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Comando Vermelho

A cúpula do CV às ordens para compra de arsenal e destruição de presídio: quem é Mexicano, chefão do tráfico com 15 anotações criminais caçado em operação no Dona Marta

O.princioal alvo da operação policial que causou pânico na manhã de hoje no Morro do Dona Martaem Botafogo, o traficante Mexicano possui extensa ficha criminal com destaque para os crimes de roubo, homicídios, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico de drogas, o que pode ser comprovado pela simples análise da sua FAC com 15 anotações criminais, além de inúmeras investigações criminais que o apontam como liderança criminosa na comunidade. Ele é  arraigado nas articulações para venda de drogas ilícitas nos bairros de Botafogo e Copacabana e demais atividades ilegais. Quando esteve preso  Mexicano integrava ss chamadas “comissões” (composto pela cúpula da facção criminosa), quando, então, eram  repassadas as determinações do “Conselho de Líderes do Comando Vermelho”; há registros, inclusive, de determinação para aquisição de vasto material bélico a fim de retomar áreas eventualmente perdidas para outras facções e manter as já existentes. Ex-preso federal, depois que voltou ao RJ, Mexicano cometeu atos de danos ao patrimônio público em todas as celas das galerias B5, B6 e B7 da SEAPGC (Gabriel Ferreira Castilho), de forma coordenada, visando gerar instabilidade na segurança prisional, o que por meio de buscas, resultou na apreensão de materiais ilícitos. Ano passado, circulou informações que Mexicano havia sido rebaixado na hierarquia do tráfico no Dona Marra por suspeita de desvio de dinheiro. Segundo o que foi divulgado na época, teria implorado para não morrer.

53 investigações e liderança no CV: por que a polícia mantém chefão do Dona Marta longe do Rio

Em meio a operação policial de hoje no Morro Dona Marta, que provocou pânico em Botafogo, deixou um passageiro baleado dentro de um ônibus e deixou turistas que visitavam um mirante em situação difícil, relatórios de inteligência da Polícia Civil, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e manifestações do Ministério Público revelam por que as autoridades defendem a manutenção do chefão da comunidade, Ronaldo Pinto Lima Silva, o “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”, em uma penitenciária federal de segurança máxima, distante do Rio de Janeiro. Apontado nos documentos como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Zona Sul carioca, Ronaldinho é descrito como responsável por exercer influência sobre as comunidades da Ladeira dos Tabajaras, Dona Marta e Morro dos Cabritos. Segundo os relatórios reproduzidos em decisões judiciais, ele tinha poder de decisão sobre a movimentação de criminosos, posicionamento das bocas de fumo, administração financeira do tráfico, compra e venda de drogas e armas e autorização para diversas ações praticadas por integrantes da facção. De acordo com os documentos da inteligência penitenciária, mesmo recolhido em presídios federais, Ronaldinho continua sendo considerado uma peça importante dentro da estrutura do Comando Vermelho e é apontado como um preso de “altíssima periculosidade”. Mais de 53 procedimentos e suspeitas de crimes mesmo preso Os relatórios anexados aos autos indicam que existem mais de 53 procedimentos policiais instaurados para apurar a participação do criminoso em diversos delitos, entre eles homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, receptação, ameaça, corrupção ativa e corrupção de menores. Segundo a Senappen, ele ainda é investigado por supostas ações criminosas praticadas durante o período em que já se encontrava preso. As autoridades afirmam que, mesmo no Sistema Penitenciário Federal, continuou sendo alvo de investigações relacionadas ao exercício de influência sobre áreas sob domínio da facção. Uma das apurações citadas nos documentos é o inquérito que investigou o assassinato de Sandro Paulo Rangel, ocorrido em março de 2022, na localidade conhecida como Beco da Dezenove, na Ladeira dos Tabajaras. Conforme o relatório policial reproduzido na decisão, os executores do crime teriam agido subordinados às lideranças locais e, dentro da hierarquia do Comando Vermelho, ações dessa natureza dependeriam da autorização da principal liderança da região, atribuída a Ronaldinho Tabajara. Mexicano e Coala seriam homens de confiança As investigações apontam que Ronaldinho contava principalmente com dois homens de confiança para administrar os negócios da facção em suas áreas de influência. Segundo os documentos, Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, e Luiz Roberto Pereira do Rosário, o “Coala”, eram descritos pelos investigadores como chefes do tráfico e executores das ordens atribuídas a Ronaldinho Tabajara. Os relatórios afirmam que ambos seriam responsáveis por colocar em prática as determinações relacionadas à movimentação dos criminosos, controle das bocas de fumo e outras atividades do grupo nas comunidades da Zona Sul. Histórico de fuga e problemas dentro do sistema prisional Os documentos também mostram que o histórico atribuído a Ronaldinho Tabajara vai além das acusações ligadas ao tráfico. As autoridades registram que ele possui antecedentes por evasão de unidade prisional estadual, além de um extenso histórico de faltas disciplinares. Conforme o relatório técnico, o preso foi punido por infrações previstas na Lei de Execução Penal, tendo sofrido isolamento disciplinar, suspensão de direitos e rebaixamento para índice comportamental negativo. Ainda segundo o Ministério Público, quando esteve custodiado no sistema prisional do Rio, Ronaldinho integrava as chamadas “comissões do CV”, responsáveis pelo comando dos integrantes da facção dentro das cadeias, e chegou a responder por delitos cometidos durante o período de prisão. Influência mesmo atrás das grades Os relatórios da Senappen afirmam que Ronaldinho permanece exercendo posição de destaque dentro do Comando Vermelho, recebendo auxílio financeiro da facção e sendo alvo de interesse de integrantes de outra organização criminosa, que buscariam uma aproximação para possíveis articulações. As autoridades também chamam atenção para a estrutura mantida pelo preso. Segundo os documentos, ele possui cinco advogados ativos cadastrados para atendimento e outros 22 profissionais inativos, estrutura considerada incompatível com sua condição de encarcerado e que, na avaliação dos órgãos de inteligência, pode indicar o uso de recursos provenientes da chamada “caixinha do CV”. Temor de fortalecimento do tráfico no Dona Marta e Tabajaras A Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que as comunidades do Dona Marta, Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos ainda convivem com os efeitos da influência atribuída a Ronaldinho Tabajara e afirmam que essas localidades “não experimentaram momentos de paz” desde sua ascensão ao poder paralelo. Para as autoridades, a transferência do criminoso para uma unidade prisional do Rio de Janeiro poderia facilitar a comunicação com comparsas, fortalecer ainda mais sua liderança e potencializar conflitos armados em comunidades da Zona Sul. Por esse motivo, a Justiça renovou sua permanência em penitenciária federal de segurança máxima. O entendimento dos órgãos de segurança é que mantê-lo distante do Estado dificulta a emissão de ordens criminosas e contribui para o enfraquecimento da estrutura do Comando Vermelho nas áreas em que ele é apontado como uma de suas principais referências. Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) realizam, nesta manhã, uma operação no Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio, para cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho que atuam na região. A ação é resultado de um trabalho de inteligência e investigação desenvolvido pela DRE-CAP ao longo de 22 meses, que permitiu identificar alvos estratégicos ligados à estrutura e à logística da organização criminosa. As diligências possibilitaram, ainda, identificar a liderança responsável pela administração das atividades criminosas desenvolvidas no Morro Dona Marta, incluindo a coordenação da logística do tráfico de drogas, a distribuição de funções entre integrantes da facção e a manutenção do domínio territorial armado na localidade. A operação conta com apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC). A ação faz parte da “Operação Contenção”, uma ofensiva estratégica do Governo do

O império do medo de Doca: como o CV dominava a Gardênia Azul”

As investigações da Delegacia de Homicídios revelam que a chegada do Comando Vermelho à Gardênia Azul, em 2023, foi sustentada por uma complexa estrutura de guerra comandada pelo traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, apontado como um dos chefes do tráfico no Complexo da Penha. Segundo os autos, ele fornecia homens, armas, drogas e apoio logístico para garantir a conquista e a manutenção do controle criminoso da comunidade. De acordo com as investigações, Doca e seu braço direito, Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, coordenavam à distância as ações na Gardênia Azul. A dupla abastecia os criminosos com armamentos, soldados e recursos financeiros, além de autorizar execuções e repassar ordens às lideranças que atuavam diretamente na região. Na linha de frente estavam Philip Motta Pereira, o “Lesk” ou “CR7”, Francisco Glauber Costa de Oliveira, o “GL”, e Luís Paulo Aragão Furtado, o “Vin Diesel”, responsáveis por colocar em prática as determinações vindas da Penha. Já Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o “BMW”, atuava como um dos principais homens de guerra da organização, sendo apontado como peça importante na ofensiva que permitiu ao Comando Vermelho se estabelecer na Zona Oeste. As investigações mostram que a Cidade de Deus e o Complexo da Penha funcionavam como bases de apoio para a guerra travada em Jacarepaguá. Armas, munições, drogas e traficantes eram transportados entre as comunidades por uma rede logística estruturada. Um dos colaboradores ouvidos pela polícia relatou que carros eram usados exclusivamente para levar soldados, armamentos e entorpecentes entre a Penha, a Cidade de Deus e a Gardênia Azul. Segundo a apuração, a organização criminosa possuía divisão de tarefas. Enquanto Doca e Gardenal comandavam a ofensiva, “GL”, “Lesk” e “Vin Diesel”, antigos milicianos da região que migraram para o Comando Vermelho, aproveitavam o conhecimento da área para identificar alvos, organizar ataques e facilitar a expansão da facção. A polícia afirma que, durante a guerra pela Gardênia Azul, diversos assassinatos foram praticados contra pessoas acusadas de serem “X9”, informantes da polícia ou ligadas à milícia rival. Investigadores relataram ainda que integrantes da organização utilizavam redes sociais para divulgar ameaças e mortes, numa espécie de campanha de intimidação destinada a espalhar medo entre os moradores e consolidar o domínio do grupo. Além do tráfico de drogas, a quadrilha é acusada de envolvimento em homicídios, porte ilegal de armas, receptação e até na exploração da venda clandestina de botijões de gás. Os lucros obtidos com as atividades ilícitas na Gardênia Azul eram repartidos com a cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha, reforçando a importância estratégica da comunidade para a facção. Depoimentos de policiais que participaram das investigações apontam que a aliança entre antigos milicianos da Gardênia Azul e o Comando Vermelho surgiu depois que grupos expulsos da região tentaram obter apoio do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o “Zinho”. Como o chefe da milícia estava envolvido em outros conflitos na Zona Oeste, o auxílio acabou vindo de Doca e Gardenal, que passaram a fornecer armas, homens e estrutura para a retomada do território. A partir daí, antigos milicianos migraram para o Comando Vermelho e passaram a integrar a facção. Três anos depois, muitos dos personagens centrais daquela guerra já estão mortos. Entre eles estão Philip Motta Pereira, o “Lesk” ou “CR7”, e Luís Paulo Aragão Furtado, o “Vin Diesel”, apontados nas investigações como líderes locais da organização. Outros integrantes foram presos ou respondem a processos na Justiça. A guerra que marcou a tomada da Gardênia Azul deixou dezenas de mortos e acabou consumindo vários dos próprios homens que ajudaram a construir o domínio do Comando Vermelho na comunidade, transformando de forma definitiva o cenário criminal da região. Além do tráfico de drogas e da guerra pela expansão territorial, as investigações apontam que a quadrilha comandada por Doca diversificava suas fontes de renda. Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização era responsável por crimes como receptação e pela exploração da venda de botijões de gás na Gardênia Azul. Um dos homicídios investigados pela Delegacia de Homicídios teria sido motivado justamente por disputas relacionadas a essa atividade. Os lucros obtidos na comunidade eram repartidos com a cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha, reforçando a importância estratégica da região para a facção.

Bandido que foi morto em ‘tribunal do CV’ na Penha teve que deixar favela após matar ex-namorada. Ele comandou esquema que misturava tráfico, roubos de carga e extorsão no Rio; investigação aponta cobrança de até R$ 10 mil a comerciantes

Segundo documento de investigação que a reportagem teve acesso, o traficante Dalton Vieira Santana, o DT, que foi morto em um suposto tribunal do tráfico do Comando Vermelho neste fim de semana, teve que deixar a Favela Kelsons, na Penha, depois do assassinato da sua ex-namorada Bianca Lourenço, de 24 anos, em 2021.Quem assumiu no seu lugar foi um bandido conhecido como Maçã, que acabaria morto anos depois também em um ‘tribunal do tráfico’.DT foi o responsável pela estruturação do esquema que continuou operando com outros nomes à frente da facção O modelo operacional do grupo era baseado na integração entre tráfico de drogas, roubo de cargas e extorsão de comerciantes. De acordo com os depoimentos colhidos, ele exercia papel de comando, determinando ações do grupo e influenciando diretamente a dinâmica criminosa na região.outros nomes à frente da facção. Mesmo após sua saída, a investigação sustenta que o modelo criminoso por ele associado permaneceu ativo, com divisão de funções entre traficantes, executores de roubos, receptadores e operadores logísticos responsáveis pelo escoamento de cargas roubadas. ESQUEMA NO MERCADO SÃO SEBASTIÃO: ARROMBAMENTOS, CAMINHÕES E EXTORSÃO EM SÉRIE O núcleo mais detalhado do esquema descrito nos autos envolve o entorno do Mercado São Sebastião e empresas próximas, onde comerciantes passaram a relatar uma sequência de arrombamentos seguidos de cobranças extorsivas. Uma das testemunhas afirmou que o padrão criminoso começava com um ataque de grande impacto: galpões e lojas eram arrombados durante a madrugada, com quebra de paredes, portas e sistemas de segurança. Em um dos casos, foi relatado que os criminosos subtraíram praticamente todo o estoque de uma empresa, causando prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil, além de danificar estrutura física do local. Logo após esses ataques, segundo os depoimentos, começavam as ligações telefônicas com exigências de pagamento. As primeiras cobranças chegaram a cerca de R$ 10 mil, apresentadas como condição para que os comerciantes pudessem “trabalhar em paz” na região. Com a negativa das vítimas, os valores passaram a ser reduzidos gradualmente durante as conversas, até chegar em torno de R$ 2 mil mensais, valor que seria pago de forma recorrente para evitar novos roubos e invasões. As testemunhas relataram que não se tratava de uma cobrança única, mas de um sistema contínuo de pressão: os criminosos ligavam diversas vezes, insistindo na “negociação”, alternando ameaças e promessas de cessar os ataques caso o pagamento fosse aceito. Em alguns relatos, as vítimas afirmaram que não chegaram a efetuar pagamento, mas que as ligações tiveram efeito imediato no funcionamento dos estabelecimentos, levando comerciantes a: fechar lojas mais cedo por medo de novos ataques; reforçar segurança privada; reduzir circulação de mercadorias;suspender atividades temporariamente após os episódios. DINÂMICA DOS ROUBOS: CAMINHÕES, VAN E TRANSPORTE PARA DENTRO DA KELSON Além das extorsões, os depoimentos descrevem a logística dos roubos de carga como parte essencial do esquema. Segundo testemunhas e policiais, os crimes ocorriam principalmente na Avenida Brasil, onde caminhões, vans e veículos de carga eram interceptados por criminosos armados. Após a subtração, os veículos eram direcionados para dentro da Comunidade da Kelson. Em um dos relatos, foi mencionado o uso de dois caminhões, uma van e diversas motos para transportar mercadorias roubadas de um grande galpão. Após o arrombamento, os veículos teriam seguido em direção à comunidade, conforme identificado por marcas de pneus e análise de imagens de câmeras de segurança. Dentro da Kelson, os caminhões eram descarregados e as mercadorias imediatamente distribuídas entre integrantes do grupo, que participavam do escoamento, separação e ocultação dos produtos roubados. As investigações apontam que esse fluxo era recorrente, com múltiplos episódios semelhantes na mesma região, envolvendo desde alimentos e ferramentas até grandes volumes de mercadorias de alto valor. EXTORSÃO COMO “SEGUNDA FASE” DO CRIME O ponto central destacado nos depoimentos é que a extorsão não ocorria de forma isolada, mas como continuação direta dos roubos. Segundo uma das testemunhas, o padrão era sempre o mesmo: Primeiro vinha o roubo ou arrombamento com grande prejuízo;Em seguida, surgiam os contatos telefônicos;Os criminosos apresentavam a cobrança como forma de “evitar novos ataques”;O valor era inicialmente alto e depois reduzido para parecer uma negociação. Uma das falas resumiu a dinâmica como uma estratégia de intimidação progressiva: o grupo causava o dano e depois oferecia a solução mediante pagamento mensal. CONTEXTO GERAL DO ESQUEMA A investigação aponta que a Comunidade da Kelson funcionava como base territorial de uma organização criminosa voltada simultaneamente para tráfico de drogas, roubo de cargas e extorsão de comerciantes. A estrutura incluía líderes, operadores de rua, responsáveis pelo transporte de cargas, vigilância armada e receptadores. Depoimentos também indicam a utilização de rádios transmissores para comunicação interna e controle da movimentação de veículos na região. O conjunto de provas reunido — incluindo depoimentos de policiais civis, militares e testemunhas civis — foi considerado convergente no sentido de demonstrar a existência de uma organização criminosa estável, com atuação contínua e divisão de tarefas, tendo Dalton como uma das figuras centrais da estrutura original.

Granada, sangue e um vulto armado: policiais da Core revelam bastidores da operação do Jacarezinho (CV). Confronto terminou com 28 mortos

Antes mesmo do sol nascer completamente sobre o Jacarezinho, o som dos helicópteros já cobria a comunidade. Eram pouco mais de cinco horas da manhã quando o barulho das aeronaves se misturou ao estampido dos tiros. O que viria nas horas seguintes entraria para a história como uma das operações mais letais já realizadas pela polícia no Rio de Janeiro que terminou com 28 mortos. Cinco anos depois, os bastidores daquela manhã de 6 de maio de 2021 voltaram a ser reconstruídos em detalhes na Justiça. Os policiais civis Douglas Siqueira e Anderson Silveira Pereira, ambos da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), prestaram depoimentos minuciosos sobre a sequência de acontecimentos que terminou na morte de Omar dentro de uma residência da comunidade. Os dois irão a júri popular pela morte de um suspeito. As declarações descrevem uma operação em clima de guerra, com tiroteios ininterruptos, policiais feridos, um agente morto, disparos partindo de diferentes direções e a tensão permanente de entrar em vielas estreitas sem saber de onde viria o próximo ataque. “Tinha tiro por toda a favela” Comissário da Polícia Civil e integrante da Core há 13 anos, Anderson Silveira Pereira contou que participou de mais de mil operações semelhantes, mas classificou o Jacarezinho como um dos ambientes mais hostis que já enfrentou. Segundo ele, os confrontos aconteciam praticamente em todos os setores da comunidade. — Estava tendo tiroteio a todo momento por toda a favela. Parava um pouco e começava de novo. Era intenso — relatou. Em determinado momento, as equipes receberam a notícia de que um policial havia sido baleado. Somente depois souberam que o colega havia morrido. Mesmo assim, segundo Anderson, não houve qualquer movimento de vingança. — Não surgiu nos grupos nenhuma conversa de retaliação. Ficamos sabendo da morte dele quando já estávamos socorrendo outro ferido. Os policiais avançavam em progressão tática, cobrindo uns aos outros. O cenário era considerado extremamente perigoso. O terreno acidentado, os becos estreitos e a possibilidade de disparos vindos de lajes faziam com que cada deslocamento fosse feito lentamente. O rastro de sangue Em determinado momento da operação, Anderson encontrou a equipe comandada por Douglas Siqueira. Os dois seguiam por um dos becos quando perceberam marcas de sangue espalhadas pelo chão. As gotas se estendiam pela viela e continuavam escada acima. — Pensamos: “Tem algum baleado que entrou aqui” — relatou Anderson. Ao chegarem diante de uma porta preta, Douglas entrou primeiro. Uma mulher apareceu. Segundo os policiais, ela confirmou que havia uma pessoa baleada dentro do imóvel. Os agentes retiraram os moradores e iniciaram uma entrada tática. Douglas seguia à frente. Anderson vinha logo atrás, praticamente ombro a ombro, mas ligeiramente recuado, a uma distância de cerca de um braço. O espaço era apertado. — Era tudo muito pequeno. Um barraco. A cozinha já ficava colada no quarto — descreveu. O instante decisivo Segundo Anderson, eles ainda não haviam conseguido visualizar ninguém. A única pista era o sangue. Douglas avançou em direção a um dos quartos enquanto Anderson permanecia na posição de cobertura, voltado para a cozinha. Foi então que ouviu um barulho. Só mais tarde identificaria aquele som como sendo o de uma granada. — Quando ouvi, virei automaticamente. Segundo o policial, naquele instante viu a granada rolando na direção dos agentes. E viu também um vulto. — Só vi um vulto segurando uma arma. Era Omar. Anderson contou que não tinha visão completa do cômodo porque Douglas estava na sua frente. — Vi apenas o vulto e o disparo. Segundo ele, tudo aconteceu em frações de segundo. Douglas atirou uma única vez. Omar caiu. “Ele ainda se debatia” Os policiais afirmam que Omar ainda estava vivo. Segundo Anderson, ele continuava gesticulando. A pistola teria caído no chão e estava ao alcance da mão do suspeito. Os agentes então recolheram a arma. Mais tarde, segundo eles, verificaram que a pistola possuía um kit rajada. Ao mesmo tempo, chamaram o esquadrão antibombas para recolher o explosivo. Mesmo em meio ao confronto externo, os policiais decidiram socorrer Omar imediatamente. — Era melhor levar até o blindado do que esperar o socorro chegar. Sem maca e sem espaço para manobras, os agentes improvisaram. Pegaram um lençol ou cobertor e suspenderam o ferido. As escadas estreitas dificultavam a remoção. — Era da forma que dava. Não arrastamos pelo chão. Segundo Anderson, a descida foi lenta porque o tiroteio continuava. — Parava um pouco e voltava. A progressão até o blindado foi difícil. O caveirão estava do lado de fora, já que era impossível sua entrada na viela. “Jacarezinho foi a única favela onde tomei tiro” Ao longo do depoimento, Anderson afirmou que perdeu dois amigos em operações no Jacarezinho e revelou que aquela foi a única comunidade em que acabou atingido por disparos ao longo da carreira. — É uma das piores. Ele contou que já participou de mais de mil operações e continua lotado na Core. A outra versão Dentro da residência, porém, os moradores contam uma história completamente diferente. Segundo eles, Omar havia chegado cerca de meia hora antes. Ferido no pé, sangrando muito, sem camisa e vestindo apenas uma bermuda tactel, ele pedia ajuda. O sangue espalhou-se pela escada, pela sala e pelo quarto da criança. Moradores dizem que ele recebeu um pano para estancar o ferimento e se deitou em uma cama. Ninguém afirma ter visto arma. Ninguém afirma ter visto granada. Todos descrevem um homem desesperado e debilitado. “Cadê a arma?” Os moradores relatam que ouviram os passos dos policiais subindo a escada. Flávia, dona da casa, teria descido para avisar: — Tem um menino baleado aqui, mas tem criança em casa. Segundo ela, o policial passou por ela e entrou. Seu marido gritou: — Morador, estou com criança! A resposta teria sido: — Sai, sai. Na sequência, testemunhas afirmam ter ouvido o policial gritar: — Cadê a arma? Cadê a arma? E logo depois veio um único disparo. Os moradores afirmam que não ouviram resposta. Nenhum deles diz ter visto Omar armado. Corpos espalhados pela

Traficante que comandava Kelsons e foi acusado de matar namorada caiu no ‘Tribunal do CV’

O traficante Dalton Vieira Santana , o “D da Kelson’s” foi morto no Tribunal do Crime no Complexo da Penha (CV). A ordem teria vindo de Doca, e a motivação teria sido devido a dívidas do traficante com a facção. O corpo foi localizado por policiais militares dentro de um veículo na própria região. De acordo com apurações obtidas pelo reporter Bruno Assunção, DT teria sido o articulador do assalto a uma joalheria localizada na Estrada do Mendanha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O roubo causou um prejuízo estimado em R$ 4 milhões. Na ação, um homem e uma mulher se passaram por clientes interessados na compra de alianças de casamento, apresentaram documentos falsos para entrar no estabelecimento e, já no interior da loja, renderam os proprietários e uma funcionária sob ameaça de arma de fogo. Ainda segundo informações obtidas pela reportagem, após o roubo, DT teria tentado enganar integrantes da cúpula do Comando Vermelho, alegando que um ourives responsável por avaliar as joias ainda não havia contabilizado o valor total do material subtraído. A suspeita é de que parte dos recursos obtidos no crime não teria sido repassada conforme o esperado pela organização criminosa. Dalton ficou conhecido ao ser acusado do assassinato de Bianca Lourenço, de 24 anos,, em 2021, após não aceitar o fim do relacionamento. Segundo relatos da época, Dalton mandou matá-la e jogarcseu corpo na praia dentro de um tonel Em 2021, o juiz Alexandre Abrahão, titular do 3º Tribunal do Júri, decretou a prisão preventiva de Dalton, acusado de envolvimento no assassinato da jovem .O corpo de Bianca só foi reconhecido devido às suas tatuagens. A suposta morte de Dalton, no entanto, ainda não está confirmada oficialmente.

Ex-milicianos que pularam para o CV foram mortos em tiroteio com a PM em Rio das Pedras

Policiais do 18°.BPM prenderam quatro criminosos e apreenderam um adolescente durante ação na comunidade Rio das Pedras. Na ação, foram arrecadados dois fuzis, duas pistolas, munições e granadas caseiras. Três dos presos ficaram feridos e foram socorridos mas não resistiram. Segundo relatos, os três mortos estariam no grupo de quase 20 milicianos que teriam pulado para o Comando Vermelho São eles Farol, Duduzinho e Solteiro.

Com navalha, socos e tiros: investigação revela execução brutal de jovem em área dominada pelo CV. Vítima foi acusada de dedurar traficantes

Uma decisão recente da Justiça manteve presos os acusados de um crime brutal que, apesar de ter ocorrido em 2022, nunca teve grande repercussão. Segundo a investigação, uma jovem foi sequestrada dentro de casa, torturada durante cerca de três horas e executada a tiros por integrantes do Comando Vermelho (CV) em Volta Redonda, após ser acusada de ter acionado a polícia e de espalhar boatos sobre uma suposta mudança de facção envolvendo dois criminosos da comunidade, deixando os bandidos furiosos. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Sthefany Laura Teles Caetano Pereira da Silva vivia sob ameaças no bairro Açude I, área dominada pelo Comando Vermelho. Dias antes do crime, ela havia deixado a residência onde morava e retornou ao local apenas para retirar seus móveis, acompanhada do ex-companheiro Renato e de um freteiro. Por volta das 16h20 do dia 9 de julho de 2022, quatro criminosos chegaram em um Corsa azul. Entre eles estava uma mulher armada com uma navalha. Segundo a acusação, o grupo arrancou Sthefany à força, puxando-a pelos cabelos e carregando-a pelos braços e pernas, enquanto a mulher gritava “piranha” e “vagabunda” e encostava a lâmina em seu pescoço. Renato ainda tentou impedir a ação, mas foi empurrado e ameaçado pelos criminosos. O grupo fugiu levando a vítima e, no caminho, teria recolhido outro integrante que já estava previamente ajustado para participar do crime. Enquanto isso, Renato e o motorista do caminhão saíram em busca da polícia. Equipes da PM fizeram buscas na região, mas não conseguiram localizar os sequestradores. Durante aproximadamente três horas, segundo a denúncia, Sthefany permaneceu sob o domínio dos criminosos. O Ministério Público afirma que ela foi submetida a sessões de tortura, com golpes de navalha, cortes de cabelo, socos, cotoveladas, puxões de cabelo, xingamentos e ameaças. Por volta das 19h37, policiais receberam a informação de que havia um corpo às margens da Rodovia do Contorno, nas proximidades do Alphaville. No local, encontraram Sthefany caída, com múltiplas perfurações pelo corpo, ferimentos no rosto, cabelos presos às mãos e diversos estojos de munição espalhados pela cena do crime. Laudos periciais confirmaram que, além de ter sido morta a tiros, a jovem apresentava inúmeras lesões cortantes compatíveis com os golpes de navalha descritos pela investigação. Segundo o Ministério Público, o assassinato foi uma espécie de “tribunal do tráfico”. A vítima era acusada pelos criminosos de ter levado policiais à comunidade dias antes e de espalhar comentários sobre uma suposta mudança de facção envolvendo Patrick, conhecido como “PK”, e Lucas. Mensagens extraídas do celular da vítima, com autorização judicial, mostraram que ela vinha sofrendo ameaças. Em um dos áudios atribuídos a Lucas, enviado dias antes do assassinato, ele teria advertido: “Quem avisa amigo é. Estou te dando só um papo. Por enquanto é só um papo mesmo”. Horas antes do homicidio, ele teria ameaçado a vítima: “”E aí doidona, tu para de ficar mandando mensagem para minha mãe hein doidona. Se não tu vai arrumar problema para você hein garota. Tu não me conhece não garota, não fica nessa não rapá. Preocupando a família dos outros falando merda nada hein doidona? As investigações também revelaram que um dos acusados usava tornozeleira eletrônica e que os registros de geolocalização obtidos pela Seap são compatíveis com a dinâmica do crime. Após ser preso, um dos denunciados confessou participação no sequestro e na execução e identificou os demais envolvidos, segundo os autos. Ao pedir a manutenção das prisões, o Ministério Público destacou a extrema gravidade dos fatos e afirmou que os acusados agiram como representantes do Comando Vermelho, submetendo a vítima a um verdadeiro “tribunal de exceção” imposto pela facção criminosa que domina a comunidade do Açude I. A Promotoria também sustentou que a liberdade dos denunciados colocaria em risco testemunhas fundamentais do processo e poderia favorecer a prática de novos atos violentos na região.

Ex-miliciano expulso que foi para o CV é acusado de homicídio e de planejar morte de PM na Zona Oeste do Rio

Um homem apontado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como ex-integrante de milícia, expulso do grupo após conflitos internos e posteriormente ligado ao Comando Vermelho (CV), é investigado por envolvimento em um homicídio e por suposto planejamento da morte de um policial militar na Zona Oeste do Rio. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e motivou pedido de quebra de sigilo telefônico e telemático, incluindo dados de geolocalização por Estações Rádio Base (ERBs), para reconstrução da dinâmica do crime. Segundo a representação enviada à Justiça, o homicídio ocorreu no dia 22/03/2026, no interior de uma residência e oficina localizada no bairro de Cosmos, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A vítima, identificada como Cláudio Marcelo, foi executada por disparos de arma de fogo. A dinâmica inicial apurada aponta que um veículo Fiat Argo de cor cinza-chumbo chegou ao local, momento em que ao menos três indivíduos participaram da ação criminosa. Um dos ocupantes desembarcou e efetuou os disparos, enquanto os demais deram apoio na fuga, que ocorreu com o atirador entrando no banco traseiro do veículo. As diligências e depoimentos colhidos pela investigação indicam como principal suspeito o nacional identificado como Gustavo, que teria histórico de atuação em milícia na região. De acordo com os autos, Gustavo teria sido expulso do bairro por integrantes da organização criminosa local após desavenças financeiras e envolvimento em golpes contra moradores. Após esse rompimento, ele teria passado a se aproximar da facção criminosa Comando Vermelho (CV), passando a circular armado com fuzis e a atuar em incursões e extorsões na região. Ainda segundo testemunhas ouvidas, no período dos fatos, o investigado teria retornado ao bairro com o objetivo inicial de executar um policial militar com quem mantinha desavenças antigas. O alvo principal, no entanto, não foi localizado. Na sequência, a vítima Cláudio Marcelo teria sido identificada como estando sozinha no local do crime, após publicar em status de aplicativo de mensagens que se encontrava em casa. Diante disso, o investigado teria se dirigido ao endereço e consumado o homicídio. A autoria é reforçada, segundo a investigação, por elementos adicionais, incluindo uma suposta confissão informal registrada em áudio de visualização única enviado à testemunha Edson. No conteúdo, o investigado teria dito: “Viu o que eu fiz com o seu amigo, eu quero o dinheiro”. A investigação também aponta que o caso não se limita ao homicídio, mas integra um contexto mais amplo de atuação criminosa envolvendo disputas locais, histórico de expulsão de grupos paramilitares e posterior associação com facção criminosa. No pedido judicial, a Polícia Civil afirma que a apuração precisa agora ser complementada por prova técnica, especialmente para confirmar a presença do investigado e de eventuais comparsas na cena do crime, bem como delimitar o perímetro percorrido pelo grupo antes, durante e após a execução. Por isso, foi solicitada a quebra do sigilo de dados telefônicos e telemáticos do número atribuído ao investigado, com a obtenção de dados cadastrais, histórico de chamadas, IMEI, IMSI e registros de ERB. O pedido abrange o período das 06h00 às 23h59 do dia 22/03/2026, intervalo considerado suficiente para cobrir a fase de preparação, execução e fuga do crime. Segundo a representação, a medida é necessária diante da volatilidade dos dados telemáticos e do risco de perda de informações junto às operadoras, além do fato de o investigado permanecer foragido e supostamente vinculado a grupo criminoso armado. A Polícia Civil destaca ainda que o conjunto de elementos reunidos — incluindo depoimentos, histórico de conflitos, informações de investigação e o áudio atribuído ao investigado — indica a necessidade de aprofundamento técnico da apuração. O pedido foi fundamentado no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, na Lei nº 9.296/1996 e na Lei nº 12.830/2013, além de entendimento consolidado dos tribunais superiores sobre a utilização de dados de ERB como meio de prova em crimes graves. O caso segue em análise pela Justiça do Rio de Janeiro.

MILICIANO DIZ EM ÁUDIO QUE BUSCOU APOIO DO CV PORQUE QUERIAM COLOCAR TCP EM RIO DAS PEDRAS MAS AFIRMOU QUE CONTINUA NO GRUPO PARAMILITAR E COBRANDO TAXAS

Circula nas redes sociais um áudio atribuído a um criminoso conhecido como Kauan, apontado como integrante da milícia de Rio das Pedras e suspeito de participação na atual escalada de violência na comunidade. Na gravação, ele afirma ter buscado apoio do Comando Vermelho (CV) após um suposto movimento interno da milícia para se alinhar ao Terceiro Comando Puro (TCP), mas nega ter deixado completamente a estrutura miliciana. No áudio, o homem diz que a decisão de procurar apoio do CV teria sido motivada por divergências internas, especialmente pela tentativa de aproximação da milícia com o TCP dentro da comunidade. Ao mesmo tempo, ele afirma que continua atuando em Rio das Pedras e reforça que ainda se considera integrante da milícia, indicando um cenário de ruptura parcial e conflito interno entre os próprios grupos armados. Segundo o conteúdo da gravação, há relatos de que integrantes da milícia estariam se dividindo após mudanças de alinhamento e disputas de poder. Em meio a esse cenário, circulam informações extraoficiais de que ao menos 19 criminosos teriam deixado o grupo paramilitar nos últimos dias, migrando para o Comando Vermelho. O homem também afirma que a intenção seria conter a escalada de violência na comunidade, alegando que a disputa entre grupos rivais estaria atingindo moradores inocentes. Ainda assim, a gravação revela contradições, já que ele admite a continuidade de práticas de controle territorial e cobrança de valores ilegais na região. “Quem tiver pagando para os caras, a gente vai pegar”, diz o suposto criminoso no áudio, em referência à disputa pelo controle das cobranças na comunidade. Em outro trecho, ele afirma que moradores não deveriam mais pagar taxas a antigos operadores do esquema. Segundo relatos atribuídos ao mesmo áudio, a cobrança de valores continuaria, incluindo serviços como internet e outras taxas impostas a moradores, agora sob nova configuração de poder dentro da comunidade. Ele disse que tem que pagar na sua mão. Uma outra versão que circula, no entanto, é que Kauan teria cometido um vacilo dentro da comunidade (supostamente matado dois inocentes) e iria ser cobrado por conta disso. Para não sofrer punições, ele pulou para o CV, abandonando o próprio irmão Gerlan que está preso e continuaria na milícia. Circulam fortes rumores de que Kauan estava jurado de morte e seria executado assim que caísse no tribunal. Seu irmão Gerlan, que está preso, seria o responsável por defendê-lo. Apesar do desentendimento com outros milicianos que teria motivado Kauan a pular, não há atrito direto entre ele e o irmão. No entanto, a situação pode gerar um racha dentro da cadeia: Gerlan pode ser pressionado a abandonar a milícia para fica do lado do irmão, correndo o risco de ser morto na prisão por “fechar” com Kauan. Outra possibilidade é uma guerra interna entre a família, caso Gerlan decida continuar na milícia. Milicianos já estariam em contato com Gerlan, e existe a possibilidade de que outros membros da milícia também pulem caso Gerlan mude de bandeira dentro do sistema prisional. Escutem o áudio https://twitter.com/bnn_oficiall/status/2068117956098240556/video/1 INFLUENCIA DA FACÇÃO De acordo com o jornalista Bruno Assunção, parte de Rio das Pedras já estaria sob influência do Comando Vermelho após um racha interno na milícia que historicamente domina a região. De um lado, estaria um grupo alinhado ao CV, supostamente ligado a Kauan. Do outro, permanece uma ala associada ao TCP, com lideranças criminosas conhecidas como Taillon e Macaquinho. Em meio à disputa, Rio das Pedras voltou a registrar uma sequência de confrontos armados, com intensos tiroteios e episódios de violência em dias consecutivos. Considerada o principal reduto da milícia na Zona Sudoeste, a comunidade enfrenta uma escalada da guerra pelo controle territorial. O Comando Vermelho já exerce influência sobre comunidades estratégicas do entorno, como Cidade de Deus, Gardênia Azul, Muzema, Morro do Banco e Tijuquinha. O avanço tem como objetivo consolidar um corredor territorial na Zona Oeste do Rio, ampliando o domínio sobre áreas de circulação e atividades econômicas ilegais. NOVAS EXTORSÕES Moradores também relatam o surgimento de novas formas de extorsão durante a disputa. Entre elas, a chamada “taxa da caixa d’água”, em que criminosos monitorariam residências para contabilizar o número de reservatórios e cobrar valores por unidade. Segundo relatos, o controle seria feito com uso de drones e observação de pontos altos das comunidades, com cobrança estimada em R$ 50 por caixa. Além disso, moradores afirmam que seguem submetidos a cobranças por serviços como energia, água, gás e internet, em um cenário de vigilância constante, intimidação e pressão econômica exercida por grupos armados. Em meio ao conflito, circulam ainda mensagens indicando possível retaliação contra integrantes da milícia. Publicações atribuídas ao Comando Vermelho afirmam que adversários estão sendo monitorados com uso de drones e vigilância contínua. Na última quinta-feira, um homem apontado como cobrador da milícia, identificado como Bryan, foi baleado no Anil e morreu. Mesmo sob pressão, a milícia também tenta reagir e manter articulação. Um print que circulou nas redes sociais mostra supostos integrantes do grupo, incluindo lideranças presas em Bangu 9 — a Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó — participando de uma chamada de vídeo com aliados em liberdade. A imagem, posteriormente apagada, indica segundo relatos que a comunicação entre lideranças presas e membros em atuação nas comunidades continua ativa. A unidade é considerada de segurança máxima e abriga, em tese, presos sem vínculo com facções criminosas, além de milicianos e ex-agentes de segurança.

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