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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Marcado para morrer: homem foi atraído por ex, caiu em emboscada e sofreu horas de tortura no Caramujo (CV), em Niterói. Era acusado de ser informante da polícia

Um encontro marcado para “acertar o relacionamento” terminou em uma noite de terror em Niterói. Um homem foi atraído pela ex-companheira para uma pizzaria, mas, segundo as investigações, tudo não passava de uma armadilha para entregá-lo a traficantes do Complexo do Caramujo, que o acusavam de ser informante da polícia. O caso aconteceu na noite de 14 de janeiro de 2026. Ao chegar ao local combinado, a vítima foi surpreendida por diversos homens armados, que a cercaram, revistaram e a levaram sob grave ameaça até o interior da comunidade. De acordo com a denúncia, o homem foi mantido sob o poder dos criminosos por horas, sendo submetido a uma sequência de agressões físicas — com socos, tapas e até golpes com arma de fogo — além de intenso terror psicológico. Durante todo o tempo, ele teria sido acusado de colaborar com a polícia, ameaçado de morte e pressionado sob violência constante. A vítima só foi liberada por volta das 4h30 da madrugada, após ser expulsa da comunidade sob ameaças. O Ministério Público denunciou cinco suspeitos de participação no crime. Entre eles, está um homem apontado como liderança do tráfico local, que teria coordenado toda a ação e foi reconhecido pela vítima. Os demais denunciados são descritos como integrantes do grupo armado, responsáveis por agressões, vigilância e intimidação. Segundo as investigações, um dos acusados participou diretamente das agressões físicas, enquanto outros atuaram na condução da vítima, na revista e na coação armada durante todo o período em que ela permaneceu sob domínio do grupo. O laudo de exame de corpo de delito confirmou que a vítima sofreu lesões provocadas por ação contundente, reforçando os relatos de violência. Para o Ministério Público, o caso evidencia o cenário de controle imposto por traficantes na região. Segundo a acusação, o grupo exerce poder paralelo no Complexo do Caramujo, impondo regras próprias, aplicando punições e expulsando moradores, em uma dinâmica que, na prática, desafia a autoridade do Estado.

Fraude em CAC é ligada a esquema que abasteceria traficantes do Salgueiro (CV) com fuzis, aponta investigação”

Uma investigação sobre fraudes no Fundo Nacional de Saúde revelou um suposto esquema de obtenção ilegal de registros de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) que estaria sendo utilizado para abastecer traficantes do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, com armamento pesado. De acordo com as apurações, o investigado que teria fraudado o processo para obter o certificado também é apontado por envolvimento com o tráfico de drogas na região. A suspeita das autoridades é de que o registro irregular funcionava como facilitador para a compra e circulação de armas, incluindo fuzis. Diante dos indícios, a investigação foi desmembrada. A parte relacionada à fraude na emissão de certificados de CAC — por envolver possível afronta a interesses da União e do Exército Brasileiro — segue sob responsabilidade da Justiça Federal. Já a apuração sobre a ligação do suspeito com o tráfico no Complexo do Salgueiro foi encaminhada à Justiça Estadual. Segundo elementos reunidos pela polícia, há indícios de que o investigado mantinha contato direto com lideranças do tráfico na comunidade, considerada uma das principais áreas de atuação do Comando Vermelho em São Gonçalo. Entre os nomes citados está o de um traficante conhecido como “Jogador”, apontado como figura de destaque na região. Material obtido na investigação indicaria que o suspeito teria negociado armas com ele, incluindo armamento de alto poder, como fuzis. As apurações também identificaram contatos com outro criminoso, conhecido como “B”, com quem teriam sido discutidos temas como tráfico de drogas, homicídios e comércio ilegal de armas. Diante do avanço do caso, o Ministério Público Estadual solicitou a prisão temporária dos envolvidos. A Justiça, no entanto, entendeu que ainda é necessário aprofundar as investigações, destacando a importância de individualizar de forma detalhada a conduta de cada suspeito. O caso expõe, segundo a linha investigativa, uma possível conexão entre fraudes documentais e o fortalecimento do poder bélico de organizações criminosas que atuam na Região Metropolitana do Rio.

“ELO DO CRIME: investigação aponta traficante do CV do Mato Grosso que estava escondido na Rocinha com apoio da cúpula”

Uma investigação revela a existência de uma conexão direta entre traficantes do Comando Vermelho no Mato Grosso e integrantes da facção que atuam na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio — ampliando o alcance interestadual da organização criminosa. Segundo a apuração, antes de ser preso ano passado, o apontado como chefe do CV no Mato Grosso, conhecido como “Tega”, se escondia na comunidade carioca, operando sob a proteção de lideranças locais. As informações indicam que o investigado mantinha vínculos com nomes de alta hierarquia da Rocinha, como Rogério 157 e Johnny Bravo, reforçando a suspeita de integração entre núcleos da facção em diferentes estados. De acordo com a investigação, Tega manteve ativa uma rede de tráfico de drogas e armas entre o Mato Grosso e o Rio de Janeiro, utilizando a estrutura da Rocinha como base de apoio e articulação. Um dos pontos que mais chama atenção foi o uso da própria residência na comunidade como espécie de “abrigo operacional”. Segundo os investigadores, o imóvel era disponibilizado para outros integrantes da organização “em caso de necessidade”, o que levanta a suspeita de que o local funcionasse como esconderijo para foragidos ligados ao grupo criminoso. A atuação do investigado também se estendia ao ambiente digital. Ele utilizava redes sociais com referências explícitas à facção — como a identificação “Rocinha 157” — ao mesmo tempo em que movimentaria valores por meio de contas bancárias em nome de familiares, prática que, segundo a apuração, indica tentativa de ocultação e dissimulação de patrimônio. Apesar de não possuir renda lícita compatível, Tega mantinha bens de alto valor, incluindo um veículo modelo Toyota Corolla Altis, o que, de acordo com os investigadores, reforça os indícios de enriquecimento proveniente da atividade criminosa. Interceptações telefônicas também revelariam o grau de organização do grupo. Em áudios analisados, o investigado afirmou ter “ritmado” áreas estratégicas de Cuiabá, estruturando pontos de venda e sistemas de arrecadação de dinheiro ilícito. Ainda segundo a investigação, ele também atuava oferecendo suporte logístico a criminosos vindos do Mato Grosso, garantindo abrigo e proteção dentro de território dominado pela facção no Rio de Janeiro. Embora os fatos ainda estejam sob análise das autoridades competentes, o material reunido aponta para um modelo de atuação que vai além da criminalidade local, indicando uma engrenagem interestadual estruturada, com base territorial, logística e financeira articuladas entre diferentes regiões do país. Tega é apontado como herdeiro de um dos maiores líderes do CV no Estado., vulgo  WT.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

Cinco mortos: Justiça decreta prisão por ‘tribunal do tráfico’ do CV em São Gonçalo com corpos incendiados em retaliação a arrastão”

A Justiça do Rio decretou, no último dia 25 de março, a prisão preventiva de cinco traficantes ligados ao Comando Vermelho — conhecidos pelos vulgos Du Pente, Cabeça, Ben Ben, Pretinha e Jimmy — apontados em investigações como responsáveis por uma sequência de execuções brutais que deixou ao menos cinco homens mortos e desaparecidos na Região Metropolitana. De acordo com os autos, os corpos das vítimas ainda não foram localizados e teriam sido incendiados numa tentativa de ocultação dos crimes. As investigações indicam que as mortes teriam sido uma retaliação direta do tráfico após as vítimas participarem de um arrastão na rodovia RJ-104, em São Gonçalo — ação que, segundo apurado, não teria sido autorizada pela facção criminosa que domina a região. O caso é investigado no inquérito nº 951-00424/2025, conduzido pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH-NSG), que apura o desaparecimento e as mortes de Davi Mendonça Schinke, João Pedro Ramos Freitas, Thalis da Silva Ferreira Moura e Kaio Luiz da Silva Oliveira, entre os dias 14 e 18 de outubro de 2025, nas comunidades Nova Grécia e Palmeira, áreas sob domínio do Comando Vermelho. Segundo os autos, tudo começou com uma denúncia anônima feita ao Disque-Denúncia, indicando que o corpo de Davi Mendonça estaria na localidade conhecida como “Pedra do Urubu”, na Comunidade da Palmeira, após ter sido executado por traficantes. Com o avanço das investigações, foi constatado que Davi estava desaparecido desde o dia 16 de outubro. Em depoimento, os pais afirmaram que o filho teria sido morto por integrantes do Comando Vermelho como forma de punição pelos roubos ocorridos na RJ-104, nas proximidades da Comunidade Nova Grécia. A apuração revelou ainda o desaparecimento de outros três homens — João Pedro, Thalis e Kaio — que, segundo os autos, também teriam participado do arrastão ocorrido no dia 13 de outubro, sem autorização da liderança do tráfico local. Como resposta, as vítimas teriam sido sequestradas por criminosos da facção. Parte delas teria sido levada para um ponto conhecido como “Campanário”, no alto da Comunidade Nova Grécia. Já Davi e Kaio teriam sido levados para a Comunidade da Palmeira, em Niterói, onde, segundo as investigações, foram executados. Testemunhas afirmaram que as mortes teriam sido ordenadas pelo traficante conhecido como “Cabeça”, identificado, segundo informações do Portal de Segurança do Estado, como alguém com 46 anotações criminais. Ainda conforme os relatos, a execução teria sido realizada pelo traficante “Du Pente”, apontado como “frente” do tráfico na Comunidade da Palmeira. Ele foi reconhecido por testemunhas por meio de mosaico fotográfico. As investigações também indicam que “Ben Ben” e “Pretinha” — esta última apontada como ex-liderança da Comunidade Nova Grécia — teriam participado diretamente da ação, auxiliando na identificação das vítimas e, em um dos casos, mantendo uma delas amarrada até a chegada dos executores. Uma testemunha identificada como Dayana também reconheceu “Ben Ben” e “Pretinha” em procedimento policial. Já o traficante conhecido como “Jimmy” foi apontado como o responsável pelo tráfico na Comunidade Nova Grécia, área onde parte das vítimas desapareceu. Na decisão, a Justiça destacou que os autos revelam uma atuação “extremamente violenta, organizada e reiterada”, com execução de múltiplas vítimas em um contexto de domínio territorial armado, além da tentativa de ocultação de cadáveres por meio de incêndio. Segundo o entendimento judicial, a liberdade dos acusados representaria risco à ordem pública, diante da gravidade dos fatos, da repercussão social e da periculosidade dos investigados. A decisão também aponta que a soltura poderia intimidar testemunhas e comprometer o andamento do processo. O clima de medo, inclusive, já aparece no próprio processo. De acordo com os autos, uma das testemunhas afirmou estar com receio de prestar informações mais detalhadas por viver em área dominada pelo mesmo grupo criminoso, chegando a omitir parte do que sabia por medo de represálias. O caso expõe, segundo a própria investigação, um cenário de violência extrema, com execuções, desaparecimentos e possíveis queimas de corpos, em meio ao controle rígido imposto pelo tráfico sobre territórios da Região Metropolitana do Rio.

Tiro fatal na Barra: Justiça aponta que rapaz morto por causa de discussão de camarote já estava contido no momento do disparo e contesta tese de legítima defesa de PM suspeito

Um relatório da Justiça indica que o homem morto na madrugada da última segunda-feira (13) dentro de um restaurante na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, já estaria contido por frequentadores do local no momento do disparo que o atingiu. A conclusão, segundo os autos, enfraquece a tese de legítima defesa apresentada pelo policial militar apontado como autor do disparo, o PM Milton Lopes dos Santos. De acordo com o processo, a vítima, identificada como Ryan Victor Araújo dos Santos, foi atingida por um disparo de arma de fogo dentro do estabelecimento. Ele chegou a ser socorrido ainda com vida por policiais militares e levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. As investigações iniciais apontam que o caso teve início dentro do restaurante em meio a um desentendimento por disputa de espaço em área reservada (camarote), envolvendo a vítima e outros frequentadores do local. Segundo os autos, o policial militar estava presente no ambiente e teria efetuado o disparo que atingiu Ryan durante o desenrolar da confusão. O relatório judicial descreve que, no interior do restaurante, a vítima passou a apresentar comportamento alterado, possivelmente em razão da ingestão de álcool, envolvendo-se em discussões justamente pela disputa do camarote. A situação, conforme a documentação do processo, evoluiu para agressões físicas. Ainda segundo relatos reunidos nos autos, Ryan teria sido retirado do local por seguranças, mas retornado em seguida de forma agressiva, portando uma garrafa de vidro, com a qual passou a ameaçar e investir contra outras pessoas, ampliando o tumulto no estabelecimento. Para a Justiça, no entanto, esse contexto não afasta a responsabilização do suspeito. O entendimento é de que o disparo não ocorreu em situação de surpresa ou emboscada, mas sim no curso de um conflito já em andamento, relacionado à discussão por espaço no camarote, no qual diversas pessoas tentavam conter a vítima. O juiz responsável pelo caso destacou que, no momento do disparo, a situação já estaria, ao menos em tese, sob controle parcial, com a vítima sendo contida por várias pessoas. Esse ponto, segundo a decisão, enfraquece a tese de legítima defesa apresentada pela defesa. “Isso enfraquece, pelo menos abstratamente, a tese de legítima defesa (ou de estado de necessidade, se se pensar numa brutalidade fática engendrada sem consciência pela vítima, naquele momento, segundo se diz, embriagada)”, registram os autos. Após o ocorrido, o policial militar deixou o local sem prestar socorro à vítima e só se apresentou posteriormente, acompanhado de advogado. Ele teve a prisão temporária decretada no curso das investigações.

DEZ PMs SÃO ACUSADOS DE INVADIR 13 CASAS NA MARÉ; MP RELATA MORADOR NA CAMA, BANHEIRO USADO E SOFÁ OCUPADO”

Dez policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) sob acusação de violação de domicílio durante uma operação no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Segundo a denúncia, a ação teria resultado na invasão de ao menos 13 residências em um único dia. De acordo com os autos, os agentes estavam escalados para atuar pelo BOPE em uma operação conjunta da COE realizada nas comunidades da Nova Holanda e Parque União, no dia 10 de janeiro de 2025. Ainda segundo a acusação, durante a ação, policiais teriam entrado em imóveis sem autorização e, em muitos casos, sem a presença dos moradores. A denúncia descreve um cenário de sucessivas entradas forçadas em residências da região. Em uma das situações, os agentes teriam arrombado a porta de entrada. Em outra, teriam acessado o imóvel após a porta ter sido deixada encostada por outros policiais já presentes na área. Há ainda registros de que, em alguns casos, os PMs teriam utilizado uma chave do tipo “mixa” para abrir portas. O Ministério Público relata que moradores chegaram a ser surpreendidos dentro de suas próprias casas durante a ação, com registros inclusive por câmeras corporais. Em um dos episódios citados, um residente teria sido encontrado deitado em sua cama no momento da entrada dos policiais. A denúncia também aponta situações ainda mais inusitadas durante a operação. Em uma das residências, após a invasão, um policial teria permanecido no interior do imóvel descansando no sofá da sala, mesmo sem a presença dos moradores. Em outro caso, agentes teriam utilizado o banheiro da casa durante a ação. O conjunto de relatos, segundo o Ministério Público, indica um padrão de invasões sucessivas a domicílios durante a operação. Entre os denunciados estão policiais identificados como Pita, Britis, R. Costa, D. Hernandes, R. Martins, Guerreiro Silva e Santiago, entre outros. O MPRJ pede a condenação de todos os envolvidos. A denúncia foi apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), responsável por casos envolvendo atuação policial e possíveis abusos em operações no estado.

Complexo do Alemão seria abrigo de cerca de 20 líderes do CV de Alagoas, aponta relatório da Segurança

Um relatório citado em investigações da Justiça e produzido a partir de informações da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) aponta que cerca de 20 supostas lideranças da facção conhecida como CVRL-AL/RJ estariam escondidas no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A comunidade, segundo o documento, teria se tornado uma espécie de base estratégica de comando remoto do grupo criminoso. Entre os nomes citados, está o de “Nem Catenga” (também identificado como “Jovem”), apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção em Alagoas. De acordo com as informações reunidas no relatório, ele exerceria função de comando à distância, operando a partir do Complexo do Alemão, de onde manteria influência sobre decisões relacionadas às atividades criminosas atribuídas ao grupo no estado. Ainda segundo o mesmo conjunto de informações, outro nome mencionado é o de um homem identificado por diversos vulgos, entre eles “Zé Dirceu”, “Galeguinho”, “Wesley” ou “Alex”, que seria apontado como vice-liderança da organização. Conforme descrito no relatório, ele também estaria na mesma região do Rio de Janeiro e participaria, junto a outros integrantes, da tomada de decisões estratégicas da facção em Alagoas. O documento também cita outros indivíduos apontados como integrantes de liderança, entre eles “Quinzinho” (ou “Fuba”), “Malhado”, “Ninho da Cical”, “Mariano” (ou “Rato”), “Nove Nove” (ou “Rafinha”) e “Tinho”. Parte desses nomes, segundo as forças de segurança, também estaria concentrada no Complexo do Alemão. As investigações da SSP-AL indicam ainda a expansão da atuação do CVRL-AL/RJ em diversas áreas do estado, com presença e influência em comunidades da capital e região metropolitana. Entre os relatos reunidos pelas autoridades, há registros da circulação de armamentos de grosso calibre, incluindo um fuzil que teria sido enviado do Rio de Janeiro para Alagoas sob ordem de lideranças da facção. Segundo essa linha investigativa, o armamento teria chegado inicialmente ao bairro do Clima Bom, na parte alta de Maceió, área apontada como sob influência do grupo. Posteriormente, teria sido redistribuído para a região da Levada, na parte baixa da capital, também citada como área de atuação da organização. O armamento seria associado a disputas territoriais entre grupos rivais em diferentes pontos da cidade. Atualmente, conforme o relatório, o CVRL-AL/RJ é apontado como uma das facções com maior presença em regiões específicas de Alagoas, com influência em áreas da parte baixa de Maceió, incluindo Levada, Brejal, Vergel, conjuntos Virgem dos Pobres e Mutirão, além de pontos no bairro do Clima Bom, em Rio Largo e em áreas do Litoral Norte do estado. O documento também descreve o chamado “berço” da atuação da facção em Alagoas como sendo a região do Vergel do Lago e comunidades adjacentes, como Brejal, Virgem dos Pobres e Mutirão. Segundo relatos mencionados no material investigativo, moradores dessas localidades teriam procurado autoridades policiais para relatar, de forma anônima, situações de violência e a atuação do grupo na região.

RELATO CHOCANTE: MILICIANO TERIA ESPANCADO A IRMÃ E LIBERADO MORTE — absolvição vira alvo do MP”

Um caso cercado por denúncias gravíssimas, falas chocantes e suspeita de atuação de milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro terminou, ao menos por enquanto, com a absolvição do acusado — decisão que agora está sendo contestada pelo Ministério Público, que vê indícios de intimidação e possível erro na análise das provas. O caso ocorreu no ano passasdo. De acordo com os autos, uma testemunha-chave — ex-namorado da vítima — descreveu uma sequência de violência extrema após o fim do relacionamento com a mulher. Segundo ele, após uma discussão em que a ex teria quebrado objetos dentro da residência, ele deixou o local e foi para a casa de um amigo. O que veio depois, segundo o relato, foi uma cena de terror. Minutos depois, a mulher teria chegado acompanhada do irmão e de outros três homens, que o depoente apontou como milicianos e que estariam armados. Assim que chegaram, o irmão teria feito uma ameaça direta e brutal: “Desce daí da residência que a gente vai te colocar na mala e levar” A testemunha afirmou que tentou se explicar, dizendo que não tinha culpa pela situação. Foi nesse momento, segundo ele, que o acusado teria voltado a violência contra a própria irmã. O depoimento descreve agressões com socos, chutes e golpes com arma de fogo — incluindo coronhadas na cabeça. Mesmo após a sequência de violência, o caso teria ficado ainda mais grave. Segundo a testemunha, o acusado colocou a irmã dentro de um carro e saiu do local. Desesperado, com medo de que ela fosse morta, ele decidiu seguir o veículo de motocicleta. Durante o trajeto, ele afirma ter visto a vítima cair do carro. E foi nesse momento que, segundo o depoimento, ouviu uma das frases mais chocantes do caso: “Agora, você pode até matar ela que eu não vou me meter” A testemunha contou que ainda tentou intervir e pediu que o acusado retornasse à casa para que a mulher pegasse seus pertences. Mas, segundo ele, a violência continuou. Ao chegar ao local, o acusado teria sacado novamente a arma e desferido mais coronhadas na irmã, que teria desmaiado. Em seguida, ele fugiu com os demais homens. O depoente afirmou que acionou o pai da vítima, que chamou o SAMU para socorrê-la. Também disse que os supostos comparsas eram conhecidos pelos apelidos de CL, Pimenta e Corolla. Apesar da gravidade das acusações, o caso sofreu uma reviravolta dentro da Justiça. Em juízo, a própria vítima negou completamente a versão apresentada pela testemunha. Ela afirmou que não houve agressões e que tudo não passou de uma discussão sob efeito de álcool. Segundo seu depoimento, ela foi até a residência apenas para buscar seus pertences após o término e foi ela mesma quem ligou para o irmão pedindo ajuda. Disse ainda que ele chegou sozinho, sem armas, e que não houve qualquer ameaça ou violência. A mulher declarou que o irmão não tem qualquer envolvimento com milícia, que não havia outras pessoas no local e que não presenciou nenhuma agressão. Ela também afirmou que passou mal devido à mistura de álcool, energético e problemas de ansiedade, o que teria motivado o acionamento do SAMU. Disse que não desmaiou por agressão, mas por mal-estar, e que foi levada diretamente ao hospital. A vítima ainda declarou que nunca ouviu falar de coronhadas, de tentativa de colocá-la em carro à força ou de qualquer episódio violento, e que desconhece por que essas informações apareceram nos depoimentos de terceiros. Também afirmou que não entendeu a prisão do irmão, já que, segundo ela, ele não cometeu qualquer irregularidade, e disse que a região não possui atuação de milícia. Diante das versões conflitantes, a Justiça decidiu absolver o acusado. Na sentença, o entendimento foi de que não houve comprovação suficiente da existência de organização criminosa nem da participação do réu em milícia. A decisão destacou que os relatos mais graves se basearam em declarações extrajudiciais que não foram confirmadas em juízo, além das contradições apresentadas no processo. Mas o caso está longe de terminar. O Ministério Público recorreu e sustenta que a absolvição ignorou elementos importantes. Segundo o MPRJ, diligências policiais já indicavam que o acusado seria conhecido na região por suposta atuação em milícia, informação que teria sido confirmada por moradores, pelo pai da vítima e inicialmente pelo próprio denunciante. O órgão vai além e faz um alerta central: em áreas com possível influência de milícia, mudanças de versão em juízo podem ocorrer sob pressão e precisam ser analisadas com extremo cuidado. Para o Ministério Público, os depoimentos iniciais, somados a outros elementos de prova, indicam atuação conjunta com homens armados, sendo desnecessária a comprovação completa da estrutura da organização criminosa para caracterização do crime. Diante disso, o MPRJ pede a reversão da absolvição. O caso agora será reavaliado por instâncias superiores e expõe um cenário delicado: de um lado, relatos de violência brutal e frases que chocam; do outro, uma mudança total de versão em juízo — em um contexto onde, segundo o próprio Ministério Público, o medo pode falar mais alto que a verdade.

Justiça manda prender “Naval”, um dos cabeças da maior milícia do RJ, por execução em plena luz do dia

A Justiça do Rio partiu pra cima e decretou, no último dia 10, a prisão preventiva de um dos principais nomes ligados à maior milícia do estado, conhecido como “Naval”, investigado por um homicídio brutal em meio à guerra por território. Um comparsa também teve a prisão decretada. pelo mesmo fato. Segundo os autos, o crime — cujos detalhes como identidade da vítima, data exata e local não foram divulgados — teria ocorrido em plena luz do dia, no estacionamento de um supermercado, com o uso de armas de fogo de uso restrito. A execução, de acordo com a investigação, está inserida no cenário de disputa violenta entre milicianos por domínio de áreas, conflito que vem deixando um rastro de mortes. Naval é apontado pelas investigações como um dos principais “frentes” da organização criminosa, que passou por mudanças recentes no comando. O grupo era liderado por Zinho, atualmente preso, e teve como um de seus nomes fortes Pipito, morto em confronto com a polícia. Após isso, a liderança teria sido assumida por PL, também conhecido como Jorjão, evidenciando a reorganização interna da quadrilha. A decisão judicial destaca que há fortes indícios de autoria, sustentados por imagens de câmeras de monitoramento que teriam registrado a ação. O documento também aponta que o caso não seria isolado, indicando que os investigados possuem histórico criminal, incluindo condenações definitivas, o que reforça o risco de novos crimes. A Justiça ainda cita entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de que a necessidade de frear a atuação de integrantes de organizações criminosas, como milícias, justifica a prisão preventiva para garantia da ordem pública. De acordo com as investigações, o grupo ligado a Naval atua principalmente em Paciência, Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba e Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, além de expandir sua influência para a Baixada Fluminense, como Itaguaí. O caso segue sob investigação, e novas informações podem surgir a qualquer momento.

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