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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

53 investigações e liderança no CV: por que a polícia mantém chefão do Dona Marta longe do Rio

Em meio a operação policial de hoje no Morro Dona Marta, que provocou pânico em Botafogo, deixou um passageiro baleado dentro de um ônibus e deixou turistas que visitavam um mirante em situação difícil, relatórios de inteligência da Polícia Civil, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e manifestações do Ministério Público revelam por que as autoridades defendem a manutenção do chefão da comunidade, Ronaldo Pinto Lima Silva, o “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”, em uma penitenciária federal de segurança máxima, distante do Rio de Janeiro. Apontado nos documentos como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Zona Sul carioca, Ronaldinho é descrito como responsável por exercer influência sobre as comunidades da Ladeira dos Tabajaras, Dona Marta e Morro dos Cabritos. Segundo os relatórios reproduzidos em decisões judiciais, ele tinha poder de decisão sobre a movimentação de criminosos, posicionamento das bocas de fumo, administração financeira do tráfico, compra e venda de drogas e armas e autorização para diversas ações praticadas por integrantes da facção. De acordo com os documentos da inteligência penitenciária, mesmo recolhido em presídios federais, Ronaldinho continua sendo considerado uma peça importante dentro da estrutura do Comando Vermelho e é apontado como um preso de “altíssima periculosidade”. Mais de 53 procedimentos e suspeitas de crimes mesmo preso Os relatórios anexados aos autos indicam que existem mais de 53 procedimentos policiais instaurados para apurar a participação do criminoso em diversos delitos, entre eles homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, receptação, ameaça, corrupção ativa e corrupção de menores. Segundo a Senappen, ele ainda é investigado por supostas ações criminosas praticadas durante o período em que já se encontrava preso. As autoridades afirmam que, mesmo no Sistema Penitenciário Federal, continuou sendo alvo de investigações relacionadas ao exercício de influência sobre áreas sob domínio da facção. Uma das apurações citadas nos documentos é o inquérito que investigou o assassinato de Sandro Paulo Rangel, ocorrido em março de 2022, na localidade conhecida como Beco da Dezenove, na Ladeira dos Tabajaras. Conforme o relatório policial reproduzido na decisão, os executores do crime teriam agido subordinados às lideranças locais e, dentro da hierarquia do Comando Vermelho, ações dessa natureza dependeriam da autorização da principal liderança da região, atribuída a Ronaldinho Tabajara. Mexicano e Coala seriam homens de confiança As investigações apontam que Ronaldinho contava principalmente com dois homens de confiança para administrar os negócios da facção em suas áreas de influência. Segundo os documentos, Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, e Luiz Roberto Pereira do Rosário, o “Coala”, eram descritos pelos investigadores como chefes do tráfico e executores das ordens atribuídas a Ronaldinho Tabajara. Os relatórios afirmam que ambos seriam responsáveis por colocar em prática as determinações relacionadas à movimentação dos criminosos, controle das bocas de fumo e outras atividades do grupo nas comunidades da Zona Sul. Histórico de fuga e problemas dentro do sistema prisional Os documentos também mostram que o histórico atribuído a Ronaldinho Tabajara vai além das acusações ligadas ao tráfico. As autoridades registram que ele possui antecedentes por evasão de unidade prisional estadual, além de um extenso histórico de faltas disciplinares. Conforme o relatório técnico, o preso foi punido por infrações previstas na Lei de Execução Penal, tendo sofrido isolamento disciplinar, suspensão de direitos e rebaixamento para índice comportamental negativo. Ainda segundo o Ministério Público, quando esteve custodiado no sistema prisional do Rio, Ronaldinho integrava as chamadas “comissões do CV”, responsáveis pelo comando dos integrantes da facção dentro das cadeias, e chegou a responder por delitos cometidos durante o período de prisão. Influência mesmo atrás das grades Os relatórios da Senappen afirmam que Ronaldinho permanece exercendo posição de destaque dentro do Comando Vermelho, recebendo auxílio financeiro da facção e sendo alvo de interesse de integrantes de outra organização criminosa, que buscariam uma aproximação para possíveis articulações. As autoridades também chamam atenção para a estrutura mantida pelo preso. Segundo os documentos, ele possui cinco advogados ativos cadastrados para atendimento e outros 22 profissionais inativos, estrutura considerada incompatível com sua condição de encarcerado e que, na avaliação dos órgãos de inteligência, pode indicar o uso de recursos provenientes da chamada “caixinha do CV”. Temor de fortalecimento do tráfico no Dona Marta e Tabajaras A Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que as comunidades do Dona Marta, Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos ainda convivem com os efeitos da influência atribuída a Ronaldinho Tabajara e afirmam que essas localidades “não experimentaram momentos de paz” desde sua ascensão ao poder paralelo. Para as autoridades, a transferência do criminoso para uma unidade prisional do Rio de Janeiro poderia facilitar a comunicação com comparsas, fortalecer ainda mais sua liderança e potencializar conflitos armados em comunidades da Zona Sul. Por esse motivo, a Justiça renovou sua permanência em penitenciária federal de segurança máxima. O entendimento dos órgãos de segurança é que mantê-lo distante do Estado dificulta a emissão de ordens criminosas e contribui para o enfraquecimento da estrutura do Comando Vermelho nas áreas em que ele é apontado como uma de suas principais referências. Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) realizam, nesta manhã, uma operação no Morro Dona Marta, na Zona Sul do Rio, para cumprir dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho que atuam na região. A ação é resultado de um trabalho de inteligência e investigação desenvolvido pela DRE-CAP ao longo de 22 meses, que permitiu identificar alvos estratégicos ligados à estrutura e à logística da organização criminosa. As diligências possibilitaram, ainda, identificar a liderança responsável pela administração das atividades criminosas desenvolvidas no Morro Dona Marta, incluindo a coordenação da logística do tráfico de drogas, a distribuição de funções entre integrantes da facção e a manutenção do domínio territorial armado na localidade. A operação conta com apoio de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC). A ação faz parte da “Operação Contenção”, uma ofensiva estratégica do Governo do

Coronel do Muquiço (TCP) foi preso internado esperando por cirurgia. VIDEO

A PM prendeu hoje o traficante Bruno da Silva Loureiro, o Coronel, que comanda a comunidade do Muquiço, em Deodoro, há mais de duas décadas. Segundo as primeiras informações, Coronel foi localizado em um hospital onde aguardava para uma cirurgia. O bandido se internou sem identificação e vinha sendo monitorado pelos agentes. Veja nota SSI – SUBSECRETARIA DE INTELIGÊNCIA DA POLICIA MILITAR INFORMAÇÃO PRESTA: EQUIPES DA SSI EFETUARAM A PRISAO DE BRUNO DA SILVA LOREIRO, VULGO “CORONEL DO MUQUIÇO”, O MARGINAL ENCONTRAVA-SE INTERNADO NO HOSPITAL RAUL GAZOLA EM ACARI QUANDO FOI ABORDADO POR POLICIAIS DESTA SUBSECRETARIA. A OCORRÊNCIA CONTOU COM O APOIO DO 41° BPMZ QUE ENCONTRA-SE NO LOCAL. Coronel”,é acusado pela morte da jovem de 22 anos, Sther Barroso dos Santos, assassinada após deixar um baile funk na comunidade da Coréia, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio. Investigações da DHC, apuraram que após sair de um baile funk, por volta das 22h, que foi realizado no dia 17 de agosto, ela foi sequestrada pelos outros dois indiciados a mando de “Coronel” e levada, à força, para uma casa dentro da comunidade do Muquiço, onde passou a madrugada de domingo, sendo espancada “brutalmente” pelos dois indiciados, pelo fato de se recusar a sair do evento com chefe do tráfico do Muquiço. Após ser “barbaramente”, espancada pelos seus “algozes”, e totalmente desfigurada, a jovem acabou desfalecendo. Com medo da vítima vir a morrer, os criminosos a levaram à sua casa, na Vila Aliança, no banco de trás de um BYD cor azul, que era conduzido pelo homem conhecido como “Debochado”, com Douglas como carona. A polícia afirma que os dois são seguranças do traficante “Coronel”. Laudo médico, aponta como causas da morte foi uma hemorragia subaracnóidea (vaso sanguíneo inchado que se rompe no cérebro), traumatismo crânio encefálico e politrauma (quando a vítima apresenta múltiplas lesões em diferentes partes do corpo, provocadas por violência intensa). Segundo familiares, a violência foi tamanha que a família precisou pagar cerca de R$ 2 mil para reconstruir o rosto da jovem, para poder ser enterrada. Bruno da Silva Loureiro, acumula diversas anotações criminais por tráfico de drogas, roubo, homicídio, porte ilegal de arma de uso restrito, receptação e lesão corporal. Contra ele, há 12 mandados de prisão pendentes de cumprimento. Segundo a polícia, Bruno também teria sido um dos responsáveis por ordenar o desaparecimento de vítimas e subtração de cadáver. Apontado como figura violenta e de grande influência dentro da facção, Coronel é descrito como alguém que usa a força para impor medo na comunidade. Um dos últimos mandados de prisão preventiva contra Bruno foi em junho do ano passado, por homicídio e organização criminosa. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou o criminoso e mais dois traficantes por participação em uma chacina ocorrida em março de 2021, no Parque de Madureira, Zona Norte do Rio. Segundo a denúncia, eles efetuaram disparos de arma de fogo contra cinco pessoas durante uma partida de futebol. “Coronel” costumava se esconder no Complexo da Maré, na Zona Norte, mas, segundo informações recebidas pelo Disque Denúncia, ele chegou a se esconder na Vila Aliança, que causou insatisfação no traficante Rafael Alves, o “Peixe”, e ainda indicou que outros chefes do tráfico de drogas do TCP, não estariam querendo a presença de “Coronel” em seus redutos, o que faria com que a polícia fizesse constantes operação nas comunidades, para prender o traficante. Coronel determinaria as regras a serem seguidas na comunidade, sob pena de execução daqueles que as descumprirem, também administrando a traficância ilícita e crimes conexos cometidos pelo tráfico local.

Veja qual foi os motivos que levaram os investigadores a levantarem hipótese de tiro que matou empresário não tenha partido de PMs e sim de traficantes

Um documento da Justiça disponível no site do TJ-RJ revela que a investigação sobre a morte do empresário Daniel Patrício em abril na Pavuna passou a ser marcada por uma forte controvérsia sobre a dinâmica do disparo que resultou na morte da vítima, com a abertura de uma linha investigativa alternativa indicando a possibilidade de que o tiro fatal tenha sido efetuado por suspeitos ligados ao tráfico de drogas, e não pelos policiais militares envolvidos na ocorrência. A discussão surgiu a partir de elementos técnicos apresentados no curso do inquérito policial, especialmente após manifestação do perito criminal identificado como “Abrantes”, que apontou a necessidade de uma reavaliação da dinâmica do local do crime. Segundo a interpretação técnica mencionada nos autos, haveria inconsistências na trajetória do projétil e na posição dos envolvidos, o que justificaria a realização de diligências complementares. Entre os pontos analisados está a condição do projétil recolhido, com referência a sinais de oxidação e características de degradação, elementos utilizados como indicativos de que seria necessária uma perícia complementar mais aprofundada para reconstrução da cena. A partir dessa análise, surgiu a hipótese de que o disparo que atingiu a vítima poderia não ter partido da guarnição policial, mas sim de indivíduos posicionados no final da via, supostamente ligados ao tráfico de drogas que atuava na região. Com base nessa linha interpretativa, a autoridade policial responsável pela investigação determinou a realização de novas diligências e chegou a programar uma reprodução simulada dos fatos (RSF), com o objetivo de testar a hipótese alternativa de dinâmica do crime e esclarecer a trajetória do disparo. A iniciativa, no entanto, gerou forte divergência institucional. O Ministério Público se manifestou contrariamente à condução da reprodução simulada naquele momento, afirmando que não havia necessidade da diligência diante da existência de provas audiovisuais, incluindo imagens de câmeras corporais dos policiais envolvidos. O órgão também destacou que a ação penal já estava judicializada, o que exigiria que qualquer nova prova fosse previamente submetida ao Juízo. Além disso, o MP contestou a própria base da nova linha investigativa, afirmando que a hipótese de disparo por terceiros não estaria sustentada por elementos objetivos suficientes nos autos, e que as conclusões preliminares da investigação contrariavam o conjunto probatório já produzido, incluindo declarações dos próprios réus e registros audiovisuais. A Assistência de Acusação também aderiu às críticas, apontando que a autoridade policial estaria conduzindo diligências de forma autônoma mesmo após determinação judicial de remessa do inquérito, além de sustentar que haveria descumprimento de ordens do Juízo e tentativa de manutenção de investigação paralela após a judicialização do caso. Diante do conflito entre as versões e da condução das diligências sem autorização judicial, o Juízo de primeira instância determinou o cancelamento da reprodução simulada dos fatos, além de adotar medidas cautelares mais severas. Entre essas medidas, foi determinado o afastamento cautelar do delegado responsável pela investigação, Robinson Gomes Pereira, bem como do perito mencionado no caso, sob o fundamento de que a condução de diligências paralelas e a adoção de nova linha investigativa sem controle judicial comprometeriam a regularidade do processo e a imparcialidade da instrução probatória. A decisão também determinou comunicação à Corregedoria da Polícia Civil para apuração de eventual descumprimento de decisões judiciais e ordenou a restrição das diligências no inquérito, limitando a atuação policial ao que havia sido produzido até a judicialização da ação penal. O Juízo ressaltou ainda que a reprodução simulada dos fatos não está definitivamente afastada, podendo ser requerida novamente pelas partes em momento processual adequado, desde que de forma formal e sob supervisão judicial. O caso segue em tramitação, com forte divergência entre Ministério Público, defesa e autoridade policial, especialmente quanto à origem do disparo fatal — se decorrente da ação da guarnição policial ou de terceiros armados supostamente ligados ao tráfico de drogas que atuavam na região.

O império do medo de Doca: como o CV dominava a Gardênia Azul”

As investigações da Delegacia de Homicídios revelam que a chegada do Comando Vermelho à Gardênia Azul, em 2023, foi sustentada por uma complexa estrutura de guerra comandada pelo traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”, apontado como um dos chefes do tráfico no Complexo da Penha. Segundo os autos, ele fornecia homens, armas, drogas e apoio logístico para garantir a conquista e a manutenção do controle criminoso da comunidade. De acordo com as investigações, Doca e seu braço direito, Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, coordenavam à distância as ações na Gardênia Azul. A dupla abastecia os criminosos com armamentos, soldados e recursos financeiros, além de autorizar execuções e repassar ordens às lideranças que atuavam diretamente na região. Na linha de frente estavam Philip Motta Pereira, o “Lesk” ou “CR7”, Francisco Glauber Costa de Oliveira, o “GL”, e Luís Paulo Aragão Furtado, o “Vin Diesel”, responsáveis por colocar em prática as determinações vindas da Penha. Já Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o “BMW”, atuava como um dos principais homens de guerra da organização, sendo apontado como peça importante na ofensiva que permitiu ao Comando Vermelho se estabelecer na Zona Oeste. As investigações mostram que a Cidade de Deus e o Complexo da Penha funcionavam como bases de apoio para a guerra travada em Jacarepaguá. Armas, munições, drogas e traficantes eram transportados entre as comunidades por uma rede logística estruturada. Um dos colaboradores ouvidos pela polícia relatou que carros eram usados exclusivamente para levar soldados, armamentos e entorpecentes entre a Penha, a Cidade de Deus e a Gardênia Azul. Segundo a apuração, a organização criminosa possuía divisão de tarefas. Enquanto Doca e Gardenal comandavam a ofensiva, “GL”, “Lesk” e “Vin Diesel”, antigos milicianos da região que migraram para o Comando Vermelho, aproveitavam o conhecimento da área para identificar alvos, organizar ataques e facilitar a expansão da facção. A polícia afirma que, durante a guerra pela Gardênia Azul, diversos assassinatos foram praticados contra pessoas acusadas de serem “X9”, informantes da polícia ou ligadas à milícia rival. Investigadores relataram ainda que integrantes da organização utilizavam redes sociais para divulgar ameaças e mortes, numa espécie de campanha de intimidação destinada a espalhar medo entre os moradores e consolidar o domínio do grupo. Além do tráfico de drogas, a quadrilha é acusada de envolvimento em homicídios, porte ilegal de armas, receptação e até na exploração da venda clandestina de botijões de gás. Os lucros obtidos com as atividades ilícitas na Gardênia Azul eram repartidos com a cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha, reforçando a importância estratégica da comunidade para a facção. Depoimentos de policiais que participaram das investigações apontam que a aliança entre antigos milicianos da Gardênia Azul e o Comando Vermelho surgiu depois que grupos expulsos da região tentaram obter apoio do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o “Zinho”. Como o chefe da milícia estava envolvido em outros conflitos na Zona Oeste, o auxílio acabou vindo de Doca e Gardenal, que passaram a fornecer armas, homens e estrutura para a retomada do território. A partir daí, antigos milicianos migraram para o Comando Vermelho e passaram a integrar a facção. Três anos depois, muitos dos personagens centrais daquela guerra já estão mortos. Entre eles estão Philip Motta Pereira, o “Lesk” ou “CR7”, e Luís Paulo Aragão Furtado, o “Vin Diesel”, apontados nas investigações como líderes locais da organização. Outros integrantes foram presos ou respondem a processos na Justiça. A guerra que marcou a tomada da Gardênia Azul deixou dezenas de mortos e acabou consumindo vários dos próprios homens que ajudaram a construir o domínio do Comando Vermelho na comunidade, transformando de forma definitiva o cenário criminal da região. Além do tráfico de drogas e da guerra pela expansão territorial, as investigações apontam que a quadrilha comandada por Doca diversificava suas fontes de renda. Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização era responsável por crimes como receptação e pela exploração da venda de botijões de gás na Gardênia Azul. Um dos homicídios investigados pela Delegacia de Homicídios teria sido motivado justamente por disputas relacionadas a essa atividade. Os lucros obtidos na comunidade eram repartidos com a cúpula do Comando Vermelho no Complexo da Penha, reforçando a importância estratégica da região para a facção.

Bandido que foi morto em ‘tribunal do CV’ na Penha teve que deixar favela após matar ex-namorada. Ele comandou esquema que misturava tráfico, roubos de carga e extorsão no Rio; investigação aponta cobrança de até R$ 10 mil a comerciantes

Segundo documento de investigação que a reportagem teve acesso, o traficante Dalton Vieira Santana, o DT, que foi morto em um suposto tribunal do tráfico do Comando Vermelho neste fim de semana, teve que deixar a Favela Kelsons, na Penha, depois do assassinato da sua ex-namorada Bianca Lourenço, de 24 anos, em 2021.Quem assumiu no seu lugar foi um bandido conhecido como Maçã, que acabaria morto anos depois também em um ‘tribunal do tráfico’.DT foi o responsável pela estruturação do esquema que continuou operando com outros nomes à frente da facção O modelo operacional do grupo era baseado na integração entre tráfico de drogas, roubo de cargas e extorsão de comerciantes. De acordo com os depoimentos colhidos, ele exercia papel de comando, determinando ações do grupo e influenciando diretamente a dinâmica criminosa na região.outros nomes à frente da facção. Mesmo após sua saída, a investigação sustenta que o modelo criminoso por ele associado permaneceu ativo, com divisão de funções entre traficantes, executores de roubos, receptadores e operadores logísticos responsáveis pelo escoamento de cargas roubadas. ESQUEMA NO MERCADO SÃO SEBASTIÃO: ARROMBAMENTOS, CAMINHÕES E EXTORSÃO EM SÉRIE O núcleo mais detalhado do esquema descrito nos autos envolve o entorno do Mercado São Sebastião e empresas próximas, onde comerciantes passaram a relatar uma sequência de arrombamentos seguidos de cobranças extorsivas. Uma das testemunhas afirmou que o padrão criminoso começava com um ataque de grande impacto: galpões e lojas eram arrombados durante a madrugada, com quebra de paredes, portas e sistemas de segurança. Em um dos casos, foi relatado que os criminosos subtraíram praticamente todo o estoque de uma empresa, causando prejuízo estimado em mais de R$ 300 mil, além de danificar estrutura física do local. Logo após esses ataques, segundo os depoimentos, começavam as ligações telefônicas com exigências de pagamento. As primeiras cobranças chegaram a cerca de R$ 10 mil, apresentadas como condição para que os comerciantes pudessem “trabalhar em paz” na região. Com a negativa das vítimas, os valores passaram a ser reduzidos gradualmente durante as conversas, até chegar em torno de R$ 2 mil mensais, valor que seria pago de forma recorrente para evitar novos roubos e invasões. As testemunhas relataram que não se tratava de uma cobrança única, mas de um sistema contínuo de pressão: os criminosos ligavam diversas vezes, insistindo na “negociação”, alternando ameaças e promessas de cessar os ataques caso o pagamento fosse aceito. Em alguns relatos, as vítimas afirmaram que não chegaram a efetuar pagamento, mas que as ligações tiveram efeito imediato no funcionamento dos estabelecimentos, levando comerciantes a: fechar lojas mais cedo por medo de novos ataques; reforçar segurança privada; reduzir circulação de mercadorias;suspender atividades temporariamente após os episódios. DINÂMICA DOS ROUBOS: CAMINHÕES, VAN E TRANSPORTE PARA DENTRO DA KELSON Além das extorsões, os depoimentos descrevem a logística dos roubos de carga como parte essencial do esquema. Segundo testemunhas e policiais, os crimes ocorriam principalmente na Avenida Brasil, onde caminhões, vans e veículos de carga eram interceptados por criminosos armados. Após a subtração, os veículos eram direcionados para dentro da Comunidade da Kelson. Em um dos relatos, foi mencionado o uso de dois caminhões, uma van e diversas motos para transportar mercadorias roubadas de um grande galpão. Após o arrombamento, os veículos teriam seguido em direção à comunidade, conforme identificado por marcas de pneus e análise de imagens de câmeras de segurança. Dentro da Kelson, os caminhões eram descarregados e as mercadorias imediatamente distribuídas entre integrantes do grupo, que participavam do escoamento, separação e ocultação dos produtos roubados. As investigações apontam que esse fluxo era recorrente, com múltiplos episódios semelhantes na mesma região, envolvendo desde alimentos e ferramentas até grandes volumes de mercadorias de alto valor. EXTORSÃO COMO “SEGUNDA FASE” DO CRIME O ponto central destacado nos depoimentos é que a extorsão não ocorria de forma isolada, mas como continuação direta dos roubos. Segundo uma das testemunhas, o padrão era sempre o mesmo: Primeiro vinha o roubo ou arrombamento com grande prejuízo;Em seguida, surgiam os contatos telefônicos;Os criminosos apresentavam a cobrança como forma de “evitar novos ataques”;O valor era inicialmente alto e depois reduzido para parecer uma negociação. Uma das falas resumiu a dinâmica como uma estratégia de intimidação progressiva: o grupo causava o dano e depois oferecia a solução mediante pagamento mensal. CONTEXTO GERAL DO ESQUEMA A investigação aponta que a Comunidade da Kelson funcionava como base territorial de uma organização criminosa voltada simultaneamente para tráfico de drogas, roubo de cargas e extorsão de comerciantes. A estrutura incluía líderes, operadores de rua, responsáveis pelo transporte de cargas, vigilância armada e receptadores. Depoimentos também indicam a utilização de rádios transmissores para comunicação interna e controle da movimentação de veículos na região. O conjunto de provas reunido — incluindo depoimentos de policiais civis, militares e testemunhas civis — foi considerado convergente no sentido de demonstrar a existência de uma organização criminosa estável, com atuação contínua e divisão de tarefas, tendo Dalton como uma das figuras centrais da estrutura original.

Dentro do ‘Mercado das Armas’: a rede de WhatsApp usada para vender revólveres e munições no RJ”

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro expôs o que os agentes descrevem como um esquema estruturado de negociação de armas de fogo e munições por meio de aplicativos de mensagem, especialmente o WhatsApp, funcionando como uma espécie de “feirão digital do crime”. O caso veio à tona a partir de uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF), que apura denúncias de comércio ilegal de armamento pela internet. A prisão em flagrante realizada em São João de Meriti, é tratada pelos investigadores como um dos desdobramentos do mapeamento desse ambiente digital de vendas ilícitas. Segundo relatório policial, o investigado utilizava redes sociais e aplicativos de mensagem para armazenar imagens de armas, munições e registros de negociações, além de pesquisas relacionadas à compra de peças e acessórios bélicos em plataformas de comércio eletrônico. WhatsApp como vitrine do crime O material analisado pelos agentes aponta para a existência de conversas e grupos com dinâmica de compra e venda de armamentos. Em um dos dispositivos apreendidos, a polícia identificou capturas de tela de um grupo de WhatsApp identificado como “MERCADO DAS ARMAS”, onde seriam compartilhados anúncios de revólveres e negociações diretas entre usuários. Além das conversas, foram localizadas imagens de armas de fogo, grandes quantidades de munições e registros de valores em dinheiro, elementos que, segundo a investigação, reforçam a hipótese de circulação ativa de material bélico fora dos canais legais. Em outro conjunto de arquivos, aparecem ainda pesquisas sobre pistolas e acessórios de armas em sites de comércio eletrônico, como modelos Glock e PT92, frequentemente associados a armamentos de uso restrito. Rede paralela de negociação e anúncios De acordo com a polícia, o conteúdo extraído dos aparelhos indica que o aplicativo era utilizado não apenas para conversas, mas como ferramenta de divulgação de ofertas, com envio de imagens de revólveres, munições e combinações de entrega em diferentes pontos do município de São João de Meriti. Em uma das conversas analisadas, segundo o relatório, há indícios de negociação direta de arma de fogo com definição de valor e local de entrega, o que, para os investigadores, caracteriza uma dinâmica de mercado paralelo operando de forma contínua. Dinâmica digital do comércio ilegal A investigação aponta ainda que esse tipo de operação segue um padrão: armazenamento de imagens de armamento em celulares, circulação em grupos fechados e negociação individual por mensagens privadas, criando uma rede descentralizada e de difícil rastreamento. Para a polícia, esse modelo representa uma adaptação do comércio ilegal às plataformas digitais, onde o WhatsApp assume o papel de canal principal de oferta, contato e fechamento de transações. Elementos encontrados na residência Durante a diligência que deu origem ao caso, os agentes também localizaram munições de diferentes calibres na residência investigada, além do acesso autorizado aos aparelhos celulares que permitiram a extração do material analisado. Segundo o relatório, o conjunto de elementos — munições, imagens, conversas e buscas online — foi considerado pelos investigadores como indícios convergentes de atuação no comércio ilegal de armas. Investigação em andamento A Polícia Civil trata o caso como parte de uma investigação mais ampla sobre circulação de armamento em ambientes digitais, especialmente aplicativos de mensagem, que vêm sendo monitorados como possíveis canais de negociação clandestina. O material apreendido segue em análise, e o caso será encaminhado para avaliação jurídica quanto ao enquadramento final das condutas.

Granada, sangue e um vulto armado: policiais da Core revelam bastidores da operação do Jacarezinho (CV). Confronto terminou com 28 mortos

Antes mesmo do sol nascer completamente sobre o Jacarezinho, o som dos helicópteros já cobria a comunidade. Eram pouco mais de cinco horas da manhã quando o barulho das aeronaves se misturou ao estampido dos tiros. O que viria nas horas seguintes entraria para a história como uma das operações mais letais já realizadas pela polícia no Rio de Janeiro que terminou com 28 mortos. Cinco anos depois, os bastidores daquela manhã de 6 de maio de 2021 voltaram a ser reconstruídos em detalhes na Justiça. Os policiais civis Douglas Siqueira e Anderson Silveira Pereira, ambos da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), prestaram depoimentos minuciosos sobre a sequência de acontecimentos que terminou na morte de Omar dentro de uma residência da comunidade. Os dois irão a júri popular pela morte de um suspeito. As declarações descrevem uma operação em clima de guerra, com tiroteios ininterruptos, policiais feridos, um agente morto, disparos partindo de diferentes direções e a tensão permanente de entrar em vielas estreitas sem saber de onde viria o próximo ataque. “Tinha tiro por toda a favela” Comissário da Polícia Civil e integrante da Core há 13 anos, Anderson Silveira Pereira contou que participou de mais de mil operações semelhantes, mas classificou o Jacarezinho como um dos ambientes mais hostis que já enfrentou. Segundo ele, os confrontos aconteciam praticamente em todos os setores da comunidade. — Estava tendo tiroteio a todo momento por toda a favela. Parava um pouco e começava de novo. Era intenso — relatou. Em determinado momento, as equipes receberam a notícia de que um policial havia sido baleado. Somente depois souberam que o colega havia morrido. Mesmo assim, segundo Anderson, não houve qualquer movimento de vingança. — Não surgiu nos grupos nenhuma conversa de retaliação. Ficamos sabendo da morte dele quando já estávamos socorrendo outro ferido. Os policiais avançavam em progressão tática, cobrindo uns aos outros. O cenário era considerado extremamente perigoso. O terreno acidentado, os becos estreitos e a possibilidade de disparos vindos de lajes faziam com que cada deslocamento fosse feito lentamente. O rastro de sangue Em determinado momento da operação, Anderson encontrou a equipe comandada por Douglas Siqueira. Os dois seguiam por um dos becos quando perceberam marcas de sangue espalhadas pelo chão. As gotas se estendiam pela viela e continuavam escada acima. — Pensamos: “Tem algum baleado que entrou aqui” — relatou Anderson. Ao chegarem diante de uma porta preta, Douglas entrou primeiro. Uma mulher apareceu. Segundo os policiais, ela confirmou que havia uma pessoa baleada dentro do imóvel. Os agentes retiraram os moradores e iniciaram uma entrada tática. Douglas seguia à frente. Anderson vinha logo atrás, praticamente ombro a ombro, mas ligeiramente recuado, a uma distância de cerca de um braço. O espaço era apertado. — Era tudo muito pequeno. Um barraco. A cozinha já ficava colada no quarto — descreveu. O instante decisivo Segundo Anderson, eles ainda não haviam conseguido visualizar ninguém. A única pista era o sangue. Douglas avançou em direção a um dos quartos enquanto Anderson permanecia na posição de cobertura, voltado para a cozinha. Foi então que ouviu um barulho. Só mais tarde identificaria aquele som como sendo o de uma granada. — Quando ouvi, virei automaticamente. Segundo o policial, naquele instante viu a granada rolando na direção dos agentes. E viu também um vulto. — Só vi um vulto segurando uma arma. Era Omar. Anderson contou que não tinha visão completa do cômodo porque Douglas estava na sua frente. — Vi apenas o vulto e o disparo. Segundo ele, tudo aconteceu em frações de segundo. Douglas atirou uma única vez. Omar caiu. “Ele ainda se debatia” Os policiais afirmam que Omar ainda estava vivo. Segundo Anderson, ele continuava gesticulando. A pistola teria caído no chão e estava ao alcance da mão do suspeito. Os agentes então recolheram a arma. Mais tarde, segundo eles, verificaram que a pistola possuía um kit rajada. Ao mesmo tempo, chamaram o esquadrão antibombas para recolher o explosivo. Mesmo em meio ao confronto externo, os policiais decidiram socorrer Omar imediatamente. — Era melhor levar até o blindado do que esperar o socorro chegar. Sem maca e sem espaço para manobras, os agentes improvisaram. Pegaram um lençol ou cobertor e suspenderam o ferido. As escadas estreitas dificultavam a remoção. — Era da forma que dava. Não arrastamos pelo chão. Segundo Anderson, a descida foi lenta porque o tiroteio continuava. — Parava um pouco e voltava. A progressão até o blindado foi difícil. O caveirão estava do lado de fora, já que era impossível sua entrada na viela. “Jacarezinho foi a única favela onde tomei tiro” Ao longo do depoimento, Anderson afirmou que perdeu dois amigos em operações no Jacarezinho e revelou que aquela foi a única comunidade em que acabou atingido por disparos ao longo da carreira. — É uma das piores. Ele contou que já participou de mais de mil operações e continua lotado na Core. A outra versão Dentro da residência, porém, os moradores contam uma história completamente diferente. Segundo eles, Omar havia chegado cerca de meia hora antes. Ferido no pé, sangrando muito, sem camisa e vestindo apenas uma bermuda tactel, ele pedia ajuda. O sangue espalhou-se pela escada, pela sala e pelo quarto da criança. Moradores dizem que ele recebeu um pano para estancar o ferimento e se deitou em uma cama. Ninguém afirma ter visto arma. Ninguém afirma ter visto granada. Todos descrevem um homem desesperado e debilitado. “Cadê a arma?” Os moradores relatam que ouviram os passos dos policiais subindo a escada. Flávia, dona da casa, teria descido para avisar: — Tem um menino baleado aqui, mas tem criança em casa. Segundo ela, o policial passou por ela e entrou. Seu marido gritou: — Morador, estou com criança! A resposta teria sido: — Sai, sai. Na sequência, testemunhas afirmam ter ouvido o policial gritar: — Cadê a arma? Cadê a arma? E logo depois veio um único disparo. Os moradores afirmam que não ouviram resposta. Nenhum deles diz ter visto Omar armado. Corpos espalhados pela

Traficante que comandava Kelsons e foi acusado de matar namorada caiu no ‘Tribunal do CV’

O traficante Dalton Vieira Santana , o “D da Kelson’s” foi morto no Tribunal do Crime no Complexo da Penha (CV). A ordem teria vindo de Doca, e a motivação teria sido devido a dívidas do traficante com a facção. O corpo foi localizado por policiais militares dentro de um veículo na própria região. De acordo com apurações obtidas pelo reporter Bruno Assunção, DT teria sido o articulador do assalto a uma joalheria localizada na Estrada do Mendanha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O roubo causou um prejuízo estimado em R$ 4 milhões. Na ação, um homem e uma mulher se passaram por clientes interessados na compra de alianças de casamento, apresentaram documentos falsos para entrar no estabelecimento e, já no interior da loja, renderam os proprietários e uma funcionária sob ameaça de arma de fogo. Ainda segundo informações obtidas pela reportagem, após o roubo, DT teria tentado enganar integrantes da cúpula do Comando Vermelho, alegando que um ourives responsável por avaliar as joias ainda não havia contabilizado o valor total do material subtraído. A suspeita é de que parte dos recursos obtidos no crime não teria sido repassada conforme o esperado pela organização criminosa. Dalton ficou conhecido ao ser acusado do assassinato de Bianca Lourenço, de 24 anos,, em 2021, após não aceitar o fim do relacionamento. Segundo relatos da época, Dalton mandou matá-la e jogarcseu corpo na praia dentro de um tonel Em 2021, o juiz Alexandre Abrahão, titular do 3º Tribunal do Júri, decretou a prisão preventiva de Dalton, acusado de envolvimento no assassinato da jovem .O corpo de Bianca só foi reconhecido devido às suas tatuagens. A suposta morte de Dalton, no entanto, ainda não está confirmada oficialmente.

Ex-milicianos que pularam para o CV foram mortos em tiroteio com a PM em Rio das Pedras

Policiais do 18°.BPM prenderam quatro criminosos e apreenderam um adolescente durante ação na comunidade Rio das Pedras. Na ação, foram arrecadados dois fuzis, duas pistolas, munições e granadas caseiras. Três dos presos ficaram feridos e foram socorridos mas não resistiram. Segundo relatos, os três mortos estariam no grupo de quase 20 milicianos que teriam pulado para o Comando Vermelho São eles Farol, Duduzinho e Solteiro.

Defesa consegue na Justiça apurar histórico criminal de empresário morto por PMs na Pavuna

A estratégia da defesa dos policiais militares acusados de matar o empresário Daniel Patrício na Pavuna em abril por disparos de arma de fogo de grosso calibre passou a incluir um novo eixo de investigação: o pedido para que seja apurado se a vítima fatal possuía histórico criminal ou alguma investigação em andamento. O pedido foi acolhido parcialmente pela Justiça, que determinou a expedição de ofício à Polícia Rodoviária Federal (PRF) para que informe se existe ou já existiu qualquer procedimento investigativo envolvendo o civil morto na ocorrência. A medida abre uma nova frente dentro da instrução do processo e pode trazer novos elementos para a análise do caso. A reportagem já divulgou aqui meses anteriores que Daniel respondia a um processo por danos morais no Tribunal de Justiça do Paraná — cujo conteúdo não foi disponibilizado pelo órgão. Além disso, no ano passado, ele chegou a ser investigado por suspeita de descaminho, após tentar entrar no Brasil com mercadorias estrangeiras sem a devida declaração. O caso teve origem em uma representação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, após a apreensão de produtos em Foz do Iguaçu, em 15 de abril de 2025. O valor dos tributos envolvidos — cerca de R$ 6 mil — ficou abaixo do mínimo exigido para caracterizar crime de descaminho. Por isso, a Justiça considerou a conduta de baixo potencial ofensivo e arquivou o caso. Não houve prisão em flagrante, apenas a apreensão das mercadorias. Até o momento, não há qualquer evidência de que essas pendências tenham relação com a morte do empresário. CORPO DA DECISÃO E CONTEXTO PROCESSUAL:A decisão foi proferida no âmbito da resposta à acusação apresentada pelas defesas dos policiais, que também levantaram uma série de preliminares e pedidos de nulidade do processo. Entre os principais argumentos defensivos estavam alegações de irregularidade na lavratura do auto de prisão em flagrante, suposta incompetência da autoridade que formalizou o procedimento e pedido de rejeição da denúncia por inépcia. Todos esses pontos foram rejeitados pelo magistrado. Segundo o juiz, o flagrante foi lavrado por autoridade que aparentava ter jurisdição no momento dos fatos, com base nas informações preliminares disponíveis, incluindo versões iniciais apresentadas pelos próprios envolvidos. Posteriormente, com o avanço da análise das provas, o caso foi encaminhado ao Juízo competente e teve a prisão convertida em preventiva. A decisão também reforça que a denúncia apresentada pelo Ministério Público atende aos requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal, contendo a descrição dos fatos, a qualificação dos acusados, a classificação jurídica e o rol de testemunhas. O magistrado destacou ainda que, nesta fase processual, não se exige prova plena de autoria, mas apenas indícios suficientes para o recebimento da ação penal, cabendo a produção de provas completas durante a instrução. DILIGÊNCIAS E PRODUÇÃO DE PROVAS:Além do ponto envolvendo a vítima, o juiz também analisou uma série de requerimentos feitos pelas defesas, incluindo pedidos de acesso a imagens de câmeras operacionais portáteis (COPs), identificação de policiais que participaram da ocorrência, além de informações sobre eventual uso de drones durante a ação. Parte desses pedidos foi deferida, com determinação para que a Polícia Militar forneça a identificação de todos os integrantes das guarnições que estiveram no local dos fatos, além de esclarecimentos sobre possível uso de drones institucionais. Também foi mantida a determinação de perícia em veículo ligado à ocorrência, além da espera por laudos periciais ainda pendentes, como exame de armas de fogo, projéteis e análise técnica de imagens. O juiz ainda solicitou manifestação do Instituto de Criminalística para avaliar a possibilidade de reconstrução tridimensional da cena com base nas imagens disponíveis. POSIÇÃO SOBRE REPRODUÇÃO SIMULADA E OUTRAS PROVAS:O pedido de reprodução simulada dos fatos foi negado neste momento, sob o entendimento de que a medida depende da oitiva das testemunhas e da formação de um conjunto probatório mais completo. A diligência poderá ser reavaliada posteriormente, conforme evolução da instrução processual. PRISÃO MANTIDA:Por fim, o magistrado manteve a prisão preventiva dos policiais militares, afirmando que há indícios suficientes de autoria e que a gravidade concreta dos fatos justifica a custódia cautelar para garantia da ordem pública. Segundo a decisão, os elementos reunidos até o momento indicam a realização de múltiplos disparos contra um civil, o que, na visão do juízo, reforça a necessidade de manutenção da medida extrema enquanto o processo segue em instrução.

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