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processo judicial

RELATO CHOCANTE: MILICIANO TERIA ESPANCADO A IRMÃ E LIBERADO MORTE — absolvição vira alvo do MP”

Um caso cercado por denúncias gravíssimas, falas chocantes e suspeita de atuação de milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro terminou, ao menos por enquanto, com a absolvição do acusado — decisão que agora está sendo contestada pelo Ministério Público, que vê indícios de intimidação e possível erro na análise das provas. O caso ocorreu no ano passasdo. De acordo com os autos, uma testemunha-chave — ex-namorado da vítima — descreveu uma sequência de violência extrema após o fim do relacionamento com a mulher. Segundo ele, após uma discussão em que a ex teria quebrado objetos dentro da residência, ele deixou o local e foi para a casa de um amigo. O que veio depois, segundo o relato, foi uma cena de terror. Minutos depois, a mulher teria chegado acompanhada do irmão e de outros três homens, que o depoente apontou como milicianos e que estariam armados. Assim que chegaram, o irmão teria feito uma ameaça direta e brutal: “Desce daí da residência que a gente vai te colocar na mala e levar” A testemunha afirmou que tentou se explicar, dizendo que não tinha culpa pela situação. Foi nesse momento, segundo ele, que o acusado teria voltado a violência contra a própria irmã. O depoimento descreve agressões com socos, chutes e golpes com arma de fogo — incluindo coronhadas na cabeça. Mesmo após a sequência de violência, o caso teria ficado ainda mais grave. Segundo a testemunha, o acusado colocou a irmã dentro de um carro e saiu do local. Desesperado, com medo de que ela fosse morta, ele decidiu seguir o veículo de motocicleta. Durante o trajeto, ele afirma ter visto a vítima cair do carro. E foi nesse momento que, segundo o depoimento, ouviu uma das frases mais chocantes do caso: “Agora, você pode até matar ela que eu não vou me meter” A testemunha contou que ainda tentou intervir e pediu que o acusado retornasse à casa para que a mulher pegasse seus pertences. Mas, segundo ele, a violência continuou. Ao chegar ao local, o acusado teria sacado novamente a arma e desferido mais coronhadas na irmã, que teria desmaiado. Em seguida, ele fugiu com os demais homens. O depoente afirmou que acionou o pai da vítima, que chamou o SAMU para socorrê-la. Também disse que os supostos comparsas eram conhecidos pelos apelidos de CL, Pimenta e Corolla. Apesar da gravidade das acusações, o caso sofreu uma reviravolta dentro da Justiça. Em juízo, a própria vítima negou completamente a versão apresentada pela testemunha. Ela afirmou que não houve agressões e que tudo não passou de uma discussão sob efeito de álcool. Segundo seu depoimento, ela foi até a residência apenas para buscar seus pertences após o término e foi ela mesma quem ligou para o irmão pedindo ajuda. Disse ainda que ele chegou sozinho, sem armas, e que não houve qualquer ameaça ou violência. A mulher declarou que o irmão não tem qualquer envolvimento com milícia, que não havia outras pessoas no local e que não presenciou nenhuma agressão. Ela também afirmou que passou mal devido à mistura de álcool, energético e problemas de ansiedade, o que teria motivado o acionamento do SAMU. Disse que não desmaiou por agressão, mas por mal-estar, e que foi levada diretamente ao hospital. A vítima ainda declarou que nunca ouviu falar de coronhadas, de tentativa de colocá-la em carro à força ou de qualquer episódio violento, e que desconhece por que essas informações apareceram nos depoimentos de terceiros. Também afirmou que não entendeu a prisão do irmão, já que, segundo ela, ele não cometeu qualquer irregularidade, e disse que a região não possui atuação de milícia. Diante das versões conflitantes, a Justiça decidiu absolver o acusado. Na sentença, o entendimento foi de que não houve comprovação suficiente da existência de organização criminosa nem da participação do réu em milícia. A decisão destacou que os relatos mais graves se basearam em declarações extrajudiciais que não foram confirmadas em juízo, além das contradições apresentadas no processo. Mas o caso está longe de terminar. O Ministério Público recorreu e sustenta que a absolvição ignorou elementos importantes. Segundo o MPRJ, diligências policiais já indicavam que o acusado seria conhecido na região por suposta atuação em milícia, informação que teria sido confirmada por moradores, pelo pai da vítima e inicialmente pelo próprio denunciante. O órgão vai além e faz um alerta central: em áreas com possível influência de milícia, mudanças de versão em juízo podem ocorrer sob pressão e precisam ser analisadas com extremo cuidado. Para o Ministério Público, os depoimentos iniciais, somados a outros elementos de prova, indicam atuação conjunta com homens armados, sendo desnecessária a comprovação completa da estrutura da organização criminosa para caracterização do crime. Diante disso, o MPRJ pede a reversão da absolvição. O caso agora será reavaliado por instâncias superiores e expõe um cenário delicado: de um lado, relatos de violência brutal e frases que chocam; do outro, uma mudança total de versão em juízo — em um contexto onde, segundo o próprio Ministério Público, o medo pode falar mais alto que a verdade.

Justiça manda prender “Naval”, um dos cabeças da maior milícia do RJ, por execução em plena luz do dia

A Justiça do Rio partiu pra cima e decretou, no último dia 10, a prisão preventiva de um dos principais nomes ligados à maior milícia do estado, conhecido como “Naval”, investigado por um homicídio brutal em meio à guerra por território. Um comparsa também teve a prisão decretada. pelo mesmo fato. Segundo os autos, o crime — cujos detalhes como identidade da vítima, data exata e local não foram divulgados — teria ocorrido em plena luz do dia, no estacionamento de um supermercado, com o uso de armas de fogo de uso restrito. A execução, de acordo com a investigação, está inserida no cenário de disputa violenta entre milicianos por domínio de áreas, conflito que vem deixando um rastro de mortes. Naval é apontado pelas investigações como um dos principais “frentes” da organização criminosa, que passou por mudanças recentes no comando. O grupo era liderado por Zinho, atualmente preso, e teve como um de seus nomes fortes Pipito, morto em confronto com a polícia. Após isso, a liderança teria sido assumida por PL, também conhecido como Jorjão, evidenciando a reorganização interna da quadrilha. A decisão judicial destaca que há fortes indícios de autoria, sustentados por imagens de câmeras de monitoramento que teriam registrado a ação. O documento também aponta que o caso não seria isolado, indicando que os investigados possuem histórico criminal, incluindo condenações definitivas, o que reforça o risco de novos crimes. A Justiça ainda cita entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de que a necessidade de frear a atuação de integrantes de organizações criminosas, como milícias, justifica a prisão preventiva para garantia da ordem pública. De acordo com as investigações, o grupo ligado a Naval atua principalmente em Paciência, Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba e Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, além de expandir sua influência para a Baixada Fluminense, como Itaguaí. O caso segue sob investigação, e novas informações podem surgir a qualquer momento.

Tribunal do tráfico”: dívida de R$ 25 mil termina em execução e esquartejamento no Rio

Um crime marcado por requintes de crueldade e métodos típicos do chamado “tribunal do tráfico” levou a Justiça do Rio de Janeiro a decretar a prisão preventiva de três homens investigados por um homicídio em que a vítima teria sido esquartejada por causa de uma dívida. De acordo com informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o assassinato teria sido motivado por uma suposta dívida de R$ 25 mil. Os autos, no entanto, não revelam a identidade da vítima, nem detalham a data ou o local exato do crime. Segundo a decisão judicial, os investigados teriam armado uma emboscada para executar a vítima, que foi atraída sob o falso pretexto de um encontro para conversar com um homem conhecido como “Power Ranger”. Após o homicídio, uma imagem do cadáver teria sido compartilhada por um dos suspeitos. Os indícios de autoria reunidos no processo incluem reconhecimentos fotográficos feitos por quatro testemunhas, além de registros de ameaças atribuídas aos investigados. A apuração também aponta publicações em redes sociais que indicariam envolvimento direto no crime. Em uma delas, um dos suspeitos teria feito referência à execução ao afirmar que “galinha de casa não se corre atrás”. A Justiça destaca que o crime foi praticado com “extrema ousadia” e elevado grau de violência, em um contexto associado à atuação de organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. A decisão também menciona a ocultação do corpo, que teria sido esquartejado, além de relatos de ameaças e demonstrações públicas de desrespeito às autoridades. A reportagem apurou que há semelhanças com o caso de Breno Barbosa Diniz, apontado como gerente do tráfico na Cidade de Deus e desaparecido há cerca de dois meses. O pai dele, policial militar, busca informações sobre o paradeiro do corpo. Informações já divulgadas indicam que Breno teria uma dívida de aproximadamente R$ 29 mil, relacionada à perda de drogas após uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais. Apesar das coincidências, não há confirmação oficial de que o caso julgado pela Justiça tenha relação com o desaparecimento. Procurado, o TJ-RJ limitou-se a encaminhar a decisão já disponível publicamente, sem fornecer novos detalhes. O caso segue cercado de lacunas, mas expõe, mais uma vez, o nível de violência imposto por organizações criminosas em áreas do Rio.

CAXIAS: Levaram de casa, julgaram no ‘tribunal do tráfico’ e fizeram sumir: Justiça manda prender grupo após quase 3 anos”

Quase três anos após o desaparecimento de duas vítimas levadas à força de dentro de casa, a Justiça decretou a prisão preventiva de quatro suspeitos apontados como integrantes da quadrilha do traficante conhecido como “Flamengo”. Eles são investigados pelo sequestro, homicídio e ocultação dos corpos de Maurício Gaspar Mello de Sousa e Ademir Martins dos Santos, no condomínio Rotonda, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Entre os acusados, está uma mulher. Segundo os autos, no dia 9 de julho de 2023, os investigados teriam invadido a residência das vítimas e as retirado sob grave ameaça, com o uso de armas de fogo. Em seguida, Maurício e Ademir teriam sido levados para uma área dominada por organização criminosa, onde, conforme a investigação, foram submetidos a um chamado “tribunal do crime”, executados e tiveram os corpos ocultados — que até hoje não foram localizados. A decisão judicial destaca a existência de indícios considerados consistentes de autoria, baseados em reconhecimentos formais, depoimentos de testemunhas diretas e indiretas, além da descrição detalhada do modo de atuação da organização criminosa na região. O decreto de prisão também se fundamenta no risco concreto à ordem pública, diante da gravidade dos fatos e da atuação do grupo. Os autos ainda apontam um cenário de intimidação contínua na localidade. Testemunhas — moradores e ex-moradores — relataram ameaças, expulsões forçadas e um ambiente de coação sistemática, atribuído à atuação da organização criminosa que domina a região. Embora seja apontado como chefe do tráfico local, o criminoso conhecido como “Flamengo” não figura como réu neste processo específico. Denúncias sobre a atuação do grupo no condomínio Rotonda vêm sendo feitas há anos. A página “Reage Jaqueira”, na rede social X — a mesma que revelou anteriormente a suposta imposição de compra de farinha a comerciantes, tema que chegou a ser abordado pela TV Globo — também relata a existência de um sistema de exploração de moradores na região. De acordo com essas publicações, integrantes do grupo criminoso exerceriam controle direto sobre a rotina dos residentes, com cobrança de taxas, interferência na administração dos prédios sem processo eletivo e apropriação de valores relacionados ao fornecimento de gás. Uma das acusadas no processo, inclusive, é apontada como tendo assumido a função de síndica sem eleição. As investigações seguem em andamento. Os acusados responderão ao processo com garantia do contraditório e da ampla defesa.

PASSO A PASSO DA MORTE: a dinâmica real da emboscada que executou Fernando Iggnácio no Rio. Primeiro acusado foi condenado ontem

O assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, cujo primeiro acusado foi condenado nesta semana — o ex-PM Rodrigo Silva das Neves, sentenciado a 32 anos e 9 meses de prisão — foi cometido por meio de uma emboscada cuidadosamente planejada e executada com extrema precisão. O crime ocorreu no dia 10 de novembro de 2020, por volta das 13h15, a partir de um terreno baldio localizado ao lado do estacionamento do heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo, situado na Avenida das Américas, nº 13.750, no bairro Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Emboscada montada com antecedência e camuflagem Os assassinos permaneceram em tocaia, escondidos de forma estratégica na extensa vegetação que ladeava o muro do heliporto, utilizando a camuflagem natural do local para não serem percebidos. A escolha do ponto da emboscada foi feita de maneira precisa, assim como o momento do ataque, calculado para atingir a vítima quando estivesse em situação de maior vulnerabilidade. Planejamento detalhado e divisão de tarefas No dia do crime, por volta das 09h, conforme previamente ajustado entre os envolvidos e seguindo ordens atribuídas a “Araújo” e ao contraventor Rogério de Andrade, a ação foi colocada em prática. Enquanto um dos quatro primeiros participantes permanecia no interior do veículo utilizado pelo grupo — um VW Fox Connect, cor branca —, os outros três invadiram o terreno baldio que fazia divisa com o heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo. Eles estavam munidos de, pelo menos, duas armas de fogo de alta energia cinética, sendo fuzis PARA FAL e AK-47, ambos calibre 7,62 mm. Posição estratégica no muro e ataque a curta distância Após aguardarem por cerca de quatro horas, esperando o retorno de Fernando Iggnácio de Angra dos Reis em seu helicóptero, três dos executores posicionaram suas armas sobre o muro contíguo ao estacionamento do heliporto. Eles ficaram a uma distância aproximada de quatro metros do local onde estava estacionado o veículo da vítima, uma Land Rover/Range Rover, blindada, ano 2007, cor preta. Assim que Fernando Iggnácio se colocou ao lado do automóvel, pelo menos dois dos envolvidos efetuaram diversos disparos de arma de fogo. Disparos fatais e execução violenta A vítima foi atingida por três disparos, sendo que um deles alcançou a região da cabeça, entre o nariz e o olho esquerdo. Segundo consta no processo, o projétil penetrou a caixa craniana e explodiu em seu interior, causando a morte de forma imediata e espargindo massa encefálica.. Monitoramento da vítima foi essencial para o crime O crime contou ainda com a participação de outro integrante responsável pelo monitoramento da vítima. Ele repassava instruções a “Araújo”, apontado como responsável por contratar os executores, fornecendo informações que possibilitaram o êxito da empreitada criminosa. Nas conversas interceptadas, Fernando Iggnácio era identificado pela alcunha “Cabeludo”. A referência à vítima é reforçada por diálogos que mencionam características de um imóvel, como a existência de um “cais de ferro na cor verde nos fundos da casa do Cabeludo”, posteriormente identificado como sendo de propriedade da vítima. Condenação confirma emboscada e abre caminho para novos desdobramentos A condenação de Rodrigo Silva das Neves representa o primeiro desfecho judicial do caso e confirma a dinâmica de uma execução em emboscada, com planejamento prévio, divisão de tarefas e uso de armamento de guerra. Outros envolvidos seguem sendo investigados. Conclusão Os elementos reunidos no processo mostram que o assassinato de Fernando Iggnácio foi resultado de uma emboscada estruturada, com monitoramento prévio, escolha estratégica do local, posicionamento tático dos executores — inclusive sobre o muro, a poucos metros da vítima — e execução coordenada. A decisão da Justiça consolida essa versão e evidencia o nível de organização por trás do crime.

Condenado a mais de 32 anos por morte de Fernando Iggnácio, ex-PM disse antes que agiu por dinheiro e se arrependeu

Condenado a 32 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves já havia afirmado, logo após ser preso, que se arrependeu de participar do crime — segundo ele, cometido por dinheiro e “aventura”.  Os promotores apontaram imagens, rastreamento de veículos e diligências policiais que teriam levado até um imóvel ligado a Rodrigo, onde foram encontrados fuzis e outros materiais, reforçando a tese de que ele teria papel central na logística do crime e vínculo com os demais envolvidos. De acordo com as investigações, o assassinato teria sido planejado por outro ex-PM, conhecido como Araújo, apontado como responsável por controlar uma das áreas ligadas ao contraventor Rogério de Andrade. Iggnácio e Rogério são, respectivamente, genro e sobrinho de Castor de Andrade, figura histórica e considerada, à época, uma das maiores lideranças do jogo do bicho no Estado do Rio de Janeiro. Após a morte de Castor, em 1997, as investigações indicam que houve uma ruptura familiar marcada por uma disputa pelo controle das atividades ilícitas deixadas pelo contraventor. O conflito, segundo os autos, teria desencadeado uma sequência de crimes ao longo de mais de duas décadas, incluindo os homicídios de Paulinho de Andrade, filho de Castor, e de Diogo de Andrade, filho de Rogério. Ainda segundo a apuração, Araújo integrava o esquema de segurança pessoal de Rogério de Andrade, a quem se referia como “chefe” ou “01”. Ele teria sido o responsável por recrutar, por ordem superior, outros envolvidos para a execução de Fernando Iggnácio. Rodrigo Silva das Neves e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa (já falecido), também citado nas investigações, teriam atuado anteriormente como seguranças da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo patrono era Rogério de Andrade. A motivação do crime, conforme apontado pela investigação, estaria diretamente ligada ao histórico de rivalidade e à disputa territorial e econômica entre Rogério de Andrade e a vítima, especialmente em atividades ilegais relacionadas ao jogo do bicho e à exploração de máquinas caça-níqueis. Os investigadores destacam ainda que Fernando Iggnácio possuía diversos inimigos em razão de sua atuação e posicionamento dentro desse cenário. As apurações também mencionam o interesse de grupos ligados à milícia e ao tráfico em atividades desenvolvidas tanto pela vítima quanto por Rogério, o que ampliaria ainda mais o contexto de conflito em torno do caso. O crime ernando Iggnácio, executado no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, em 2020. Ele foi executado após retornar de sua casa de praia em Angra dos Reis, na Costa Verde. Genro do também contraventor Castor de Andrade, Iggnácio teria sido morto a mando do bicheiro Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. A defesa do acusado adotou uma linha técnica, afirmando que não haveria provas diretas que vinculem Rodrigo à execução. O advogado argumentou que o réu não tem ligação comprovada com os supostos mandantes e que os elementos apresentados pela acusação são frágeis ou dizem respeito a outros investigados. Também questionou a interpretação das provas telemáticas, destacando que os registros indicariam apenas deslocamentos compatíveis com a rotina do acusado, sem demonstrar participação no planejamento ou na execução do homicídio. A defesa enfatizou ainda que cada réu deve ser julgado individualmente, com base nas provas específicas do seu caso, e apelou ao princípio do livre convencimento dos jurados.

Tortura até a morte: Justiça decreta prisão de traficantes da ADA por assassinato de filha de major da PM. LEIA DETALHES DO CRIME

A Justiça decretou a prisão preventiva de seis traficantes ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), apontados como responsáveis por uma sessão de tortura que terminou na morte de uma jovem em Realengo, na Zona Oeste do Rio.. A vítima era filha de um major da PMERJ. De acordo com a decisão judicial, o crime teria sido motivado por um suposto desvio de dinheiro da própria quadrilha — um episódio que expõe a violência interna do tráfico. A vítima, Naysa Kayllany Costa Borges Nogueira, foi brutalmente agredida e não resistiu aos ferimentos. Apesar da gravidade do caso, os chefes da organização criminosa, conhecidos como Índio e Celsinho da Vila Vintém, não tiveram a prisão decretada neste momento. Segundo a Justiça, embora existam indícios, ainda não foram apresentados elementos suficientes que comprovem a participação direta deles nas agressões. Tortura como punição Segundo as investigações, Naysa trabalhava em um ferro-velho localizado na comunidade da Light. No dia 3 de janeiro de 2026, ela chamou uma amiga para ajudá-la no turno da noite. Ao fim do expediente, mulheres apontadas como integrantes do tráfico teriam ido até o local para recolher o dinheiro arrecadado. Ao perceberem que parte do valor estaria faltando, iniciaram uma sequência de violência. Naysa e a amiga foram levadas para a parte alta da comunidade, onde, conforme consta nos autos, passaram por momentos de terror: foram ameaçadas, intimidadas e agredidas com pedaços de madeira, fios, além de chutes, socos e joelhadas. Confissão sob violência e nova vítima Ainda segundo o processo, após ser violentamente agredida, Naysa teria admitido que parte do dinheiro estaria em sua residência. Sob pressão, ela entrou em contato com a companheira, pedindo que levasse o valor até o local. Ao chegar, a namorada também foi rendida e levada ao alto do morro, onde, de acordo com os depoimentos, igualmente sofreu tortura. Libertação e morte Após a sequência de agressões, as três vítimas foram liberadas. Naysa, no entanto, já estava em estado crítico. Ela foi levada à UPA de Magalhães Bastos, mas não resistiu. Reconhecimento e provas Dias depois, uma das sobreviventes procurou a polícia e detalhou a dinâmica do crime, reconhecendo inicialmente dois suspeitos por meio de álbum fotográfico. Com base nas informações prestadas, policiais foram até a comunidade da Light e localizaram, em um bar apontado como cenário das agressões, objetos que teriam sido usados na tortura, como pedaços de madeira e fios. Em novos depoimentos, as vítimas ampliaram o reconhecimento dos envolvidos, chegando a identificar ao menos seis suspeitos. Tentativa de álibi não convence Um dos acusados tentou apresentar imagens de câmeras de segurança para sustentar um álibi. No entanto, segundo a decisão judicial, os registros não cobrem todo o período em que o crime teria ocorrido. De acordo com a análise, há lacunas nas imagens, e o intervalo permite a possibilidade de participação do suspeito nas agressões. Por isso, a versão apresentada pela defesa não foi suficiente para afastar os indícios. Chefes fora — por enquanto Apesar de serem citados na investigação, Índio e Celsinho da Vila Vintém não foram reconhecidos pelas vítimas como participantes diretos da tortura. A Justiça entendeu que, neste momento, não há elementos concretos para justificar a prisão preventiva dos dois. Violência interna do tráfico O caso revela mais um episódio de violência extrema dentro das próprias estruturas do tráfico, onde suspeitas de desvio de dinheiro podem resultar em punições brutais. As investigações seguem em andamento.

Bomba: homem de confiança do CV e assessor de ex-deputado preso foi executado em ação atribuída à própria facção

Um assassinato com características de execução, envolvendo uma figura com trânsito direto no Comando Vermelho (CV) e ligação com a política, segue cercado de pontos pouco explorados. Trata-se da morte de Élder de Lima Landim, conhecido como “Dom”, ocorrida em 23 de maio de 2025, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. De acordo com informações constantes em registros do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a principal linha de investigação aponta que os próprios traficantes da Gardênia Azul, reduto da facção em Jacarepaguá, teriam sido os autores do crime. A motivação, até o momento, não foi oficialmente esclarecida. Dom era apontado como homem de confiança de um dos chefes do tráfico na comunidade, conhecido como “BMW”. Além disso, também exerceu função como assessor do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o “TH Joias”, que acabou preso e posteriormente cassado sob acusações de envolvimento com o Comando Vermelho. Segundo as apurações, Dom também atuava diretamente em estruturas paralelas de poder na comunidade, incluindo a gestão de imóveis sob domínio da facção por meio da associação de moradores local — um indicativo do nível de influência que exercia dentro da organização criminosa. Dupla execução dentro de veículo No dia do crime, Dom foi morto ao lado do companheiro, Thales Fernando Richard March. Ambos estavam em um veículo Mitsubishi Pajero, de cor preta, quando foram surpreendidos. De acordo com a investigação, os atiradores estavam no interior do carro e efetuaram disparos contra as vítimas, que ocupavam os bancos dianteiros, evidenciando uma ação coordenada e direcionada. Após os assassinatos, os criminosos fugiram a pé pela Avenida das Américas. Na altura do número 16.325, ainda segundo os autos, eles teriam cometido outro crime: o roubo de uma motocicleta, mediante grave ameaça com uso de armas de fogo de uso restrito. Testemunhas relataram que os assaltantes apontaram pistolas calibre 9mm contra a vítima e outros motociclistas que estavam nas proximidades de uma unidade da rede Domino’s, antes de fugirem em direção à Gardênia Azul. Caso avança na Justiça A Justiça do Rio já decidiu que um dos acusados pelo duplo homicídio será submetido a júri popular, o que indica que há indícios considerados suficientes de autoria e materialidade. O caso, no entanto, ainda levanta questionamentos relevantes, principalmente pelo perfil da vítima: um homem com atuação direta em uma das principais facções criminosas do estado e com ligação comprovada a um agente político posteriormente afastado por suspeitas semelhantes.

Moradora da Penha (CV) disse que teve casa destruída por PMs durante megaoperação, sofreu abalo muito grande e perdeu o bebê. Ela agora processa o Estado

Uma  moradora do Complexo da Penha entrou na Justiça contra o governo do Rio exigindo uma indenização por danos morais e materiais.  Ela alega que teve sua casa invadida e destruída por PMs durante a megaoperacão no dia 28 de outubro, sofrendo abalo emocional que a levou a perder o filho que estava esperando  Segundo a defesa, Cmvários policiais entraram na casa da demandante e causaram uma total destruição. Os policiais com abuso de autoridade invadiram a residência da autora, destruíram móveis, eletrodomésticos e abalaram a estrutura do imóvel quebrando paredes. Nesse ato, a casa foi severamente danificada e a autora, que se encontrava gestante (05 meses), foi submetida a forte estresse emocional, que, cumulados com o choque da destruição de seu lar, causaram o aborto, conforme prontuário médico de atendimento hospitalar no dia 02 de novembro de 2025. Cabe ressaltar, que o quadro de saúde da autora foi severamente abalo devido ao ocorrido, chegando ao ponto de ser internada e perder o seu bebê, pois a mesma estava grávida (05 meses de gestação). A operação  transformou a região em uma zona de guerra, ocorrendo 122 óbitos entre suspeitos e policiais, e a destruição de varias residências, dentre elas a residência da autora.

Traficantes do CV invadiram casa para roubar armas e executaram ex-PM em meio à guerra com milícia na Zona Sudoeste. Justiça decretou a prisão de 11, entre eles Doca, Gadernal e BMW

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de 11 suspeitos ligados à facção Comando Vermelho, investigados pelo homicídio de um ex-policial militar com suposta ligação com a milícia. O crime ocorreu em março de 2023, na região de Curicica, em Jacarepaguá, Zona Oeste da capital. De acordo com os autos do processo, os investigados — conhecidos pelos apelidos Doca, Gadernal, BMW, Preto Fosco, Mandela, GL/Glauber, Pedrinho (ou Gaspar), Surfistinha, DJ/Russinho, Juarez e Janderson — teriam atuado de forma coordenada na ação criminosa. As investigações apontam que o grupo teria invadido a residência da vítima após obter informações de que o ex-PM mantinha armas de fogo no local. O objetivo inicial seria subtrair esse armamento. Na ação, segundo os autos, a vítima foi intimidada, rendida e colocada sob domínio dos criminosos. Ainda conforme os relatos reunidos no inquérito, a vítima teria reconhecido um dos suspeitos, identificado como Glauber. A partir disso, ele teria determinado que o ex-PM fosse levado para a localidade conhecida como “AP da Cidade de Deus”, onde a execução teria sido definida. O inquérito também indica que Juarez, vizinho da vítima, teria facilitado a entrada dos criminosos no imóvel. Já outros investigados, como Preto Fosco, Janderson e Russinho, teriam mantido a vítima sob custódia enquanto aguardavam a autorização para o assassinato. Segundo a investigação, os apontados como lideranças da facção na região, Doca e Gadernal, teriam autorizado a execução após uma suposta chamada de vídeo realizada por Glauber, na qual teria relatado o reconhecimento por parte da vítima. A denúncia, baseada nos elementos reunidos no Inquérito Policial nº 901-00250/2023, sustenta que o crime está inserido em um contexto mais amplo de disputa territorial em Jacarepaguá, envolvendo o avanço do tráfico de drogas em áreas anteriormente dominadas por grupos paramilitares. As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo, garantindo-se aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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