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investigação

PMs São Expulsos por Ligação com Milícia Sanguinária, Venda de Armas e Sequestro na Zona Oeste do Rio

Dois policiais militares foram expulsos da corporação após serem apontados como integrantes de uma milícia violenta comandada pelo ex-PM conhecido como “Batata”, acusado de liderar uma organização criminosa envolvida em execuções, comércio ilegal de armas e domínio armado de territórios na Zona Oeste do Rio. Um dos agentes é acusado de vender armas de fogo de forma clandestina e de participar do sequestro de uma vítima identificada como A.S. Já o outro também é suspeito de atuar no esquema ilegal de armamentos. Além de “Batata”, a quadrilha contava com criminosos conhecidos como Rodriguinho, “2P” ou “Papai”, André Boto, Diony e Vitinho — todos apontados como peças-chave no funcionamento da organização. Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o grupo atuava como uma verdadeira máquina criminosa, praticando homicídios sob encomenda, corrupção e comércio ilegal de armas de uso restrito. As apurações revelaram que os próprios PMs tinham funções definidas dentro da organização. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que, entre outubro e novembro de 2021, o sargento Chagas negociava armas, munições e acessórios proibidos sem qualquer autorização legal. Já o sargento Da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, aparece como comprador recorrente desse arsenal clandestino em diferentes datas de 2021, sempre por meio de aplicativos de mensagem. Os crimes envolvem armamento de uso restrito, incluindo munições e equipamentos proibidos, movimentados de forma ilegal dentro da própria estrutura da milícia. A violência do grupo vai além do comércio de armas. Em agosto de 2021, Da Silva é acusado de sequestrar e manter uma pessoa em cárcere privado, reforçando o padrão de atuação brutal da quadrilha. As investigações também ligam o policial a um homicídio executado com extrema violência em Realengo. De acordo com os autos, no dia 4 de outubro de 2021, ele, ao lado de comparsas, abriu fogo contra um homem conhecido como “Alemão”, utilizando fuzil 7.62 e pistola 9mm, em plena luz do dia. A execução, segundo o Ministério Público, foi encomendada e paga pelo chefe da milícia, “Batata”, como parte de uma disputa por território criminoso. O ataque ocorreu em área urbana movimentada, colocando em risco a vida de inúmeras pessoas. O GAECO deflagrou uma operação em maio de 2025 para cumprir mandados de prisão preventiva contra os envolvidos. Os dois policiais chegaram a ser presos e ficaram detidos em unidade prisional da própria PM. O sargento Da Silva nega as acusações e afirma que o caso se baseia apenas em provas digitais, que estariam sendo contestadas pela defesa. Já Chagas também nega envolvimento e diz não conhecer as pessoas que o citaram nas investigações. Apesar das negativas, o Ministério Público denunciou os dois pelos crimes.

Empresário Morto por PMs no Rio Tinha Pendências na Justiça — Mas Nada Indica Relação com a Execução

A família do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, morto durante uma ação de PMs na Pavuna, na semana passada, planejava deixar o Rio de Janeiro e se mudar para Foz do Iguaçu (PR), onde ele enfrentava pendências judiciais. Daniel respondia a um processo por danos morais no Tribunal de Justiça do Paraná — cujo conteúdo não foi disponibilizado pelo órgão. Além disso, no ano passado, ele chegou a ser investigado por suspeita de descaminho, após tentar entrar no Brasil com mercadorias estrangeiras sem a devida declaração. O caso teve origem em uma representação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, após a apreensão de produtos em Foz do Iguaçu, em 15 de abril de 2025. O valor dos tributos envolvidos — cerca de R$ 6 mil — ficou abaixo do mínimo exigido para caracterizar crime de descaminho. Por isso, a Justiça considerou a conduta de baixo potencial ofensivo e arquivou o caso. Não houve prisão em flagrante, apenas a apreensão das mercadorias. Até o momento, não há qualquer evidência de que essas pendências tenham relação com a morte do empresário. A linha de investigação, na verdade, aponta para outro ponto considerado crucial: por que Daniel estava sendo monitorado pelos policiais horas antes de ser morto. Imagens de câmeras corporais mostram os PMs em contato com um informante, que relatava em tempo real os passos do empresário naquela noite — indicando que ele era acompanhado de perto antes da abordagem. Os vídeos também não sustentam a versão apresentada pelos agentes de que Daniel teria jogado o carro contra a equipe para justificar uma reação em legítima defesa. Os policiais foram presos por homicídio doloso, e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) concentra agora as apurações justamente na real motivação do crime — especialmente no motivo pelo qual o empresário passou a ser monitorado pelos agentes antes da ação que terminou em morte. “O GAESP/MPRJ também segue acompanhando o andamento das investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital para esclarecer as circunstâncias da ação policial, identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime”, diz a nota. A família disse que o carro do empresário foi atingido por 23 tiros. Ele morreu baleado na cabeça.

Terror no Pé Pequeno: Traficantes Impõem Lei do Medo, Vasculham Celulares e Controlam Até a Internet dos Moradores em Niterói

Moradores da comunidade do Pé Pequeno, no bairro de Fátima, em Niterói, vivem sob um verdadeiro regime de terror imposto por traficantes armados que dominam a região. Desesperados, eles chegaram a pedir socorro à polícia — mas o medo fala mais alto. Testemunhas se recusaram a depor formalmente na delegacia por receio de represálias violentas. Relatos colhidos pelas autoridades revelam um cenário assustador: criminosos revistam celulares de moradores como forma de controle e intimidação, além de obrigarem a população a utilizar apenas provedores de internet indicados pela própria facção, cortando qualquer outra opção. Quem desobedece, vira alvo. Investigações da 77ª DP (Icaraí) escancararam a ousadia dos bandidos. Alguns dos suspeitos aparecem monitorando a comunidade com rádios comunicadores, armados e posicionados como verdadeiros “soldados do tráfico”, exibindo armas na cintura ou sobre mesas, prontos para reagir a qualquer incursão policial ou ataque de facções rivais. Eles atuam diretamente na vigilância e proteção dos pontos de venda de drogas, garantindo o funcionamento do esquema criminoso a qualquer custo. As apurações confirmaram ainda que os traficantes armazenavam, transportavam e distribuíam diversas substâncias entorpecentes, com provas reunidas em documentos, fotografias e diligências policiais. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça decretou a prisão preventiva de oito suspeitos, todos ligados à facção criminosa Comando Vermelho. Entre os envolvidos, há menores de idade — o que escancara como o crime organizado segue recrutando jovens para sustentar sua máquina de violência e dominação.

DRACO DIZ QUE COMERCIANTES DAS ZONAS NORTE E OESTE DO RIO SÃO FORÇADOS PELA MILÍCIA A COMPARECER A LOCAIS PARA COMPRAR FARINHA DE TRIGO SOB MIRA DE FUZIS

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas recebeu, no dia 18 de abril, uma denúncia que expõe um esquema grave de exploração econômica com características típicas de atuação miliciana nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o documento obtido pela reportagem, as informações chegaram por meio de um canal institucional de denúncias anônimas e apontam que comerciantes estariam sendo coagidos a comparecer a locais previamente determinados, em datas específicas, para a retirada compulsória de mercadorias. Segundo o relato, os pontos de entrega são controlados por homens fortemente armados, portando fuzis e pistolas, que exercem vigilância ostensiva sobre a movimentação. A presença constante dos criminosos cria um ambiente de intimidação absoluta, anulando qualquer possibilidade de resistência por parte das vítimas. Ainda conforme a denúncia, os comerciantes vêm sendo obrigados, mediante grave ameaça, a adquirir insumos alimentícios — principalmente farinha de trigo — de fornecedores previamente indicados pelo grupo criminoso. A imposição ocorre em condições consideradas abusivas, com exigência de compra em quantidades superiores à demanda real, preços inflacionados e produtos de qualidade inferior. Quem se recusa a cumprir as ordens, segundo o documento, fica sujeito a retaliações que vão desde o fechamento do estabelecimento até ameaças à integridade física. Na prática, o esquema descrito aponta para a substituição do livre mercado por um monopólio criminoso, imposto mediante o uso da força. A dinâmica da operação também revela um nível de organização voltado a dificultar a ação das autoridades. Os comerciantes são convocados em datas variáveis, sem padrão fixo, e direcionados a locais fechados, sem qualquer identificação externa e inacessíveis ao público em geral. A estratégia, segundo os investigadores, reforça o caráter clandestino da atividade e indica planejamento estruturado. A denúncia se diferencia de informes anteriores recebidos pela polícia por apresentar elementos concretos de tempo, modo e local, incluindo a indicação de datas específicas para retirada das mercadorias e a presença ostensiva de homens armados nos pontos de entrega, o que confere maior precisão e possibilidade de verificação às informações. Diante desse cenário, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro entendeu que há indícios de atividade criminosa em plena execução, com impacto direto sobre a ordem pública e a livre iniciativa. Levantamento preliminar do setor de inteligência identificou que os endereços mencionados na denúncia correspondem a empresas formalmente constituídas. Entre os locais citados estão uma distribuidora de alimentos em Madureira, um galpão na Estrada dos Gouveias, em Santa Cruz, e uma empresa do mesmo ramo em Campo Grande. Segundo a análise, há indícios de um entrelaçamento societário entre essas empresas, com compartilhamento de sócios, endereços e atividades, o que pode indicar a existência de uma estrutura empresarial utilizada para dar aparência de legalidade ao esquema. Diante dos elementos levantados, a Polícia Civil representou à Justiça pela expedição de mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas e também nos endereços residenciais de sócios e administradores. A avaliação é de que documentos, registros informais, dispositivos eletrônicos e valores em espécie possam estar sendo mantidos fora dos estabelecimentos comerciais como forma de dificultar a investigação. A urgência da medida é reforçada por uma informação considerada crucial: comerciantes teriam sido convocados a comparecer ainda no mesmo fim de semana em que a denúncia foi feita, a um endereço em Madureira, para retirada das mercadorias impostas. Segundo o documento, o local estaria sendo guarnecido por diversos homens armados, caracterizando, na avaliação dos investigadores, um cenário de prática criminosa em curso ou prestes a se consumar. A polícia alerta que a demora na adoção de medidas pode resultar no perecimento de provas, seja pela rápida circulação das mercadorias, seja pela possibilidade de ocultação ou destruição de documentos e dispositivos eletrônicos, além de permitir a continuidade do esquema em larga escala.

De mansão no Vidigal a lista de extermínio: o passado brutal de Dada que poucos estão mostrando

O traficante baiano Ednaldo Pereira Souza, o Dada, voltou a ser destaque na imprensa carioca no último fim de semana ao ser noticiado detalhes da mansão que ele teria alugado no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio. Ele foi alvo de operação policial na semana passada que resultou em tiroteio e deixou centenas de turistas ilhados no Morro do Dois Irmãos. Relatos indicam que ele teria escapado por uma passagem secreta do casarão. A reportagem voltou a fazer pesquias sobre o histórico do criminoso e descobriu algo aterrorizante que mostrou sua extrema periculosidade.Dada é um dos cabeças da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) desde a década passada e naquela época ele estabeleceu uma lista com quatro pessoas que tinham que morrer e todas elas acabaram assassinadas. Eles deram ordens aos seus subordinados e elas foram cumpridas à risca. Até a mãe de um dos alvos acabou morta. Todas as vítimas pertenciam à facção Movimento do Povo Atitude (MPA), que na época era rival do PCE. Após essas execuções, uma outra lista foi preparada com próximas vítimas. Uma outra vítima, que tambem integrava o MPA, foi assassinada com requintes de cruledade. Ela levou mais de dez tiros quando estava de costas e quando caiu agonizando, os executores se debruçaram sobre o corpo da vítima, e, cruelmente, desferiram vários outros tiros contra aquela, por pura perversidade. Já naquela época, Dada havia dado a determinação de subverter a ordem no sistema prisional, implantando um regime de terror que lhes permitam o controle de todas as ações criminosas que são deliberadas pelo PCE, mesmo no âmbito do Conjunto Penal de Eunápolis. O contraste chama atenção: enquanto parte da cobertura se limita a episódios pontuais, como a fuga do passado, o histórico completo revela um criminoso que consolidou sua trajetória com violência sistemática, execuções ordenadas e domínio estratégico — fatores que ajudam a explicar o impacto de cada operação que tenta capturá-lo.

Liderado por uma mulher, CV da Paraíba buscou apoio logístico e bélico na Rocinha para enfrentar facção rival no Nordeste

Uma investigação da Polícia Civil da Paraíba revela que traficantes daquele estado liderados por uma mulher conhecida como Coroa buscaram apoio na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, para enfrentar a facção rival Okaida na cidade de Itabaiana. Segundo a apuração, Coroa solicitou suporte bélico e logístico no Rio de Janeiro para consolidar a hegemonia do CV na região. A polícia levantou que, por intermédio do traficante Fatoka, que também é da Paraíba e está escondido na Rocinha, foram enviados armamento, munições e fardamentos camuflados para assegurar que a “Família Coroa” tivesse capacidade de resistência contra a Okaida. Segundo o relatório, enquanto traficantes do CV da Paraíba buscam abrigo na Favela da Rocinha (RJ) para angariar apoio do Comando Vermelho nacional, bem como retirou seus integrantes, provisoriamente de Itabaiana, permanecendo apenas guerrilheiros oriundos de Juripiranga e outras cidades paraibanas onde o CV controla o tráfico, a Nova Okaida, continua deslocando “soldados” da região metropolitana (principalmente Cabedelo) para Itabaiana. Entenda a guerra A análise de inteligência apontou que o equilíbrio de forças em Itabaiana foi rompido pela decisão unilateral de Coroa de romper com a Nova Okaida (OKD) Ao associar-se ao narcoterrorista “Fatoka no Rio de Janeiro, a “Família Coroa” importou a doutrina do Comando Vermelho , que prioriza o confronto direto com as forças de segurança e o uso de táticas de terror para consolidar o domínio territorial. A migração foi motivada pela busca de maior aporte bélico e financeiro, visando sobrepujar a hegemonia que a Okaida exercia na região. O “racha” gerou uma fragmentação imediata dos bairros de Itabaiana. Locais que antes eram zonas de comércio pacificado pela Okaida tornaram-se “zonas de guerra”. A perda da hegemonia da Okaida é visível na necessidade de remanejamento de “soldados” de outras cidades para evitar o avanço do CV.investigação identificou que a disputa não se limita aos pontos de venda de entorpecentes, mas ao controle social das comunidades, onde o morador é coagido a escolher um lado, sob pena de ser expulso ou executado, conforme verificado no homicídio do dia 18/02. Como forma de demarcação tática e demonstração de lealdade, membros da nova célula do CV em Itabaiana e Juripiranga adotaram o uso de cabelos tingidos de vermelho . Esse sinal distintivo facilita a identificação visual entre comparsas durante incursões armadas e serve como propaganda visual para aterrorizar faccionados da Okaida. Paralelamente, a pichação sistemática de muros na Suburbana com siglas alusivas ao CV e ameaças à Okaida funciona como um “marco de posse”, desafiando abertamente o poder estatal e a facção rival. A transição foi acompanhada de uma ofensiva nas redes sociais. A inteligência monitorou a expedição de “decretos” (sentenças de morte) em perfis vinculados à Okaida contra os dissidentes. A extração de dados do dispositivo de um dos bandidos” confirmou que as ordens de execução circulam em grupos de mensagens antes de serem postadas em plataformas públicas como o Instagram. Essa guerra digital serve para desestabilizar o emocional dos dissidentes e reafirmar a autoridade das lideranças que permaneceram na OKD, transformando o ambiente virtual em uma extensão do campo de batalha físico.

Alvo de atiradores que mataram três pessoas em Nova Iguaçu, miliciano morto era um dos responsáveis por pagar propinas a PMs

A chacina de três mortos ocorrida durante a semana em Austin, em Nova Iguaçu, continua trazendo desdobramentos sobre o histórico da criminalidade no local. Segundo investigações do início desta década, o principal alvo dos atiradores, Vitor da Paixão Aragão, o Vitinho da Biqueira, tinha como uma da suas principais atribuições dentro da milícia que agia na região pagar propinas a PMs. A quadrilha realizava o pagamento de arrego aos agentes lotados no DPO de Austin’, regularmente, para que esses deixassem de repreender as ações delituosas do grupo, de acordo com a investigação. Em uma escuta telefônica feita à época, Vitinho informou a um policial que precisava “desenrolar uma meta” com ele e um colega de farda. Segundo as investigações, o pagamento da propina era subsidiado por quantias em dinheiro arrecadadas pela organização criminosa, proveniente de taxa recolhida junto aos mototaxistas da região, para que estes pudessem circular livremente pela localidade. A investigação revelou que naquela época chegou a haver um racha na quadrilha com o chefe do grupo, Marquinho Alemão, ordenando a morte de Vitinho ao saber que ele estaria ameaçando matá-lo. Vitinho chegou a se tornar um dos líderes da milícia com a prisão de Alemão. Vitinho dava ordens aos seus comandados, notadamente aqueles que realizavam o recolhimento de”taxa”de comerciantes e mototaxistas da localidade, bem como organizava e participava de empreitadas criminosas juntamente com outros milicianos. Ele também era considerado um dos matadores da milícia sendo acusado de dois homicídios cujos corpos das vitimas foram deixados no Arco Metropolitano, conforme nossa reportagem divulgou durante a semana. A investigação revelou que fazia parte também desta milícia um indivíduo conhecido como Nem Corolla, que foi assassinado em novembro do ano passado junto de outras duas pessoas em um bar em Nova Iguaçu, A chacina ocorrida essa semana em Austin deixou duas pessoas sem qualquer envolvimento com o crime mortas, entre elas o comerciante Rafael Babalu, dono do bar onde ocorreram os homicídios.

Bastidores de uma das guerras mais sangrentas do Rio que uniu duas facções e um ex-policial civil contra milicianos

Uma das guerras mais violentas e duradouras do Rio de Janeiro segue em curso na Zona Oeste, envolvendo traficantes, milicianos, contraventores e até um ex-policial civil que teria migrado para o crime organizado. O conflito, que permanece ativo até os dias atuais, é marcado por homicídios, ataques armados e intimidação sistemática de moradores, usados como instrumentos de domínio territorial. As investigações apontam que a disputa pelo controle de áreas como Catiri, Vila Kennedy e Jardim Bangu vai muito além do tráfico de drogas. O que está em jogo é o domínio de regiões estratégicas, inclusive pela proximidade com o Complexo Penitenciário de Gericinó, facilitando a comunicação com lideranças criminosas presas e fortalecendo a atuação das facções. Além disso, essas áreas garantem acesso a uma rede altamente lucrativa de atividades ilegais, como transporte alternativo (vans), fornecimento de gás e internet clandestina — negócios que intensificam ainda mais a disputa entre grupos criminosos. VIOLÊNCIA, HOMICÍDIOS E INTIMIDAÇÃO DE MORADORES Segundo os autos, o controle territorial é imposto por meio de violência extrema. Criminosos utilizam armamento pesado, promovem ataques coordenados e recorrem a práticas de intimidação coletiva, submetendo moradores ao medo constante. Homicídios e tentativas de assassinato são utilizados como forma de demonstrar poder, eliminar rivais e consolidar o domínio das comunidades, transformando a região em um cenário permanente de guerra. PULGÃO: EX-POLICIAL NO CENTRO DO CONFLITO No centro desse cenário está o ex-inspetor da Polícia Civil conhecido como “Pulgão”, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV) e ligado à chamada “tropa do RD”. De acordo com as investigações, após deixar a prisão em 2024, ele passou a atuar diretamente nas ações da facção. Em junho de 2025, voltou a ser preso acusado de associação criminosa e envolvimento em diversos ataques armados contra milicianos, incluindo tentativas de homicídio. Além da atuação violenta, Pulgão também é apontado como responsável por fortalecer o controle econômico da facção, explorando serviços ilegais como transporte alternativo, internet clandestina e fornecimento de gás. GUERRA CONTRA MILÍCIA, JOGO DO BICHO E O ALVO “MONTANHA” O conflito não se limita ao tráfico de drogas. As investigações revelam disputas diretas com milicianos e também com grupos ligados ao jogo do bicho. Nesse contexto, o miliciano conhecido como “Montanha” aparece como um dos principais alvos. Segundo os autos, ele foi alvo de uma tentativa de execução, evidenciando o nível de confronto entre as organizações criminosas. PENHA, CV E ADA: ALIANÇA QUE POTENCIALIZOU A GUERRA Outro fator determinante para a escalada da violência foi a participação de criminosos do Complexo da Penha, reduto histórico do Comando Vermelho, nas ações na Zona Oeste. Além disso, investigações apontam uma aliança estratégica entre o CV e a facção Amigos dos Amigos (ADA) — grupos historicamente rivais, mas que passaram a atuar juntos para retomar territórios dominados por milicianos. Essa união foi fundamental para ataques como o ocorrido em 17 de outubro de 2024, durante a invasão à comunidade do Catiri. ATAQUE EM ANTARES E EXPANSÃO TERRITORIAL A escalada da violência ficou evidente em episódios como o de 3 de janeiro de 2025, quando criminosos fortemente armados invadiram a região de Antares e abriram fogo contra seguranças ligados à milícia. As investigações também apontam movimentações para expansão em áreas como Santa Cruz e Campo Grande, ampliando ainda mais o alcance da guerra. A “TROPA DO RD” E O CONTROLE DOS NEGÓCIOS O traficante RD é apontado como um dos principais articuladores da ofensiva. Sua tropa atua tanto nos confrontos armados quanto na estruturação do domínio territorial. O objetivo vai além do tráfico: controlar atividades altamente lucrativas, como transporte alternativo, fornecimento de gás e internet clandestina, ampliando o poder financeiro da facção e intensificando o conflito. GUERRA SEM FIM Apesar de prisões e operações policiais, os documentos indicam que a organização criminosa segue ativa, com atuação contínua para expandir e consolidar seu domínio. A guerra pelo controle do Catiri, Vila Kennedy e regiões vizinhas permanece em curso até os dias atuais — marcada por homicídios, ataques, alianças improváveis, disputa com milícias e contraventores, e o uso constante da intimidação como ferramenta de poder.

DESCULPA REVOLTANTE: Pais presos por tortura de bebê de 50 dias dizem que carrinho que fechou sozinho com criança dentro causou lesões; médicos apontam sinais de violência extrema

A investigação sobre o caso do bebê de apenas 50 dias internado em estado gravíssimo na Baixada Fluminense ganhou um novo e revoltante capítulo: os pais presos suspeitos de tortura e estupro afirmaram segundo testemunhas que as graves lesões teriam sido causadas porque o carrinho onde a criança estava “fechou com ela dentro”. Segundo a assistente social responsável por ouvir o casal, os dois também disseram ter ficado surpresos com o estado da criança, o que levantou ainda mais suspeitas diante da gravidade dos ferimentos. A justificativa foi apresentada em depoimento, mesmo com os próprios investigados reconhecendo que se trata de um carrinho leve — versão considerada incompatível com a extensão das lesões. A reportagem teve acesso ao inquérito, que aponta um quadro extremo de violência. A bebê foi transferida do Hospital Geral de Nova Iguaçu para a UTI neonatal após apresentar politrauma e convulsões. De acordo com a médica pediatra e neonatologista responsável pelo atendimento, a criança apresentava hemorragia intracraniana, identificada em tomografia, além de lesões cerebrais antigas e recentes, em diferentes estágios evolutivos — quadro altamente sugestivo da chamada Síndrome do Bebê Sacudido. A médica também relatou que exames de corpo inteiro identificaram fraturas antigas em três arcos das costelas, já em processo de cicatrização, indicando episódios anteriores de agressão. Em avaliação oftalmológica especializada, foram constatadas múltiplas hemorragias retinianas, outro indicativo típico de violência. O caso se torna ainda mais grave com a suspeita de abuso sexual. Segundo a equipe médica, durante procedimento de troca de sonda, foi verificado que a criança apresentava ânus extremamente dilatado, com sangramento e vermelhidão intensa, condição absolutamente incompatível com a fisiologia de um bebê e sugestiva de violência. Ainda de acordo com a médica, a bebê segue em estado extremamente grave, sob ventilação mecânica, sedação contínua e uso de medicações, com risco concreto de morte. Outro ponto destacado pela profissional foi o comportamento dos pais, que não procuraram a equipe médica para obter informações sobre o estado da filha nem demonstraram reação emocional compatível com a gravidade do quadro durante todo o período de internação. A assistente social também relatou que o casal negou qualquer agressão física e apresentou apenas a versão do carrinho como explicação para todas as lesões. O inquérito aponta ainda que a bebê permanecia praticamente todo o tempo sob os cuidados diretos da mãe, sem contato frequente com terceiros, convivendo basicamente apenas com os próprios pais — fator que, segundo os investigadores, torna o caso ainda mais grave e reforça que as agressões ocorreriam dentro do ambiente familiar. O pai da criança possui condenação anterior por tortura-castigo contra outra filha, o que agrava ainda mais a suspeita sobre o histórico de violência. Para a polícia, não há qualquer explicação plausível para o conjunto de lesões. Os exames indicam agressões repetidas ao longo do tempo, evidenciadas pelos diferentes estágios de cicatrização. Diante da gravidade do caso, a Justiça decretou a prisão temporária do casal. As investigações seguem para apurar todos os detalhes, incluindo a possível prática de estupro de vulnerável.

POLICIAL PENAL PRESO HOJE NOS EUA AVISAVA LÍDERES DO TRÁFICO SOBRE AÇÕES DA POLÍCIA. LEIA TRECHOS

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como “Bonitão”, preso nesta semana nos Estados Unidos, já havia sido condenado no Brasil por um esquema gravíssimo de vazamento de informações sigilosas diretamente para chefões do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Ele respondeu a processo iniciado em 2013 e acabou condenado em 2017 a 14 anos de reclusão em regime fechado, acusado de se aproveitar da própria função pública — e também de pessoas de seu círculo de relacionamento — para obter e repassar dados estratégicos sobre ações policiais e do sistema penitenciário a criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação no Complexo da Maré, Serrinha, Vila Aliança, Dendê e Rocinha — à época ainda dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA). As transcrições reunidas no processo são contundentes e mostram que esse verdadeiro “setor da quadrilha” recebia pagamentos semanais para coletar informações privilegiadas junto a órgãos de segurança e ao sistema prisional, repassando tudo aos traficantes. O esquema era ainda mais sofisticado: em acordo com criminosos, os envolvidos também ofereciam informações a outros policiais, como a localização de armas e drogas, numa estratégia para ganhar confiança e ampliar o acesso a dados sigilosos. A partir daí, alimentavam continuamente a facção com informações que fortaleciam suas operações ilegais. Para a Justiça, ficou evidenciado que os integrantes atuavam de forma associada, com o objetivo claro de violar sigilo profissional e vender informações estratégicas ao crime organizado, auxiliando diretamente os interesses das facções. Interceptações telefônicas escancararam o nível de envolvimento de Bonitão com os principais nomes do tráfico: No dia 27 de dezembro de 2013, Luciano informou ao traficante Menor P, então um dos chefões da Maré, sobre a existência de um informante policial atuando na comunidade, que estaria utilizando um dispositivo de filmagem. Em 24 de fevereiro de 2014, após ser alertado por um comparsa sobre uma operação policial no Morro do Dendê, Bonitão avisou Fernandinho Guarabu, líder do tráfico na região, sobre a presença de dois informantes da polícia que acompanhariam o efetivo na ação. Já no dia 7 de março de 2014, ele voltou a agir ao informar Menor P sobre uma operação do BOPE em comunidades da Nova Holanda, áreas sob controle do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, a prisão de Bonitão nos Estados Unidos ocorreu porque ele voltou a se envolver em um núcleo criminoso voltado à negociação de vantagens indevidas e venda de influência, desta vez para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. A captura foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência federal antidrogas do Departamento de Justiça dos EUA, após uma troca de informações com policiais federais do Rio de Janeiro. O caso expõe uma engrenagem profunda de corrupção e infiltração dentro do sistema de segurança, mostrando como um agente público condenado por ajudar facções no passado voltou a aparecer no centro de um esquema com ramificações internacionais.

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