Marcado para morrer: homem foi atraído por ex, caiu em emboscada e sofreu horas de tortura no Caramujo (CV), em Niterói. Era acusado de ser informante da polícia
Um encontro marcado para “acertar o relacionamento” terminou em uma noite de terror em Niterói. Um homem foi atraído pela ex-companheira para uma pizzaria, mas, segundo as investigações, tudo não passava de uma armadilha para entregá-lo a traficantes do Complexo do Caramujo, que o acusavam de ser informante da polícia. O caso aconteceu na noite de 14 de janeiro de 2026. Ao chegar ao local combinado, a vítima foi surpreendida por diversos homens armados, que a cercaram, revistaram e a levaram sob grave ameaça até o interior da comunidade. De acordo com a denúncia, o homem foi mantido sob o poder dos criminosos por horas, sendo submetido a uma sequência de agressões físicas — com socos, tapas e até golpes com arma de fogo — além de intenso terror psicológico. Durante todo o tempo, ele teria sido acusado de colaborar com a polícia, ameaçado de morte e pressionado sob violência constante. A vítima só foi liberada por volta das 4h30 da madrugada, após ser expulsa da comunidade sob ameaças. O Ministério Público denunciou cinco suspeitos de participação no crime. Entre eles, está um homem apontado como liderança do tráfico local, que teria coordenado toda a ação e foi reconhecido pela vítima. Os demais denunciados são descritos como integrantes do grupo armado, responsáveis por agressões, vigilância e intimidação. Segundo as investigações, um dos acusados participou diretamente das agressões físicas, enquanto outros atuaram na condução da vítima, na revista e na coação armada durante todo o período em que ela permaneceu sob domínio do grupo. O laudo de exame de corpo de delito confirmou que a vítima sofreu lesões provocadas por ação contundente, reforçando os relatos de violência. Para o Ministério Público, o caso evidencia o cenário de controle imposto por traficantes na região. Segundo a acusação, o grupo exerce poder paralelo no Complexo do Caramujo, impondo regras próprias, aplicando punições e expulsando moradores, em uma dinâmica que, na prática, desafia a autoridade do Estado.





