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investigação

Trama nascida na cadeia terminou em execução: Homem foi morto sob aval da cúpula da milícia, corpo desapareceu e vingança disparou onda de mortes em Santa Cruz

A reportagem teve acesso a documentos que mostram que uma trama iniciada dentro de um presídio terminou em um homicídio que teve autorização de um dos chefes da maior milícia do Rio de Janeiro e culminou com uma série de execuções posteriormente A vitima Jonathas Vidal da Silva, conhecida coomo Bodão, foi assassinada no dia 24 de outubro de 2024 na Avenida Cesário de Melo, em Santa Cruz. O corpo nunca apareceu. Segundo os autos, os autores teriam sido dois milciianos vulgos Zulu e Primavera (morto recentemente) com autorização de PL, um dos líderes do grupo paramilitar que atua na região. Os três vão a júri popular pelo homicídio. As investigações apontam que o crime foi praticado porque os autores acreditavam que a vítima estava transmitindo informações sobre os assasinos a um cirminoso vulgo Russo, que estava preso e desejava assumir o comando da Favela do Rodo, em Santa Cruz. Ou seja, os bandidos agiram por vigança e porque teriam se sentido traídos por Jonathan, Os autores sumiram com o cadáver de Jonathas. A vítima foi arrebatada após sair do supermercado Super Compras, situado em Santa Cruz, quando se dirigia para a residência, localizada na Favela do Rodo. Cerca de cinco minutos do arrebatamento, foi ouvido um disparo de projétil de disparo de arma de fogo, não tendo a vítima retornado a seu domicílio.Logo após o crime de homicídio, Zulu, Primavera e Parazinho portando fuzis e pistolas, tendo em poder os telefones celulares da vítima, ingressaram na residência desta e se apropriaram de documentos pessoais, bem como suas senhas bancárias e telefônicas. Curioso nesta história é que o irmão de Russo, vulgo Du Mal, que também estava preso à época, foi quem teria transmitido as informações para os assassinos,, que praticaram o crime para se vingar da suposta traição de Jonathas. A partir daí,, deu-se início a uma série de homicídios na Favela do Rodo, com notícia de corpos sendo ocultados no Rio Guandu de todos que mantinham contato com Russo. Mas a história não para por ai. Em depoimento, Russo revelou que teria sido obrigado, pago e aliciado pelos milicianos Juninho Varão, Sprint e Jiraya para prestar falsos relatos contra Felipe e Du Mal. Os três são rivais da milícia do PL. Jiraya foi assassinado na Baixada Fluminense este ano. Segundo ele, foi Sprint que ofereceu a proposta para ajudá-los com algumas falsas acusações contra os autores e para que que fosse para o lado deles e levantassem informações contra a rivalidade. A oferta, segundo ele, foi de de 600 reais. Eles deram quatro parcelas e Russo ficou na galeria deles por quatro meses; Russo contou que Sprint levou um celular para que ele falasse com Jiraya. Depois, Jiraya o botou para falar com Varão e ficaram os três conversando, A polícia contou que Russo e Zulu teriam brigado porque o primeiro ficou de receber do segundo um valor por um crime que ele foi cometer. Zulu não pagou porque houve perda de armamento. Russo, então, jurou vingança e ela seria obtida buscando informações de Zulu a partir de Jonathas, A polícia tinha informações de que a vítima era integrante da milícia do Rodo e fazia venda de terrenos do grupo, além de cobrar comerciantes. A viúva de Jonathas disse, no entanto, que ele era trabalhador, atuava com conserto de celular e fazia um curso na Microlins. Ela é sobrinha de Russo. Um outro policial disse que Russo pretendia assumir para si a área de atuação; em Santa Cruz e usava o celular do irmão para pedir informações sobre Zulu. O agente confirmou que, a partir da morte de Jonathas, Zulu teria cometido uma sequência de crimes de pessoas que estavam vinculadas ao Russo para enfraquecer a possibilidade da tentativa dele em tomar a região. Segundo o policial, foi uma série de execuções de qualquer pessoa que estivessem atreladas ao Russo. O policial disse que Dumal ao revelar a intenção do irmão de obter informações sobre Zulu teria sido agredido na cadeia e teve que ficar em isolamento.

Justiça vê esquema ativo e risco de fuga e explica por que MC Poze e MC Ryan continuam presos

A Justiça Federal de São Paulo decidiu manter presos os funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan na semana passada por entender que há indícios claros de que os investigados vinham repetindo práticas criminosas. Segundo a decisão, isso ficou evidente pela movimentação contínua de dinheiro ilegal, com valores altos circulando, algo que já vinha sendo apontado desde o início da investigação, além da estrutura organizada montada pelo grupo, o que também já teria sido demonstrado em procedimentos anteriores que confirmaram esse tipo de atuação. A Justiça ainda destacou que alguns investigados continuam soltos e que outros dois estão fora do país, em locais desconhecidos. Os funkeiros foram presos sob suspeita de envolvimento em uma associação criminosa estruturada, voltada à movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo, transferências bancárias e também operações com criptoativos, tanto no Brasil quanto no exterior, com o objetivo de lavar dinheiro e viabilizar o tráfico internacional de drogas. De acordo com a decisão, os diálogos já analisados e outras análises que ainda estão em andamento devem mostrar a real capacidade dos investigados de continuar atuando mesmo de fora, o que pesa diretamente contra a soltura. Para a Justiça, colocar os envolvidos em liberdade agora poderia atrapalhar as diligências em curso, facilitar a fuga, permitir que os crimes continuem acontecendo e ainda comprometer a produção de provas. Outro ponto destacado é a gravidade concreta das condutas e o tamanho da estrutura montada pelo grupo. Segundo a decisão, a organização funcionava com vários núcleos, incluindo logística para manuseio, conferência, transporte e entrega de valores, além de áreas de comunicação, financeiro, lavagem de patrimônio, contratação de “laranjas” e uso de empresas de fachada. A Justiça também chamou atenção para a existência de uma estrutura de comando bem definida e para o fato de que as movimentações financeiras tinham alcance internacional, o que aumenta ainda mais a gravidade do caso. Diante de tudo isso, a conclusão foi direta: a prisão temporária dos investigados é considerada absolutamente necessária neste momento e não pode ser substituída por outras medidas mais leves. Segundo o entendimento da Justiça, a soltura representaria um risco grave à ordem pública, às investigações e à aplicação da lei penal.

Traficante de Goiás preso no Vidigal e grupo tinham base no RJ e esquema de fraude judicial para evitar prisão

Preso ontem no Morro do Vidigal, em uma operação policial cercada de polêmica e que deixou centenas de turistas ilhados, Patrick César Tobias Xavier, o “Bart”, não é um criminoso qualquer. Ele integra uma célula do Comando Vermelho de Goiás que encontrou abrigo no Rio de Janeiro, operando sob a proteção direta de traficantes cariocas. Segundo as investigações, essa base de apoio estaria instalada no Morro dos Prazeres, no Rio Comprido — território onde criminosos de fora do estado recebem guarida e estrutura para continuar comandando suas atividades ilegais. Na prática, o Rio funciona como refúgio estratégico para esses bandidos, que seguem operando à distância. De dentro do estado fluminense, os traficantes goianos negociavam drogas e armas de fogo em esquemas sofisticados, utilizando inclusive números de telefone habilitados no exterior para dificultar o rastreamento e driblar a ação das autoridades. Bart não atuava sozinho. A investigação aponta a presença de outros criminosos de Goiás escondidos no Rio, conhecidos pelos vulgos Skadão, Keka, Lagoa ou LG — todos considerados de altíssima periculosidade. Mesmo refugiados no RJ, eles seguem comandando o tráfico e outras atividades criminosas em Goiás, demonstrando o alcance e a articulação interestadual da facção. O esquema vai além da violência armada. Integrantes do grupo conseguiram, segundo a apuração, fraudar sistemas informatizados da Justiça para obter contramandados e derrubar ordens de prisão — incluindo o próprio Bart. Um movimento que expõe não só ousadia, mas também um nível alarmante de infiltração e organização. Com histórico no crime desde a adolescência, Bart já participava de assaltos antes mesmo de atingir a maioridade. Sua prisão no Vidigal escancara um cenário preocupante: criminosos de outros estados utilizando comunidades do Rio como base segura para expandir seus negócios ilegais, com apoio direto de facções locais.

TCP se expande sem comando central: estrutura descentralizada impulsiona avanço da facção pelo país

Investigações recentes escancaram o funcionamento do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que deixou de ser apenas mais um grupo do narcotráfico fluminense para se consolidar como uma organização em expansão nacional, cada vez mais próxima do modelo de atuação das milícias. De acordo com documento obtido pela reportagem, o TCP herdou do antigo Terceiro Comando uma estrutura fragmentada, sem um comando central rígido. Na prática, cada comunidade dominada possui um “dono”, responsável por comandar as atividades criminosas de forma autônoma, sem interferência direta de outras lideranças. Essa descentralização, no entanto, não significa desorganização. Pelo contrário: os chefes locais se articulam para fortalecer seus negócios ilícitos, defender territórios, esconder criminosos e negociar armas e drogas, formando uma engrenagem criminosa eficiente e difícil de desarticular. As investigações identificam cinco grandes polos de poder no Rio de Janeiro que sustentam o avanço da facção: o Complexo da Maré, o Complexo do São Carlos, o Complexo de Israel, o Complexo do Dendê e o Complexo da Guacha, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Entre eles, o Complexo da Maré se destaca como principal base operacional do TCP. A região funciona como centro de distribuição de armas e drogas e como base para quadrilhas de roubo de cargas e veículos que atuam na capital. A disputa com o Comando Vermelho (CV) também se dá no campo simbólico. O TCP construiu uma identidade própria, adotando expressões como “Tudo 3”, “É a gente” e “Viva e deixe viver (V.D.V)”, numa tentativa de consolidar sua marca e ampliar sua influência. Outro aspecto que chama atenção é o uso de símbolos religiosos e a imposição de padrões de comportamento nas áreas dominadas. Há registros de intolerância a religiões de matriz africana e a utilização de referências ligadas ao universo evangélico. Em algumas comunidades, como no Complexo de Israel, a facção ostenta a bandeira de Israel, com a Estrela de Davi pintada em pontos estratégicos como símbolo de domínio territorial. A partir de 2020, o TCP passou a expandir suas atividades para além do tráfico de drogas, incorporando práticas típicas de milícia. A facção passou a extorquir comerciantes e moradores, além de explorar serviços básicos de forma coercitiva, como fornecimento de gás, água, energia, internet e TV clandestina. Também há indícios de corrupção de agentes públicos. Esse movimento ampliou significativamente as fontes de renda da organização e fortaleceu sua capacidade de expansão territorial, consolidando um modelo de exploração sistemática das comunidades. Esse avanço não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Desde 2021, surgem evidências claras da expansão do TCP para outros estados, como Espírito Santo, Ceará e Minas Gerais. A expansão ocorre principalmente por meio de conexões diretas entre lideranças. Criminosos de outros estados mantêm contato com chefes de comunidades do Rio, sendo acolhidos nessas áreas como forma de garantir proteção, esconderijo e suporte logístico. Caso não houvesse anuência dos chefes cariocas, a presença desses criminosos não seria permitida, o que reforça a existência de articulação estruturada, ainda que sem comando central formal. Fora do Rio, o TCP passou a replicar sua rivalidade com o Comando Vermelho, criando novos polos de conflito e, em alguns casos, se aliando a organizações como o PCC para ampliar sua força. No Espírito Santo, esse processo é evidente. O TCP se consolidou a partir da absorção de grupos locais, como a Associação Família Capixaba e o grupo Irmãos Vera. A facção passou a atuar como fornecedora de drogas e armas, atraindo organizações menores e impondo sua estrutura. Com o tempo, essas células passaram a adotar integralmente a sigla TCP. Hoje, a presença da facção já se materializa no território. Em parceria com o PCC, o TCP passou a controlar o narcotráfico em diversos bairros da Grande Vitória. Em Vitória, a atuação foi identificada em áreas como Itararé, Cruzamento e Tabuazeiro. Em Vila Velha, o domínio se estende por regiões como Ibes, Boa Vista, Cristóvão Colombo, Aribiri, Ilha das Flores e Santa Rita. Na Serra, há registros de atuação em Nova Almeida, Jardim Carapina, Central Carapina e Parque das Gaivotas. Em Cariacica, o grupo atua em Mucuri, Morro do Quiabo e Morro dos Gama. Também há presença em Conceição da Barra. Esse avanço territorial evidencia a consolidação da facção fora do Rio e mostra que a expansão não é apenas pontual, mas estruturada. O cenário atual no Espírito Santo é de divisão clara entre dois blocos criminosos: de um lado, TCP e PCC; do outro, Comando Vermelho e Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os impactos já aparecem nos indicadores de violência. Apenas entre janeiro e agosto de 2024, uma região de Vila Velha registrou 16 homicídios, sendo ao menos nove ligados ao tráfico, além de 32 tentativas de homicídio, das quais 21 relacionadas diretamente à disputa entre facções. A evolução do conflito também se reflete na disputa territorial. Após a prisão de lideranças locais, áreas antes controladas passaram a ser alvo de alianças e confrontos entre grupos rivais. A presença das facções é marcada por pichações e símbolos que indicam domínio, reforçando o clima de tensão nas comunidades. O TCP surgiu em 2002, a partir de uma dissidência do antigo Terceiro Comando, em meio a conflitos no sistema prisional fluminense. Desde então, expandiu sua atuação para diversas frentes criminosas, incluindo tráfico de drogas, comércio de armas, roubo de cargas e veículos e extorsão. Hoje, a facção reúne características que a colocam entre as principais ameaças à segurança pública: domínio territorial, uso de armamento pesado, enfrentamento ao Estado, expansão interestadual e adoção de práticas típicas de milícia. O avanço do TCP aponta para a consolidação de uma organização criminosa híbrida, que combina tráfico, controle territorial e exploração econômica, ampliando seu poder e o potencial de violência em diferentes regiões do país.

Facção de traficante alvo no Vidigal (CV) promoveu fuga em massa, atentado contra diretor e nova tentativa de resgate em presídio na Bahia

Alvo principal da polêmica operação no Morro do Vidigal, que deixou turistas presos na comunidade nesta segunda-feira, o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, integra uma organização criminosa (Primeiro Comando de Eunápolis) com atuação violenta e contínua contra o sistema prisional da Bahia. A facção da qual faz parte foi responsável por uma fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis em 2024, um atentado contra o diretor da unidade em 2025 e uma nova tentativa de resgate de comparsas em 2026. Dada sempre buscou dominar as unidades prisionais de Eunápolis e Teixeira de Freitas, além de expandir sua influência pelas cidades do sul do estado, utilizando a violência como ferramenta central de controle. Segundo investigações, crises e motins eram provocados dentro das unidades, enquanto homicídios eram ordenados contra qualquer um que contrariasse os interesses do grupo. Ele e o irmão, conhecido como “Rena”, são apontados como líderes de uma ampla cadeia criminosa que atua dentro e fora dos presídios. De acordo com apurações, tudo que acontecia precisava da autorização dos dois, garantindo que a estrutura funcionasse de forma lucrativa. Qualquer ação fora dessa hierarquia resultava em represália, com punições executadas por braços direitos posicionados em todos os pavilhões. Ambos respondem a pelo menos sete processos por homicídio, além de diversas acusações relacionadas ao tráfico de drogas. O histórico recente da facção evidencia o nível de organização e ousadia. Após a fuga de Dada e outros detentos do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, o grupo seguiu tentando impor sua força. Na madrugada de 29 de janeiro de 2026, uma operação conjunta das polícias Civil e Militar impediu uma nova invasão à unidade prisional, que seria realizada por integrantes do Comando Vermelho com o objetivo de resgatar comparsas. O confronto terminou com oito criminosos mortos e um policial militar baleado. Antes disso, a escalada de violência já havia atingido diretamente a administração do presídio. Houve um atentado contra a vida do diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, Jorge Magno Alves Pinto, e também contra o servidor estadual Emerson de Jesus Santos, ação atribuída a integrantes da facção PCE/CV, da qual Dada faz parte. Mesmo fora do sistema prisional, a atuação do traficante e de sua organização segue sendo tratada pelas autoridades como de alta periculosidade, diante do histórico de ataques coordenados, domínio interno de unidades prisionais e ações violentas articuladas para manter o controle do crime organizado.

Alvo no Vidigal (CV), traficante “Dada” controlava o crime na Bahia com mão de ferro. Investigações mostraram seu poder mesmo quando estava preso

O alvo da operação realizada nesta segunda-feira no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, era tratado pelas autoridades como um dos pilares do crime organizado no sul da Bahia. Segundo investigações da Polícia Civil baiana, Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, construiu um histórico de poder e influência capaz de sustentar uma máquina criminosa violenta e altamente estruturada. Apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ele é citado em relatórios do Departamento de Polícia do Interior (DEPIN) como peça central em uma guerra sangrenta contra o Bonde do Maluco (BDM), marcada por homicídios, ataques armados, incêndios e ameaças contra forças de segurança. As informações são baseadas em investigações locais, com análise de celulares apreendidos, relatórios de inteligência e depoimentos protegidos. Segundo a polícia, mesmo quando esteve preso, Dada continuava operando o crime com precisão, utilizando aparelhos celulares para ordenar execuções, coordenar o tráfico e orientar comparsas sobre como agir. De acordo com os investigadores, o controle exercido por ele era absoluto: Relatos colhidos pela Polícia Civil reforçam que o traficante mantinha uma rede ativa e disciplinada, com integrantes posicionados estrategicamente tanto dentro quanto fora das unidades prisionais. A dimensão desse poder ficou evidente em levantamentos policiais. Um relatório da 20ª COORPIN (Brumado) aponta que a movimentação de lideranças criminosas ligadas a esse núcleo coincidiu com um salto de até 700% nos crimes violentos letais na região — um reflexo direto da atuação dessas facções. As autoridades também são enfáticas ao apontar que o uso de celulares por lideranças como Dada é um dos principais fatores que sustentam o funcionamento dessas organizações, permitindo que o comando criminoso continue ativo mesmo em cenários de repressão. Agora, fora do sistema prisional e alvo de operação no Rio de Janeiro, o nome de Dada volta ao centro das atenções das forças de segurança. Para investigadores da Bahia, trata-se de um líder com histórico comprovado de articulação criminosa, capacidade de comando e influência direta sobre ações violentas. A fuga no Vidigal, diante desse histórico, não é apenas mais um episódio — é um sinal claro de que um dos principais articuladores do crime organizado baiano segue em circulação.

Operação policial que deixou turistas ‘ilhados’ no Vidigal (CV) capturou uma das principais operadoras financeiras de facção baiana

O Ministério Público da Bahia explicou a operação realizada hoje no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, que resultou em tiroteio e deixou turistas p’resos’ilhados’ na comunidade.sem poder saiir. Segundo o órgão, a ação foi para capturar lideranças de organização criminosa do sul da Bahia, que estavam escondidas no morro. Durante a ação, foi presa uma da principais operadoras financeiras da facção baiana Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho. Núbia Santos Oliveira é esposa da Wallas Souza Soares, conhecido como ‘Patola’, um dos líderes da facção junto com Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como ‘Dada’. Ela é investigada por lavagem de dinheiro e possuía dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio. Também foi preso um homem em flagrante, armado com um fuzil, e apreendidas a arma e drogas. Investigação e monitoramento A deflagração da operação é resultado de um trabalho contínuo e integrado de investigação e monitoramento do MPBA e as forças de segurança pública da Bahia e do Rio de Janeiro, cujo objetivo é a captura de 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, e que se encontram desde então no Rio de Janeiro, sob a proteção do Comando Vermelho. As investigações apontam que os alvos da operação, mesmo foragidos, continuam exercendo papel de liderança e comando à distância, articulando ações criminosas e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos. O monitoramento e as investigações continuarão de forma permanente até a captura de todos os fugitivos. Por conta da operação, traficantes incendiaram barricadas e fecharam a Avenida Niemeyer.

Escândalo na orla da zona sul: tráfico ficava com 60% de golpe da maquininha aplicado em turistas no Rio”

A reportagem teve acesso a detalhes de uma investigação que revela que o tráfico de drogas lucrava diretamente com o golpe da maquininha aplicado contra turistas nas praias da Zona Sul do Rio. Segundo os dados, integrantes do Comando Vermelho ficavam com 60% do dinheiro obtido nas fraudes, enquanto ambulantes responsáveis pelas abordagens ficavam com os outros 40%. O material mostra que o esquema operava principalmente nas areias de Copacabana e Ipanema, tendo como alvo preferencial turistas estrangeiros, escolhidos por terem menor familiaridade com a moeda brasileira e os costumes locais. De acordo com as investigações, os envolvidos se passavam por vendedores ambulantes e iniciavam a abordagem oferecendo produtos de baixo valor, como bebidas, cigarros e alimentos. Após convencer a vítima a pagar com cartão, começava o golpe. Com a maquininha em mãos, o criminoso alegava falhas de conexão para justificar múltiplas tentativas. Durante esse tempo, aproveitava momentos de distração para digitar valores muito acima do combinado, muitas vezes adicionando zeros ao preço real. Em outras situações, o visor da máquina era propositalmente encoberto. Já nos casos de pagamento por aproximação (NFC), o golpe se tornava ainda mais agressivo: o criminoso chegava a pegar o celular da vítima sob o pretexto de “ajustar o sinal”, realizando a cobrança sem que o turista percebesse. As apurações confirmam que os crimes eram praticados em grupo, com divisão de tarefas bem definida — abordagem, distração, cobrança, recebimento e repasse — o que facilitava tanto a execução quanto a fuga imediata após a fraude. Os números mostram a dimensão do esquema. Em uma amostra de 150 registros de ocorrência, entre janeiro e a primeira semana de setembro de 2025, os valores desviados variam de centenas a dezenas de milhares de reais por vítima. A investigação resultou em denúncia do Ministério Público contra sete pessoas. Para dificultar o rastreamento, os suspeitos utilizavam diversas maquininhas e contas bancárias em nome de terceiros. Logo após os golpes, os valores eram rapidamente transferidos via PIX, criando uma cadeia de repasses para ocultar os verdadeiros beneficiários. Um dos investigados revelou a existência de um “gerente” das fraudes — apontado como responsável por centralizar os valores e ligado ao tráfico. Segundo ele, esse homem atuaria na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. De acordo com o depoimento, ambulantes interessados em participar do esquema precisavam procurá-lo. Era ele quem organizava a atuação e garantia a divisão dos lucros: 60% para o tráfico e 40% para os vendedores. O investigado também detalhou o domínio territorial da facção na Zona Sul, apontando a divisão das áreas: A investigação ainda indica uma estrutura criminosa mais ampla. Perfis públicos em redes sociais apontam a existência da chamada “Trem/Equipe do Havaí”, ligada ao Complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo (PPG), sugerindo conexão direta com a facção e possível coordenação das fraudes. Para os investigadores, o caso revela uma engrenagem organizada, com participação direta do tráfico, divisão de funções e controle territorial — transformando golpes aplicados na areia da praia em uma fonte estruturada de renda para o crime organizado. r

CÂMERA VIRADA PARA CIMA: denúncia detalha nova forma de ocultação em ação de PMs na Maré

A denúncia contra 10 policiais militares acusados de invadir 13 casas no Complexo da Maré detalha duas formas de suposta ocultação durante a operação: segundo os autos, agentes teriam direcionado câmeras corporais para cima — ou para o lado oposto da equipe — e, em outros momentos, coberto as lentes, gerando imagens de “tela preta”. O caso, antecipado pela reportagem e posteriormente repercutido por outros veículos, aponta que os policiais são acusados de abuso de poder e violação de dever funcional, além de não cumprirem a missão que lhes foi atribuída pela Apol do 22º BPM. De acordo com o processo, os agentes também teriam desobedecido ordem superior relacionada à Instrução Normativa nº 0168, que estabelece os procedimentos para uso da Câmera Operacional Portátil (COP), conforme previsto no boletim da PM nº 182, de 30 de setembro de 2022. Segundo a denúncia, durante a ocorrência, os policiais teriam obstruído indevidamente os equipamentos, comprometendo o registro das imagens. Os autos descrevem que, em ao menos um caso, um dos PMs voltou a lente da câmera para cima ou para direção oposta à guarnição, impedindo que a ação fosse devidamente registrada. Já em outras situações, policiais cobriram as lentes das COPs, fazendo com que os equipamentos registrassem apenas imagens de “tela preta”. De acordo com a acusação, as práticas teriam sido adotadas com o objetivo de impedir a captação das ações realizadas durante a operação. Para o Ministério Público, as condutas indicam tentativa de ocultação deliberada da atuação policial, em desacordo com as normas que regulamentam o uso das câmeras corporais. O processo segue em tramitação, e a reportagem não localizou a defesa dos policiais citados.

Fraude em CAC é ligada a esquema que abasteceria traficantes do Salgueiro (CV) com fuzis, aponta investigação”

Uma investigação sobre fraudes no Fundo Nacional de Saúde revelou um suposto esquema de obtenção ilegal de registros de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) que estaria sendo utilizado para abastecer traficantes do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, com armamento pesado. De acordo com as apurações, o investigado que teria fraudado o processo para obter o certificado também é apontado por envolvimento com o tráfico de drogas na região. A suspeita das autoridades é de que o registro irregular funcionava como facilitador para a compra e circulação de armas, incluindo fuzis. Diante dos indícios, a investigação foi desmembrada. A parte relacionada à fraude na emissão de certificados de CAC — por envolver possível afronta a interesses da União e do Exército Brasileiro — segue sob responsabilidade da Justiça Federal. Já a apuração sobre a ligação do suspeito com o tráfico no Complexo do Salgueiro foi encaminhada à Justiça Estadual. Segundo elementos reunidos pela polícia, há indícios de que o investigado mantinha contato direto com lideranças do tráfico na comunidade, considerada uma das principais áreas de atuação do Comando Vermelho em São Gonçalo. Entre os nomes citados está o de um traficante conhecido como “Jogador”, apontado como figura de destaque na região. Material obtido na investigação indicaria que o suspeito teria negociado armas com ele, incluindo armamento de alto poder, como fuzis. As apurações também identificaram contatos com outro criminoso, conhecido como “B”, com quem teriam sido discutidos temas como tráfico de drogas, homicídios e comércio ilegal de armas. Diante do avanço do caso, o Ministério Público Estadual solicitou a prisão temporária dos envolvidos. A Justiça, no entanto, entendeu que ainda é necessário aprofundar as investigações, destacando a importância de individualizar de forma detalhada a conduta de cada suspeito. O caso expõe, segundo a linha investigativa, uma possível conexão entre fraudes documentais e o fortalecimento do poder bélico de organizações criminosas que atuam na Região Metropolitana do Rio.

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