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investigação

Milhões em espécie, notas frias e lavagem de dinheiro: o esquema do braço-direito de Adilsinho

Preso este ano, o contraventor Adilsinho voltou a ser destaque na mídia carioca com a decisão da Justiça de mantê-lo em uma penitenciária federal longe do Estado do Rio de Janeiro. Nossa reportagem foi atrás de novas informações sobre o bicheiro para não ficar na mesmice do factual e descobriu junto à Justiça uma peça-chave no funcionamento dos negócios do criminoso. O suspeito trata-se de um homem conhecido como Verdini, apontado como braço-direito de Adilsinho; Empregado da empresa de Adilsinho e sócio dele em um clube na Barra da Tijuca, Verdini chegou a movimentar cerca de R$ 5,5 milhões entre 2015 e 2024, valores em espécie incompatíveis com seus rendimentos. Ele fez isso como forma de dissimular a origem do dinheiro. Ele chegou a realizar quatro depósitos no valor de R$ 5,5 milhões, tudo em espécie, sem qualquer identifficação de origem sendo que, deste total, R4 4,8 milhões eram destinados à firma de Adilsinho. O suspeito, junto de outras pessoas, ainda fez transações de câmbio para uma mulher que vivia nos Estados Unidos, o que pode configurar evasão de divisa Segundo a investigação, Verdini comandaria a elaboração de notas falsas em favor de Adilsinho, a quem se referia como ‘presidente”; Diálogos captados pela polícia mostraram ele indicando endereço e nome de quem deveriam ser emitidas as notas. A polícia ainda identificou diversas transferências para a conta dele, muitas delas feitas pela empresa de Adilsinho no total de R$ 127 mil. Verdini era ainda o responsável pela gestão financeira e administrativa de Adilsinho e da própria organização criminosa. Foram encontrados em sua nuvem vinculada à sua conta de email, por exemplo, planilhas de fluxo financeiro por pontos de vendas de cigarros, além de uma planilha de controle de gastos pessoais da filha e da esposa do cotnraventor., bem como a declaração do imposto de renda de Adilsinho. Com ele, foram achadas ainda 500 planilhas que revelaram o fluxo de caixa da quadrilha e as movimentações com proventos econômicos do escoamento da produção de cigarros, documentando a entrada e saída de bens do estoque da matriz e de cada uma das filiais A investigação revelou que Adilsinoh passou a emitir notas fiscais falsas de compra e venda de cigarros por três de suas empresas a pessoas físicas geralmente integrantes da máfia sem capacidade financeira e com inúmeros antecedentes criminais de delitos violentos de modo a encobrir a fabricação e comercialização clandetina de cigarros de modo a dissimular a origem e a movimentação dos valores auferidos com os crimes cometidos. Verdini teve a prisão decretada em 18 de fevereiro do ano passado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. GRUPO DE EXTERMÍNIO Um outro relatório obtido pela reportagem, haveria um grupo de extermínio que contaria com a participação de PMs do 15º Batalhão (Duque de Caxias) que atenderia aos interesses da quadrilha de Adilsinho, que é chamado também de ‘patrão’, ‘zero um’ ou ‘homem’. Adilsinho explora a comercialização ilegal de cigarros e jogos de azar.

Deputado preso ontem pela PF foi acusado de saquear cofres de empresa pública de habitação de Campos (RJ)

Preso ontem pela Polícia Federal suspeito de fraudes na Secretaria Estadual de Educação, o deputado estadual Thiago Rangel comandava também um esquema a um esquema de lavagem de dinheiro, por meio da inserção dos recursos desviados, numa rede de postos de combustíveis administrada pelo próprio parlamentar que contava com a participação de “laranjas” próximos, Segundo a Polícia Federal, Rangel também responde a processo acusado de saquear os cofres da Empresa Pública de Habitação do Município de Campos dos Goytacazes, durante os anos de 2021 e 2022, período em que exerceu influência política junto à Prefeitura de Campos dos Goytacazes, indicando para a direção da empresa pública o seu “braço direito”, Fábio Porbauix . Naquela época, o então vereador Thiago Rangel era aliado do prefeito, Wladimir Garotinho e oposição ao vereador Marquinho Bacellar, irmão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj. Na direção da empresa, Fábio iabilizou a manipulação de diversos procedimentos de aquisição de bens e serviços, a maioria por meio do expediente da dispensa de licitação, direcionando os contratos para empresas fechadas com a organização criminosa. Na verdade, emprestadas para a organização criminosa, que assumia a execução do serviço parcialmente entregue e desviava os recursos públicos oriundos do pagamento dos contratos, para contas de terceiros (laranjas) ou deempresas em nome de terceiros (Rede de Postos de Combustíveis de Rangel A Polícia Federal aponta, também, que na referida investigação denominada “Operação Postos de Mídias”, revelaram-se elementos suficientes do surgimento de novo esquema criminoso, no âmbito do Governo do Rio de Janeiro, em virtude de o antes vereador Thiago Rangel tornou-se Deputado Estadual pelo estado do Riopassando exercer influência política no estado, possivelmente com o ex-Deputado Estadual Rodrigo Bacellar, que seria o verdadeiro responsável pelo esquema criminoso, do qualRangel aderiu e passou a gerir parte dele. O esquema consistiria no direcionamento de obras dereformas em Escolas Públicas Estaduais do Norte Fluminense – região de influência política tanto de Bacellar como de Rangel – para empresas pré-ajustadas com os integrantes da Organização Criminosa, viabilizando o posterior repasse de recursos públicos desviado para os membros da quadrilha. Acredita-se que o esquema criminoso seja mais amplo e tenha sido estruturado em todo o Estado do Rio de Janeiro, com base no apoio político dado a Bacellar. Entretanto, no bojo da Operação Postos de Mídias, apenas parte do esquema fora revelado, sendo a presente peça limitada, dessa forma, à Diretoria Regional Noroeste, da Secretria de Educação. VIOLÊNCIA A investigação chama atenção para diálogos entre Rangel e Fabio que tramam ataques violentos contra F.A.R que fazia críticas a atuação de Thiago como vereador. Rangel disse que “vou dar jeito nele”, e pede a Fábio para descobrir o endereço de Felipe. Mais adiante, envia mensagem dizendo que vai mandar “uma surpresa” para ele, bem como que “depois de 12 tiros no portão o recado está dado”. Em outro diálogo, datado de 02/01/2022, Thiago e Fábio arquitetaram um ataque a pessoa não identificada. Vê-se que a conversa se iniciou com oencaminhamento de imagem por Rabgek que, apagada, não foi passível de recuperação. Entretanto, as mensagens trocadas deixam clara a intenção violenta dosinterlocutores. FÁBIO – 21:58:40h: Vai se enforcar sozinho!FÁBIO – 21:58:50h: Ta chegando a hora dele!FÁBIO – 21:58:59h: Temos que ter sabedoria!THIAGO RANGEL – 21:59:43h: “bati palma para ele aqui,botei a mãozinha batendo palma, para o filho da putaestressar logo”FÁBIO – 22:00:01h: “posso falar para você? Não valea pena não. Vale a pena não, a gente tem que arrancar acabeça dele sem dar direito para ele, entendeu? De pensarno que aconteceu. Vale a pena não, deixa ele. Vamoscortar, vai ser igual Lorena, entendeu?THIAGO RANGEL – 22:00:47h: Safado!FÁBIO – 22:01:07h: Isso ai!FÁBIO – 22:01:07h: Rapaz…FÁBIO – 22:01:07h: Ele vai arrumar uma merda paraele mesmo se fuder!FÁBIO – 22:01:07h: Vai por mimTHIAGO RANGEL – 22:01:44h: Vamos avaliar omelhor momento e tirar.FÁBIO – 22:01:45h: E já sei comoFÁBIO – 22:01:56h: “Rapaz, eu já sei como que agente vai resolver o problema. Ele vai para a EMABH de carro, só que ele vai por dentro porque ele não temhabilitação e ele não pode dirigir por fora. Vamos esquematizar, entendeu? Um bote. Ninguém vai matar ele, vai fazer nada. Ele vai tomar um bote, tá? E esse bote omoleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele, o caralho. Ele vai querer parar de ir, aí você vai dizer para ele, rapaz agora tem como não. Eu quis deixar você em casa e você não quis, agora não tem como não. E aí ele vai ter que pedir para sair”FÁBIO – 22:03:15h: “Ele vai ter que abandonar o emprego, entendeu? Não vai ser a gente que vai mandar ele embora não”THIAGO RANGEL – 22:03:35h: Vamos resolver isso logo!THIAGO RANGEL – 22:03:48h: Estou sem paciência com esse merda!FÁBIO – 22:04:13h: “Você já num falou para ele ficar em casa? Ele não quis. Ele não quis. Ele vai tomar um varada dessa e vai ficar com medo de ir. Nessa de ele ficar com medo, ele vai querer pedir a você para ficar em casa. Não, agora tem como não, eu tentei deixar você em casa, você não quis, agora você tem que ir.”THIAGO RANGEL – 22:05:20h: “Beleza, vamos arquitetar, orquestrar tudo aí. Porque esse cara aí, tá impossível de suportar ele, e eu não vou procurar ele nãocara, barbearia, procurar caralho nenhum, vou arrebentar esse filho da puta”.

Braço do TCP e alvo de guerra com a ADA em Campos: quem é Júnior do Beco, o traficante ligado a deputado preso pela PF

Antes de surgir nas investigações que levaram à prisão do deputado estadual Thiago Rangel, o nome de Júnior do Beco já era sinônimo de violência e domínio do tráfico no interior do Rio de Janeiro. A imprensa do Rio noticiou com destaque nesta terça-feira que Rangel, preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, teria oferecido vagas na Secretaria Estadual de Educação ao traficante — mas sem detalhar quem é, de fato, o criminoso por trás desse elo explosivo. Levantamentos mostram que Júnior do Beco já era uma figura conhecida pelas forças de segurança desde os anos 2000, especialmente em Guarus, em Campos dos Goytacazes. Entre criminosos que atuavam do Rio até o interior, ele era apontado como o maior braço do Terceiro Comando Puro (TCP) na região. Ele foi flagrado em uma conversa com um comparsa em que disseram que era preciso tomar uma providência contra a opressão da facção rival Amigos dos Amigos (ADA). Na interceptação, afirmaram que “teriam que manchar o chão de sangue” e que iriam manejar armas vindas de outras localidades dominadas pelo TCP, especialmente Tira Gosto e Portelinha, para reforçar o confronto. Policiais relataram, na época, que Juninho do Beco e seu irmão, conhecido como “Cavalinho”, bagunçavam a região. A maioria dos homicídios em áreas como Custodópolis e Baixada do Rotary era atribuída a eles, consolidando um cenário de medo constante. É esse o criminoso que, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mantinha relação íntima com o deputado Thiago Rangel. A decisão que fundamentou a prisão revela que Júnior do Beco teria recebido do parlamentar a oferta de duas vagas de trabalho como auxiliar de serviços gerais, para indicações próprias, aparentemente em órgãos públicos ligados à área de educação. Rangel foi orientado a procurar o traficante ou enviar seu número de telefone para que ele próprio entrasse em contato e definisse quem seriam as pessoas inseridas em uma planilha de contratações. Em seguida, Thiago Rangel encaminhou o contato salvo como “Junior Beco” e pediu a um conhecido que falasse com ele em seu nome, informando que possuía oito vagas de ASG (auxiliar de serviços gerais) disponíveis na educação. Dessas oito, ao menos duas seriam destinadas ao traficante, que já havia feito a solicitação. Uma das pessoas indicadas, segundo os autos, foi a própria irmã de Júnior do Beco. A Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, tem como objetivo desarticular uma quadrilha voltada para fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma no âmbito da Secretaria Estadual de Educação. As investigações apontam para um possível esquema de direcionamento de contratações realizadas por escolas estaduais, beneficiando empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo criminoso. O que emerge desse cenário é uma conexão alarmante entre crime organizado e estruturas públicas, revelando indícios de que interesses de facções podem ter ultrapassado as fronteiras do tráfico e alcançado o interior da máquina do Estado.

Polícia mira quem marcou encontro com casal morto no Terreirão e aponta: identificação é crucial para destravar investigação

A investigação sobre a execução de um casal no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, passou a ter como eixo central a identificação da pessoa que marcou o encontro com as vítimas, considerada peça fundamental para esclarecer a dinâmica do crime. Sem testemunhas presenciais e ainda sem autoria definida, a Delegacia de Homicídios da Capital direciona os esforços para reconstituir os momentos que antecederam o ataque, especialmente a partir das comunicações mantidas pelo casal nos dias e horas anteriores. O crime ocorreu no dia 29 de abril e foi marcado por extrema violência. As vítimas foram atingidas por múltiplos disparos de arma de fogo, com a perícia apontando a presença de diversos estojos de calibre 9mm no local, o que indica uma ação de alta intensidade. O homem morreu na hora, enquanto a mulher, grávida de cerca de seis meses, chegou a ser socorrida ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu aos ferimentos. O bebê também morreu. Diante da ausência de testemunhas e de imagens conclusivas que ajudem a identificar os autores, os investigadores consideram que os dados do celular da vítima são hoje um dos elementos mais importantes para o avanço do caso. O aparelho foi apreendido no local do crime e pode concentrar informações decisivas sobre contatos recentes, registros de chamadas, mensagens trocadas, localização e até dados eventualmente apagados que possam ser recuperados por meio de perícia especializada. A Polícia Civil já pediu à Justiça autorização para a extração forense completa do conteúdo do telefone, além da quebra de sigilo de dados telemáticos vinculados às contas das vítimas em aplicativos de mensagens e redes sociais. A expectativa é mapear toda a cadeia de comunicação, identificar interlocutores relevantes e, principalmente, esclarecer quem participou da marcação do encontro e em que circunstâncias ele foi combinado. Esse ponto é tratado como estratégico porque pode ajudar a entender o contexto da presença das vítimas no Terreirão, além de indicar possíveis conexões ainda desconhecidas pela investigação. No atual estágio do inquérito, os dados digitais são vistos como a principal ferramenta para superar as lacunas deixadas pela falta de testemunhas e pela dificuldade de reconstrução da cena do crime. Familiares das vítimas, ouvidos pelos investigadores, afirmaram que o casal não tinha qualquer envolvimento com atividades criminosas, o que reforça a linha de cautela adotada pela polícia e a necessidade de uma apuração técnica e aprofundada. A ausência de vínculos com o crime organizado também amplia a complexidade do caso e afasta, por ora, explicações simplificadas para a motivação do ataque. Com forte repercussão e pressão por respostas, a investigação segue concentrada na análise dos dados telemáticos e na identificação do responsável pelo encontro, considerados pontos-chave para esclarecer a autoria e a dinâmica de um crime que, até o momento, permanece sem solução. O que circulou na imprensa foi que o casal foi até a comunidade buscar encomenda para o chá de bebê e que na hora teria ocorrido um ataque de traficantes do Comando Vermelho a milicianos.

Só depois de sete anos, MP denuncia PMs por receber propina de milicianos para liberar carro irregular na Muzema

Depois de sete anos, o Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu denunciar três policiais militares suspeitos de receber propina de integrantes da milícia que atuava na Muzema e em Rio das Pedras para liberar um veículo com irregularidades durante uma abordagem. A denúncia foi apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) e tem como base provas técnicas obtidas a partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça no âmbito da operação “Os Intocáveis”, que investigou a atuação de organizações criminosas na Zona Oeste do Rio. De acordo com o Ministério Público, o caso aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2019, durante uma operação de trânsito realizada por policiais militares do APTRAN do 18º BPM, em Rio das Pedras. Na ocasião, um veículo com irregularidades foi abordado pelos agentes, que chegaram a determinar sua apreensão e acionaram um reboque. No entanto, o motorista, conhecido como “Valdir do frete”, acionou integrantes ligados à milícia que dominava a região na época para evitar que o carro fosse levado. Ainda segundo a investigação, a partir desse contato, houve uma articulação entre os criminosos e os policiais militares, que resultou no pagamento de vantagem indevida para que o veículo fosse liberado. O Ministério Público aponta que os três policiais denunciados agiram em conjunto, de forma consciente, para receber a propina e deixar de cumprir o dever legal de apreender o automóvel. As provas reunidas indicam que, após negociações intermediadas por terceiros ligados ao grupo criminoso, o carro acabou sendo liberado, mesmo com as irregularidades constatadas inicialmente pelos próprios agentes. A investigação destaca ainda que o material utilizado para embasar a denúncia é majoritariamente técnico, baseado em interceptações telefônicas e cruzamento de dados, considerado mais robusto em casos envolvendo organizações criminosas, onde a prova testemunhal costuma ser limitada. Os três policiais foram denunciados pelo crime de corrupção passiva. Na denúncia, o Ministério Público também pede à Justiça a suspensão do exercício da função pública dos agentes no policiamento ostensivo, permitindo apenas atuação em funções administrativas, como forma de evitar a repetição de condutas semelhantes durante o andamento do processo. O caso remonta ao período em que a milícia ainda exercia forte controle territorial sobre a Muzema e regiões vizinhas, influenciando diretamente ações cotidianas — inclusive abordagens policiais. Agora, com a apresentação da denúncia, caberá à Justiça decidir se aceita a acusação e transforma o caso em ação penal.

Denúncia aceita: PMs são acusados de “cegar” câmeras em operação com morte em Itaboraí

Quase dois anos depois, a bomba estourou: a Auditoria da Justiça Militar aceitou a denúncia contra dois PMs acusados de manipular câmeras corporais em uma operação que terminou em morte, em Itaboraí. O caso ganha novos contornos com detalhes que levantam suspeitas graves sobre o que realmente aconteceu naquela ação. Segundo os autos, os policiais teriam sabotado as próprias câmeras para impedir o registro completo da ocorrência. O episódio aconteceu em 24 de agosto de 2024, na Rua Pedro Ferreira Pinto, no bairro Esperança, durante uma operação do 35º BPM na comunidade da Reta Velha. De acordo com a denúncia, um dos agentes simplesmente retirou a câmera do lugar e passou a apoiá-la em diferentes superfícies, além de bloquear a lente com o próprio corpo e até com a arma. O resultado: imagens comprometidas e partes cruciais da ação fora de registro. O outro PM não ficou atrás. Ele teria movimentado a câmera de forma excessiva e irregular, retirando o equipamento várias vezes da posição correta e também obstruindo a captação com a arma — um comportamento que, na prática, inviabilizou a documentação fiel da ocorrência que terminou com morte por intervenção policial. A suspeita é de que houve uma tentativa deliberada de esconder o que aconteceu durante a operação. Por isso, foi aberto um inquérito da Polícia Militar para apurar possível desobediência a normas internas que regulam o uso obrigatório das câmeras corporais. A investigação se baseou justamente no que restou das imagens e em depoimentos colhidos, que apontam indícios dos crimes atribuídos aos agentes. Os relatórios revelam diálogos e trechos que reforçam a linha de apuração. Para a Justiça Militar, há sinais claros de que os policiais agiram no exercício da função, mas violando deveres básicos do cargo, atingindo diretamente o interesse da administração pública. Os dois acusados têm a patente de 3º sargento. Agora, o caso entra em uma nova fase — e pode revelar o que ficou sem registro durante a operação.

Oruam recebeu dinheiro dos traficantes Doca e Pezão para viagens e festas, diz MP

Filho do traficsnte Marcinho VP, chefe máxima do Comando Vermelhio, o rapprr Oruam recebeu dinheiro de traficantes como Doca e Pezão para despesas pessoais, viagens, festas e investimento A informação consta em denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra VP, o cantor , sua mãe, Marcia Gama Nepomuceno, e outras nove pessoas por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil realizou uma operação na quarta-feira (29/04) para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra os denunciados.A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada descreve a atuação do grupo no “branqueamento” de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em comunidades cariocas. Também demonstra que Marcinho VP ainda exerce relevante influência hierárquica na facção criminosa Comando Vermelho, coordenando recursos financeiros e estratégias para a expansão da organização criminosa, mesmo estando preso há mais de 20 anos. De acordo com a denúncia, a gestora financeira do grupo é Marcia Nepomuceno. As investigações apontam que ela recebia regularmente dinheiro em espécie de outros traficantes do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, vulgo Pezão. Para ocultar o patrimônio, ainda segundo a denúncia, Marcia Nepomuceno adquiriu e administrava estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas. .A denúncia estruturou a organização criminosa em quatro núcleos: o de liderança encarcerada (Marcinho VP), que exerce controle direto sobre a movimentação de recursos e decisões estratégicas; o núcleo familiar (Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno), responsável por intermediar a execução das ordens e a gestão de ativos; o núcleo de suporte operacional (Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, vulgo Magrão, e Jeferson Lima Assis), que presta suporte à lavagem de dinheiro e atua como “testa de ferro” para a dissimulação patrimonial; e o núcleo de liderança operacional (Doca, Abelha, Pezão, Eduardo Fernandes de Oliveira, vulgo 2D, e Ederson José Gonçalves Leite, o Sam), atuante nas comunidades na execução das práticas criminosas, entre elas o tráfico de drogas, sendo seus integrantes responsáveis por receber valores dessas atividades e repassar parte deles ao núcleo familiar.

DO GÁS AO JOGO DO BICHO: o rastro de terror de “Marquinho Sem Cérebro”, alvo de operação do MP que mira nova cúpula da contravenção no Rio

Alvo de uma operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (30), suspeito de integrar e liderar uma nova cúpula da contravenção no estado, Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como “Marquinho Sem Cérebro”, não surgiu agora no radar das autoridades. Seu histórico é antigo — e marcado por episódios de violência, coerção e domínio territorial. Antes de ser apontado como peça-chave no esquema do jogo do bicho em Bangu, Marquinho já havia comandado uma milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatório da Justiça da década passada, ele e seus comparsas coagiam revendedores de gás na comunidade do Sandá, em Bangu, impondo restrições e limitando a venda do produto a comerciantes da própria região. O objetivo era claro: controlar completamente o comércio de gás na localidade. De acordo com os registros, Marquinho chegou a procurar pessoalmente um homem identificado como Arnaldo Flores, exigindo que ele deixasse a área de interesse da organização criminosa. A vítima inicialmente resistiu, mas acabou cedendo às ameaças, recolhendo seus pertences e abandonando a região.Mesmo assim, acabou sendo assassinado posteriormente. As ações do grupo não pararam por aí. Marquinho e seus aliados montaram ou adquiriram depósitos de gás em Bangu, consolidando o domínio sobre o setor. Após tomar o depósito de gás de um homem identificado como Armando, localizado no Sandá, toda a família dele passou a ser ameaçada. O recado, segundo os relatos, era direto: o criminoso havia chegado para dominar a região e quem ficasse em seu caminho, morreria. Na prática, a intimidação era constante. Marquinho e um policial militar apontado como seu sócio circulavam pelas ruas abordando vendedores e pessoas ligadas à família Flores, determinando que todos avisassem Armando e seus familiares para interromper imediatamente a venda de gás e fechar os depósitos. As ameaças, de acordo com os relatos, chegavam a ser feitas até por policiais militares que patrulhavam a área, ampliando o clima de medo entre os moradores e comerciantes. Mesmo após a prisão de Marquinho, o esquema de pressão teria continuado. O policial militar apontado como seu sócio, na tentativa de manter o monopólio da comercialização de gás, seguiu abordando vendedores, questionando — em tom de ameaça — os preços praticados. GUERRA NA CONTRAVENÇÃO Anos antes desses episódios, Marquinho já atuava em outro cenário igualmente violento: a disputa entre bicheiros. Com a prisão do contraventor Rogério de Andrade, seu rival Fernando Iggnácio passou a ordenar uma série de ataques aos pontos controlados pelo concorrente. E, segundo investigações, Marquinho Sem Cérebro, que era chefe de segurança de Iggnácio, participou diretamente dessas ações. A ordem era clara: destruir máquinas caça-níqueis e desestruturar a quadrilha rival, abrindo caminho para o domínio dos territórios na Zona Oeste. Em outro trecho das investigações, Marquinho chegou a ser flagrado combinando com o próprio Iggnácio o pagamento de propina a policiais civis, incluindo um delegado, para forjar flagrantes de porte de arma contra integrantes de grupos rivais — possivelmente policiais militares. A OPERAÇÃO DE HOJE Todo esse histórico ajuda a explicar por que Marquinho voltou ao centro das atenções. Nesta quinta-feira (30), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), cumpre 18 mandados de busca e apreensão contra uma nova cúpula do jogo do bicho em Bangu. A investigação é própria do Ministério Público. De acordo com o GAECO, o grupo criminoso seria liderado por Marquinho Sem Cérebro, que já está preso. A ação conta com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) da Polícia Civil e do 14º BPM (Bangu). Os mandados, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, têm como objetivo apreender documentos e materiais ligados a uma série de crimes, como: Segundo as investigações, Marquinho ascendeu dentro da chamada máfia da contravenção, principalmente na exploração de máquinas caça-níqueis, após a morte do bicheiro Fernando Iggnácio. Desde então, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo GAECO aponta a prática de múltiplos crimes pelo grupo, incluindo diversos homicídios registrados em Bangu a partir de 2021. Os mandados estão sendo cumpridos em Bangu, Senador Camará, Realengo, Recreio dos Bandeirantes e Marechal Hermes.

CV recorre à milícia: prints revelam pedido de ajuda para invadir áreas do PL e do TCP e ampliar domínio na Zona Oeste do Rio

Novos prints de conversas divulgados pela Polícia Civil e publicados pela BandNews FM em redes sociais escancaram uma aliança perigosa entre o miliciano André Boto e o traficante Gadernal, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho, em meio à disputa por territórios na Zona Oeste do Rio. Em um dos trechos mais reveladores, Gadernal pede apoio direto para avançar sobre áreas dominadas pela milícia do PL, sucessora do grupo de Zinho, e também por facção rival: “Aí homem me deixa forte para montar esse base para mim atacar Antares e 48. Carobinha estou com meus homens parados”. Antares, em Santa Cruz, e Carobinha, em Campo Grande, são redutos da milícia do PL, enquanto o 48, em Bangu, é área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A resposta de Boto evidencia o alinhamento imediato entre os dois: “Vou agitar isso para você. Amanhã vou desenrolar com o amigo lá. Ali é uma reta só”. Em outro momento, o tom violento da conversa fica ainda mais explícito, quando Boto fala sobre um rival direto da milícia do PL:“Pegar o Zulu lá e quebrar 80% das pernas dele”. Zulu é apontado como integrante da milícia do PL, o que reforça o nível de conflito interno e disputa por poder nas regiões dominadas por grupos paramilitares. Os dois também discutem possíveis invasões em outras áreas. Boto chega a oferecer suporte para uma ofensiva na Vila Sapê, em Curicica:“Se minha área fosse perto você já estaria lá, Vila Sapê é o maior favelão”. Na sequência, ele sugere outro ponto estratégico:“O Catiri é o ideal mesmo”.Gadernal responde demonstrando facilidade de acesso a outra região:“O Boqueirão eu consigo, posso entrar a hora que quiser”. O diálogo também revela pressão de outros grupos armados na região. Ao comentar sobre o Catiri, Boto afirma:“Os crias da Vila Kennedy não saem de cima”.Gadernal responde indicando movimentação de aliados:“Eles vão vir para o Alemão e Penha, mas confia. Quando eu entrar você vai estar acompanhando. Vou precisar da sua ajuda”. Em um dos trechos mais graves, o traficante revela uma estratégia para tomada de território: usar o nome de milicianos para “limpar” a área e depois entregar ao tráfico. Boto responde sem hesitar:“Isso é mole”. Os diálogos também citam Rio das Pedras, em Jacarepaguá, outro alvo do Comando Vermelho:“Lá só tem bunda rachada”, diz Boto.“Eles estão esculachando vários moradores”, responde Gadernal.“Eles sempre fazem isso. O dono de lá é um bunda rachada. Cuzão de primeira”, completa o miliciano. Por fim, os dois mencionam o histórico de violência no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes. Gadernal afirma:“Teve um mês que teve 40 homicídios”.Boto relembra um confronto envolvendo o grupo do miliciano Tandera, da Baixada Fluminense, que terminou com cinco mortos e seis feridos. Para investigadores, os prints reforçam um cenário alarmante: a aproximação entre milicianos e traficantes para coordenar ataques, expandir domínio territorial e intensificar a violência em comunidades da Zona Oeste do Rio.

PRINT EXPLOSIVO REVELA DIÁLOGO ENTRE MILICIANO E CHEFÃO DO CV DURANTE OPERAÇÃO NO RIO

Um print de conversa divulgado pelo programa Balanço Geral escancarou uma conexão direta entre milícia e tráfico no Rio de Janeiro — e acabou passando quase despercebido no meio da cobertura. A mensagem mostra o miliciano André Boto, que controla áreas em Curicica, na Zona Oeste, em contato com Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. No diálogo, Boto questiona se os complexos da Penha e do Alemão seriam a mesma região. Gardenal responde detalhando o domínio das facções: afirma que a Penha é controlada por Marcinho VP e Doca, enquanto o Alemão estaria sob influência de Marcinho VP e Pezão. A conversa vai além. Os criminosos também discutem possíveis invasões a áreas dominadas por milicianos, citando regiões como Carobinha, em Campo Grande; 48 e Catiri, em Bangu; e o Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — indicando articulações diretas sobre disputas territoriais entre grupos rivais. O material foi revelado pela polícia durante uma operação deflagrada nesta quarta-feira pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que mira o coração financeiro do Comando Vermelho — responsável por movimentar e esconder milhões do tráfico de drogas. Agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca. Entre os alvos estão nomes de peso da facção: Márcia Gama, companheira de Marcinho VP; o filho dela, o rapper Oruam, considerado foragido; além de lideranças como Sam, da Cidade de Deus; Pezão, do Alemão; Abelha, da Lapa; e Doca, da Penha. As investigações, conduzidas ao longo de cerca de um ano, revelaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pela facção. Segundo os agentes, valores provenientes do tráfico eram repassados a operadores financeiros que fragmentavam o dinheiro em contas de terceiros, pagavam despesas, adquiriam bens e ocultavam patrimônio para dificultar o rastreamento. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e o cruzamento de dados telemáticos e financeiros mostraram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados — evidência clara da origem ilícita dos recursos. Os diálogos interceptados reforçam ainda que, mesmo preso há anos, Marcinho VP segue como figura central no comando da organização criminosa. A ação faz parte da “Operação Contenção”, ofensiva do Governo do Estado para frear o avanço do Comando Vermelho. Até agora, segundo dados oficiais, mais de 300 criminosos foram presos, 136 mortos em confrontos, cerca de 470 armas apreendidas — sendo 190 fuzis — e mais de 51 mil munições recolhidas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas usadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos do esquema.

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