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investigação

Só depois de sete anos, MP denuncia PMs por receber propina de milicianos para liberar carro irregular na Muzema

Depois de sete anos, o Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu denunciar três policiais militares suspeitos de receber propina de integrantes da milícia que atuava na Muzema e em Rio das Pedras para liberar um veículo com irregularidades durante uma abordagem. A denúncia foi apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) e tem como base provas técnicas obtidas a partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça no âmbito da operação “Os Intocáveis”, que investigou a atuação de organizações criminosas na Zona Oeste do Rio. De acordo com o Ministério Público, o caso aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2019, durante uma operação de trânsito realizada por policiais militares do APTRAN do 18º BPM, em Rio das Pedras. Na ocasião, um veículo com irregularidades foi abordado pelos agentes, que chegaram a determinar sua apreensão e acionaram um reboque. No entanto, o motorista, conhecido como “Valdir do frete”, acionou integrantes ligados à milícia que dominava a região na época para evitar que o carro fosse levado. Ainda segundo a investigação, a partir desse contato, houve uma articulação entre os criminosos e os policiais militares, que resultou no pagamento de vantagem indevida para que o veículo fosse liberado. O Ministério Público aponta que os três policiais denunciados agiram em conjunto, de forma consciente, para receber a propina e deixar de cumprir o dever legal de apreender o automóvel. As provas reunidas indicam que, após negociações intermediadas por terceiros ligados ao grupo criminoso, o carro acabou sendo liberado, mesmo com as irregularidades constatadas inicialmente pelos próprios agentes. A investigação destaca ainda que o material utilizado para embasar a denúncia é majoritariamente técnico, baseado em interceptações telefônicas e cruzamento de dados, considerado mais robusto em casos envolvendo organizações criminosas, onde a prova testemunhal costuma ser limitada. Os três policiais foram denunciados pelo crime de corrupção passiva. Na denúncia, o Ministério Público também pede à Justiça a suspensão do exercício da função pública dos agentes no policiamento ostensivo, permitindo apenas atuação em funções administrativas, como forma de evitar a repetição de condutas semelhantes durante o andamento do processo. O caso remonta ao período em que a milícia ainda exercia forte controle territorial sobre a Muzema e regiões vizinhas, influenciando diretamente ações cotidianas — inclusive abordagens policiais. Agora, com a apresentação da denúncia, caberá à Justiça decidir se aceita a acusação e transforma o caso em ação penal.

Denúncia aceita: PMs são acusados de “cegar” câmeras em operação com morte em Itaboraí

Quase dois anos depois, a bomba estourou: a Auditoria da Justiça Militar aceitou a denúncia contra dois PMs acusados de manipular câmeras corporais em uma operação que terminou em morte, em Itaboraí. O caso ganha novos contornos com detalhes que levantam suspeitas graves sobre o que realmente aconteceu naquela ação. Segundo os autos, os policiais teriam sabotado as próprias câmeras para impedir o registro completo da ocorrência. O episódio aconteceu em 24 de agosto de 2024, na Rua Pedro Ferreira Pinto, no bairro Esperança, durante uma operação do 35º BPM na comunidade da Reta Velha. De acordo com a denúncia, um dos agentes simplesmente retirou a câmera do lugar e passou a apoiá-la em diferentes superfícies, além de bloquear a lente com o próprio corpo e até com a arma. O resultado: imagens comprometidas e partes cruciais da ação fora de registro. O outro PM não ficou atrás. Ele teria movimentado a câmera de forma excessiva e irregular, retirando o equipamento várias vezes da posição correta e também obstruindo a captação com a arma — um comportamento que, na prática, inviabilizou a documentação fiel da ocorrência que terminou com morte por intervenção policial. A suspeita é de que houve uma tentativa deliberada de esconder o que aconteceu durante a operação. Por isso, foi aberto um inquérito da Polícia Militar para apurar possível desobediência a normas internas que regulam o uso obrigatório das câmeras corporais. A investigação se baseou justamente no que restou das imagens e em depoimentos colhidos, que apontam indícios dos crimes atribuídos aos agentes. Os relatórios revelam diálogos e trechos que reforçam a linha de apuração. Para a Justiça Militar, há sinais claros de que os policiais agiram no exercício da função, mas violando deveres básicos do cargo, atingindo diretamente o interesse da administração pública. Os dois acusados têm a patente de 3º sargento. Agora, o caso entra em uma nova fase — e pode revelar o que ficou sem registro durante a operação.

Oruam recebeu dinheiro dos traficantes Doca e Pezão para viagens e festas, diz MP

Filho do traficsnte Marcinho VP, chefe máxima do Comando Vermelhio, o rapprr Oruam recebeu dinheiro de traficantes como Doca e Pezão para despesas pessoais, viagens, festas e investimento A informação consta em denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra VP, o cantor , sua mãe, Marcia Gama Nepomuceno, e outras nove pessoas por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil realizou uma operação na quarta-feira (29/04) para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra os denunciados.A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada descreve a atuação do grupo no “branqueamento” de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em comunidades cariocas. Também demonstra que Marcinho VP ainda exerce relevante influência hierárquica na facção criminosa Comando Vermelho, coordenando recursos financeiros e estratégias para a expansão da organização criminosa, mesmo estando preso há mais de 20 anos. De acordo com a denúncia, a gestora financeira do grupo é Marcia Nepomuceno. As investigações apontam que ela recebia regularmente dinheiro em espécie de outros traficantes do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, vulgo Pezão. Para ocultar o patrimônio, ainda segundo a denúncia, Marcia Nepomuceno adquiriu e administrava estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas. .A denúncia estruturou a organização criminosa em quatro núcleos: o de liderança encarcerada (Marcinho VP), que exerce controle direto sobre a movimentação de recursos e decisões estratégicas; o núcleo familiar (Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno), responsável por intermediar a execução das ordens e a gestão de ativos; o núcleo de suporte operacional (Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, vulgo Magrão, e Jeferson Lima Assis), que presta suporte à lavagem de dinheiro e atua como “testa de ferro” para a dissimulação patrimonial; e o núcleo de liderança operacional (Doca, Abelha, Pezão, Eduardo Fernandes de Oliveira, vulgo 2D, e Ederson José Gonçalves Leite, o Sam), atuante nas comunidades na execução das práticas criminosas, entre elas o tráfico de drogas, sendo seus integrantes responsáveis por receber valores dessas atividades e repassar parte deles ao núcleo familiar.

DO GÁS AO JOGO DO BICHO: o rastro de terror de “Marquinho Sem Cérebro”, alvo de operação do MP que mira nova cúpula da contravenção no Rio

Alvo de uma operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (30), suspeito de integrar e liderar uma nova cúpula da contravenção no estado, Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como “Marquinho Sem Cérebro”, não surgiu agora no radar das autoridades. Seu histórico é antigo — e marcado por episódios de violência, coerção e domínio territorial. Antes de ser apontado como peça-chave no esquema do jogo do bicho em Bangu, Marquinho já havia comandado uma milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatório da Justiça da década passada, ele e seus comparsas coagiam revendedores de gás na comunidade do Sandá, em Bangu, impondo restrições e limitando a venda do produto a comerciantes da própria região. O objetivo era claro: controlar completamente o comércio de gás na localidade. De acordo com os registros, Marquinho chegou a procurar pessoalmente um homem identificado como Arnaldo Flores, exigindo que ele deixasse a área de interesse da organização criminosa. A vítima inicialmente resistiu, mas acabou cedendo às ameaças, recolhendo seus pertences e abandonando a região.Mesmo assim, acabou sendo assassinado posteriormente. As ações do grupo não pararam por aí. Marquinho e seus aliados montaram ou adquiriram depósitos de gás em Bangu, consolidando o domínio sobre o setor. Após tomar o depósito de gás de um homem identificado como Armando, localizado no Sandá, toda a família dele passou a ser ameaçada. O recado, segundo os relatos, era direto: o criminoso havia chegado para dominar a região e quem ficasse em seu caminho, morreria. Na prática, a intimidação era constante. Marquinho e um policial militar apontado como seu sócio circulavam pelas ruas abordando vendedores e pessoas ligadas à família Flores, determinando que todos avisassem Armando e seus familiares para interromper imediatamente a venda de gás e fechar os depósitos. As ameaças, de acordo com os relatos, chegavam a ser feitas até por policiais militares que patrulhavam a área, ampliando o clima de medo entre os moradores e comerciantes. Mesmo após a prisão de Marquinho, o esquema de pressão teria continuado. O policial militar apontado como seu sócio, na tentativa de manter o monopólio da comercialização de gás, seguiu abordando vendedores, questionando — em tom de ameaça — os preços praticados. GUERRA NA CONTRAVENÇÃO Anos antes desses episódios, Marquinho já atuava em outro cenário igualmente violento: a disputa entre bicheiros. Com a prisão do contraventor Rogério de Andrade, seu rival Fernando Iggnácio passou a ordenar uma série de ataques aos pontos controlados pelo concorrente. E, segundo investigações, Marquinho Sem Cérebro, que era chefe de segurança de Iggnácio, participou diretamente dessas ações. A ordem era clara: destruir máquinas caça-níqueis e desestruturar a quadrilha rival, abrindo caminho para o domínio dos territórios na Zona Oeste. Em outro trecho das investigações, Marquinho chegou a ser flagrado combinando com o próprio Iggnácio o pagamento de propina a policiais civis, incluindo um delegado, para forjar flagrantes de porte de arma contra integrantes de grupos rivais — possivelmente policiais militares. A OPERAÇÃO DE HOJE Todo esse histórico ajuda a explicar por que Marquinho voltou ao centro das atenções. Nesta quinta-feira (30), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), cumpre 18 mandados de busca e apreensão contra uma nova cúpula do jogo do bicho em Bangu. A investigação é própria do Ministério Público. De acordo com o GAECO, o grupo criminoso seria liderado por Marquinho Sem Cérebro, que já está preso. A ação conta com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) da Polícia Civil e do 14º BPM (Bangu). Os mandados, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, têm como objetivo apreender documentos e materiais ligados a uma série de crimes, como: Segundo as investigações, Marquinho ascendeu dentro da chamada máfia da contravenção, principalmente na exploração de máquinas caça-níqueis, após a morte do bicheiro Fernando Iggnácio. Desde então, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo GAECO aponta a prática de múltiplos crimes pelo grupo, incluindo diversos homicídios registrados em Bangu a partir de 2021. Os mandados estão sendo cumpridos em Bangu, Senador Camará, Realengo, Recreio dos Bandeirantes e Marechal Hermes.

CV recorre à milícia: prints revelam pedido de ajuda para invadir áreas do PL e do TCP e ampliar domínio na Zona Oeste do Rio

Novos prints de conversas divulgados pela Polícia Civil e publicados pela BandNews FM em redes sociais escancaram uma aliança perigosa entre o miliciano André Boto e o traficante Gadernal, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho, em meio à disputa por territórios na Zona Oeste do Rio. Em um dos trechos mais reveladores, Gadernal pede apoio direto para avançar sobre áreas dominadas pela milícia do PL, sucessora do grupo de Zinho, e também por facção rival: “Aí homem me deixa forte para montar esse base para mim atacar Antares e 48. Carobinha estou com meus homens parados”. Antares, em Santa Cruz, e Carobinha, em Campo Grande, são redutos da milícia do PL, enquanto o 48, em Bangu, é área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A resposta de Boto evidencia o alinhamento imediato entre os dois: “Vou agitar isso para você. Amanhã vou desenrolar com o amigo lá. Ali é uma reta só”. Em outro momento, o tom violento da conversa fica ainda mais explícito, quando Boto fala sobre um rival direto da milícia do PL:“Pegar o Zulu lá e quebrar 80% das pernas dele”. Zulu é apontado como integrante da milícia do PL, o que reforça o nível de conflito interno e disputa por poder nas regiões dominadas por grupos paramilitares. Os dois também discutem possíveis invasões em outras áreas. Boto chega a oferecer suporte para uma ofensiva na Vila Sapê, em Curicica:“Se minha área fosse perto você já estaria lá, Vila Sapê é o maior favelão”. Na sequência, ele sugere outro ponto estratégico:“O Catiri é o ideal mesmo”.Gadernal responde demonstrando facilidade de acesso a outra região:“O Boqueirão eu consigo, posso entrar a hora que quiser”. O diálogo também revela pressão de outros grupos armados na região. Ao comentar sobre o Catiri, Boto afirma:“Os crias da Vila Kennedy não saem de cima”.Gadernal responde indicando movimentação de aliados:“Eles vão vir para o Alemão e Penha, mas confia. Quando eu entrar você vai estar acompanhando. Vou precisar da sua ajuda”. Em um dos trechos mais graves, o traficante revela uma estratégia para tomada de território: usar o nome de milicianos para “limpar” a área e depois entregar ao tráfico. Boto responde sem hesitar:“Isso é mole”. Os diálogos também citam Rio das Pedras, em Jacarepaguá, outro alvo do Comando Vermelho:“Lá só tem bunda rachada”, diz Boto.“Eles estão esculachando vários moradores”, responde Gadernal.“Eles sempre fazem isso. O dono de lá é um bunda rachada. Cuzão de primeira”, completa o miliciano. Por fim, os dois mencionam o histórico de violência no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes. Gadernal afirma:“Teve um mês que teve 40 homicídios”.Boto relembra um confronto envolvendo o grupo do miliciano Tandera, da Baixada Fluminense, que terminou com cinco mortos e seis feridos. Para investigadores, os prints reforçam um cenário alarmante: a aproximação entre milicianos e traficantes para coordenar ataques, expandir domínio territorial e intensificar a violência em comunidades da Zona Oeste do Rio.

PRINT EXPLOSIVO REVELA DIÁLOGO ENTRE MILICIANO E CHEFÃO DO CV DURANTE OPERAÇÃO NO RIO

Um print de conversa divulgado pelo programa Balanço Geral escancarou uma conexão direta entre milícia e tráfico no Rio de Janeiro — e acabou passando quase despercebido no meio da cobertura. A mensagem mostra o miliciano André Boto, que controla áreas em Curicica, na Zona Oeste, em contato com Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. No diálogo, Boto questiona se os complexos da Penha e do Alemão seriam a mesma região. Gardenal responde detalhando o domínio das facções: afirma que a Penha é controlada por Marcinho VP e Doca, enquanto o Alemão estaria sob influência de Marcinho VP e Pezão. A conversa vai além. Os criminosos também discutem possíveis invasões a áreas dominadas por milicianos, citando regiões como Carobinha, em Campo Grande; 48 e Catiri, em Bangu; e o Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — indicando articulações diretas sobre disputas territoriais entre grupos rivais. O material foi revelado pela polícia durante uma operação deflagrada nesta quarta-feira pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que mira o coração financeiro do Comando Vermelho — responsável por movimentar e esconder milhões do tráfico de drogas. Agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca. Entre os alvos estão nomes de peso da facção: Márcia Gama, companheira de Marcinho VP; o filho dela, o rapper Oruam, considerado foragido; além de lideranças como Sam, da Cidade de Deus; Pezão, do Alemão; Abelha, da Lapa; e Doca, da Penha. As investigações, conduzidas ao longo de cerca de um ano, revelaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pela facção. Segundo os agentes, valores provenientes do tráfico eram repassados a operadores financeiros que fragmentavam o dinheiro em contas de terceiros, pagavam despesas, adquiriam bens e ocultavam patrimônio para dificultar o rastreamento. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e o cruzamento de dados telemáticos e financeiros mostraram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados — evidência clara da origem ilícita dos recursos. Os diálogos interceptados reforçam ainda que, mesmo preso há anos, Marcinho VP segue como figura central no comando da organização criminosa. A ação faz parte da “Operação Contenção”, ofensiva do Governo do Estado para frear o avanço do Comando Vermelho. Até agora, segundo dados oficiais, mais de 300 criminosos foram presos, 136 mortos em confrontos, cerca de 470 armas apreendidas — sendo 190 fuzis — e mais de 51 mil munições recolhidas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas usadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos do esquema.

PMs São Expulsos por Ligação com Milícia Sanguinária, Venda de Armas e Sequestro na Zona Oeste do Rio

Dois policiais militares foram expulsos da corporação após serem apontados como integrantes de uma milícia violenta comandada pelo ex-PM conhecido como “Batata”, acusado de liderar uma organização criminosa envolvida em execuções, comércio ilegal de armas e domínio armado de territórios na Zona Oeste do Rio. Um dos agentes é acusado de vender armas de fogo de forma clandestina e de participar do sequestro de uma vítima identificada como A.S. Já o outro também é suspeito de atuar no esquema ilegal de armamentos. Além de “Batata”, a quadrilha contava com criminosos conhecidos como Rodriguinho, “2P” ou “Papai”, André Boto, Diony e Vitinho — todos apontados como peças-chave no funcionamento da organização. Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o grupo atuava como uma verdadeira máquina criminosa, praticando homicídios sob encomenda, corrupção e comércio ilegal de armas de uso restrito. As apurações revelaram que os próprios PMs tinham funções definidas dentro da organização. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que, entre outubro e novembro de 2021, o sargento Chagas negociava armas, munições e acessórios proibidos sem qualquer autorização legal. Já o sargento Da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, aparece como comprador recorrente desse arsenal clandestino em diferentes datas de 2021, sempre por meio de aplicativos de mensagem. Os crimes envolvem armamento de uso restrito, incluindo munições e equipamentos proibidos, movimentados de forma ilegal dentro da própria estrutura da milícia. A violência do grupo vai além do comércio de armas. Em agosto de 2021, Da Silva é acusado de sequestrar e manter uma pessoa em cárcere privado, reforçando o padrão de atuação brutal da quadrilha. As investigações também ligam o policial a um homicídio executado com extrema violência em Realengo. De acordo com os autos, no dia 4 de outubro de 2021, ele, ao lado de comparsas, abriu fogo contra um homem conhecido como “Alemão”, utilizando fuzil 7.62 e pistola 9mm, em plena luz do dia. A execução, segundo o Ministério Público, foi encomendada e paga pelo chefe da milícia, “Batata”, como parte de uma disputa por território criminoso. O ataque ocorreu em área urbana movimentada, colocando em risco a vida de inúmeras pessoas. O GAECO deflagrou uma operação em maio de 2025 para cumprir mandados de prisão preventiva contra os envolvidos. Os dois policiais chegaram a ser presos e ficaram detidos em unidade prisional da própria PM. O sargento Da Silva nega as acusações e afirma que o caso se baseia apenas em provas digitais, que estariam sendo contestadas pela defesa. Já Chagas também nega envolvimento e diz não conhecer as pessoas que o citaram nas investigações. Apesar das negativas, o Ministério Público denunciou os dois pelos crimes.

Empresário Morto por PMs no Rio Tinha Pendências na Justiça — Mas Nada Indica Relação com a Execução

A família do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, morto durante uma ação de PMs na Pavuna, na semana passada, planejava deixar o Rio de Janeiro e se mudar para Foz do Iguaçu (PR), onde ele enfrentava pendências judiciais. Daniel respondia a um processo por danos morais no Tribunal de Justiça do Paraná — cujo conteúdo não foi disponibilizado pelo órgão. Além disso, no ano passado, ele chegou a ser investigado por suspeita de descaminho, após tentar entrar no Brasil com mercadorias estrangeiras sem a devida declaração. O caso teve origem em uma representação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, após a apreensão de produtos em Foz do Iguaçu, em 15 de abril de 2025. O valor dos tributos envolvidos — cerca de R$ 6 mil — ficou abaixo do mínimo exigido para caracterizar crime de descaminho. Por isso, a Justiça considerou a conduta de baixo potencial ofensivo e arquivou o caso. Não houve prisão em flagrante, apenas a apreensão das mercadorias. Até o momento, não há qualquer evidência de que essas pendências tenham relação com a morte do empresário. A linha de investigação, na verdade, aponta para outro ponto considerado crucial: por que Daniel estava sendo monitorado pelos policiais horas antes de ser morto. Imagens de câmeras corporais mostram os PMs em contato com um informante, que relatava em tempo real os passos do empresário naquela noite — indicando que ele era acompanhado de perto antes da abordagem. Os vídeos também não sustentam a versão apresentada pelos agentes de que Daniel teria jogado o carro contra a equipe para justificar uma reação em legítima defesa. Os policiais foram presos por homicídio doloso, e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) concentra agora as apurações justamente na real motivação do crime — especialmente no motivo pelo qual o empresário passou a ser monitorado pelos agentes antes da ação que terminou em morte. “O GAESP/MPRJ também segue acompanhando o andamento das investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital para esclarecer as circunstâncias da ação policial, identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime”, diz a nota. A família disse que o carro do empresário foi atingido por 23 tiros. Ele morreu baleado na cabeça.

Terror no Pé Pequeno: Traficantes Impõem Lei do Medo, Vasculham Celulares e Controlam Até a Internet dos Moradores em Niterói

Moradores da comunidade do Pé Pequeno, no bairro de Fátima, em Niterói, vivem sob um verdadeiro regime de terror imposto por traficantes armados que dominam a região. Desesperados, eles chegaram a pedir socorro à polícia — mas o medo fala mais alto. Testemunhas se recusaram a depor formalmente na delegacia por receio de represálias violentas. Relatos colhidos pelas autoridades revelam um cenário assustador: criminosos revistam celulares de moradores como forma de controle e intimidação, além de obrigarem a população a utilizar apenas provedores de internet indicados pela própria facção, cortando qualquer outra opção. Quem desobedece, vira alvo. Investigações da 77ª DP (Icaraí) escancararam a ousadia dos bandidos. Alguns dos suspeitos aparecem monitorando a comunidade com rádios comunicadores, armados e posicionados como verdadeiros “soldados do tráfico”, exibindo armas na cintura ou sobre mesas, prontos para reagir a qualquer incursão policial ou ataque de facções rivais. Eles atuam diretamente na vigilância e proteção dos pontos de venda de drogas, garantindo o funcionamento do esquema criminoso a qualquer custo. As apurações confirmaram ainda que os traficantes armazenavam, transportavam e distribuíam diversas substâncias entorpecentes, com provas reunidas em documentos, fotografias e diligências policiais. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça decretou a prisão preventiva de oito suspeitos, todos ligados à facção criminosa Comando Vermelho. Entre os envolvidos, há menores de idade — o que escancara como o crime organizado segue recrutando jovens para sustentar sua máquina de violência e dominação.

DRACO DIZ QUE COMERCIANTES DAS ZONAS NORTE E OESTE DO RIO SÃO FORÇADOS PELA MILÍCIA A COMPARECER A LOCAIS PARA COMPRAR FARINHA DE TRIGO SOB MIRA DE FUZIS

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas recebeu, no dia 18 de abril, uma denúncia que expõe um esquema grave de exploração econômica com características típicas de atuação miliciana nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o documento obtido pela reportagem, as informações chegaram por meio de um canal institucional de denúncias anônimas e apontam que comerciantes estariam sendo coagidos a comparecer a locais previamente determinados, em datas específicas, para a retirada compulsória de mercadorias. Segundo o relato, os pontos de entrega são controlados por homens fortemente armados, portando fuzis e pistolas, que exercem vigilância ostensiva sobre a movimentação. A presença constante dos criminosos cria um ambiente de intimidação absoluta, anulando qualquer possibilidade de resistência por parte das vítimas. Ainda conforme a denúncia, os comerciantes vêm sendo obrigados, mediante grave ameaça, a adquirir insumos alimentícios — principalmente farinha de trigo — de fornecedores previamente indicados pelo grupo criminoso. A imposição ocorre em condições consideradas abusivas, com exigência de compra em quantidades superiores à demanda real, preços inflacionados e produtos de qualidade inferior. Quem se recusa a cumprir as ordens, segundo o documento, fica sujeito a retaliações que vão desde o fechamento do estabelecimento até ameaças à integridade física. Na prática, o esquema descrito aponta para a substituição do livre mercado por um monopólio criminoso, imposto mediante o uso da força. A dinâmica da operação também revela um nível de organização voltado a dificultar a ação das autoridades. Os comerciantes são convocados em datas variáveis, sem padrão fixo, e direcionados a locais fechados, sem qualquer identificação externa e inacessíveis ao público em geral. A estratégia, segundo os investigadores, reforça o caráter clandestino da atividade e indica planejamento estruturado. A denúncia se diferencia de informes anteriores recebidos pela polícia por apresentar elementos concretos de tempo, modo e local, incluindo a indicação de datas específicas para retirada das mercadorias e a presença ostensiva de homens armados nos pontos de entrega, o que confere maior precisão e possibilidade de verificação às informações. Diante desse cenário, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro entendeu que há indícios de atividade criminosa em plena execução, com impacto direto sobre a ordem pública e a livre iniciativa. Levantamento preliminar do setor de inteligência identificou que os endereços mencionados na denúncia correspondem a empresas formalmente constituídas. Entre os locais citados estão uma distribuidora de alimentos em Madureira, um galpão na Estrada dos Gouveias, em Santa Cruz, e uma empresa do mesmo ramo em Campo Grande. Segundo a análise, há indícios de um entrelaçamento societário entre essas empresas, com compartilhamento de sócios, endereços e atividades, o que pode indicar a existência de uma estrutura empresarial utilizada para dar aparência de legalidade ao esquema. Diante dos elementos levantados, a Polícia Civil representou à Justiça pela expedição de mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas e também nos endereços residenciais de sócios e administradores. A avaliação é de que documentos, registros informais, dispositivos eletrônicos e valores em espécie possam estar sendo mantidos fora dos estabelecimentos comerciais como forma de dificultar a investigação. A urgência da medida é reforçada por uma informação considerada crucial: comerciantes teriam sido convocados a comparecer ainda no mesmo fim de semana em que a denúncia foi feita, a um endereço em Madureira, para retirada das mercadorias impostas. Segundo o documento, o local estaria sendo guarnecido por diversos homens armados, caracterizando, na avaliação dos investigadores, um cenário de prática criminosa em curso ou prestes a se consumar. A polícia alerta que a demora na adoção de medidas pode resultar no perecimento de provas, seja pela rápida circulação das mercadorias, seja pela possibilidade de ocultação ou destruição de documentos e dispositivos eletrônicos, além de permitir a continuidade do esquema em larga escala.

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