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investigação

Imagens de câmera corporal flagrou suposta ameaça de morte de PM a suspeito já rendido. “Acabei de te ver de peça na mão! Se você não falar vou te esculachar e vou te matar”

Um processo que tramitou no Tribunal de Justiça revela detalhes de uma abordagem policial ocorrida em junho de 2025, no bairro do Fonseca, em Niterói. A análise das gravações das câmeras corporais de um policial militar envolvido na ocorrência, disponíveis na plataforma PJE-Mídias, mostra que é possível ouvir com clareza o momento em que um agente ameaça o suspeito já rendido. No áudio, o policial afirma: “cadê a cadê a peça? Eu te vi de peça na mão, acabei de te ver de peça na mão! Se você não falar vou te esculachar e vou te matar”. De acordo com os autos, a ameaça foi feita quando o suspeito já estava sob total controle dos agentes. Em seguida, o próprio policial recua parcialmente e reformula a fala, dizendo: “sem esculacho”. Ainda segundo o processo, as imagens registradas pelas câmeras corporais também indicam que o suspeito, que não apresentou resistência à abordagem, sofreu agressões físicas. Os registros apontam para o uso de violência durante a ação, em circunstâncias descritas como semelhantes à tortura. Apesar disso, o homem foi posteriormente condenado por tráfico de drogas, com base em provas encontradas no imóvel de sua então namorada. Durante a abordagem pessoal, nenhum material ilícito foi localizado com ele. A decisão judicial considerou válida a confissão do acusado, que teria informado aos policiais que havia drogas guardadas em outro endereço. A versão foi aceita sem questionamentos, mesmo sem a apreensão de entorpecentes ou outros indícios no momento da abordagem. Na sentença, o juiz entendeu que o acusado teria colaborado espontaneamente com os agentes, chegando inclusive a indicar o local onde os entorpecentes estavam armazenados. O documento não menciona a abertura de investigação em relação ao policial militar que aparece nas gravações fazendo a ameaça.

Morto pela polícia, traficante ‘Desenho’ era citado em processo por participar de torturas e humilhações na Vila Vintém (ADA)

O traficante Fabiano de Moura Leite, conhecido como “Desenho” e apontado como uma das principais lideranças do tráfico na Vila Vintém, em Padre Miguel, foi morto nesta semana durante uma operação policial na comunidade, na Zona Oeste do Rio. Um comparsa também morreu na ação. Ambos chegaram a ser socorridos e levados ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas não resistiram. Armas foram apreendidas. (um fuzil, duas pistolas, três granadas e seis carregadores para fuzil e pistola). A morte de Desenho ocorre em meio a um histórico de envolvimento com o comando do crime na região. De acordo com informações constantes em processos judiciais, ele já integrava, há anos, a estrutura da facção criminosa que atua na favela, exercendo papel de destaque na organização. Em um processo de 2012, que investigava a atuação de traficantes na Vila Vintém, Desenho é citado ao lado de outros integrantes do grupo acusado de práticas violentas contra moradores. Segundo os autos, vítimas relataram episódios de tortura, humilhação e ameaças, com especial incidência sobre mulheres. As ordens, ainda conforme a investigação, partiam de dentro do sistema prisional, sendo atribuídas ao então líder conhecido como “Celsinho da Vila Vintém”, apontado como responsável pelo controle dos pontos de venda de drogas na comunidade. A denúncia também descreve um cenário de intimidação sistemática, com ameaças direcionadas a testemunhas e vítimas, com o objetivo de impedir a colaboração com as autoridades. Os relatos indicam um ambiente de forte coerção, sustentado pelo uso ostensivo de armas de fogo e pela atuação organizada do grupo criminoso. Ainda segundo os documentos, a quadrilha apresentava elevado grau de periculosidade, com atuação estruturada e armamento diversificado, operando de forma semelhante a um “poder paralelo” nas áreas sob seu domínio. Além de Desenho e Celsinho, o processo menciona outros integrantes identificados por apelidos como “Perigo” (também conhecido como Piloto ou Dilico), “Velho” (ou Luquinha), “Zoio” (Mata Rindo ou Slay), Nazareno, “Pará” (ou Parasinho), Canelão e “Piolho” — este último posteriormente ligado ao Comando Vermelho. Todos foram reconhecidos por vítimas como integrantes da facção Amigos dos Amigos (ADA) e responsáveis por cumprir ordens da liderança do grupo. De acordo com as investigações, a organização exercia controle sobre diversas localidades, incluindo Vila Vintém, Curral das Éguas, Nogueira, Minha Deusa, 77 e Conjuntão. A operação que resultou na morte de Desenho integra ações das forças de segurança para conter a atuação de grupos criminosos na Zona Oeste. O caso segue sob investigação.

Processo revela como pessoas ligadas a Adriano da Nóbrega lavavam dinheiro da contravenção em Copacabana

Um processo em tramitação na Justiça do Rio de Janeiro escancara como o grupo ligado ao miliciano e contraventor Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em 2020, estruturou uma rede de empresas de fachada para lavar dinheiro de atividades criminosas, com atuação concentrada na Zona Sul da capital. De acordo com os autos, a organização utilizava firmas registradas formalmente em nome de “laranjas” para ocultar e dissimular valores oriundos de diversas práticas ilícitas. Essas empresas eram constituídas com capital social aparentemente regular e, na sequência, movimentavam recursos com aparência de legalidade em contas bancárias vinculadas a terceiros. A denúncia aponta que o grupo mantinha um núcleo operacional no Baixo Copacabana, voltado à exploração de atividades como venda e locação irregular de imóveis, grilagem de terras, agiotagem, cobranças ilegais, além do fornecimento clandestino de serviços como gás e internet. Esses negócios serviam como base para a geração e circulação de recursos ilícitos. Segundo a investigação, integrantes conhecidos como “Jacaré” e “Betinho” passaram a figurar como sócios de uma empresa distribuidora de produtos de couro, vestuário e calçados, constituída em maio de 2005. Ainda conforme os autos, a firma era utilizada como instrumento para a conversão de valores provenientes de crimes em ativos aparentemente lícitos, por meio da integralização de capital social e da movimentação financeira. Outras empresas também teriam sido criadas com a mesma finalidade, incluindo um depósito de bebidas, estabelecimentos ligados ao setor de construção e sinteko, além de um bar e uma pizzaria. A denúncia destaca que todas funcionavam como mecanismos de “reciclagem” de dinheiro, com uso de contas correntes em nome de terceiros para ocultar a origem, a propriedade e a localização dos recursos. Relatórios de inteligência financeira anexados ao processo indicam que a movimentação bancária dessas empresas era incompatível com as atividades declaradas. Ainda segundo os documentos, os titulares formais registrados na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA) não possuíam capacidade financeira compatível com os valores movimentados. Apontado como uma das principais lideranças do grupo, Adriano da Nóbrega — conhecido como “Capitão Adriano” — também era investigado por sua ligação com o bicheiro Bernardo Bello, especialmente na exploração de máquinas caça-níqueis na Zona Sul do Rio. Os autos indicam ainda a existência de um núcleo específico dedicado à lavagem de dinheiro proveniente da contravenção do jogo do bicho, sob liderança de Adriano. Ao longo das investigações, foram realizadas diligências para rastrear o patrimônio ligado ao grupo, incluindo bens em nome de familiares, associados e pessoas próximas, com o objetivo de identificar e responsabilizar os envolvidos pelo esquema de lavagem de dinheiro.

Veja as notas oficiais da PMERJ sobre o andamento das investigações das mortes de médica e de morador e traficantes no Morro dos Prazeres (CV). Vários policiais afastados

Saiba agora como estão as investigações no âmbito da PMERJ de dois crimes que estão causando muita polêmica no Rio: a morte da médica Andrea Marins no último fim de semana em Cascadura durante uma abordagem policial que perseguia suspeitos em Cascadura e de oito pessoas no Morro dos Prazeres entre eles um morador.  * Prazeres*  A Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, o comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) determinou a transferência imediata de quatro policiais da unidade, com retirada do serviço operacional e inclusão em atividades administrativas, não realizando policiamento nas ruas durante o período de apuração. A medida foi tomada após análise preliminar das ações realizadas na Comunidade dos Prazeres, na Região Central do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (18/03), quando foram identificadas atividades relacionadas ao mau uso das câmeras operacionais portáteis, de uso individual, por parte dos policiais. O afastamento busca assegurar a apuração rigorosa e transparente dos fatos, em conformidade com as normativas que regulamentam a utilização dos equipamentos.  No âmbito da Secretaria de Estado de Polícia Militar as investigações seguem a cargo da Corregedoria da Corporação. *Cascadura*  A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, de acordo com as análises preliminares dos setores técnicos da Corporação, foi identificado que as baterias das câmeras corporais utilizadas pela equipe estavam descarregadas no momento da ocorrência. Todos esses fatos seguem sob apuração integral da área correcional da SEPM. Vale ressaltar que na Corporação existem normas rígidas que determinam que os policiais, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mau funcionamento das câmeras, devem regressar à unidade de origem para substituição dos equipamentos. Os policiais seguem afastados dos serviços nas ruas.

Como a viúva de Adriano da Nóbrega transformou o espólio do miliciano em fonte de lucro

Operação do Ministério Público do Rio de Janeiro realizada nesta quinta-feira mira suspeitos de dar continuidade aos negócios do miliciano e contraventor Adriano da Nóbrega, morto em 2020. Documentos do processo revelam detalhes de como o patrimônio do ex-chefe de milícia teria continuado sendo movimentado mesmo após sua morte. De acordo com os autos, Júlia Lotufo, viúva de Adriano, com o auxílio de um aliado conhecido como “Orelha” (já falecido), teria atuado diretamente na movimentação de bens, valores e direitos provenientes das atividades criminosas da organização chefiada pelo miliciano. O objetivo, segundo a investigação, era ocultar e dissimular a real origem e propriedade desses ativos. Ainda conforme o processo, na condição de herdeira, Júlia teria recebido bens do espólio que estavam registrados em nome de “laranjas”. Em seguida, esses patrimônios eram negociados e transferidos a terceiros, em operações que buscavam dificultar o rastreamento pelas autoridades. Os investigadores apontam que a estratégia de ocultação era contínua: os bens nunca eram formalmente transferidos para o nome da viúva, sendo negociados em nome de terceiros. Os pagamentos, segundo consta, eram realizados principalmente em dinheiro vivo ou por meio de transferências para contas de empresas, o que reforçaria a tentativa de disfarçar a origem dos recursos. O caráter dissimulatório das operações, segundo o processo, fica ainda mais evidente pelo fato de Júlia já ter conhecimento de investigações em andamento que buscavam identificar e confiscar o patrimônio de Adriano. Mesmo assim, ela teria negociado os bens de forma clandestina, “por debaixo dos panos”, apropriando-se dos valores obtidos com as vendas. A investigação também aponta a existência de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo outras pessoas, entre elas o deputado estadual e hoje federal Juninho do Pneu. Um dos exemplos citados no processo envolve dois imóveis rurais localizados em Cachoeiras de Macacu, avaliados em cerca de R$ 3,5 milhões. Os bens, que pertenciam a Adriano, estavam registrados em nome de um “laranja” identificado como Edvaldo. Após a venda realizada pela viúva, o intermediário transferiu os imóveis para o nome do pai do deputado , apontado como o verdadeiro comprador.

Bares e whiskeria eram usados como fachada para movimentar dinheiro do tráfico de drogas na Lapa. Apontado como um dos chefes do esquema, Abelha não teve prisão decretada

Estabelecimentos comerciais eram usados como fachada para movimentar dinheiro do tráfico de drogas na Lapa, segundo processo que tramita no Tribunal de Justiça. Um deles era uma whiskeria. Anotações apreendidas contém a menção a um dos donos sendo ainda verificado um expressivo aumento na movimentação das contas de sua titularidade nos anos de 2024 e 2025, em relação ao biênio anterior, coincidindo com o período de incremento nas atividades da associação criminosa na região. O outro era um bar cujo dono atuava como “caixa” do tráfico, recebendo pagamentos de usuários via pix ou cartão, em troca de dinheiro em espécie, que seria utilizado para comprar drogas dos traficantes locais. Consta dos autos comprovante de transferência via pix, contendo os dados do proprietário Havia um terceiro comércio envolvido, utilizado para realizar “saque pix” para o tráfico de drogas, havendo movimentação de elevadas quantias nas contas do proprietário do estabelecimento comercial nos anos de 2024 e 2025. Para realizar a Operação Colmeia, a polícia usou diversas fotografias dos investigados nos pontos de vendas de drogas, bem como fotografias extraídas de redes sociais, material que possibilitou a realização de perícia para identificação dos criminosos havendo ainda diálogo sobre armas e munições e fotos com exibição de fuzil e pistolas e grande quantidade de dinheiro e entorpecentes; Segundo os autos, envolvidos demonstram periculosidade, acreditando na impunidade, tendo praticado ações violentas, inclusive tortura. Apontados como os chefes do esquema, os traficantes Abelha e Piu não tiveram inicialmente as prisões preventivas decretadas sob alegação de que os indícios de autoria coligidos até o presente momento não são fortes o suficiente para decretação da prisão preventiva. Piu, no entanto, foi reconhecido por uma tsetemunha como tendo comparecido frequentemente ao ponto de venda de drogas. Com isso, a Justiça argumentou ser necessária a decretação da prisão preventiva para garantia de ordem pública dado o papel de relevo ocupado na associação criminosa. A polícia chegou até a residência de Piu onde havia piscina, churrasqueira. e academia de ginástica, Sobre Abelha, não foram apresentados novos elementos capazes de robustecer os indícios de autoria. A testemunha apontou a fotografia do denunciado Wilton como sendo o Abelha, o depoente afirmou que não via mais Abelha na Travessa Mosqueiro e Joaquim Silva, asseverando que era Piu quem estava com frequência no local.

O legado milionário de Adriano da Nóbrega. Tem até político envolvido

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), cumpre, nesta quinta-feira (19/03), dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa que era liderada e depois sucedeu o ex-miliciano e contraventor Adriano da Nóbrega, morto em março de 2021. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da Comarca da Capital, a pedido do MPRJ. Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas, entre elas um deputado federal.O GAECO/MPRJ dividiu as acusações da “Operação Legado” em três ações penais. A primeira trata da lavagem de dinheiro oriundo do jogo do bicho na Zona Sul do Rio; a segunda descreve a atuação da organização criminosa associada ao capitão Adriano; e a terceira envolve o branqueamento de patrimônio do grupo. A investigação do Ministério Público do Rio dedicada a rastrear e recuperar o espólio oculto da organização criminosa identificou dois imóveis rurais que pertenciam ao miliciano, embora registrados em nome de terceiros, avaliados em R$ 3,5 milhões. Segundo o GAECO/MPRJ, após a morte do então companheiro e ciente da existência de investigações sobre o patrimônio, a viúva de Adriano, Julia Lotufo, promoveu a venda das propriedades ao deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu. O parlamentar foi denunciado, mas não há mandados expedidos contra ele.O Ministério Público Federal se manifestou pela ausência de atribuição, uma vez que os fatos investigados relacionados à lavagem de dinheiro não possuem relação direta com o exercício do mandato, afastando a incidência de foro por prerrogativa de função.A segunda denúncia expõe um esquema milionário de lavagem de dinheiro proveniente dos lucros com a exploração do jogo do bicho na Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana. De acordo com o GAECO/MPRJ, Adriano da Nóbrega controlava esses pontos da contravenção em parceria com o bicheiro Bernardo Bello. As investigações identificaram empresas de fachada criadas e operadas com o objetivo de receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho. A análise de apenas quatro empresas ligadas ao investigado aponta transações que superam R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano. Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na Zona Norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos. Entre os denunciados está Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano da Nóbrega. A terceira ação penal trata dos integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade após sua morte. As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o GAECO/MPRJ, Julia Lotufo atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular.

Um dos traficantes que comanda a Lapa foi solto este ano

O Disque Denúncia (2253-1177) divulga, nesta quarta-feira (18), uma cartaz para auxiliar nas investigações da 5ª DP (Mem de Sá), a fim de obter informações que levem à localização e prisão dos traficantes Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como “Abelha”, de 55 anos, um dos principais chefes da Organização Narcoterrorista Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro e Anderson Venâncio Nobre de Souza, vulgo “Piu ou Português”, de 47 anos. Os dois estão cadastrados no sistema penitenciário como sendo de “Altíssima Periculosidade” e comandam o tráfico de drogas na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro.   As investigações começaram em outubro de 2024 na 5ª DP (Mem de Sá), que em novembro do ano passado indiciou 25 traficantes e pediu a prisão deles. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do RJ/Gaeco, que denunciou 30 pessoas. A delegacia identificou que a venda de entorpecentes na Lapa partia do Morro do Fallet/Fogueteiro – localizada na região central do Rio de Janeiro, estendendo-se pelos bairros de Santa Teresa e Rio Comprido. As investigações também apontaram que o maior ponto de drogas fica a 200 metros dos Arcos da Lapa, na região entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva., e que também  teriam invadido casarões abandonados, e as transformaram em ponto de vendas de entorpecentes, que por sua vezes, eram anunciados no meio da rua, como em um “feirão”. As drogas que abastecem esses pontos são embaladas no Fallet/Fogueteiro e enviadas por táxis, mototáxis e “mulas” — quase sempre mulheres. “ Todas os tipos de drogas são vendidas nessas bocas de fumo, como maconha, cocaína, haxixe, crack e drogas sintéticas de toda a natureza”, afirmou o delegado Uriel Alcantara. Os dois são conhecidos por seus subordinados, na região como a “Tropa do Mel”, se referindo ao “Abelha” e “Tropa do Português”. As investigações que levaram à Operação Colmeia, deflagrada nesta terça-feira (16) pelas forças de segurança do RJ, apontavam que os traficantes liderados por “Abelha” e “Piu” também torturavam dependentes químicos que rondavam as bocas de fumo da Lapa. Eles também impuseram em meados do ano passado uma “taxa” diária a comerciantes que montam barracas no entorno da Escadaria Selarón, um dos pontos mais movimentados do bairro, e são obrigados a pagar até R$ 130 por dia. A polícia identificou comprovantes de transferências em nome do traficante de vulgo “Di Mulher”, comparsa de Abelha. Abelha é considerado um dos criminosos mais procurados do Rio. Ele está foragido desde julho de 2021, quando foi solto irregularmente pela porta da frente do Complexo de Bangu, apesar de possuir mandados de prisão ativos que somavam mais de 18 anos de pena. Em março de 2025, uma investigação anterior da 5ª DP já havia estourado um “bunker” ligado ao traficante na Lapa, um imóvel com passagens secretas e portas reforçadas usado para armazenamento de carga e esconderijo de criminosos. No final de 2023, a cúpula do Comando Vermelho (CV) decidiu afastar “Abelha” da presidência da organização após uma série de mortes e desavenças internas, marcando uma reestruturação nas lideranças do grupo. Alguns dos motivos seria que ele teria expulsado um traficante identificado como “Dourado” da comunidade da Providência sem a devida autorização do conselho. Ele também teria sido  responsabilizado por ordenar execuções de membros da própria facção que não haviam sido aprovadas pelas lideranças superiores, o que gerou instabilidade interna. Diante dessas condutas consideradas indisciplinadas, a liderança máxima do CV — decidiu colocar no cargo o traficante  Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, chefe do tráfico do Complexo do Alemão, na Zona Norte.  Segundo levantamento das inteligências das policiais do Rio, “Abelha” estaria se escondendo na Comunidade da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio.  Anderson Venâncio, o “Piu”, atualmente, estava em liberdade condicional desde fevereiro deste ano, mas segundo informações ele não estaria assinando os termos da liberdade, junto ao Patronato Magarinos Torres (PMT) e não usava tornozeleira eletrônica.   Contra o traficante “Abelha”, constam 08 mandados de prisão, pelos mais diversos crimes e contra “Piu”, consta um mandado pelo crime de tráfico de drogas.  O Disque Denúncia, pede que quem tiver informações sobre a localização dos dois criminosos,  favor entrar em contato  pelos seguintes canais de atendimento:     Central de atendimento/Call Center: (021) – 2253 1177 ou 0300-253-1177WhatsApp Anonimizado: (021) – 2253-1177 (técnica de processamento de dados que remove ou modifica informações que possam identificar uma pessoa)Aplicativo: Disque Denúncia RJAnonimato Garantido

Relatório revela como líderes do Comando Vermelho mantêm comando da facção mesmo atrás das grades

Relatório do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro aponta que, mesmo submetidas a regimes mais rigorosos em presídios federais, lideranças do tráfico seguem exercendo comando estratégico sobre o Comando Vermelho, influenciando a destinação de recursos, a expansão territorial e a mediação de conflitos internos. De acordo com as investigações, esses criminosos mantêm ativa a capacidade de liderança por meio, principalmente, da atuação de familiares, que funcionam como intermediários na transmissão de ordens. Esses canais recebem as diretrizes da cúpula encarcerada em unidades federais e as repassam a lideranças locais — sejam foragidas ou presas em unidades estaduais — preservando a hierarquia e o fluxo centralizado de decisões no chamado “Conselho Permanente” da facção. Ainda segundo o relatório, participariam desse esquema Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, companheira do traficante Marcinho VP, e o sobrinho dele, Landerson Lucas dos Santos, ambos considerados foragidos da Justiça. A defesa dos investigados tentou revogar os mandados de prisão, citando como precedente o caso do vereador Salvino Oliveira, que teve a prisão temporária suspensa por decisão liminar sob o argumento de ausência de elementos concretos que o vinculassem à organização criminosa. O pedido, no entanto, foi rejeitado.

Confira a acusação formal que existe na Justiça contra um coronel da PM suspeito de ligação com a milícia que foi nomeado para cargo no Rio

O coronel da Polícia Militar Marcelo Moreira Malheiros voltou ao centro das atenções após ser nomeado para um cargo no Porto do Rio, em meio a acusações graves que tramitam na Justiça. De acordo com denúncia apresentada no âmbito judicial e citada em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o oficial é acusado de ter integrado uma organização paramilitar, estruturada nos moldes de milícia privada, com atuação na comunidade da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio. Segundo a acusação, o grupo exerceria controle territorial com o objetivo de praticar crimes como extorsão, receptação, corrupção ativa e porte ilegal de armas de fogo. Ainda conforme o Ministério Público, o coronel teria solicitado e recebido vantagem indevida em razão da função pública, além de ter, supostamente, retardado ou deixado de praticar atos de ofício — como prisões em flagrante — relacionados a integrantes da milícia. A denúncia também aponta que o oficial teria determinado a realização de operações policiais com o objetivo de conter o avanço de traficantes em áreas dominadas pela milícia, o que, segundo os investigadores, acabaria favorecendo a atuação do grupo paramilitar. Outro ponto destacado na acusação é o suposto vazamento de informações sigilosas. De acordo com o processo, o coronel teria revelado ou facilitado o acesso a dados que deveriam permanecer sob sigilo, causando prejuízos à administração militar e às ações de combate ao crime na região. As investigações, ainda segundo a denúncia, se baseiam em relatórios, interceptações telefônicas e análises telemáticas autorizadas pela Justiça, que indicariam uma relação próxima entre o oficial e integrantes da milícia. Entre os nomes citados está o de Cláudio Rodrigo Monteiro, conhecido como “Ceta”, apontado como um dos envolvidos no esquema e também denunciado no mesmo processo (nº 0168043-86.2023.8.19.0001), em tramitação na Justiça do Rio. Diante dos elementos apresentados, o Ministério Público solicitou medidas cautelares contra o coronel, incluindo a suspensão do exercício da função pública, a proibição de acesso a dependências militares e a suspensão do porte de arma. Os pedidos foram acolhidos pelo juízo de primeira instância. O espaço segue aberto para manifestação da defesa do coronel Marcelo Malheiros.

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