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Favela no Recreio onde casal foi executado estaria sob influência de três grupos criminosos e disputa violenta por território

A comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — onde um casal foi assassinado na tarde de ontem — vive sob a influência direta de três grupos criminosos, em um cenário de disputa, tensão constante e medo entre moradores. As vítimas foram Ygor e Ariane, que estava grávida. Segundo relatos, o casal havia ido até a comunidade buscar uma encomenda para o chá de bebê, quando acabou sendo executado. De acordo com informações divulgadas pela página Milícia RJ News, o território estaria atualmente dividido: o Comando Vermelho (CV) domina uma pequena área no Pontal, enquanto o Terceiro Comando Puro (TCP) controla a maior parte da favela. Já milicianos atuam na cobrança de comerciantes, explorando economicamente a região. Ouvida por veículos de imprensa do Rio, a família afirmou acreditar que o casal foi morto por engano. Segundo publicações da mídia, Ygor — morador de Vargem Grande, área sob influência do TCP e da milícia — teria sido confundido com um paramilitar por traficantes do CV, hipótese que pode ter motivado a execução. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. Na reportagem publicada ontem por nosso site, um morador já havia relatado o agravamento da situação na comunidade. Segundo ele, após um suposto rompimento entre milícia e TCP, a violência teria disparado no Terreirão, com registro de diversas mortes.. O cenário que se desenha é o de uma área fragmentada entre diferentes forças criminosas, onde a disputa por território e poder tem ampliado o risco para quem vive ali — e onde, como indica o caso do casal, até uma ida para buscar itens de um chá de bebê pode terminar em morte.

Sangue na ficha: ‘Marquinho Sem Cérebro’ e o histórico de homicídios na Zona Oeste do Rio

Apontado como chefe de uma nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Marquinho Sem Cérebro respondeu a processos acusados de homicídios na Zona Oeste carioca motivados por disputas na contravenção e também milícia. Em 2011, a Justiça instaurou ação contra ele pelo homicídio de Antôio Marcos Duarte Barros cometido em Senador Camará. Os autos revelaram que Marquinho seria miliciano atuante na Zona Oeste e com vínculo a Fernando Ignácio, conhecido cotraventor. Sobre o crime, foi apurado que a vítima tinha um depósito de gás clandestino e este, era forçado a comprar gás para a revenda com o miliciano. Uma testemunha na época contou que a vítima teria comprado durante algum tempo botijões de Sem Cérebro, mas como passou a ter prejuízo na revenda do produto em função dos preços abusivos cobrados pelo miliciano, deixou de comprar os botijões com o mesmo, motivo pelo qual passou a ser ameaçado. informou ainda que na´epoca, Marquinoh era visto com freqüência em um carro preto, sempre acompanhado de três homens fortemente armados, fazendo ronda nas regiões conhecidas como “Quarenta e oito” (mesma região em que a vítima residia), “Bicho Solto”, “Sossego”, “Sapo”, entre outras, as quais todas localizadas entre Bangu e Senador Camará. A esstemunha afirmou que Sem Cérebro era conhecido rapidamente pela quantidade de gás que ele estava distribuindo para todo mundo. Segundo a declarante, o modo de agir deke era impor às pessoas colocarem o gás dele para venda no local, impondo condições para as pessoas trabalharem com gás. Outras testemunhas afirmara que o então miliciano também era apontado como o autgor do homicídio Sergio Luiz Baptista, tratando-se do mesmo modus operandi. Um policial contou na ocaisião que, na região de Bangu, existia milícia e o que o criminoso estaria indiciado em vários inquéritos que tramitavam na Delegacia de Homicídios que apuraram mortes ligadas ao comércio de gás, podendo afirmar que todas as pessoas que residiam na localidade próxima aos homicídios possuíam nítido pavor em prestar declarações sobre estes crimes e, por tal motivo, conseguiam, quando muito, depoimentos de familiares de vítimas. Frisou que, mesmo nestes casos (depoimentos de familiares de vítimas), o pavor era visível. Um delegado declarou ter presenciado o sentimento de extremo temor nutrido pelos moradores da localidade em relação ao acusado, podendo afirmar que Sem Cérebro, juntamente com seus comparsas, querem monopolizar o comércio de gás na localidade. A Justiça decidiu levar Sem Cérebro a júri popular por esse crime mas o julgamento não foi realizado até hoje., Em novembro do ano passado, Sem Cérebro foi condenado em um processo de homicído tentado de 2007 No dia 08 de setembro de 2006, por volta das 16h e 40min, na Rua Tocariva, em frente ao número 146, Padre Miguel, Marquinho e comparsas efetuaram disparos de arma de fogo contra a vítima ‘Mima`. que sobreviveu porque foi atingida em região não letal, mais precisamente numa de suas pernas. O crime foi praticado para assegurar a execução de outro crime, qual seja a exploração de máquinas contrabandeadas. Na época, o contrraventor Fernando Iggnácio foi apontado como mentor intelectual do crime em questão e chefe da quadrilha que compõe, dando as ordens aos seus subalternos. Certo é, ainda, que os projéteis disparados contra a vítima Mirna, desviaram-se da direção desejada, atingiram também o adolescente Marcos Tiago Antonio Domingos. que veio a óbito. Sem Cérebro também chegou a responder processo pelo homicídio de Gilmar Simão cometido no Tanque, em Jacarepaguá, em 10 de outubro de 2006. Ele e Fernando Iggnácio foram absolvidos.

DO GÁS AO JOGO DO BICHO: o rastro de terror de “Marquinho Sem Cérebro”, alvo de operação do MP que mira nova cúpula da contravenção no Rio

Alvo de uma operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (30), suspeito de integrar e liderar uma nova cúpula da contravenção no estado, Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como “Marquinho Sem Cérebro”, não surgiu agora no radar das autoridades. Seu histórico é antigo — e marcado por episódios de violência, coerção e domínio territorial. Antes de ser apontado como peça-chave no esquema do jogo do bicho em Bangu, Marquinho já havia comandado uma milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatório da Justiça da década passada, ele e seus comparsas coagiam revendedores de gás na comunidade do Sandá, em Bangu, impondo restrições e limitando a venda do produto a comerciantes da própria região. O objetivo era claro: controlar completamente o comércio de gás na localidade. De acordo com os registros, Marquinho chegou a procurar pessoalmente um homem identificado como Arnaldo Flores, exigindo que ele deixasse a área de interesse da organização criminosa. A vítima inicialmente resistiu, mas acabou cedendo às ameaças, recolhendo seus pertences e abandonando a região.Mesmo assim, acabou sendo assassinado posteriormente. As ações do grupo não pararam por aí. Marquinho e seus aliados montaram ou adquiriram depósitos de gás em Bangu, consolidando o domínio sobre o setor. Após tomar o depósito de gás de um homem identificado como Armando, localizado no Sandá, toda a família dele passou a ser ameaçada. O recado, segundo os relatos, era direto: o criminoso havia chegado para dominar a região e quem ficasse em seu caminho, morreria. Na prática, a intimidação era constante. Marquinho e um policial militar apontado como seu sócio circulavam pelas ruas abordando vendedores e pessoas ligadas à família Flores, determinando que todos avisassem Armando e seus familiares para interromper imediatamente a venda de gás e fechar os depósitos. As ameaças, de acordo com os relatos, chegavam a ser feitas até por policiais militares que patrulhavam a área, ampliando o clima de medo entre os moradores e comerciantes. Mesmo após a prisão de Marquinho, o esquema de pressão teria continuado. O policial militar apontado como seu sócio, na tentativa de manter o monopólio da comercialização de gás, seguiu abordando vendedores, questionando — em tom de ameaça — os preços praticados. GUERRA NA CONTRAVENÇÃO Anos antes desses episódios, Marquinho já atuava em outro cenário igualmente violento: a disputa entre bicheiros. Com a prisão do contraventor Rogério de Andrade, seu rival Fernando Iggnácio passou a ordenar uma série de ataques aos pontos controlados pelo concorrente. E, segundo investigações, Marquinho Sem Cérebro, que era chefe de segurança de Iggnácio, participou diretamente dessas ações. A ordem era clara: destruir máquinas caça-níqueis e desestruturar a quadrilha rival, abrindo caminho para o domínio dos territórios na Zona Oeste. Em outro trecho das investigações, Marquinho chegou a ser flagrado combinando com o próprio Iggnácio o pagamento de propina a policiais civis, incluindo um delegado, para forjar flagrantes de porte de arma contra integrantes de grupos rivais — possivelmente policiais militares. A OPERAÇÃO DE HOJE Todo esse histórico ajuda a explicar por que Marquinho voltou ao centro das atenções. Nesta quinta-feira (30), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), cumpre 18 mandados de busca e apreensão contra uma nova cúpula do jogo do bicho em Bangu. A investigação é própria do Ministério Público. De acordo com o GAECO, o grupo criminoso seria liderado por Marquinho Sem Cérebro, que já está preso. A ação conta com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) da Polícia Civil e do 14º BPM (Bangu). Os mandados, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, têm como objetivo apreender documentos e materiais ligados a uma série de crimes, como: Segundo as investigações, Marquinho ascendeu dentro da chamada máfia da contravenção, principalmente na exploração de máquinas caça-níqueis, após a morte do bicheiro Fernando Iggnácio. Desde então, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo GAECO aponta a prática de múltiplos crimes pelo grupo, incluindo diversos homicídios registrados em Bangu a partir de 2021. Os mandados estão sendo cumpridos em Bangu, Senador Camará, Realengo, Recreio dos Bandeirantes e Marechal Hermes.

Relato expõe terror após ruptura entre milícia e TCP no Terreirão, onde guerra voltou a matar casal — mulher grávida — no Recreio

A comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, voltou a ser palco de violência extrema na tarde de hoje, com a morte de um casal que foi até o local buscar uma encomenda para um chá de bebê e acabou surpreendido por um suposto tiroteio entre facções rivais. A mulher estava grávida. O alvo dos disparos, segundo relatos, seriam milicianos. O homem morto seria ligado a um grupo paramilitar. A região, no entanto, já carrega um histórico de confrontos violentos entre grupos criminosos, que ao longo dos anos deixaram um rastro de mortes. O Ministério Público colheu o depoimento de um morador do Terreirão que revelou que há uma disputa territorial antiga entre milícia e tráfico. Segundo ele, diferentes milícias atuavam na área e, por um período, mantinham aliança com traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Esse acordo, porém, foi rompido. Cada grupo seguiu por conta própria — e a partir daí, a guerra começou. O morador relatou que vivenciou de perto essa violência: perdeu amigos, foi baleado na perna, no braço e no peito, e disse que sua mãe e seu irmão também foram atingidos em meio aos confrontos. Ele afirmou ainda que traficantes passaram a matar pessoas sem qualquer envolvimento com o crime. Segundo o relato, “a facção é covarde e só mata trabalhador”. De acordo com o depoimento, três inocentes que trabalhavam como barbeiros teriam sido executados. Em outro episódio, duas pessoas foram mortas e uma terceira baleada — e o próprio morador disse ter chegado ao local e visto os corpos. Ele também contou que um primo foi assassinado e outro, que não tinha envolvimento com o crime — sendo apenas usuário — acabou baleado. Segundo o morador, todas essas mortes têm relação direta com a quebra do acordo entre o TCP e a milícia, embora o Comando Vermelho também tenha presença na comunidade. Um inquérito de 2024 apontou que o TCP atuava tanto no Terreirão quanto na região do Posto 12, no Recreio, onde há registros de uma intensa guerra contra o Comando Vermelho, com diversas mortes contabilizadas.

CV recorre à milícia: prints revelam pedido de ajuda para invadir áreas do PL e do TCP e ampliar domínio na Zona Oeste do Rio

Novos prints de conversas divulgados pela Polícia Civil e publicados pela BandNews FM em redes sociais escancaram uma aliança perigosa entre o miliciano André Boto e o traficante Gadernal, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho, em meio à disputa por territórios na Zona Oeste do Rio. Em um dos trechos mais reveladores, Gadernal pede apoio direto para avançar sobre áreas dominadas pela milícia do PL, sucessora do grupo de Zinho, e também por facção rival: “Aí homem me deixa forte para montar esse base para mim atacar Antares e 48. Carobinha estou com meus homens parados”. Antares, em Santa Cruz, e Carobinha, em Campo Grande, são redutos da milícia do PL, enquanto o 48, em Bangu, é área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A resposta de Boto evidencia o alinhamento imediato entre os dois: “Vou agitar isso para você. Amanhã vou desenrolar com o amigo lá. Ali é uma reta só”. Em outro momento, o tom violento da conversa fica ainda mais explícito, quando Boto fala sobre um rival direto da milícia do PL:“Pegar o Zulu lá e quebrar 80% das pernas dele”. Zulu é apontado como integrante da milícia do PL, o que reforça o nível de conflito interno e disputa por poder nas regiões dominadas por grupos paramilitares. Os dois também discutem possíveis invasões em outras áreas. Boto chega a oferecer suporte para uma ofensiva na Vila Sapê, em Curicica:“Se minha área fosse perto você já estaria lá, Vila Sapê é o maior favelão”. Na sequência, ele sugere outro ponto estratégico:“O Catiri é o ideal mesmo”.Gadernal responde demonstrando facilidade de acesso a outra região:“O Boqueirão eu consigo, posso entrar a hora que quiser”. O diálogo também revela pressão de outros grupos armados na região. Ao comentar sobre o Catiri, Boto afirma:“Os crias da Vila Kennedy não saem de cima”.Gadernal responde indicando movimentação de aliados:“Eles vão vir para o Alemão e Penha, mas confia. Quando eu entrar você vai estar acompanhando. Vou precisar da sua ajuda”. Em um dos trechos mais graves, o traficante revela uma estratégia para tomada de território: usar o nome de milicianos para “limpar” a área e depois entregar ao tráfico. Boto responde sem hesitar:“Isso é mole”. Os diálogos também citam Rio das Pedras, em Jacarepaguá, outro alvo do Comando Vermelho:“Lá só tem bunda rachada”, diz Boto.“Eles estão esculachando vários moradores”, responde Gadernal.“Eles sempre fazem isso. O dono de lá é um bunda rachada. Cuzão de primeira”, completa o miliciano. Por fim, os dois mencionam o histórico de violência no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes. Gadernal afirma:“Teve um mês que teve 40 homicídios”.Boto relembra um confronto envolvendo o grupo do miliciano Tandera, da Baixada Fluminense, que terminou com cinco mortos e seis feridos. Para investigadores, os prints reforçam um cenário alarmante: a aproximação entre milicianos e traficantes para coordenar ataques, expandir domínio territorial e intensificar a violência em comunidades da Zona Oeste do Rio.

PRINT EXPLOSIVO REVELA DIÁLOGO ENTRE MILICIANO E CHEFÃO DO CV DURANTE OPERAÇÃO NO RIO

Um print de conversa divulgado pelo programa Balanço Geral escancarou uma conexão direta entre milícia e tráfico no Rio de Janeiro — e acabou passando quase despercebido no meio da cobertura. A mensagem mostra o miliciano André Boto, que controla áreas em Curicica, na Zona Oeste, em contato com Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. No diálogo, Boto questiona se os complexos da Penha e do Alemão seriam a mesma região. Gardenal responde detalhando o domínio das facções: afirma que a Penha é controlada por Marcinho VP e Doca, enquanto o Alemão estaria sob influência de Marcinho VP e Pezão. A conversa vai além. Os criminosos também discutem possíveis invasões a áreas dominadas por milicianos, citando regiões como Carobinha, em Campo Grande; 48 e Catiri, em Bangu; e o Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — indicando articulações diretas sobre disputas territoriais entre grupos rivais. O material foi revelado pela polícia durante uma operação deflagrada nesta quarta-feira pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que mira o coração financeiro do Comando Vermelho — responsável por movimentar e esconder milhões do tráfico de drogas. Agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca. Entre os alvos estão nomes de peso da facção: Márcia Gama, companheira de Marcinho VP; o filho dela, o rapper Oruam, considerado foragido; além de lideranças como Sam, da Cidade de Deus; Pezão, do Alemão; Abelha, da Lapa; e Doca, da Penha. As investigações, conduzidas ao longo de cerca de um ano, revelaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pela facção. Segundo os agentes, valores provenientes do tráfico eram repassados a operadores financeiros que fragmentavam o dinheiro em contas de terceiros, pagavam despesas, adquiriam bens e ocultavam patrimônio para dificultar o rastreamento. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e o cruzamento de dados telemáticos e financeiros mostraram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados — evidência clara da origem ilícita dos recursos. Os diálogos interceptados reforçam ainda que, mesmo preso há anos, Marcinho VP segue como figura central no comando da organização criminosa. A ação faz parte da “Operação Contenção”, ofensiva do Governo do Estado para frear o avanço do Comando Vermelho. Até agora, segundo dados oficiais, mais de 300 criminosos foram presos, 136 mortos em confrontos, cerca de 470 armas apreendidas — sendo 190 fuzis — e mais de 51 mil munições recolhidas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas usadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos do esquema.

Terror no Pé Pequeno: Traficantes Impõem Lei do Medo, Vasculham Celulares e Controlam Até a Internet dos Moradores em Niterói

Moradores da comunidade do Pé Pequeno, no bairro de Fátima, em Niterói, vivem sob um verdadeiro regime de terror imposto por traficantes armados que dominam a região. Desesperados, eles chegaram a pedir socorro à polícia — mas o medo fala mais alto. Testemunhas se recusaram a depor formalmente na delegacia por receio de represálias violentas. Relatos colhidos pelas autoridades revelam um cenário assustador: criminosos revistam celulares de moradores como forma de controle e intimidação, além de obrigarem a população a utilizar apenas provedores de internet indicados pela própria facção, cortando qualquer outra opção. Quem desobedece, vira alvo. Investigações da 77ª DP (Icaraí) escancararam a ousadia dos bandidos. Alguns dos suspeitos aparecem monitorando a comunidade com rádios comunicadores, armados e posicionados como verdadeiros “soldados do tráfico”, exibindo armas na cintura ou sobre mesas, prontos para reagir a qualquer incursão policial ou ataque de facções rivais. Eles atuam diretamente na vigilância e proteção dos pontos de venda de drogas, garantindo o funcionamento do esquema criminoso a qualquer custo. As apurações confirmaram ainda que os traficantes armazenavam, transportavam e distribuíam diversas substâncias entorpecentes, com provas reunidas em documentos, fotografias e diligências policiais. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça decretou a prisão preventiva de oito suspeitos, todos ligados à facção criminosa Comando Vermelho. Entre os envolvidos, há menores de idade — o que escancara como o crime organizado segue recrutando jovens para sustentar sua máquina de violência e dominação.

DRACO DIZ QUE COMERCIANTES DAS ZONAS NORTE E OESTE DO RIO SÃO FORÇADOS PELA MILÍCIA A COMPARECER A LOCAIS PARA COMPRAR FARINHA DE TRIGO SOB MIRA DE FUZIS

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas recebeu, no dia 18 de abril, uma denúncia que expõe um esquema grave de exploração econômica com características típicas de atuação miliciana nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o documento obtido pela reportagem, as informações chegaram por meio de um canal institucional de denúncias anônimas e apontam que comerciantes estariam sendo coagidos a comparecer a locais previamente determinados, em datas específicas, para a retirada compulsória de mercadorias. Segundo o relato, os pontos de entrega são controlados por homens fortemente armados, portando fuzis e pistolas, que exercem vigilância ostensiva sobre a movimentação. A presença constante dos criminosos cria um ambiente de intimidação absoluta, anulando qualquer possibilidade de resistência por parte das vítimas. Ainda conforme a denúncia, os comerciantes vêm sendo obrigados, mediante grave ameaça, a adquirir insumos alimentícios — principalmente farinha de trigo — de fornecedores previamente indicados pelo grupo criminoso. A imposição ocorre em condições consideradas abusivas, com exigência de compra em quantidades superiores à demanda real, preços inflacionados e produtos de qualidade inferior. Quem se recusa a cumprir as ordens, segundo o documento, fica sujeito a retaliações que vão desde o fechamento do estabelecimento até ameaças à integridade física. Na prática, o esquema descrito aponta para a substituição do livre mercado por um monopólio criminoso, imposto mediante o uso da força. A dinâmica da operação também revela um nível de organização voltado a dificultar a ação das autoridades. Os comerciantes são convocados em datas variáveis, sem padrão fixo, e direcionados a locais fechados, sem qualquer identificação externa e inacessíveis ao público em geral. A estratégia, segundo os investigadores, reforça o caráter clandestino da atividade e indica planejamento estruturado. A denúncia se diferencia de informes anteriores recebidos pela polícia por apresentar elementos concretos de tempo, modo e local, incluindo a indicação de datas específicas para retirada das mercadorias e a presença ostensiva de homens armados nos pontos de entrega, o que confere maior precisão e possibilidade de verificação às informações. Diante desse cenário, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro entendeu que há indícios de atividade criminosa em plena execução, com impacto direto sobre a ordem pública e a livre iniciativa. Levantamento preliminar do setor de inteligência identificou que os endereços mencionados na denúncia correspondem a empresas formalmente constituídas. Entre os locais citados estão uma distribuidora de alimentos em Madureira, um galpão na Estrada dos Gouveias, em Santa Cruz, e uma empresa do mesmo ramo em Campo Grande. Segundo a análise, há indícios de um entrelaçamento societário entre essas empresas, com compartilhamento de sócios, endereços e atividades, o que pode indicar a existência de uma estrutura empresarial utilizada para dar aparência de legalidade ao esquema. Diante dos elementos levantados, a Polícia Civil representou à Justiça pela expedição de mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas e também nos endereços residenciais de sócios e administradores. A avaliação é de que documentos, registros informais, dispositivos eletrônicos e valores em espécie possam estar sendo mantidos fora dos estabelecimentos comerciais como forma de dificultar a investigação. A urgência da medida é reforçada por uma informação considerada crucial: comerciantes teriam sido convocados a comparecer ainda no mesmo fim de semana em que a denúncia foi feita, a um endereço em Madureira, para retirada das mercadorias impostas. Segundo o documento, o local estaria sendo guarnecido por diversos homens armados, caracterizando, na avaliação dos investigadores, um cenário de prática criminosa em curso ou prestes a se consumar. A polícia alerta que a demora na adoção de medidas pode resultar no perecimento de provas, seja pela rápida circulação das mercadorias, seja pela possibilidade de ocultação ou destruição de documentos e dispositivos eletrônicos, além de permitir a continuidade do esquema em larga escala.

Escândalos na PM: baleados teriam sido ameaçados de ficar sem socorro para confessar crime. Em outro caso, agentes invadiram casa de morador sem consentimento e o agrediram com socos e mata leão

Uma denúncia explosiva recebida pela Auditoria da Justiça Militar expõe acusações gravíssimas contra policiais militares no Rio de Janeiro: dois PMs são suspeitos de ameaçar homens baleados, condicionando o socorro médico à confissão de crime e à entrega de uma arma que, segundo os próprios autos, pode nunca ter existido. O caso aconteceu em 13 de junho de 2023, na Rua Salgueiro, no bairro Vilar dos Teles, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. De acordo com a denúncia, equipes do Grupamento de Ações Táticas (GAT) realizavam uma operação na comunidade Vila Ruth quando houve um confronto armado. Após o tiroteio, dois homens foram encontrados caídos, feridos, em uma laje, já rendidos e sob custódia policial. Um deles apresentava um ferimento de raspão nas costas; o outro havia sido atingido na região escapular. É nesse momento que, segundo os autos, a ocorrência ganha contornos ainda mais graves. Um dos policiais teria se aproveitado da vulnerabilidade de uma das vítimas — ferida, sangrando e em estado de desespero — para fazer uma ameaça direta: sem confissão de porte ilegal de arma e sem indicação da localização do suposto armamento descartado na fuga, não haveria socorro. A denúncia aponta que o homem foi submetido a intenso sofrimento psicológico sob a pressão de morrer sem atendimento médico. Horas depois, já na 64ª Delegacia de Polícia, o mesmo policial — acompanhado de outro agente — teria reforçado a ilegalidade. Ambos são acusados de prestar depoimentos falsos, afirmando que os feridos estavam com drogas, radiotransmissor e uma pistola no momento da abordagem. A investigação, no entanto, sustenta o oposto: os homens não portavam qualquer desses materiais. Apesar da gravidade das acusações, não há até o momento qualquer punição judicial aplicada aos policiais envolvidos. Outro caso: invasão de domicílio e agressão em Petrópolis Em outro episódio que também acendeu alerta na Justiça Militar, três policiais militares foram denunciados por invadir a casa de um morador em Petrópolis, na Região Serrana, sem mandado judicial e sem consentimento. O caso ocorreu em 5 de julho de 2024, na comunidade do Neylor. Segundo os autos, os agentes entraram à força na residência de um homem identificado como T.F.F., ignorando sua negativa expressa. Dentro da casa, ele teria sido brutalmente agredido com socos no rosto e um golpe conhecido como “mata-leão”, sofrendo lesões corporais. Desta vez, há um elemento ainda mais contundente: a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos próprios policiais, o que reforçou a aceitação da denúncia pela Justiça. Mesmo assim, até agora, também não houve qualquer punição judicial contra os envolvidos. Os dois casos, agora sob análise da Justiça Militar, escancaram denúncias de abuso de poder, violência e possível manipulação de provas por agentes do Estado — acusações que, se confirmadas, atingem diretamente a credibilidade das forças de segurança.

De mansão no Vidigal a lista de extermínio: o passado brutal de Dada que poucos estão mostrando

O traficante baiano Ednaldo Pereira Souza, o Dada, voltou a ser destaque na imprensa carioca no último fim de semana ao ser noticiado detalhes da mansão que ele teria alugado no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio. Ele foi alvo de operação policial na semana passada que resultou em tiroteio e deixou centenas de turistas ilhados no Morro do Dois Irmãos. Relatos indicam que ele teria escapado por uma passagem secreta do casarão. A reportagem voltou a fazer pesquias sobre o histórico do criminoso e descobriu algo aterrorizante que mostrou sua extrema periculosidade.Dada é um dos cabeças da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) desde a década passada e naquela época ele estabeleceu uma lista com quatro pessoas que tinham que morrer e todas elas acabaram assassinadas. Eles deram ordens aos seus subordinados e elas foram cumpridas à risca. Até a mãe de um dos alvos acabou morta. Todas as vítimas pertenciam à facção Movimento do Povo Atitude (MPA), que na época era rival do PCE. Após essas execuções, uma outra lista foi preparada com próximas vítimas. Uma outra vítima, que tambem integrava o MPA, foi assassinada com requintes de cruledade. Ela levou mais de dez tiros quando estava de costas e quando caiu agonizando, os executores se debruçaram sobre o corpo da vítima, e, cruelmente, desferiram vários outros tiros contra aquela, por pura perversidade. Já naquela época, Dada havia dado a determinação de subverter a ordem no sistema prisional, implantando um regime de terror que lhes permitam o controle de todas as ações criminosas que são deliberadas pelo PCE, mesmo no âmbito do Conjunto Penal de Eunápolis. O contraste chama atenção: enquanto parte da cobertura se limita a episódios pontuais, como a fuga do passado, o histórico completo revela um criminoso que consolidou sua trajetória com violência sistemática, execuções ordenadas e domínio estratégico — fatores que ajudam a explicar o impacto de cada operação que tenta capturá-lo.

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