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investigação

Preso em operação da PF, pastor Márcio Poncio já era investigado por suspeita de ligação com a máfia dos cigarros

O pastor Márcio Poncio, preso em operação deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, já era investigado pelas autoridades há vários anos por suspeitas de envolvimento em um esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionado ao comércio de cigarros. A investigação teve origem em uma denúncia anônima apresentada à Ouvidoria do Ministério Público de São Paulo em 2021. O relato afirmava que Poncio, apontado como responsável de fato por empresas do setor tabagista, teria estruturado um esquema para esconder sua participação nos negócios e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização. Segundo os autos, a principal empresa mencionada era a Win Distribuidora de Cigarros, que, conforme a denúncia, teria transferido sua sede do Rio de Janeiro para São Paulo e promovido alterações societárias para retirar oficialmente Márcio Poncio do quadro de sócios. Apesar disso, o documento sustentava que ele continuaria exercendo o comando da empresa, figurando apenas como procurador. A denúncia também citava outras empresas ligadas ao grupo, entre elas a New Ficet Indústria e Comércio de Cigarros, a Quality in Tabacos Indústria e Comércio de Cigarros e a Blue Comercial Ltda.. Conforme o relato encaminhado ao Ministério Público, alterações societárias e mudanças de endereço teriam sido utilizadas para ocultar o verdadeiro controle das companhias e dar continuidade às atividades sem despertar a atenção das autoridades. O documento ainda descrevia um suposto esquema de movimentação de grandes quantias em dinheiro em espécie provenientes da comercialização de cigarros, principalmente na região da Rua 25 de Março, em São Paulo. Os valores, segundo a denúncia, seriam recolhidos por pessoas ligadas ao grupo e posteriormente entregues a Márcio Poncio. As suspeitas também envolviam o uso de empresas e de terceiros para ocultação patrimonial, além da aquisição de imóveis e bens de luxo supostamente incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Durante a apuração, o Ministério Público Estadual arquivou a parte relacionada aos crimes tributários por entender que não havia elementos suficientes para demonstrar a existência de sonegação fiscal ou de lançamento definitivo de tributos. O caso foi então remetido ao Ministério Público Federal para análise de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro. Ao longo da investigação, a Polícia Federal e o MPF solicitaram informações à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Também foram verificadas centenas de inscrições em dívida ativa envolvendo empresas citadas na denúncia. Apesar disso, a Receita Federal informou não ter localizado lançamentos tributários definitivos ou ações fiscais capazes de caracterizar os crimes apontados. Diante da ausência de um crime antecedente que sustentasse a investigação por lavagem de dinheiro e da falta de provas suficientes, o Ministério Público Federal concluiu que não havia suporte probatório mínimo para o prosseguimento das investigações. Em abril de 2025, o MPF requereu o arquivamento do inquérito, destacando que, após o esgotamento das diligências realizadas, não foram encontrados elementos capazes de comprovar os delitos investigados. O arquivamento ocorreu sem prejuízo de eventual reabertura do caso caso surgissem novas provas, conforme prevê o artigo 18 do Código de Processo Penal. A existência desse inquérito demonstra, no entanto, que Márcio Poncio já vinha sendo monitorado pelas autoridades antes de voltar ao centro das investigações na operação realizada nesta quarta-feira. A ação de hoje Poncio é um dos alvos da quinta fase da Operação Unha e Carne com o objetivo de aprofundar apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho, vulgo Adilsinho, e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.  Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema. A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

Sob comando de Abelha, CV criou rede de células ainda na década passada para dominar Cabo Frio, aponta investigação

Pelo menos desde 2018, o traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o “Abelha”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, coordena a expansão e o funcionamento da facção em Cabo Frio, na Região dos Lagos, por meio de uma estrutura criminosa dividida em células e inspirada no sistema de franquias empresariais. Essa organização foi alvo de uma grande operação deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que busca desarticular a estrutura operacional do grupo responsável pelo tráfico de drogas, controle territorial, ataques armados e imposição do domínio da facção na região. As investigações apontam que a principal área de influência do grupo era Unamar, distrito de Cabo Frio, onde o Comando Vermelho mantinha duas células locais subordinadas à liderança de Abelha. Havia ainda uma terceira célula instalada no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, de onde partiam ordens e o comando estratégico das ações criminosas. Segundo a Polícia Civil, a organização adotava um modelo semelhante ao de franquias empresariais: cada núcleo possuía autonomia operacional para administrar seu ponto de venda de drogas, mas permanecia subordinado à liderança de Abelha, seguindo determinações, estratégias e regras impostas pelo comando central. A primeira célula era chefiada por Demizinho, responsável pelo comércio de entorpecentes na Rua Sinagoga, Rua das Pacas e na Praça de Unamar. A segunda era comandada por Neurótico, que controlava a venda de drogas nas ruas Doze e Dezesseis, também em Unamar. Apesar da divisão territorial, os dois grupos atuavam de forma integrada e se uniam para promover ataques armados contra integrantes da facção rival, o Terceiro Comando Puro (TCP). As investigações revelaram ainda que Abelha comandava toda a estrutura criminosa a partir do Rio de Janeiro, coordenando as atividades da facção nas comunidades da Região dos Lagos. Ao longo das apurações, os agentes reuniram um amplo conjunto de provas, incluindo conteúdos extraídos de celulares e contas de integrantes da organização criminosa. As imagens mostram traficantes exibindo armamento de guerra, comercializando drogas, realizando incursões armadas contra áreas dominadas por facções rivais e instalando barricadas para dificultar a circulação de moradores e a entrada das forças de segurança. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta de um sofisticado esquema de delivery de drogas. De acordo com a Polícia Civil, os usuários faziam os pedidos por aplicativos de mensagens, realizavam o pagamento e recebiam os entorpecentes no endereço indicado, em um sistema que funcionava como um serviço de entrega. Durante a operação desta quarta-feira, os policiais cumprem mandados e buscam apreender armas de fogo, drogas, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam ampliar o conjunto de provas e identificar novos integrantes da organização criminosa.

De homicídio, apreensão de arsenal à operação de hoje prisão em 2024′ desvendou milícia que aterrorizava Queimados. LEIA COMO FOI

Em junho de 2024, Washington Gabriel de Oliveira Rosa, o Bibi, um dos alvos da operação deflagrada nesta terça-feira pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra a milícia de Queimados, já havia sido preso em flagrante após ser apontado pela polícia como integrante de um grupo armado envolvido em um ataque a tiros que terminou com um homem morto e outro baleado no Centro do município. Segundo o auto de prisão em flagrante, policiais militares do 24º BPM foram acionados após receberem informações sobre disparos de arma de fogo na Avenida Doutor Pedro Jorge. Durante as buscas, os agentes localizaram um Nissan Versa preto, apontado como o veículo utilizado pelos criminosos, e realizaram a abordagem. No carro estavam Bibi e outros três comparrsas. Durante a revista, os policiais encontraram um verdadeiro arsenal: um fuzil calibre 5,56 com numeração raspada, cinco carregadores abastecidos com 135 munições, três pistolas calibre 9 mm também com numeração suprimida, 14 carregadores contendo 149 munições, um simulacro de arma de fogo, um colete balístico, outros três coletes, uma balaclava, cinco porta-carregadores, três coldres, quatro camisas semelhantes às utilizadas por policiais, dois uniformes pretos e quatro telefones celulares. Os agentes também constataram que o Nissan Versa utilizado pelo grupo possuía placa falsa e era produto de furto. De acordo com a investigação da Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança e vídeos obtidos nas redes sociais mostraram que o veículo ocupado pelos quatro suspeitos foi utilizado minutos antes para atacar ocupantes de um Citroën C3 prata, estacionado na Avenida Doutor Pedro Jorge. As gravações, segundo a autoridade policial, registraram o momento em que o Versa se aproxima por trás do carro das vítimas e seus ocupantes efetuam diversos disparos de arma de fogo. No atentado, um homem morreu e outro ficou gravemente ferido, sendo posteriormente identificado como Wesley Santos Martins, que permaneceu internado sob custódia policial por também responder por porte ilegal de arma de fogo e constituição de milícia privada. Ao analisar o caso, o juiz Pedro Ivo Martins Caruso D’Ippolito destacou que os elementos reunidos no inquérito indicavam que os quatro presos integrariam um grupo miliciano responsável por homicídios, desaparecimentos forçados, extorsões contra comerciantes e outros crimes violentos em Queimados. Na decisão, o magistrado ressaltou ainda que, além do arsenal apreendido, a polícia atribuía ao grupo a execução do homicídio ocorrido pouco antes da abordagem. Segundo o juiz, a forma de atuação dos investigados demonstrava “elevada audácia e destemor”, revelando periculosidade concreta e risco de reiteração criminosa. A operação de hoje O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou 21 pessoas por integrarem uma milícia que atuava em Queimados, na Baixada Fluminense, e requereu a prisão preventiva de 20 delas, medida deferida pela Justiça. Nesta quarta-feira (01/07), a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpre os 20 mandados de prisão, sendo cinco no sistema penitenciário, em razão de os denunciados já se encontrarem presos, e 15 em endereços localizados nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Até o momento, nove mandados já foram cumpridos: cinco no sistema penitenciário e quatro nas ruas. A investigação direta do GAECO/MPRJ apontou que, em 2024, o grupo extorquiu vários comerciantes e mototaxistas, ameaçando as vítimas e cobrando semanalmente taxas de segurança. De acordo com a denúncia recebida pela Justiça, as informações foram obtidas a partir da análise do telefone celular apreendido com Washington Gabriel de Oliveira Rosa, conhecido como Bibi, preso logo após um confronto entre duas milícias que disputavam o controle da região. As mensagens revelaram que, além de planejar ataques contra grupos rivais, o grupo monitorava policiais militares. .Esta é a terceira fase da Operação Hunter. A primeira foi deflagrada em julho de 2019, e a segunda, em janeiro de 2024. O nome Hunter faz alusão, em inglês, ao objetivo da operação: dar continuidade às ações de combate ao grupo de milicianos que se autointitula “caçadores de ganso”. “Ganso” é um termo informal utilizado por criminosos para se referir a criminosos e integrantes de grupos rivais. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa

Chefão do Alemão (CV) teria pago indenização à família de criança de cinco anos que ficou tetraplégica após ser baleada em ataque para evitar investigação

Um relatório da Justiça obtido pela reportagem traz um episódio que chamou muito atenção: Após uma criança de cinco anos ser baleada e ficado tetraplégica durante um ataque promovido por traficantes que tentavam tomar o controle da comunidade da Coreia, em Inhaúma, o traficante Professor (já falecido) que era um dos chefes do Complexo do Alemão, pago uma indenização à família da vítima e determinado que ela não fosse levada para realizar o exame de corpo de delito, numa tentativa de evitar o avanço das investigações. Segundo um agente da 44ª DP, a delegacia recebeu informalmente a informação de que Professor havia colocado a família da criança em uma espécie de “caixinha”, oferecendo assistência financeira após o ataque. Em razão disso, os pais teriam sido orientados a não comparecer à delegacia nem submeter a criança ao exame pericial. Na época, o policial contou que a 44ª DP passou a receber uma sequência de registros envolvendo a comunidade da Coreia, região que, até então, não possuía histórico de homicídios, tráfico de drogas ou ocorrências graves. A partir daquele momento, começaram a surgir apreensões de drogas, armas, granadas, explosivos e outros materiais bélicos. Diante da mudança no cenário, foi criada uma equipe de investigação que passou a monitorar a região. Durante as diligências, os policiais encontraram muros e paredes pichados com inscrições do Comando Vermelho, indicando a tentativa da facção de expandir seu domínio para a localidade. Segundo o investigador, em dezembro de 2021 ocorreu um ataque a tiros contra um bar localizado nos fundos da Linha Amarela. Quatro criminosos, divididos em duas motocicletas, chegaram pelos fundos do estabelecimento e, após visualizar o alvo por cima de um muro, um deles efetuou diversos disparos contra o interior do bar. O atentado atingiu dois homens adultos e uma criança de cinco anos. Os policiais estiveram no Hospital de Bonsucesso e conseguiram ouvir os dois adultos feridos. Um deles era morador da região e havia trabalhado como uma espécie de segurança dos estabelecimentos locais, função que abandonou em razão da guerra pelo controle da comunidade. Segundo as investigações, ele era o verdadeiro alvo do ataque. O outro homem, que não morava na região, também foi baleado. Duas semanas depois, ambos morreram em decorrência de infecção hospitalar. Já a criança ficou paraplégica. O policial afirmou que a equipe tentou diversas vezes convencer os pais da criança a comparecerem à delegacia, mas não conseguiu. Foi então que receberam, informalmente, a informação de que Professor teria indenizado a família e determinado que ela não colaborasse com a investigação. Pouco tempo depois, ocorreu uma nova tentativa de homicídio, desta vez contra o irmão de uma das vítimas do primeiro atentado. Inicialmente, os moradores permaneceram em silêncio, mas esse sobrevivente resolveu procurar a polícia e passou a colaborar com as investigações, fornecendo detalhes sobre a atuação do grupo criminoso. Segundo o policial, a partir desse depoimento foi possível compreender melhor a estrutura da organização. Ele afirmou que fez um levantamento de todas as ocorrências registradas na região e constatou o aumento das apreensões de drogas, armas e explosivos, além de sucessivos ataques contra equipes da Polícia Militar durante operações noturnas. O policial explicou que, embora a comunidade da Coreia não integre o Complexo do Alemão, ela fica a cerca de 800 metros da região, o que facilitava a atuação do grupo criminoso. Durante o dia, os traficantes permaneciam fora da comunidade, mas, à noite, realizavam ataques armados contra pessoas que consideravam ligadas à milícia ou contrárias à expansão do Comando Vermelho. Ele também afirmou que diversos moradores da Coreia que trabalhavam na área de segurança pública foram obrigados a abandonar suas casas em razão das ameaças. Segundo seu depoimento, o líder do tráfico da Fazendinha e do Morro do Engenho, o bandido conhecido como Professor, aproveitou a proximidade com o Complexo do Alemão para cooptar moradores da própria comunidade, que conheciam a rotina dos vizinhos e indicavam quem deveria ser intimidado, expulso ou executado durante o processo de tomada do território. Um delegado afirmou que havia investigações em andamento sobre tentativas de invasão da comunidade da Coreia por integrantes do Comando Vermelho oriundos da Fazendinha. Segundo o delegado, uma das principais investigações dizia respeito à tentativa de homicídio contra um homem chamado Jayme, cujo irmão já havia sido assassinado. Temendo pela própria vida, Jayme decidiu colaborar com a polícia, fornecendo informações que permitiram identificar diversos integrantes da organização criminosa. A partir dessa colaboração, os investigadores reuniram fotografias e vídeos mostrando criminosos armados, exibindo drogas e dinheiro, além de registros em que os integrantes se apresentavam como pertencentes ao “bonde do Professor”. As imagens mostravam homens circulando ostensivamente armados durante as investidas para dominar a comunidade. O delegado afirmou que um criminoso conhecido como Cereja foi identificado como autor da tentativa de homicídio contra Jayme e exercia a função de “matador” da organização. Segundo ele, no ataque contra Jayme outra pessoa morreu e a criança baleada ficou tetraplégica. O delegado explicou que na época as investigações identificaram 11 integrantes do grupo criminoso. Os autos reuniram fotografias, vídeos e outros elementos que mostram os acusados portando armas, drogas e dinheiro. O delegado afirmou ainda que os traficantes costumavam sair da comunidade da Fazendinha durante o fim da tarde, à noite e durante a madrugada para invadir a Coreia, intimidando moradores e anunciando que pertenciam ao “bonde do Professor”. Em algumas ocasiões agiam fortemente armados; em outras, atuavam de forma mais discreta, contando com o apoio de pessoas que, mesmo desarmadas, colaboravam com o grupo. As investigações também apontaram que Professor era o chefe do tráfico na Fazendinha, subordinado ao traficante Marcelo Xará, e que o objetivo da organização era conquistar o controle do conjunto habitacional da Coreia por sua posição estratégica, próxima a importantes vias utilizadas para o comércio de drogas.

Cartões bancários com etiquetas de bocas de fumo revelam organização do caixa do tráfico na Vila Vintém (ADA)

A investigação da Polícia Civil do Rio que culminou com uma operação hoje para desarticular o braço financeiro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), com atuação na comunidade da Vila Vintém, na Zona Oeste carioca, revelou um dado curioso. A apuração começou depois que um homem foi preso com dez cartões de contas bancárias usadas para movimentar o esquema e esses cartões tinham uma fita com os nomes de locais de boca de fumo da Vintém como Turquia e Selvinha O suspeito na época disse que os cartões pertenciam ao tráfico de drogas da Vila Vintém e seria para sacar o dinheiro no caixa eletrônico e entregar o dinheiro para integrantes da organização criminosa que domina o tráfico local da área; “Cada cartão pertencia a uma boca de fumo”, disse o suspeito que ganhava R$ 1.500 e confirmou quem recebia o dinheiro. O suspeito decidiu colaborar com a investigação, razão pela qual forneceu a senha de desbloqueio de seu aparelho telefônico celular aos policiais responsáveis pela diligência. Esclareceu, ainda, que franqueou voluntariamente o acesso ao referido aparelho, exibindo aos policiais civis e policiais militares as conversas e mensagens mantidas com os demais envolvidos nos fatos investigados, sem qualquer coação, constrangimento ou promessa de benefício, autorizando a visualização do respectivo conteúdo para fins de apuração dos fatos. Os elementos extraídos do aparelho celular apontam para sofisticada divisão de tarefas entre os integrantes da organização criminosa, identificando responsáveis pela arrecadação, prestação de contas, gerenciamento financeiro, movimentação de recursos por intermédio de transferências eletrônicas via PIX, utilização de contas bancárias de terceiros, saques em espécie e ocultação dos valores provenientes da atividade ilícita, circunstâncias corroboradas pelos comprovantes de transferências bancárias, fotografias de numerário, conversas mantidas por aplicativos de mensagens, depoimentos testemunhais e demais elementos constantes dos autos. As investigações apontam que o grupo movimentava cerca de R$ 500 mil por semana em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. As investigações identificaram um esquema estruturado para converter em dinheiro em espécie os valores obtidos com a venda de drogas.De acordo com os agentes, o comércio de entorpecentes na região era realizado, em grande parte, por meio de transferências via Pix e pagamentos em máquinas de cartão de crédito e débito. Segundo a apuração, os valores eram inicialmente transferidos para contas bancárias de terceiros, utilizados como laranjas no esquema. Em seguida, cartões vinculados a essas contas eram repassados a outros integrantes da organização, responsáveis por sacar os valores em espécie. Após esse processo, o dinheiro retornava à facção já desvinculado de sua origem ilícita, abastecendo novamente a estrutura financeira do tráfico. A investigação permitiu identificar 14 integrantes diretamente envolvidos na prática criminosa. Cada um movimentava, em média, cerca de R$ 5 mil por dia. A Justiça também determinou o bloqueio das contas bancárias utilizadas no esquema, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa. A polícia teme concreto risco de evasão dos investigados, de ocultação de patrimônio ilícito, de destruição de aparelhos eletrônicos, alteração de registros bancários, exclusão de conversas mantidas por aplicativos de mensagens, dissipação dos ativos financeiros e intimidação de eventuais testemunhas, circunstâncias que recomendam a pronta atuação jurisdicional, sobretudo diante da notícia de que os investigados integram organização criminosa estruturada e voltada ao tráfico ilícito de entorpecentes e à lavagem de capitais.

Da China e dos EUA ao crime no Rio: investigação revela rede nacional de produção e tráfico de fuzis. Um dos principais fornecedores foi preso hoje na Maré pela PF

A investigação que resultou em uma operação hoje da Polícia Federal no Complexo da Maré que terminou na prisão de envolvidos na produção e distribuição de fuzis em larga escala revelou que a quadrilha atua pelo menos desde 2023 com o tráfico internacional de armas e organização criminosa. O bando realizava a importação de componentes de armas de fogo de uso restrito, notadamente kits de fuzis e peças acessórias, oriundos dos Estados Unidos e da China, para com eles realizar a montagem em uma fábrica clandestina em Santa Bárbara D’Oeste/SP, com posterior entrega das armas às facções criminosas do Rio de Janeiro. Em 20 de agosto de 2025, dois integrantes do grupo foram presos quando transportavam peças suficientes para a montagem de 80 fuzis para um imóvel em Americana/SP, que segundo a polícia servia como depósito para o grupo. A materialidade foi comprovada por laudos técnicos que confirmaram: (i) a presença de maquinário industrial de precisão (CNC) na fábrica, compatível com a produção de armas (Laudo nº +751/2025); (ii) a existência de 2.018 arquivos de modelos 3D e 1.230 arquivos de programação CNC para peças de fuzis AR-15/M16 nas mídias apreendidas (Laudo nº 778/2025); e (iii) a natureza do material bélico apreendido no depósito (Laudo nº 766/2025). […] Alguns dos envolvidos faziam parte de uma mão de obra especializada para operar o maquinário na fábrica clandestina. Em 10 de outubro de 2023, um dos investigados foi preso na posse de 47 fuzis. Naquela ocasião foi descoberta uma fábrica de montagem de armas que operava sob a fachada de uma fábrica de móveis em Belo Horizonte/MG. Segundo aponta a prova até aqui colhida, esse preso, em prisão domiciliar, teria logrado transferir a produção dos fuzis para uma nova fábrica, desta feita em Santa Bárbara D’Oeste/SP, agora sob a fachada de uma fábrica de peças aeronáuticas e serviços de usinagem Em 09 de setembro de 2024, um outro membro do grupo foi preso em flagrante transportando 13 fuzis. A análise pericial feita a partir de quebra de sigilo de dados telemáticos deferida por esse juízo demonstrou que o armamento tinha como ponto de origem o município de Americana/SP, nas imediações da fábrica investigada, e como destino final o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. As comunicações revelaram uma rotina de entregas ( remessas de 17 fuzis poucos dias antes) e novamente unindo a produção em São Paulo e o fornecimento às facções cariocas. Em 08 de agosto de 2025, com o prosseguimento das investigações e monitoramento do bando, a Receita Federal em Campinas/SP interceptou remessas oriundas dos Estados Unidos contendo componentes de fuzis dissimulados em caixas de piscinas e cadeiras de escritório, num total de 149 peças de fuzis. A ação de hoje A PF prendeu hoje na Maré três homens, entre eles o principal responsável pela logística do fornecimento de armas e munições para uma das maiores facções criminosas em atuação no estado do Rio de Janeiro, o Terceiro Comando Puro. Outro preso foi um homem que que auxiliava o principal alvo na tentativa de se evadir da Justiça*. Também foram apreendidos um fuzil, carregadores de alta capacidade, munições, um colete à prova de balas, celulares e documentos. Um dos foragidos preso na ação de hoje foi identificado como operador-chave da estrutura logística de fornecimento de material bélico para uma das maiores facções criminosas em atuação no Rio de Janeiro. Ele já havia sido alvo de investigações em outras regiões do Brasil pelo envolvimento na operação de fábricas clandestinas de fuzis, o que evidencia a dimensão nacional de sua rede de fornecimento de armamentos. Os crimes praticados pelo homem incluem organização criminosa majorada, fabricação ilegal de arma de fogo de uso restrito, comércio ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro. Um terceiro indivíduo foi preso por força de mandado judicial estava foragido pelo crime de tentativa de homicídio qualificado, além de também estar vinculado ao referido grupo criminoso que impõe domínio estruturado sobre diversas áreas do Complexo da Maré, por meio de intimidação, controle de acessos e supressão de direitos fundamentais da população local.

BASTIDORES INÉDITOS: Investigação revela que acusado se casou com moradora da região para monitorar de perto Marquinho Catiri um ano antes da execução e matou o segurança dele por ter flertado com sua esposa

Relatório da Justiça obtido pela reportagem aponta detalhes inéditos dos bastidores da investigação da execução do miliciano Marquinho Catiri e de seu segurança Sandrinho em 2022. Segundo o documento, o crime foi cometido “, em uma ação cuidadosamente planejada ao longo de aproximadamente um ano.A acusação sustenta que um dos envolvidos, George, alugou uma residência estrategicamente localizada em frente ao local frequentado diariamente pela vítima e, para não despertar suspeitas, casou-se com uma moça que morava na região e passou a residir na comunidade. Do imóvel, George monitorava diariamente a rotina de Catiri, inclusive mediante a utilização de equipamentos de vigilância, até o dia da emboscada. Ainda de acordo com a acusação, cerca de doze homens participaram da execução. Após os fatos, George teria confessado à companheira não apenas sua participação na morte de Catiri, como também que efetuou pessoalmente o disparo que matou Sandrinho, afirmando ter agido, neste último caso, também por vingança, em razão de um suposto flerte da vítima com a companheira. As investigações também apontam que o crime teria sido praticado mediante promessa de recompensa. George receberia R$ 1.000.000,00 pela execução e, logo após os homicídios, recebeu de José Ricardo duas transferências de R$ 10.000,00, fugindo em seguida para São Paulo, onde continuou recebendo auxílio financeiro enquanto aguardava o pagamento prometido. Conforme apurado pela Polícia Civil, a motivação dos homicídios estaria relacionada à aproximação de Marquinhos Catiri com o contraventor Bernardo Bello, que lhe teria repassado áreas de exploração da contravenção. Segundo a investigação, essa aliança teria desagradado um grupo rival ligado ao comércio ilegal de cigarros, do qual fariam parte George e José Ricardo, dando origem ao plano para a execução de Catiri e de seu segurança, Sandrinho. A investigação reuniu informações de colaboradores e de outros procedimentos policiais no sentido de que Bernardo Bello teria arrendado parte de suas áreas de atuação para Catiri, permitindo que este passasse a explorar regiões tradicionalmente vinculadas ao grupo do contraventor. Em razão desse acordo, Catiri deixou de atuar exclusivamente como liderança miliciana e passou também a exercer atividades relacionadas à exploração da contravenção nas áreas anteriormente controladas por Bernardo Bello. Ainda de acordo com a tese acusatória, essa associação alterou o equilíbrio existente entre os grupos criminosos que disputavam o controle econômico da região.A investigação também concluiu que o grupo investigado não se limitaria aos homicídios objeto da presente ação penal. A partir das quebras de sigilo telemático e da análise dos aparelhos celulares apreendidos, a Polícia Civil afirmou ter identificado indícios da existência de uma organização criminosa voltada à prática de homicídios sob encomenda, vinculada ao comércio ilegal de cigarros e à contravenção. Segundo os investigadores, exames de confronto balístico teriam apontado que os estojos de munição recolhidos no local da execução de Catiri e Sandrinho eram compatíveis com armamentos utilizados em outros homicídios investigados pela Polícia Civil, dentre eles a morte do policial militar João Joel, em Guaratiba; de Thiago, conhecido como “F6”, em Nova Iguaçu; e de Fernando Marcos, na Tijuca. Também foram mencionadas conexões com a tentativa de homicídio envolvendo Luiz Cabral e com os conflitos posteriormente deflagrados na disputa entre grupos ligados a Bernardo Bello e ao comércio ilegal de cigarros. O bicheiro Adilsinho teve a prisão decretada por conta da morte de Catiri. Ele é apontado como mandante do crime. Outro envolvido seria o ex-PM Sem Alma

Depoimentos revelam como Abelha perdeu prestigio no CV e quase foi morto pela facção. “Hoje só sobrou a Lapa para ele”, disse policial

Depoimento de policiais à Justiça confirmam a suspeita que já vinha sendo levantada pela mídia há tempos: a perda de prestigio do traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha dentro da facção criminosa Comando Vermelho, que chegou inclusive a ser dado como morto e ameaçado de ser assassinado pela própria facção. Abelha era presidente do Conselho do CV e quando saiu da cadeia continuou o principal.responsavel pelas decisões da facção  e um dos líderes do Complexo da “O próprio Comando Vermelho defenestou  ele. Ele perdeu a participação no Conselho. Ele era chefe e líder do Conselho, porque os outros estavam presos, alguns em presídios federais, como o Marcinho VP, . Ele arrumou um problema tão grande que tiraram ele fora”, disse um policial. Segundo o agente, a perda de prestigio de Abelha teria começado após os assassinatos dos médicos na Barra da Tijuca em.outubto de 2023 .”O evento dos médicos que foram mortos lá na Zona Oeste, que ele expulsou gente de comunidade e acho que também matou, mandou matar, pelo menos assim que é noticiado, eu não vou afirmar o que ele fez, quem foram os responsáveis pelos homicídios dos médicos. Mas a partirr dai, ele perdeu a estrutura e estava quase com risco de ser morto, quase com risco real de ser morto pelo próprio Comando Vermelho, mas conseguiu se manter vivo, abrigado na Rocinha”, explicou o. policial.  Segundo o policial, Abelha tinha o controle das bocas de fumo da região de Unamar,  em Cabo Frio e até isso ele perdeu, só restando para ele o domínio da Lapa, região central carioca. “ “Ao mesmo tempo, o que falaram para mim que sobrou para ele, e isso eu fui presencialmente na D.R.E., colher informações para saber se ele de fato tinha sido desvinculado da região, o que sobrou para ele foi a boca da Lapa, para ele ter uma vida econômica ainda”, disse o agente.

Adolescente que teria participado de morte de turista que entrou por engano em favela disse que foi levado ao ‘tribunal do tráfico’ na Penha (CV) e foi salvo por Doca

O adolescente que participou da cena que levou a morte da turista  Diely da Silva Maia, de 34 anos,   que estava em um veículo de aplicativo que foi atingido por tiros disparados por traficantes do Comando Vermelho ao entrar por engano na comunidade do Fontela, em Vargem Pequena em dezembro de 2024 contou em depoimento na Justiça que foi levado ao ‘tribunal do tráfico’  no Complexo da Penha no.mesmo dia do crime é foi salvo pelo chefão da facção; Edgar Alves de Andrade, o Doca O menor disse que naquela noite se dirigiu até a Penha de Uber para “desenrolar” sua situação. Chegando no local ele fez uma ligação de vídeo com o teaficante Pinduca , que mandou ele aguardar em uma casa enquanto era submetido ao tribunal do tráfico. Ele participou apenas por vídeo de uma parte do julgamento, enquanto era mantido na casa guardada por outros traficantes que não sabe dizer quem são. Disse não viu os líderes da facção presencialmente. Falou que os chefes os líderes, o qual acredita ser Pinduca e Gardenal pediram a sua morte. No entanto,  o declarante só não foi morto pois Doca não permitiu e recebeu uma ligação de voz de dizendo que estava liberado.  Contou que ão sabe dizer se os outros integrantes como Pinduca  que estavam na boca  foram para o tribunal do tráfico, acredita que simA pistola que o menor usava no dia do crime ficou com os traficantes da Penha. Depois, ele saiu da Penha e se dirigiu até a Cidade de Deus  onde passou a virada do ano. No dia 02/01/2025 retornou até a comunidade do Fontela  onde  foi localizado por policiais civis  sendo apreendido. O menor disse que  ficava na comunidade armado com uma pistola 9mm da marca Bersa. Segundo ele,,não havia mais fuzil na favela. Disse  que havia  ordem para os carros entrarem com a luz do salão acesa, pisca alerta ligado e vidros abaixados na comunidade  dada pela cúpula da facção, Doca e Pinduca, sendo que este último controlava a Fontela direto da Penhan.. Tais ordens estavam em vigor desde que a comunidade passou a ser controlada pelo CV. Segundo ele, a ordem foi reforçada nos últimos 2 meses pois a facção temia invasão por parte do TCP, que poderiam vir da comunidade do  Pombo Sem Asa , Cansl e Beira Rio. O adolescente disse que a ordem não fosse cumprida era para mandar o carro parar e caso não parasse a ordem era para abrir fogo. No dia 28/12/2024 estava na boca de fumo desde 14h e sairia 2:00 do dia seguinte. Por volta 21:00 ou 21:30 o declarante viu o carro Peugeot prata vindo em alta velocidade na direção da boca de fumo. Então seu comparsa  VT deu um primeiro disparo para o alto, e como o carro acelerou ele atirou na lateral do carro. Depois que o carro passou pela boca de fumo, o menor disparou no vidro traseiro do automóvel e correu atrás do veiculo. Mostradas imagens das câmeras de segurança, o declarante se reconhece como sendo o homem que aparece nas gravações. Enquanto corria atrás do carro ouviu mais disparos de arma de fogo. Disee acreditar que esses disparos tenham sido efetuados por VT e Paraiba Logo após o ocorrido os moradores falaram que a turista foi baleada. A Justiça decidiu que dois suspeitos de serem os autores do crime vulgos Paraiba e Meio Quilo vão a juri popular. Doca também é réu mas em processo desmembrado. 

Rede do bicho: mensagens, encontros e disputas revelam ligação entre Rogério Andrade, Drumond e Piruinha

Segundo o Ministério Público, o conjunto de elementos reunidos na investigação aponta que a estrutura atribuída a Rogério Costa de Andrade e Silva não se limita a uma atuação isolada ou recente no jogo do bicho, mas compõe uma engrenagem ampla, altamente estruturada e territorialmente espalhada, com mais de 6 mil pontos de exploração distribuídos por 58 municípios do estado do Rio de Janeiro, segundo os dados apreendidos. A investigação descreve um sistema que combina controle territorial, exploração econômica e articulação entre diferentes gerações da contravenção, conectando a chamada velha cúpula, lideranças tradicionais e a reorganização recente do setor. Conexão com a velha cúpula e a família Drumond Os autos indicam que, muito antes da consolidação da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, já havia interlocuções diretas entre o núcleo ligado a Rogério e a tradicional família de Luiz Pacheco Drumond. Em diálogos e registros analisados pelo MP, aparecem tratativas envolvendo o grupo ligado a Rogério e integrantes ligados aos Drumond, com destaque para Vinícius Pereira Drumond, apontado como elo operacional entre a estrutura histórica e a reorganização mais recente. Essas conversas, segundo o Ministério Público, se estendem ao longo de anos e envolvem temas centrais do funcionamento do jogo do bicho: vazamentos de operações policiais, antecipação de ações de repressão, reorganização de áreas de exploração e articulação entre grupos historicamente rivais, mas que aparecem em diálogo constante. Piruinha e a velha engrenagem da contravenção Nesse mesmo contexto, o Ministério Público destaca de forma recorrente a presença de José Caruzzo Escafura (Piruinha), integrante da chamada velha cúpula do jogo do bicho. O nome de Piruinha aparece em anotações e registros ligados a reuniões e articulações envolvendo disputas de área e reorganização de pontos de exploração, sendo tratado pelo parquet como parte da estrutura histórica que ajuda a sustentar a continuidade do sistema da contravenção no estado. Nova cúpula e articulação com Adilsinho No outro polo dessa reorganização, os autos citam a atuação de Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho), apontado como integrante da chamada “nova cúpula do jogo do bicho”, ao lado de Rogério. Segundo o Ministério Público, os elementos indicam alinhamentos de interesse e interlocuções indiretas entre esses grupos, especialmente na reorganização de áreas de exploração e na gestão do mercado ilegal em diferentes regiões do estado. Codinomes, disputas e cooperação entre grupos Os diálogos interceptados e registros recuperados mostram o uso recorrente de linguagem codificada para tratar de atividades ilegais e disputas territoriais. Em 14/04/2017, Vinícius Pereira Drumond informa ao denunciado que “mandaram desligar tudo na aliança”, expressão interpretada como referência à retirada/desativação de máquinas caça-níquel na Vila Aliança, em Bangu, área atribuída ao grupo ligado a Rogério. Já em 11/04/2020, Vinícius pergunta se o interlocutor havia “resolvido câmara”, entendido como possível referência ao bairro de Senador Camará. Em resposta, ele afirma que não deixaria a área “virar leilão”, mencionando disputa com grupo rival pela implantação de negócios no local. Para o Ministério Público, esse conjunto de mensagens reforça que os grupos ligados à velha cúpula (Drumond) e à estrutura atribuída a Rogério mantinham cooperação e alinhamento em disputas territoriais do jogo do bicho. Piruinha e a rede de interlocução histórica Em outro eixo das investigações, o MP destaca conversas desde 2014 envolvendo Haylton Carlos Gomes Escafura, filho de José Caruzzo Escafura (Piruinha). Em um desses diálogos, Haylton menciona o homicídio de Michel Vasconcelos Fernandes e relata preocupação com boatos de que poderia ser alvo de execução ligada a Rogério, identificado como “01”, em razão de um atentado ocorrido em 2010. Segundo o MP, o interlocutor assegura que isso não ocorreria. Também aparecem conversas posteriores envolvendo outros interlocutores ligados à estrutura da contravenção, incluindo discussões sobre informações internas, disputas e movimentações de grupos rivais. Homicídio de Marcos Falcon e disputa de poder O caso do homicídio de Marcos Falcon é citado como um dos episódios mais relevantes desse contexto. Falcon foi executado em 2016 durante sua campanha eleitoral, e o Ministério Público aponta que o crime se insere em um período de forte disputa interna por controle de áreas e influência dentro do jogo do bicho, envolvendo diferentes grupos com atuação consolidada no Rio de Janeiro. Milícia, Gardênia Azul e ligação com Girão O MP também aponta que essa estrutura se sobrepõe a áreas onde há influência de grupos armados. Nesse contexto, aparece a menção ao ex-vereador e apontado miliciano Cristiano Girão Matias. Segundo os autos, há registro de intervenção para “resolver um problema” relacionado a um depósito de gás ligado ao entorno de Girão, na região da Gardênia Azul, o que é interpretado como indicativo de atuação em disputas locais envolvendo influência territorial e interesses econômicos em área sob controle de grupos armados. Estrutura, pontos e domínio territorial A investigação destaca ainda a dimensão estrutural do grupo: um arquivo com 6.437 pontos de exploração de comércios de rua distribuídos por 58 municípios fluminenses, com identificação completa de locais e responsáveis. Segundo o Ministério Público, esse material não representa apenas controle administrativo, mas um mapa de domínio territorial e econômico do jogo do bicho em escala estadual, com capacidade de gestão ampla e organizada. Síntese do Ministério Público No conjunto, o Ministério Público descreve uma estrutura criminosa de grande porte, que articula: Para o parquet, não se trata de relações isoladas, mas de uma engrenagem contínua de poder, sustentada por alianças históricas, redes de comunicação codificada, controle de territórios e disputa permanente pelo domínio do jogo do bicho no estado do Rio de Janeiro.

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