeiros para permitir que brasileiros jogassem online em plataformas aparentemente legais, dificultando ações da Justiça brasileira. Os investigadores afirmam que o objetivo era criar uma estrutura semelhante a grandes plataformas internacionais de apostas, usando tecnologia avançada para esconder a origem do dinheiro e reduzir riscos de operações policiais. organização criminosa com “visão empresarial” A denúncia descreve a suposta quadrilha como uma das mais estruturadas do Rio de Janeiro, com divisão de funções, cadeia hierárquica e setores especializados. Segundo o MP, havia: As autoridades afirmam ainda que o grupo possuía forte poder econômico e utilizava um esquema sofisticado de corrupção e intimidação para garantir o funcionamento dos jogos. foragidos e prisões preventivas A Justiça recebeu a denúncia e decretou prisões preventivas de integrantes apontados como peças-chave da estrutura tecnológica da organização. Parte dos investigados ficou foragida durante a investigação. Na decisão, o Judiciário destacou que o grupo apresentava uma estrutura “empresarial”, com capacidade tecnológica avançada e atuação contínua voltada à exploração ilegal de apostas. Para os investigadores, as escutas e documentos apreendidos revelam um retrato raro da modernização da contravenção no Rio: um submundo que deixou de depender apenas das bancas físicas e passou a operar através de aplicativos, servidores, sistemas digitais e projetos de expansão internacional. igação com milícias, facções e esquema de corrupção Os documentos da investigação apontam que a organização criminosa não atuava apenas na exploração de jogos ilegais. Na decisão judicial, o grupo é descrito como uma das organizações criminosas “mais antigas, estruturadas e violentas” em atuação no Rio de Janeiro, sustentada por dois pilares principais: Segundo o Ministério Público, havia uma “rede de proteção” alimentada por corrupção de servidores públicos em diferentes níveis, além de relacionamento com facções criminosas e grupos milicianos. Os investigadores afirmam que a organização possuía: Relatórios de inteligência citados no processo apontam ainda que o esquema de exploração dos jogos ilegais no estado teria provocado uma espécie de “loteamento” territorial entre grupos da contravenção, milícias e organizações criminosas. homicídios e violência para eliminar rivais A denúncia também faz referência a episódios de violência ligados à manutenção do poder da organização. Segundo a investigação, existem “sólidos indicativos” de utilização de homicídios e ações violentas contra pessoas consideradas obstáculos aos interesses do grupo. A decisão judicial menciona: “cometimento de homicídios para eliminação daqueles que colocam contra os interesses do grupo.” O Ministério Público sustenta que a organização utilizava métodos de intimidação, corrupção e violência para proteger suas atividades e evitar o avanço de investigações. organização criminosa com “visão empresarial” Para os investigadores, o grupo funcionava como uma verdadeira corporação clandestina. A denúncia descreve: A Justiça destacou que os investigados teriam criado uma estrutura sofisticada para garantir funcionamento ininterrupto das apostas ilegais, inclusive com possibilidade de expansão internacional. contravenção virou operação digital global Para investigadores envolvidos no caso, as escutas revelam uma mudança histórica no submundo da

Audios revelam suposto esquema de arrego para PMs em Macaé: traficante da ADA dizia que precisava “separar dinheiro para os P2”

Uma investigação da Justiça do Rio trouxe à tona diálogos explosivos que escancaram a rotina do tráfico em Macaé e a suposta relação criminosa entre traficantes e policiais corruptos. Conversas extraídas do celular de um acusado apontado como integrante da facção Amigos dos Amigos (A.D.A.) mostram discussões sobre pagamento de “arrego” para PMs e movimentações para liberar comparsas detidos. O caso envolve Daniel Alves, conhecido como “Dentinho da FDL”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais nomes da facção na Favela da Linha, no bairro Cajueiros. Embora tenha sido absolvido da acusação de tráfico por falta de provas diretas sobre a posse das drogas apreendidas, o réu pode ser condenado por associação para o tráfico após a perícia revelar mais de 1.500 conversas no celular dele. O trecho que mais chamou atenção da investigação é justamente o que expõe a suposta cobrança de propina para policiais militares atuarem na região. Em um dos áudios interceptados, um traficante identificado como “LZ” afirma que era necessário reservar dinheiro do tráfico para pagar o “arrego”: “Como tem que pagar o arrego, você fazendo aí o dinheiro do arrego é só você soltar depois.” Em outro momento, o próprio “Dentinho da FDL” relata correria para conseguir dinheiro após comparsas serem detidos: “Os polícia pegou uns meninos aqui… aí tem que soltar um dinheiro aqui pros P2. Porque os P2 pegou uns menino aqui, achou umas droga aqui.” Já em outra conversa, o traficante afirma que precisava levantar R$ 1 mil “pra firma” entregar aos policiais: “Tem que soltar mil reais aqui pros verme aqui (…) tem que fazer um dinheiro pra firma aqui pra dar pros P2.” As mensagens foram consideradas pelo Ministério Público como fortes indícios da estrutura organizada do tráfico na Favela da Linha, área dominada pela facção A.D.A. Segundo a investigação, Daniel mantinha contato constante com outros traficantes, coordenava movimentações financeiras e participava da rotina criminosa da comunidade. A prisão ocorreu após policiais militares receberem denúncias de que três suspeitos estariam vendendo drogas na região. Durante a ação, entorpecentes foram encontrados escondidos em um copo de Guaravita, debaixo de um carro e próximos a um comércio. Apesar disso, os agentes admitiram em juízo que não flagraram os acusados manuseando as drogas. Mesmo assim, a quebra do sigilo telefônico acabou mudando o rumo do processo. Além dos áudios sobre o suposto pagamento de arrego, a perícia encontrou fotos do acusado fazendo gestos ligados à facção, imagens de armas, dinheiro e drogas, além de diversas conversas sobre a movimentação do tráfico. O caso ganha ainda mais repercussão em meio às discussões atuais sobre corrupção policial, infiltração do crime organizado e a atuação de facções no interior do estado do Rio. Nos bastidores das comunidades dominadas pelo tráfico, a suspeita de pagamento de propina para garantir funcionamento de pontos de venda de drogas há anos é tratada como um “segredo aberto”, mas raramente aparece de forma tão explícita em documentos oficiais da Justiça. Agora, a defesa tenta derrubar as acusações, enquanto o Ministério Público sustenta que os diálogos revelam uma associação criminosa estável e organizada dentro da Favela da Linha.

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