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“Favela Virou ‘Casas Bahia do Crime’: Investigação Revela Esquema no Complexo do Lins Que Transformava Celulares Roubados na Zona Sul em TVs, Geladeiras, Whisky de Luxo e Joias Para o CV”

Uma operação realizada nesta sexta-feira no Complexo do Lins colocou novamente a comunidade no centro das atenções das forças de segurança. Mas, paralelamente às ações policiais realizadas hoje, uma outra investigação do Ministério Público e da Polícia Civil revela um cenário ainda mais impressionante: segundo os investigadores, criminosos transformaram a favela em uma espécie de “Casas Bahia paralela”, abastecida com produtos comprados com dinheiro roubado de vítimas da Zona Sul do Rio. A investigação aponta que a quadrilha criou um verdadeiro ecossistema criminoso dentro do Complexo do Lins, utilizando celulares roubados para invadir contas bancárias das vítimas e fazer compras milionárias em grandes redes varejistas. Segundo a denúncia, os criminosos agiam principalmente em bairros nobres da Zona Sul, como Jardim Botânico e Lagoa. As vítimas, em sua maioria mulheres desacompanhadas, eram abordadas por criminosos armados em motocicletas. Sob ameaça de morte, eram obrigadas a entregar celulares, joias, alianças, cartões bancários e até senhas. Mas o roubo dos aparelhos era apenas o início da engrenagem criminosa. De acordo com o Ministério Público, o verdadeiro objetivo da quadrilha era acessar as contas bancárias das vítimas para realizar compras eletrônicas em grande escala. A investigação afirma que, logo após os assaltos, os criminosos faziam compras de televisões, geladeiras, eletrodomésticos, bebidas caras e diversos itens de alto valor em redes como Casas Bahia e aplicativos como iFood. Tudo era entregue em endereços ligados ao Complexo do Lins. “Os autores montaram uma espécie de ‘CASAS BAHIA PARALELA’ no Complexo do Lins”, afirma a denúncia do Ministério Público. As notas fiscais anexadas à investigação mostram uma sequência de compras feitas horas depois dos roubos. Somente entre os dias 10 e 11 de julho de 2025, segundo os investigadores, os criminosos realizaram diversas compras usando a conta bancária de uma vítima assaltada no Jardim Botânico. Os produtos eram enviados diretamente para o Morro do Amor, no Lins. As investigações apontam que o esquema possuía estrutura profissional e divisão de tarefas. Havia o núcleo responsável pelos roubos, outro encarregado de movimentar o dinheiro e comprar os produtos, além de um setor voltado para lavagem de dinheiro e um braço ligado à transformação das joias roubadas em peças usadas por integrantes do tráfico. Segundo o Ministério Público, a organização criminosa tinha “verdadeira feição empresarial”. O núcleo dos roubos atuava com motocicletas como Honda XRE verde e Honda CB 300 Twister. As vítimas eram abordadas sob a mira de armas de fogo e obrigadas a desbloquear os celulares. Depois dos assaltos, os criminosos fugiam para o Lins levando aparelhos desbloqueados, alianças, correntes de ouro e cartões bancários. A investigação afirma que o grupo aumentou a quantidade de roubos porque nem sempre conseguia concluir as compras antes de bloqueios bancários feitos pelas vítimas. “O grande objetivo da quadrilha era acessar as contas bancárias das vítimas”, aponta a denúncia. As compras incluíam eletrodomésticos caros e bebidas de luxo, como whisky Gold Label. Parte dos produtos era revendida dentro da própria comunidade. Outra parte seria usada para lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, uma empresa chamada “Ar Velox Distribuidora de Gás” teria sido usada como fachada para ocultar dinheiro obtido através dos crimes. A empresa aparece ligada a integrantes da organização criminosa e, segundo o Ministério Público, servia para “dissimular e reinserir capitais de origem criminosa”. As investigações também revelaram que integrantes do grupo utilizavam os mesmos endereços cadastrados em plataformas de entrega como o iFood. Em um dos casos analisados, duas compras feitas nas Casas Bahia com dinheiro roubado foram entregues em endereços diferentes dentro do Lins. Uma das entregas foi recebida por uma mulher que chegou a colocar o próprio CPF no recebimento. Em outro endereço, um homem identificado apenas como “João” assinou como “funcionário” ao receber os produtos. Outro braço da organização chamou atenção dos investigadores: o chamado “núcleo das joias”. Segundo a denúncia, alianças, correntes e peças de ouro roubadas das vítimas eram encaminhadas para um homem apontado como ourives ligado ao Comando Vermelho. Ele seria responsável por derreter os metais preciosos e transformá-los em joias personalizadas usadas por integrantes da facção. A investigação aponta que o suspeito já era conhecido por fabricar joias para traficantes do Comando Vermelho e teria assumido esse papel após a morte do antigo ourives do Lins. Imagens anexadas ao procedimento mostram o investigado ao lado de criminosos ostentando joias, dinheiro e símbolos ligados ao tráfico. Há ainda referências à chamada “Tropa do Urso”, apontada como um grupo ligado ao Comando Vermelho conhecido por invasões em comunidades rivais. Segundo o Ministério Público, o esquema montado dentro do Complexo do Lins permitia transformar rapidamente celulares roubados em dinheiro, mercadorias e joias utilizadas pelo tráfico, criando uma engrenagem criminosa altamente lucrativa dentro da comunidade.

“Escutas Explodem: Policial Civil Vazava Operações Para Milícia Enquanto PM Planejava Ataques Armados Contra Traficantes Rivais dos paramilitares. LEIA OS DETALHES

As novas escutas obtidas pelo Ministério Público revelam detalhes explosivos sobre a atuação de policiais dentro da milícia que dominava áreas de Belford Roxo e Duque de Caxias. Os diálogos mostram vazamento de operações policiais, tentativa de liberação ilegal de veículos apreendidos, desvio de bens confiscados em ações da polícia e até planejamento de ataques armados contra traficantes rivais na comunidade da Talbinha. Segundo a investigação, um dos principais nomes citados nas conversas é o policial civil conhecido como Jaime, acusado de atuar diretamente em favor da organização criminosa usando a estrutura da Polícia Civil. O envolvimento de Jaime surgiu após a análise do celular de Angelo Adriano de Jesus Guarany, o “Magrinho”, apontado como gerente operacional da milícia. No aparelho, o policial aparecia salvo como “FAMÍLIA DRE”, referência à Delegacia de Repressão a Entorpecentes, onde estava lotado antes de ser transferido. As conversas mostram Jaime repassando informações sigilosas sobre operações policiais e ajudando integrantes da milícia. Em um diálogo do dia 7 de fevereiro de 2025, Jaime avisa que participava de uma grande operação policial na Baixada Fluminense. Logo depois, “Magrinho” pede ajuda ao policial: “Ajuda naquela situação do carro.” Jaime responde: “Vou ver isso agora pra você.” Segundo o Ministério Público, o veículo citado havia sido apreendido anteriormente com os milicianos “Fael” e “Sagaz”. As escutas também revelam que integrantes da quadrilha comemoravam a possibilidade de Jaime assumir a 54ª DP, delegacia localizada justamente na região dominada pela milícia. “Mete Bala” pergunta se o policial conseguiria retirar o carro apreendido da delegacia. “Magrinho” responde: “Mano, parceiro meu estava para assumir lá a 54. Vou ver se ele já chegou pro lado de lá Belford Roxo.” E continua: “Se ele tiver por lá o carro vai estar lá ainda. Fica mais fácil pra eu desenrolar com ele pra ele liberar o carro, entendeu?” Dias depois, Jaime avisa que havia sido transferido da DRE para a 17ª DP. “Magrinho” pergunta: “A rapaziada tua também saiu?” Jaime responde que apenas ele havia sido removido. Na sequência, o miliciano diz: “Tem trabalho pra tu.” Segundo os investigadores, o diálogo reforça a ligação direta do policial com o grupo criminoso. As conversas ficam ainda mais graves em março. No dia 10, “Magrinho” pergunta ao policial: “Tu viu a parada das multas?” Jaime responde: “Cheguei cedo na base. Tô levantando os mandados de quinta-feira.” Para o Ministério Público, o trecho demonstra vazamento de uma megaoperação policial que seria realizada dias depois. Com as informações obtidas através de Jaime, “Magrinho” entra em contato com André Junior, o “Litrão”, integrante da milícia e foragido da Justiça. No diálogo, ele alerta o comparsa: “Amanhã vai ter uma operação grande. Bagulho de carro clonado, roubado e mandado de prisão.” Depois, explica como funcionava o vazamento: “Os policiais desligam o telefone. Quem vaza fica com o telefone ligado.” Preocupado, “Litrão” responde: “Torcer pra não estar no meio dessa porra aí.” E continua: “O que me preocupa é esse mandado de 2018 aí.” “Magrinho” orienta o criminoso a fugir das cidades alvo da operação: “Tu vai estar na rua amanhã, não vai estar em casa, caralho.” “Ah, eles estão em Belford Roxo. Tu não vai pisar em Belford Roxo.” “Ah, eles estão em Caxias. Tu não vai pisar em Caxias.” No dia seguinte, 13 de março, a operação realmente aconteceu. Depois da ação policial, “Magrinho” pergunta a Jaime: “Tá rolando?” O policial responde: “146 presos.” Na sequência, o miliciano pede: “Se bingar algo e der pra trazer, me aciona.” Segundo o Ministério Público, a frase sugere desvio de bens apreendidos durante operações policiais em favor da milícia. Mas outro núcleo da investigação revela ainda mais violência. As escutas mostram o policial militar Gilmar Carneiro dos Santos, o “Professor Gilmar”, discutindo planos para atacar traficantes rivais no Morro da Talbinha. Em conversa do dia 16 de fevereiro de 2025, Gilmar reclama que não conseguia contato com o líder da milícia, “Cabeça de Ouro”. “Magrinho” responde: “Só recebo recado dele e respondo pela advogada.” Logo depois, Gilmar pede armamento pesado da organização criminosa: “Fala pro Cabeça que o Professor precisa pegar o 556 por 3 semanas.” Na sequência, revela o objetivo: “Vai subir a Talbinha e pegar o Pedro.” Segundo o Ministério Público, “Pedro” era apontado como traficante rival da milícia na comunidade. Dois dias depois, Gilmar publicou vídeo em rede social afirmando que moradores da Talbinha haviam vivido “uma madrugada de terror” após pichações do TCP, facção Terceiro Comando Puro. As conversas seguintes mostram que a guerra entre milicianos e traficantes continuava escalando. No dia 6 de março de 2025, Gilmar volta a conversar com “Magrinho” sobre a Talbinha. O policial militar lamenta a morte de um homem conhecido como “Jacaré”. Segundo ele, o assassinato teria sido cometido pelos traficantes “Pedro”, “Da Vovó” e outro criminoso. Gilmar então passa a discutir vingança contra os traficantes. Durante a conversa, demonstra preocupação com eventual confronto envolvendo policiais do 15º BPM: “Tem que ter alinhamento com o batalhão pra ninguém se machucar.” Depois, faz uma declaração considerada gravíssima pelos investigadores: “Os caras do 15 não são nossos amigos.” Na sequência, admite necessidade de proteção política: “Se não tiver alinhado por cima e um político pra respaldar, fica difícil.” “Magrinho” responde mostrando naturalidade nas articulações: “Todas as vezes que a gente foi nunca deu errado.” “A gente sempre faz contato.” “Até um passeio que a gente vai fazer a gente faz um certo contato.” Mesmo assim, Gilmar insiste: “Eu não confio nesses caras do 15.” Segundo o Ministério Público, as escutas revelam policiais discutindo operações ilegais ao lado da milícia, planejando ataques contra traficantes rivais, buscando armamento pesado e articulando apoio dentro das forças de segurança e da política para garantir proteção às ações criminosas.

“‘Manda Dar Uns Esporros’: Escutas Explodem Esquema de Milícia na Baixada e Revelam Ameaças, Guerra por Território e Suspeita de Corrupção Policial”

Novas novas escutas extraídas dos celulares apreendidos pelo Ministério Público revelam, com riqueza de detalhes, o funcionamento interno da milícia que atuava em Belford Roxo e Duque de Caxias. Os diálogos mostram uma organização criminosa estruturada, marcada por ameaças constantes, violência contra comerciantes, disputa armada por território e fortes indícios de corrupção policial dentro do esquema criminoso. Segundo a investigação, o grupo atuava principalmente nos bairros Wona, Lote XV e Vale das Mangueiras, em Belford Roxo, além da comunidade da Talbinha, em Duque de Caxias. A quadrilha é acusada de praticar extorsões, torturas e homicídios de desafetos, impondo medo em comerciantes e moradores das regiões dominadas. O material considerado mais explosivo pelos investigadores surgiu após a prisão em flagrante de integrantes da milícia que realizavam cobranças de comerciantes. Com eles, policiais apreenderam aparelhos celulares que tiveram o sigilo quebrado pela Justiça. A extração dos dados revelou áudios, mensagens e conversas que desmontam o funcionamento interno da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, as provas mostram que a milícia era comandada pelos criminosos Diego dos Santos Souza, o “Cabeça de Ouro”, e Carlos Adriano Pereira Evaristo, o “Carlinhos da Padaria” ou “CL”, que continuavam dando ordens de dentro do sistema penitenciário com livre acesso a celulares. As escutas revelam que o grupo possuía divisão de tarefas, cobradores, gerentes e operadores responsáveis pela arrecadação das extorsões contra comerciantes e mototaxistas. Um dos principais nomes citados nas conversas é Angelo Adriano de Jesus Guarany, o “Magrinho”, apontado como gerente dos cobradores e elo entre os executores das extorsões e os líderes presos. As mensagens mostram o clima de intimidação imposto pela quadrilha. Em uma conversa de 18 de janeiro de 2025, logo após realizar uma cobrança em um estabelecimento comercial, Rafael Messias, o “Fael”, entra em contato com “Magrinho” relatando a reação de uma funcionária que teria resistido ao pagamento da taxa da milícia: “Pô, uma mulher gordinha, viado, uma mulher arrogante pra caralho, marrentona a mulher, entendeu? Mas eu não trato ninguém na ignorância, né mano.” Na sequência, ele deixa claro que o grupo estava impondo cobrança obrigatória aos comerciantes da região: “Aí eu falei com ela mano, que a partir de semana que vem tem que pagar.” A funcionária tenta se afastar da situação: “Aí ela falou assim: ‘Ué, tu não fala com ele? Fala com ele aí, avisa ele aí, não é comigo não, eu não quero falar no telefone não porque eu sou funcionária, eu não posso falar no telefone’.” O diálogo fica ainda mais grave quando “Fael” sugere represálias físicas contra a mulher: “Se for funcionária manda dar uns esporros nela também pra ela se ligar também irmão, pra ela aprender a falar com os outros, entendeu?” O criminoso ainda admite que quase partiu para violência: “Eu sou ignorante pra caralho mano, mas eu me segurei, entendeu mano? Que eu não sei se é parente do amigo aí também, entendeu mano? Por consideração ao amigo aí a gente não falou nada, ficamos quieto.” Depois, ele encerra a prestação de contas sobre a cobrança realizada: “Aí tu vê aí, maninho, valeu? Estamos juntos.” “Já é então, irmão, já é, estamos juntos.” “Já foi, já foi já, irmão. Já pegamos já.” Segundo os investigadores, os áudios mostram como comerciantes eram pressionados através do medo e da ameaça de violência física para aceitar as cobranças impostas pela milícia. As escutas também revelam o funcionamento financeiro da organização criminosa. No dia 4 de fevereiro de 2025, o miliciano Gabriel, o “Biel”, entra em contato com “Magrinho” para prestar contas da arrecadação do dia: “Fala filho do JUNINHO, acabei de chegar em casa. Acabei de pegar as duas FARMÁCIAS agora, fala tu. Faz o que? Tu vem aqui, alguém vem? Passa a visão.” “Magrinho” responde: “Calma aí que eu tô falando com o viado aqui pra ele pegar aí.” Dias depois, em nova conversa, “Biel” relata a transferência dos valores arrecadados: “Mandei 400 reais.” “300 do negócio.” “Falta os da noite.” Para o Ministério Público, os diálogos comprovam a existência de uma estrutura organizada de arrecadação criminosa, com prestação de contas e divisão de funções dentro da milícia. Mas as conversas consideradas mais sensíveis da investigação são as que apontam para a possível participação de policiais e agentes de segurança dentro do esquema criminoso. No dia 11 de fevereiro de 2025, “Biel” informa a “Magrinho” que um homem ligado à milícia rival do “Bombeirinho”, identificado nas escutas pelo código “88”, apareceu em uma farmácia tentando descobrir quem estava realizando as cobranças no local. A fala chama atenção pela maneira como o suspeito se apresenta: “Ele chegou falando: ‘não pô, aqui é o amigo da SEGURANÇA, pá, não sei o que, quem foi que passou aí e pegou hoje?’” Para os investigadores, a referência direta à “SEGURANÇA” reforça a suspeita de envolvimento de policiais civis e militares no funcionamento da milícia. Na sequência, “Biel” relata que a funcionária acabou revelando sua identidade: “A mulher da FARMÁCIA ainda falou o meu nome ainda.” “Aí a mulher, sem querer, sem maldade, falou meu nome, GABRIEL.” Mesmo identificado, o criminoso demonstra sensação de proteção e impunidade: “Pode falar, qualquer um que falar aí pode falar meu nome.” “Que eu dou meu nome pra geral.” Logo depois, ele ameaça o rival: “É que eu não tenho o número desse arrombado, senão eu ia falar umas caralhadas de merda pra ele.” “‘Mano, você tu vai tentar de novo?’” Em seguida, “Magrinho” pede imagens do homem ligado ao grupo rival para identificá-lo futuramente: “Mano, já que ela te mandou mensagem aí, pede pra ela mandar um vídeo, cara, de quem foi lá.” O trecho seguinte é considerado um dos mais graves da investigação: “Pede pra ela: ‘pô, amiga, me ajuda aí, só pra eu saber quem é, tá ligado, se ver na rua saber quem é, pra estar esperando alguma coisa’.” Para os investigadores, a expressão “estar esperando alguma coisa” indica possível preparação para ataque armado ou execução ligada à disputa territorial entre milicianos rivais. “Magrinho” continua: “Tenta desenrolar

Após prisão de membro do CV do RN em Macaé, investigação revela estrutura da facção no estado nordestino com grupos de whatsapp, “decretos” e alianças armadas

A prisão de um integrante do Comando Vermelho em Macaé nesta semana jogou luz sobre a estrutura que a facção mantém no Rio Grande do Norte. Uma decisão da UJUDOCRIM, obtida pela reportagem, detalha como funciona a organização criminosa no estado, incluindo liderança regional, grupos de WhatsApp usados para coordenação interna, controle financeiro, alianças armadas e disputas territoriais violentas. Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Facções Criminosas (DEFAC), o CV no RN opera com divisão de funções, hierarquia definida e comunicação permanente entre integrantes por aplicativos de mensagem. Entre os grupos identificados pela polícia estão “SINTONIA GERAL CV.RL-RN” e “FUTEBOL BREJINHO”, apontados como espaços usados para articulação da facção, transmissão de ordens, alinhamento de ações criminosas e disciplinamento interno. A investigação aponta que havia integrantes responsáveis pela expansão territorial do grupo, administração das comunicações, arrecadação financeira e organização das ações armadas contra facções rivais. Um dos investigados é descrito como principal liderança do CV em Brejinho, no interior potiguar. Segundo os autos, ele administrava o grupo “SINTONIA GERAL CV.RL-RN” e seria responsável por coordenar o crescimento da facção na região. Na casa dele foram apreendidos revólver calibre 38, munições e material tático. As autoridades também identificaram integrantes ligados diretamente ao setor financeiro da organização. Relatórios do COAF apontaram movimentações bancárias consideradas suspeitas, incluindo transferências incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Outro ponto destacado na decisão é o uso de “decretos” internos, prática comum entre facções criminosas. Um dos denunciados teria sido marcado para morrer pela facção rival Sindicato do Crime (SDC) após migrar para o Comando Vermelho, reforçando o cenário de guerra entre grupos criminosos no estado. As investigações mostram ainda que o CV mantém atuação organizada em áreas das zonas Norte e Oeste de Natal, onde integrantes da facção seriam responsáveis por ataques armados, ameaças e homicídios ligados à disputa territorial. Um dos investigados usava redes sociais para divulgar conteúdo criminoso, incluindo referências a assassinatos, ameaças contra rivais e exaltação de ataques promovidos pela facção. A decisão também aponta a existência de alianças criminosas firmadas pelo Comando Vermelho no Rio Grande do Norte. Um dos denunciados aparece ligado à facção “Cangaço”, numa articulação que, segundo os investigadores, fortaleceu o poder bélico e operacional do grupo. Além da estrutura nas ruas, o CV também mantinha integrantes considerados estratégicos dentro do sistema penitenciário. Parte dos denunciados já estava presa em penitenciárias do estado, mas continuava sendo apontada como participante ativa da organização criminosa. O Judiciário manteve a prisão preventiva dos investigados e autorizou o compartilhamento das provas com a DEFAC, DEICOR e forças integradas de segurança pública, permitindo o aprofundamento de novas investigações sobre a atuação do Comando Vermelho no estado. A prisão Em uma ação cirúrgica, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) prenderam, nesta quarta-feira (20/05), uma liderança de alta periculosidade do Comando Vermelho do Rio Grande do Norte. O narcotraficante vulgo Professsor foi localizado em um imóvel em Macaé após troca de informações e trabalho integrado de inteligência com a Polícia Civil potiguar. De acordo com as investigações, o homem exercia função estratégica dentro da estrutura da facção criminosa e era apontado como um dos responsáveis pelo braço armado utilizado nas invasões de territórios dominados pelo “Sindicato do Crime”, grupo rival que atua no Rio Grande do Norte. A disputa desencadeou uma intensa guerra entre facções no estado, marcada por homicídios, ataques armados, execuções e confrontos violentos pelo controle do tráfico de drogas. O criminoso é investigado por diversos homicídios relacionados à escalada da violência e era considerado pelas forças de segurança um alvo de altíssima periculosidade devido à sua atuação operacional dentro da organização criminosa. Segundo as apurações, ele participava diretamente do recrutamento de integrantes para atuar na guerra entre facções, além de ser responsável pela guarda e manutenção do armamento utilizado pelo grupo. Contra o traficante havia mandados de prisão por organização criminosa armada, além de diversas anotações criminais por tráfico de drogas, receptação, roubo e posse de entorpecentes, evidenciando seu envolvimento contínuo com a criminalidade organizada e ações violentas atribuídas ao Comando Vermelho. Após intenso trabalho de inteligência e monitoramento entre as duas instituições, os agentes da Draco localizaram e prenderam o criminoso sem dar chance de fuga.

“Nunca mais vamos ser contraventores”: escutas revelam plano da quadrilha de Rogério Andrade para transformar jogo do bicho em império internacional de apostas

Uma investigação explosiva do Ministério Público do Rio revelou bastidores inéditos da sofisticada estrutura tecnológica atribuída ao grupo de Rogério Andrade, apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da contravenção no país. Escutas, e-mails e mensagens interceptadas mostram que a organização não apenas mantinha sistemas clandestinos de apostas online, aplicativos e caça-níqueis funcionando em larga escala, como também discutia uma estratégia para expandir os negócios para fora do Brasil e operar os jogos sob aparência de legalidade internacional. O ponto mais impactante da investigação aparece em um e-mail apreendido pelos investigadores, no qual um integrante do núcleo tecnológico sugere transferir toda a operação para o exterior para evitar ações da Justiça brasileira e transformar o esquema em uma espécie de “empresa legalizada” de apostas. Na mensagem, o investigado afirma que o grupo já possuía licença internacional para atuar com jogos fora do país e propõe migrar a estrutura: “O 01 já possui uma licença fora do Brasil para atuar com os jogos. Sugiro montar todos os projetos funcionando legalmente no país que ele tem autorização.” Em seguida, o texto deixa clara a intenção de blindar a organização das investigações no Brasil: “Quando ele tiver isso, nunca mais vamos correr o risco da Justiça achar que estamos fazendo algo ilegal.” A conversa termina com um trecho ainda mais simbólico: “Nunca mais ele vai ser contraventor de jogos.” Segundo o Ministério Público, o “01” citado nas mensagens seria uma referência direta ao chefe da organização criminosa. aplicativos, links secretos e estrutura milionária As investigações apontam que o grupo possuía um verdadeiro “departamento de tecnologia” voltado exclusivamente para manter de pé o império dos jogos ilegais. A denúncia descreve dois núcleos distintos: um responsável por aplicativos, links, conexões online e sistemas digitais; e outro encarregado da manutenção operacional das máquinas físicas espalhadas pelos pontos de apostas. De acordo com os autos, integrantes conhecidos pelos vulgos “Urso” e “Baiano” teriam papel central na sustentação tecnológica do esquema, atuando na criação e manutenção de aplicativos de apostas clandestinas. Os investigadores descobriram inclusive registros ligados à empresa Oracle, gigante mundial da tecnologia, utilizados para hospedar sistemas usados pela organização. Nos arquivos encontrados, aparecem aplicativos identificados como: Para o Ministério Público, isso demonstra que a contravenção havia ultrapassado há muito tempo o modelo antigo de bancas espalhadas pelas ruas e migrado para uma operação digital sofisticada, com capacidade de movimentação em larga escala. “paralisação total” e medo de operações policiais Outro trecho que chamou atenção dos investigadores revela o temor da quadrilha diante de possíveis operações policiais e bloqueios judiciais. Em um e-mail apreendido, um dos integrantes alerta sobre risco de colapso completo do sistema: “Paralisação TOTAL de TUDO (…) por um TEMPO MÍNIMO DE 30 DIAS.” A mensagem ainda afirma: “Hoje não temos contingência para os sistemas.” Segundo os investigadores, isso reforça a tese de que o grupo operava como uma empresa estruturada, com preocupação constante em manter os servidores, aplicativos e links funcionando sem interrupções. expansão internacional e aparência de legalidade Para o Ministério Público, as mensagens revelam um passo além da contravenção tradicional: a tentativa de internacionalização da atividade. A ideia discutida internamente seria utilizar licenças de apostas em países estrangeiros para permitir que brasileiros jogassem online em plataformas aparentemente legais, dificultando ações da Justiça brasileira. Os investigadores afirmam que o objetivo era criar uma estrutura semelhante a grandes plataformas internacionais de apostas, usando tecnologia avançada para esconder a origem do dinheiro e reduzir riscos de operações policiais. organização criminosa com “visão empresarial” A denúncia descreve a suposta quadrilha como uma das mais estruturadas do Rio de Janeiro, com divisão de funções, cadeia hierárquica e setores especializados. Segundo o MP, havia: As autoridades afirmam ainda que o grupo possuía forte poder econômico e utilizava um esquema sofisticado de corrupção e intimidação para garantir o funcionamento dos jogos. foragidos e prisões preventivas A Justiça recebeu a denúncia e decretou prisões preventivas de integrantes apontados como peças-chave da estrutura tecnológica da organização. Parte dos investigados ficou foragida durante a investigação. Na decisão, o Judiciário destacou que o grupo apresentava uma estrutura “empresarial”, com capacidade tecnológica avançada e atuação contínua voltada à exploração ilegal de apostas. Para os investigadores, as escutas e documentos apreendidos revelam um retrato raro da modernização da contravenção no Rio: um submundo que deixou de depender apenas das bancas físicas e passou a operar através de aplicativos, servidores, sistemas digitais e projetos de expansão internacional. igação com milícias, facções e esquema de corrupção Os documentos da investigação apontam que a organização criminosa não atuava apenas na exploração de jogos ilegais. Na decisão judicial, o grupo é descrito como uma das organizações criminosas “mais antigas, estruturadas e violentas” em atuação no Rio de Janeiro, sustentada por dois pilares principais: Segundo o Ministério Público, havia uma “rede de proteção” alimentada por corrupção de servidores públicos em diferentes níveis, além de relacionamento com facções criminosas e grupos milicianos. Os investigadores afirmam que a organização possuía: Relatórios de inteligência citados no processo apontam ainda que o esquema de exploração dos jogos ilegais no estado teria provocado uma espécie de “loteamento” territorial entre grupos da contravenção, milícias e organizações criminosas. homicídios e violência para eliminar rivais A denúncia também faz referência a episódios de violência ligados à manutenção do poder da organização. Segundo a investigação, existem “sólidos indicativos” de utilização de homicídios e ações violentas contra pessoas consideradas obstáculos aos interesses do grupo. A decisão judicial menciona: “cometimento de homicídios para eliminação daqueles que colocam contra os interesses do grupo.” O Ministério Público sustenta que a organização utilizava métodos de intimidação, corrupção e violência para proteger suas atividades e evitar o avanço de investigações. organização criminosa com “visão empresarial” Para os investigadores, o grupo funcionava como uma verdadeira corporação clandestina. A denúncia descreve: A Justiça destacou que os investigados teriam criado uma estrutura sofisticada para garantir funcionamento ininterrupto das apostas ilegais, inclusive com possibilidade de expansão internacional. contravenção virou operação digital global Para investigadores envolvidos no caso, as escutas revelam uma mudança histórica no submundo da

Audios revelam suposto esquema de arrego para PMs em Macaé: traficante da ADA dizia que precisava “separar dinheiro para os P2”

Uma investigação da Justiça do Rio trouxe à tona diálogos explosivos que escancaram a rotina do tráfico em Macaé e a suposta relação criminosa entre traficantes e policiais corruptos. Conversas extraídas do celular de um acusado apontado como integrante da facção Amigos dos Amigos (A.D.A.) mostram discussões sobre pagamento de “arrego” para PMs e movimentações para liberar comparsas detidos. O caso envolve Daniel Alves, conhecido como “Dentinho da FDL”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais nomes da facção na Favela da Linha, no bairro Cajueiros. Embora tenha sido absolvido da acusação de tráfico por falta de provas diretas sobre a posse das drogas apreendidas, o réu pode ser condenado por associação para o tráfico após a perícia revelar mais de 1.500 conversas no celular dele. O trecho que mais chamou atenção da investigação é justamente o que expõe a suposta cobrança de propina para policiais militares atuarem na região. Em um dos áudios interceptados, um traficante identificado como “LZ” afirma que era necessário reservar dinheiro do tráfico para pagar o “arrego”: “Como tem que pagar o arrego, você fazendo aí o dinheiro do arrego é só você soltar depois.” Em outro momento, o próprio “Dentinho da FDL” relata correria para conseguir dinheiro após comparsas serem detidos: “Os polícia pegou uns meninos aqui… aí tem que soltar um dinheiro aqui pros P2. Porque os P2 pegou uns menino aqui, achou umas droga aqui.” Já em outra conversa, o traficante afirma que precisava levantar R$ 1 mil “pra firma” entregar aos policiais: “Tem que soltar mil reais aqui pros verme aqui (…) tem que fazer um dinheiro pra firma aqui pra dar pros P2.” As mensagens foram consideradas pelo Ministério Público como fortes indícios da estrutura organizada do tráfico na Favela da Linha, área dominada pela facção A.D.A. Segundo a investigação, Daniel mantinha contato constante com outros traficantes, coordenava movimentações financeiras e participava da rotina criminosa da comunidade. A prisão ocorreu após policiais militares receberem denúncias de que três suspeitos estariam vendendo drogas na região. Durante a ação, entorpecentes foram encontrados escondidos em um copo de Guaravita, debaixo de um carro e próximos a um comércio. Apesar disso, os agentes admitiram em juízo que não flagraram os acusados manuseando as drogas. Mesmo assim, a quebra do sigilo telefônico acabou mudando o rumo do processo. Além dos áudios sobre o suposto pagamento de arrego, a perícia encontrou fotos do acusado fazendo gestos ligados à facção, imagens de armas, dinheiro e drogas, além de diversas conversas sobre a movimentação do tráfico. O caso ganha ainda mais repercussão em meio às discussões atuais sobre corrupção policial, infiltração do crime organizado e a atuação de facções no interior do estado do Rio. Nos bastidores das comunidades dominadas pelo tráfico, a suspeita de pagamento de propina para garantir funcionamento de pontos de venda de drogas há anos é tratada como um “segredo aberto”, mas raramente aparece de forma tão explícita em documentos oficiais da Justiça. Agora, a defesa tenta derrubar as acusações, enquanto o Ministério Público sustenta que os diálogos revelam uma associação criminosa estável e organizada dentro da Favela da Linha.

Traficante da Bahia que fugiu por passagem secreta em mansão no Vidigal usava empresa na Rocinha (CV) para lavar dinheiro do tráfico, diz MP

O traficante conhecido como “Dada”, que ficou conhecido após escapar de um cerco policial usando uma passagem secreta durante uma festa infantil em uma mansão alugada no Vidigal, é apontado agora pelo Ministério Público da Bahia como peça central de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. Segundo a denúncia obtida pela reportagem, integrantes da facção PCE/CV realizavam transferências bancárias para empresas sediadas na Rocinha, comunidade dominada pelo CV no Rio de Janeiro. Uma das empresas citadas nas investigações é uma loja de materiais de construção localizada na favela carioca, usada, de acordo com os investigadores, para movimentar recursos oriundos do tráfico de drogas. A descoberta foi feita durante uma fase da Operação Rastreador, da Polícia Civil da Bahia, após a quebra de sigilo telemático de integrantes da organização criminosa. Áudios, comprovantes bancários, manuscritos e registros financeiros revelaram um esquema milionário de movimentação de dinheiro envolvendo traficantes, parentes e companheiras dos acusados. O Ministério Público afirma que “Dada” ocupa posição de liderança na facção PCE/CV, grupo aliado ao Comando Vermelho e responsável pelo tráfico de drogas em cidades do extremo sul da Bahia. A investigação aponta que a organização possuía estrutura empresarial, divisão de tarefas e controle detalhado da circulação de dinheiro, armas e drogas. As investigações mostram ainda que mulheres ligadas aos criminosos eram usadas para realizar transferências e ocultar valores do tráfico em contas bancárias, dificultando o rastreamento financeiro pelas autoridades. A denúncia também aponta que membros da facção fizeram depósitos e transferências consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Parte do dinheiro era enviada para empresas localizadas na Rocinha, reforçando a conexão entre traficantes baianos e o Comando Vermelho do Rio. “Dada” já havia chamado atenção das autoridades após fugir de uma operação policial durante uma festa infantil em uma mansão no Vidigal. Na ocasião, policiais cercaram o imóvel, mas o traficante conseguiu escapar usando uma passagem secreta existente na residência. Agora, a nova denúncia revela que o criminoso não atuava apenas no comando armado da facção, mas também no gerenciamento financeiro do grupo, considerado pelas autoridades uma verdadeira “empresa do crime”. Mais de 20 pessoas foram denunciadas por organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Parte dos investigados segue foragida.

Do Acre à Rocinha: investigação expõe ligação direta entre traficantes e cúpula do CV no RJ

Uma denúncia explosiva do Ministério Público do Acre revelou bastidores inéditos da expansão do Comando Vermelho no Norte do país e escancarou a forte ligação entre criminosos do Acre e chefões históricos da facção no Rio de Janeiro. A investigação, conduzida pelo GAECO, DRACO e DENARC, descreve uma estrutura criminosa altamente organizada, com atuação voltada para tráfico de drogas, homicídios, torturas, roubos, extorsões e lavagem de dinheiro. Segundo o documento, mesmo presos em unidades de segurança máxima, líderes da facção continuavam dando ordens, arrecadando dinheiro e coordenando ações criminosas de dentro das celas. Um dos pontos que mais chamou atenção na denúncia foi a presença de criminosos ligados diretamente à cúpula do Comando Vermelho no Rio. O nome de “Samuray”, apontado como integrante da “Casa Maior” da facção e considerado um dos braços direitos de Fernandinho Beira-Mar, aparece como uma das principais lideranças envolvidas nas articulações criminosas. Preso em Bangu 3, no Rio de Janeiro, ele teria participado de decisões estratégicas envolvendo o comando do CV no Acre. As investigações apontam que integrantes da facção no Norte recorriam constantemente aos chefões fluminenses para resolver disputas internas, validar lideranças e definir os rumos da organização. Outro nome de peso citado na investigação é o de “Abelha”, criminoso conhecido no submundo do Rio de Janeiro e apontado como peça importante nas conexões entre traficantes acreanos e a cúpula carioca do CV. Segundo a denúncia, um advogado ligado à facção viajou até a Rocinha para se reunir pessoalmente com Abelha, que estaria escondido na comunidade, em uma tentativa de mediar conflitos internos envolvendo o controle do tráfico no Acre. O mesmo advogado também teria mantido contato direto com Samuray e outras lideranças presas no sistema penitenciário do Rio. As apurações revelam que uma verdadeira guerra interna tomou conta do Comando Vermelho no Acre. Disputas por poder, controle de armas, domínio de pontos de venda de drogas e arrecadação milionária colocaram diferentes grupos da facção em rota de colisão. Em meio ao caos, traficantes ligados ao Acre buscavam apoio e autorização dos chefões do Rio para permanecer no comando da organização criminosa. A denúncia ainda mostra que até advogados teriam sido usados pela facção como intermediários entre traficantes presos e líderes do CV no Rio de Janeiro. Conversas interceptadas pela investigação revelariam tentativas desesperadas de integrantes do grupo para impedir afastamentos dentro da facção e garantir proteção da chamada “cúpula nacional” do Comando Vermelho. Os investigadores também descobriram que presos utilizavam celulares clandestinos dentro das penitenciárias para transformar celas em verdadeiros centros de comando do crime organizado. Relatórios apontam controle de “biqueiras”, cobrança de mensalidades criminosas conhecidas como “caixinhas”, extorsões contra comerciantes e até administração de armamentos mantidos em esconderijos da facção. Outro detalhe impressionante é que membros do grupo criminoso teriam alterado apelidos e até manipulado registros internos da facção para dificultar investigações policiais. Segundo o Ministério Público, a própria organização mantinha uma espécie de “cartório do crime”, com listas detalhadas dos integrantes cadastrados no Comando Vermelho. Ao todo, dezenas de pessoas foram denunciadas por organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação sustenta que o Comando Vermelho consolidou uma estrutura extremamente violenta e profissionalizada no Acre, mas sempre mantendo ligação direta com criminosos do Rio de Janeiro, especialmente integrantes da alta cúpula da facção instalados em comunidades cariocas e dentro dos presídios fluminenses. A denúncia reforça que o avanço da facção no Norte do país não ocorreu de forma isolada, mas sim sob influência direta de chefões do Rio, que continuariam exercendo forte poder sobre o crime organizado em diferentes estados brasileiros mesmo atrás das grades.

PM foi preso acusado de executar amante da ex-mulher: veja detalhes exclusivos da investigação e dos bastidores do crime

m policial militar foi preso nesta sexta-feira acusado de executar friamente um vigilante e comerciante em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta que o crime teria sido motivado por ciúmes e vingança após o agente descobrir o relacionamento da vítima com sua ex-companheira. O caso, que chocou moradores da região pela brutalidade e pela forma calculada da execução, ganhou novos contornos após a Polícia Civil reunir imagens, depoimentos, cruzamento de dados e rastreamento da motocicleta usada no assassinato. Segundo as investigações, Jonathan foi morto a tiros no dia 25 de fevereiro de 2026, por volta das 14h08, no momento em que fechava o brechó onde trabalhava, em Campo Grande. O atirador chegou sozinho em uma motocicleta branca, usando roupas escuras, capacete preto e balaclava. Sem dar qualquer chance de reação, abriu fogo contra a vítima em plena luz do dia e fugiu logo em seguida. Inicialmente, testemunhas chegaram a relatar a presença de dois criminosos na moto. Mas o avanço da investigação desmontou essa versão. Uma testemunha ocular, dono de uma oficina de motos em frente ao local do crime, afirmou ter visto claramente apenas um homem efetuando os disparos. O detalhe considerado crucial pela polícia foi a identificação da motocicleta: uma Yamaha NMAX branca. O mecânico afirmou ter certeza absoluta do modelo por trabalhar há anos no ramo de motocicletas. A partir daí, investigadores chegaram ao policial militar, que possuía exatamente uma moto com as mesmas características. TRAIÇÃO, CIÚMES E MONITORAMENTO De acordo com a investigação, Jonathan mantinha um relacionamento amoroso com A. ex-companheira do PM. O caso extraconjugal teria começado ainda quando ela era casada com o policial. Familiares da vítima contaram que Jonathan e A. viviam o relacionamento de forma discreta, mas o policial já sabia da traição há meses e não aceitava o fim da relação. A ex-mulher de Jonathan revelou em depoimento que o vigilante chegou a publicar uma foto ao lado de A. nos “status” do WhatsApp poucos dias antes do crime. Segundo ela, Jonathan jamais comentou estar sendo ameaçado, mas todos tinham receio da reação do policial por ele ser agente da ativa da PM. Já A. confirmou aos investigadores que o PM monitorava constantemente o relacionamento dela com Jonathan e chegou a obrigá-la a enviar uma mensagem simulando o fim do romance. A mulher também relatou um episódio considerado decisivo pela polícia: cerca de uma hora antes do assassinato, Jonathan avisou que o policial havia acabado de passar de moto em frente ao seu brechó. Minutos depois, ele seria morto. IMAGENS, HORÁRIOS E RASTREAMENTO DA MOTO As imagens obtidas pela Delegacia de Homicídios foram fundamentais para embasar o pedido de prisão. Câmeras do condomínio onde o PM mora registraram o momento em que ele saiu pilotando sua Yamaha NMAX branca às 13h06 — cerca de uma hora antes do homicídio. Já às 15h04, pouco menos de uma hora após o assassinato, ele retornou ao condomínio carregando um capacete idêntico ao utilizado pelo atirador. Além disso, o sistema CIVITAS, da Prefeitura do Rio, identificou a motocicleta do policial circulando a apenas 1,7 km do local do crime minutos após a execução. A polícia também afirma que as roupas usadas pelo PM em imagens anteriores coincidiam com as vestes do assassino registradas por câmeras da região. Para os investigadores, o conjunto probatório mostra uma movimentação precisa e planejada. EXECUÇÃO CALCULADA E SUSPEITA DE OCULTAÇÃO DE PROVAS Outro ponto que chamou atenção da polícia foi o comportamento da ex-companheira do PM após o crime. A mulher admitiu ter apagado mensagens trocadas tanto com Jonathan quanto com o policial. Dias depois da execução, o PM também alterou suas redes sociais, fechando o perfil e removendo referências à mulher, apesar de manter o status de “casado”. Os investigadores interpretaram as mudanças como tentativa de dificultar as apurações. A Polícia Civil ainda destacou que o militar possui treinamento tático, acesso a armamento e conhecimento operacional, fatores que aumentariam o risco para as investigações caso permanecesse solto. JUSTIÇA AUTORIZOU A PRISÃO Diante do avanço das apurações, a Delegacia de Homicídios representou pela prisão temporária do policial por homicídio qualificado. A polícia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe — vingança motivada por ciúmes e traição — e mediante recurso que impossibilitou qualquer defesa da vítima, surpreendida enquanto fechava o estabelecimento. Os investigadores também apontam que a prisão era necessária para evitar interferências nas diligências ainda em andamento. Com isso, a Justiça autorizou a prisão temporária do PM por 30 dias. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Agente infiltrado”: STF revela que Daniel Vorcaro teria policial federal da ativa operando esquema clandestino dentro da PF do Rio. Ele recebia a propina via Pix

Documento do Supremo Tribunal Federal detalha como um policial federal da ativa teria atuado dentro da própria corporação em favor da estrutura clandestina ligada a Daniel Vorcaro, realizando consultas sigilosas, acessando sistemas internos da Polícia Federal, monitorando alvos e abastecendo integrantes da organização com informações reservadas. O agente Anderson Wander da Silva Lima, lotado na DEAIN/DREX/SR/PF/RJ, é apontado pela investigação como a “longa manus” de Marilson Roseno dentro da Polícia Federal. Agente federal aposentado, Marilson era o líder operacional de Vorcaro. Segundo a representação, ele realizava ou articulava consultas indevidas em sistemas internos da corporação, repassando a Marilson dados reservados que, posteriormente, seriam utilizados em favor de Daniel Vorcaro, Felipe Mourão e demais integrantes do grupo criminoso. A autoridade policial afirma que Anderson recebia contrapartidas financeiras pelas atividades ilícitas e que, por continuar na ativa, possuía acesso privilegiado, atual e funcional aos bancos de dados oficiais da Polícia Federal, sendo justamente por isso constantemente acionado por Marilson. A investigação aponta que, ao menos desde agosto de 2023, Anderson vinha realizando pesquisas em bases internas da PF e transmitindo os resultados a Marilson, que redistribuía as informações ao núcleo central da organização. Segundo a Polícia Federal, não se trata de episódio isolado. A representação descreve um padrão contínuo e estável de exploração criminosa do acesso institucional da corporação em benefício dos interesses do grupo ligado a Daniel Vorcaro. O primeiro episódio concreto citado ocorreu em 05 de agosto de 2023. Na data, Marilson encaminhou a Anderson a fotografia do passaporte de R.A.M. e perguntou se a pessoa havia deixado o país e, em caso positivo, qual teria sido o destino. A investigação relata que um colega de Anderson se recusou a realizar a consulta ilegal. Diante disso, o agente teria classificado o servidor como “babaquinha demais”. Ainda no mesmo dia, Anderson enviou áudio a Marilson afirmando que “a gente tem que ver se aquela outra meta lá avança”, pedindo que não fosse abandonado e solicitando ajuda. Em resposta, Marilson afirmou que “a situação de terça-feira” já representaria avanço nos pleitos de Anderson por novas demandas. Posteriormente, durante o plantão de sua equipe, Anderson encaminhou áudios com as informações solicitadas, gravados por um terceiro ainda não identificado, além de enviar imagem de tela de sistema interno da Polícia Federal contendo dados de entrada e saída do país relacionados a R.A.M. Segundo a autoridade policial, os diálogos revelam que Anderson tinha plena consciência da ilegalidade das consultas e atuava deliberadamente para viabilizar e entregar conteúdo reservado ao grupo criminoso, inclusive mobilizando terceiros dentro da estrutura policial. As conversas interceptadas também revelariam o recebimento de vantagens e recompensas pelas informações sigilosas fornecidas. Em 08 de agosto de 2023, Marilson pediu a Anderson que gravasse um áudio para um terceiro dizendo: “depois vê aí o que consegue fazer pela gente”. O agente atendeu ao pedido e acrescentou espontaneamente a frase: “moral se paga com moral”, além de pedir “fortalecimento”. No dia seguinte, Marilson solicitou a chave Pix de Anderson para enviar “um presente pra filhota que passou no vestibular”. Em 11 de agosto de 2023, Anderson respondeu agradecendo e afirmou que a jovem “adorou o presente”. Para a Polícia Federal, o episódio demonstra uma contrapartida patrimonial concreta vinculada à disponibilidade funcional do policial para realizar consultas e obter dados sigilosos. Em 20 de setembro de 2023, Anderson voltou a conversar com Marilson e afirmou estar “fedendo”, que precisava de alguma “coisinha boa” e gostaria de fazer “uns trabalhinhos”. Marilson respondeu dizendo que, no mês seguinte, talvez fosse ao Rio de Janeiro e teria “um negócio” em que precisaria do apoio “de vocês aí”, classificando a situação como “muito interessante”. Segundo a representação, o diálogo demonstra que Anderson não era mero executor ocasional de consultas clandestinas, mas alguém integrado a um circuito contínuo de demandas futuras e expectativa de remuneração. A Polícia Federal afirma que havia uma relação permanente entre Anderson e Marilson baseada no atendimento sucessivo de solicitações sigilosas em troca de vantagens materiais. Em 09 de outubro de 2023, Marilson formulou nova solicitação ao policial, novamente atendida. No dia seguinte, 10 de outubro de 2023, Marilson enviou foto do visto americano de determinada pessoa e pediu que Anderson verificasse, com urgência, se o alvo ainda estava no Chile. Segundo a investigação, a demanda foi atendida. Em 11 de outubro de 2023, os questionamentos continuaram. A autoridade policial destaca que Anderson utilizava expressões como “a gente” e “conforme nós prevíamos”, o que, segundo a investigação, evidencia sua inserção em grupo articulado de agentes com acesso a dados internos da Polícia Federal, operando de forma colaborativa. Outro trecho considerado extremamente grave pela investigação ocorreu em 15 de fevereiro de 2024. Na ocasião, Marilson pediu que Anderson verificasse, com urgência, se determinado inquérito policial tratava de crime financeiro envolvendo Daniel Vorcaro, solicitando tudo o que pudesse ser enviado sobre o procedimento. A representação afirma que Anderson repassou a demanda a outros três colegas da Polícia Federal, enviando posteriormente capturas de tela das respostas recebidas. Em seguida, Marilson esclareceu que não precisava do acesso integral ao processo sigiloso, mas apenas de uma versão “sucinta” do inquérito. Já em 23 de fevereiro de 2024, nova solicitação foi feita por Marilson, agora relacionada a outro procedimento associado a uma intimação dirigida a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, Anderson atendeu parcialmente à demanda. Os investigadores sustentam que o agente era acionado não apenas para consultas cadastrais simples, mas também para sondar investigações sigilosas de interesse direto do núcleo Vorcaro, inclusive mobilizando sua rede de contatos dentro da corporação. A investigação menciona ainda nova demanda em 30 de julho de 2024, novamente relacionada à situação migratória de determinada pessoa. Já em 30 de outubro de 2024, Marilson acionou Anderson para “dar um pulão” em um DJ que, segundo a mensagem, teria “rede de pedofilia da internet” e teria “mexido com a filha de um cara, filho de um… com o CEO do banco aí”. Na sequência, foram enviados os dados de R.F.S. Para a Polícia Federal,

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