Investigação deste ano da DRE destrincha a quadrilha de Popeye, um dos chefões do CV em Belford Roxo e filho de lendário traficante
investigação conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes-DRE/RJ esmiuçou a estrutura criminosa de alto poder ofensivo, pertencente à facção Comando Vermelho (CV), que exerce, de forma ostensiva e armada, o domínio territorial sobre o denominado “Complexo do Parque Floresta” , no município de Belford Roxo/RJ. Esse complexo é formado pelas comunidades de Santa Marta, Vila Pauline, Caixa D’Água e Parque Floresta, compreendendo uma área geográfica de aproximadamente 1,6759 km2, habitada por cerca de 32.342 pessoas A atual liderança da organização criminosa na região é atribuída a Nome, conhecido pelos vulgos “Popeye”, “Eto” e “Calvin” , herdeiro direto do falecido Orlando Jogador. O bandido comanda ataques a forças policiais, determina a instalação de barricadas e explora economicamente a população local. A quadrilha adota rotas de fuga estratégicas, previamente mapeadas, que incluem a Rua Albuquerque, Estrada do Conde, Rua Amador Dias e acessos à região da Mata do Morro São Bento O bando possui um sistema de evacuação clandestina de feridos e mortos, direcionados para a Unidade Mista do Lote XV, com o propósito de evitar que os corpos passem por necropsia oficial e exponham a estrutura criminosa. A quadrilha ainda outros crimes como roubo e desmanche de veículos, com posterior revenda de peças e financiamento de novas ações criminosas, roubo de cargas, com participação em quadrilhas interestaduais, exxtorsão de comerciantes, moradores e transportadores autônomos, comercialização forçada de gás, cigarros contrabandeados e serviços clandestinos, além de provável lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por meio de laranjas e empresas de fachada. Instaurou-se na região um regime de terror e opressão contínua , onde o cidadão comum não possui acesso pleno a serviços básicos de saúde, educação e segurança, temendo represálias caso se comunique com agentes públicos ou tente denunciar qualquer irregularidade. Foi possível mapear com precisão diversos pontos de venda de drogas, conhecidos popularmente como “bocas de fumo”, que se encontram plenamente ativos e em funcionamento, com expressiva movimentação diária de entorpecentes. Esses locais se destacam não apenas pelo volume de drogas comercializadas, mas também pela forma armada com que são defendidos pelos integrantes da facção.. ]Boca da Colômbia – situada na confluência da Rua das Margaridas com a Estrada doConde, trata-se de um dos centros neurálgicos das operações do tráfico local, com grande fluxo de usuários e presença constante de olheiros armados; Boca do Coro Come – ESSA base opera com significativa distribuição de cocaína e maconha, sendo referenciada por moradores como uma das mais violentas da região; Boca do Iraque – protegida por barricadas e frequentemente utilizada como esconderijo de armas e rádios transmissores; Boca da Ladeira – movimentação noturna intensa e por ser ponto de recolhimento dos valores obtidos com a venda de drogas em áreas adjacentes; Boca Central – localizada na interseção entre a Avenida Central e a Avenida do Canal, esse ponto serve como entreposto de distribuição e comando intermediário das operações da facção. Todos esses pontos de venda de drogas são guarnecidos por homens armados com fuzis, pistolas e granadas, dispostos estrategicamente em locais de vigilância elevada, o que representa risco iminente e permanente à integridade física de moradores, agentes públicos e transeuntes.As denominadas “bocas” operam como verdadeiras unidades logísticas do tráfico, com funções bem delimitadas, plantões organizados em turnos e distribuição regionalizada das substâncias ilícitas. Paralelamente à manutenção desses pontos de comércio ilegal, a facção criminosa consolidou a implementação de áreas de contenção armada , estabelecidas com o claro objetivo de impedir a entrada de viaturas policiais e de garantir a impunidade dos operadores do tráfico. Nessas áreas, identificam-se barricadas compostas por entulhos, concreto, ferro retorcido e até veículos queimados, dispostos de forma intencional para atrasar ou impossibilitar a progressão de forças estatais. Os locais de contenção armada, denominados “frentes de fogo” ou “postos de contenção”, são ocupados rotineiramente por criminosos portando armamento de guerra e atuando sob ordens diretas da liderança local. As vias de acesso mais vulneráveis ao ataque são protegidas por atiradores posicionados em pontos elevados, com cobertura cruzada e monitoramento por rádio. A existência dessas áreas consolida um cenário de domínio bélico e insurgente , em que a força estatal é afrontada de forma deliberada e onde o cumprimento da lei se torna praticamente inviável sem operações especiais e uso de força proporcional. No curso das diligências realizadas no presente inquérito policial, foi constatado que a facção criminosa que domina a comunidade da Caixa D’Água, integrada ao Complexo do Parque Floresta, dispõe de um aparato bélico extremamente letal e sofisticado. Tal arsenal inclui armamentos de uso exclusivo das Forças Armadas, caracterizados por seu alto potencial ofensivo, denotando uma postura de insurgência contra o Estado Democrático de Direito e uma evidente capacidade de enfrentamento direto e violento às instituições públicas de segurança. A seguir, detalham-se os principais armamentos e entorpecentes identificados no contexto desta investigação, com considerações jurídicas, sociais e sanitárias ampliadas, bem como as demais atividades ilícitas vinculadas à facção: a) Fuzis AK-47 e Colt 5.56mm: b) Pistolas 9mm: armas curtas, semiautomáticas, de fácil ocultação e rápida utilização. c) Granadas explosivas: artefatos de destruição em massa, proibidos para qualquer uso civil, são utilizados em contextos bélicos e de terrorismo. d) Fuzil .30: armamento com altíssimo poder destrutivo, comumente usado para perfuração de blindagens pesadas e até mesmo aeronaves. A presença de armamentos desse porte não se restringe à exibição de força. Os traficantes implementam verdadeiras zonas militarizadas dentro da comunidade, com postos de contenção, barricadas, sentinelas armados com rádios comunicadores e ordens expressas para repelir incursões policiais. Essas contenções armadas funcionam como “trincheiras” urbanas, transformando o espaço público em ambiente hostil ao Estado e comprometendo o direito de ir e vir da população, a prestação de serviços públicos essenciais (como saúde, educação e coleta de lixo), e minando por completo a autoridade das instituições democráticas. Além do tráfico de entorpecentes e do armamento pesado, a facção desenvolve um sistema criminoso de exploração econômica da comunidade. Dentre as principais condutas, destacam-se: Extorsão sistemática de comerciantes locais e moradores de condomínios, mediantecobrança de “taxas de segurança” sob ameaça de









