Quase anos após os fatos, a Polícia Militar decidiu submeter ao Conselho de Disciplina dois policiais militares acusados de envolvimento em uma série de extorsões contra comerciantes. O procedimento pode resultar na expulsão dos agentes da corporação.
De acordo com a acusação, os policiais teriam se passado por integrantes da Polícia Civil para ameaçar comerciantes e exigir dinheiro em troca da não realização de supostas operações, buscas e apreensões.
Um dos principais episódios ocorreu em 14 de novembro de 2019, em Magalhães Bastos, na Zona Oeste do Rio. Segundo a denúncia, o sargento Campos, identificado como 2º SGT, compareceu ao estabelecimento de uma comerciante e afirmou ser policial civil da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM).
O policial teria dito à vítima que havia denúncias contra o comércio e que “não teria como segurar” a situação. Em seguida, teria exigido R$ 10 mil para evitar problemas.
A comerciante afirmou que não tinha o valor e que poderia pagar apenas R$ 700. A quantia teria sido entregue ao sargento, que também teria obtido da vítima a promessa de receber R$ 1 mil por semana.
A investigação aponta que, cerca de um mês antes, a comerciante havia sido abordada por um homem que relatou a existência de um grupo de policiais que estaria extorquindo comerciantes na região. Na ocasião, ele teria sugerido que ela procurasse o sargento Campos para tratar de possíveis “buscas e apreensões ilegais”.
A vítima chegou a entrar em contato com o policial, que marcou um encontro para conversar, mas a reunião não aconteceu.
No dia 14 de novembro, após ser informada de que policiais estariam realizando uma suposta operação em seu comércio, a comerciante voltou a entrar em contato com Campos. Segundo a acusação, o policial determinou que ela fosse até o estabelecimento, onde teria ocorrido a exigência de dinheiro.
Comerciante teria sido ameaçado com arma em Madureira
Ainda no mesmo dia, por volta das 20h, o sargento Campos e o policial militar Gutemberg teriam abordado outra vítima, identificada pelas iniciais J.N.S.G., na passarela da Estação de Trem de Madureira.
Segundo a denúncia, a vítima teria sido ameaçada com uma arma de fogo e obrigada a entregar dinheiro para evitar a apreensão de suas mercadorias.
Inicialmente, Campos teria exigido R$ 30 mil, afirmando que a mercadoria seria apreendida e levada pela DRCPIM. Posteriormente, um terceiro homem, ainda não identificado e que teria sido apresentado como “Tenente” da SSI/PMERJ, teria participado da negociação e exigido R$ 20 mil.
Diante da recusa da vítima, o valor teria sido reduzido para R$ 15 mil. Como não conseguiu reunir toda a quantia, a vítima teria entregado R$ 12 mil ao sargento Campos, em um encontro marcado na própria passarela da estação.
Nova cobrança em Nova Iguaçu
Quatro dias depois, em 18 de novembro de 2019, por volta das 16h, o sargento Campos teria feito uma nova cobrança.
Segundo a acusação, ele esteve em um comércio informal de roupas localizado na Avenida Governador Roberto Silveira, em Nova Iguaçu, onde teria exigido R$ 10 mil de um comerciante identificado pelas iniciais G.A.C.A.
O policial teria terminado recebendo R$ 4 mil.
Os dois policiais agora serão submetidos ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. O procedimento administrativo poderá resultar na expulsão dos agentes da corporação, caso as acusações sejam confirmadas.