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homicidio

Racha na milícia, execução de motoristas e ataques com granadas: documentos revelam bastidores da guerra que abriu caminho para ofensiva do CV no Catiri

A guerra travada entre o Comando Vermelho e a milícia do Catiri, em Bangu, foi marcada por atentados com granadas, assassinatos de motoristas de vans e uma disputa interna entre antigos aliados que acabou facilitando a ofensiva da facção para tomar uma das áreas mais estratégicas da Zona Oeste do Rio. Os detalhes aparecem em depoimentos prestados por policiais civis e militares em processo judicial obtido pela reportagem. Segundo os relatos, a crise teve início após a morte do miliciano Marquinhos Catiri. A partir daí, o grupo passou a ser dividido por uma disputa entre os criminosos conhecidos como “Montanha” e “Pirulito”. Este último, ao deixar a prisão, teria retomado a briga pelo controle da região e recebido o apoio de “Gordinho”, apontado como responsável pelo sistema de transporte alternativo local. Sem força suficiente para enfrentar os rivais sozinho, o grupo ligado a “Pirulito” teria buscado apoio do Comando Vermelho. A aliança acabou abrindo as portas para a entrada da facção na disputa territorial. De acordo com os investigadores, o interesse do CV pelo Catiri vai além da expansão do tráfico. A região fica próxima ao Complexo Penitenciário de Bangu, considerado um ponto estratégico pelos criminosos. Ataques com granadas e terror em ponto de vans Os depoimentos revelam que, durante o auge dos confrontos, integrantes do Comando Vermelho realizaram diversos ataques contra o sistema de vans controlado pelos milicianos. Em uma das ações, criminosos armados em uma motocicleta abriram fogo em um ponto de vans próximo à 34ª DP, lançaram uma granada e roubaram as chaves dos veículos, obrigando os motoristas a interromperem a circulação. Testemunhas correram para dentro da delegacia em busca de proteção. A polícia também relatou que dois motoristas de vans ligados ao grupo rival foram mortos durante a escalada da guerra. “Cria do Catiri” recebia armas e pagamentos para atacar a milícia As investigações apontaram que um dos homens identificados como participantes dos ataques era um morador nascido e criado no Catiri, que teria se aliado ao Comando Vermelho em meio à guerra. Segundo os policiais, o próprio suspeito admitiu que recebia armamentos e pagamentos da facção para participar das investidas contra a milícia. Ele teria revelado ainda que costumava utilizar um fuzil Colt nos ataques e que, no momento em que foi localizado na Vila Kennedy, estava apenas com uma pistola porque “a facção só havia deixado aquela arma com ele”. Polícia aponta que ofensiva partia da Vila Kennedy Ainda segundo os depoimentos, a Vila Kennedy se transformou em uma espécie de base para os ataques contra o Catiri. Policiais militares afirmaram em juízo que diversas operações foram realizadas porque criminosos saíam da comunidade dominada pelo Comando Vermelho para promover invasões e atentados contra a milícia. As investigações identificaram uma motocicleta Yamaha Lander preta como sendo utilizada em alguns desses ataques, incluindo ações na região da Cancela Preta e nas proximidades da própria 34ª DP. Os depoimentos reunidos no processo mostram que a guerra no Catiri, que ainda provoca tensão na região, não surgiu apenas da disputa entre tráfico e milícia. Segundo os investigadores, ela foi impulsionada por um racha dentro da própria organização paramilitar, cenário que acabou sendo aproveitado pelo Comando Vermelho para tentar assumir o controle do território.

Uma semana antes de mototaxista ser morto no Quitungo (CV), traficantes avisaram que trabalhadores de aplicativo estavam proibidos de circular na região. Vítima foi avisada do risco e mulher sonhou o pior

Uma semana antes do assassinato do mototaxista de aplicativo Sandro Castro Menezes, na comunidade do Quitungo, em Brás de Pina, uma publicação em rede social já alertava que traficantes da região estariam proibindo a circulação de trabalhadores em determinadas áreas. A mensagem afirmava que estaria vetada a circulação de mototaxistas e motoristas de aplicativo nas comunidades do Dourado e da Tinta, especialmente nas ruas Pedro Ruffino, General Carvalho Oliveira Melo e José Lopes. Nesse intervalo, um motoboy chegou a ser sequestrado na comunidade da Tinta. Apesar de informações iniciais de que ele teria sido executado, o rapaz foi posteriormente localizado pela Polícia Militar. Segundo relatos, os criminosos o teriam abordado sob a alegação de que ele portava fotos e vídeos de um baile na Cidade Alta, área dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), grupo rival do Comando Vermelho (CV), que atua no Quitungo. Nas redes sociais, a esposa de Sandro também se manifestou. Ela afirmou que o marido provavelmente teria entrado por engano em uma rua na região da Penha e acabou sendo levado para o Quitungo, onde teria sido agredido. Em uma das postagens, escreveu que esperava que ele estivesse “fazendo alguma besteira, como bebendo com amigos ou com outra mulher”, mas não o pior cenário. Ela relatou ainda que chegou a sonhar com Sandro voltando para casa bastante ferido. Ao perceber a demora do marido, tentou contato por meio do aplicativo de transporte, sem sucesso. Levou a filha à escola, e a criança perguntou pelo pai, dizendo que ele estava demorando. Pouco depois, a família recebeu a confirmação da morte por meio de um policial. Em outra publicação, uma pessoa afirmou ter alertado Sandro sobre os riscos da região, mas disse que ele costumava brincar, afirmando que “entrava em qualquer lugar sem medo”. Moradores da área também relataram em páginas locais que criminosos estariam impondo restrições à circulação de trabalhadores, com registros de sequestros e ameaças a pessoas que entram por engano na comunidade. Essas páginas passaram a recomendar que motoristas e entregadores evitem a região, alegando que suspeitos estariam abordando veículos e, em alguns casos, retendo vítimas. O corpo de Sandro foi encontrado na manhã desta terça-feira (16), na Rua Francisco Enes, com marcas de tiros e sinais de tortura. Segundo familiares, ele saiu de casa por volta das 19h de segunda-feira (15) para trabalhar e não retornou. Durante a noite, a família tentou contato diversas vezes, sem sucesso. Parentes acreditam que ele possa ter entrado por engano em uma área dominada pelo crime organizado durante uma corrida na região da Penha. O corpo apresentava mais de 20 perfurações por arma de fogo. A Polícia Militar informou que agentes do 16º BPM (Olaria) foram acionados para uma ocorrência de encontro de cadáver com marcas de disparos. A área foi isolada para a realização da perícia da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que assumiu a investigação do caso.

Justiça decreta prisão de Isaias do Borel suspeito de mandar matar traficante que pretendia pular do CV para o TCP. Vítima teria sido esquartejada e teve o corpo jogado para porcos comerem, segundo denúncia

A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de Isaias do Borel, apontado pelas investigações como um dos mais antigos líderes do Comando Vermelho (CV) na Zona Norte da cidade, acusado de mandar executar um integrante da própria facção que estaria tentando trocar de lado e se juntar ao grupo rival Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo o Ministério Público, a vítima foi torturada, assassinada, esquartejada e teve os restos mortais entregues a porcos para serem devorados. A ordem de prisão também foi expedida contra o traficante conhecido por “Rafael”, apontado como subordinado de Isaias e um dos responsáveis por colocar a execução em prática. De acordo com as investigações, a vítima integrava o Comando Vermelho, mas passou a ser considerada traidora após surgirem informações de que pretendia abandonar a facção e migrar para o TCP. A suposta mudança de lado teria resultado em uma sentença de morte aplicada em um dos chamados “tribunais do tráfico”, mecanismo utilizado por organizações criminosas para punir integrantes considerados desleais. Segundo a denúncia do Ministério Público, após tomarem conhecimento da suposta traição, criminosos ligados ao Borel decidiram executar o rapaz. A acusação sustenta que a ordem partiu de Isaias do Borel e foi cumprida por seus subordinados. As investigações apontam que uma das principais testemunhas do caso foi a companheira da vítima, que relatou às autoridades toda a sequência de acontecimentos envolvendo o desaparecimento do namorado. O depoimento, considerado detalhado e consistente pelos investigadores, ajudou a embasar a identificação dos suspeitos, juntamente com registros de ocorrência, reconhecimentos e outros elementos reunidos durante a apuração. A decisão judicial destaca a extrema brutalidade do crime. Conforme os elementos reunidos no inquérito, a vítima teria sido submetida a sessões de tortura antes de ser assassinada. Após a execução, o corpo foi esquartejado e os restos mortais teriam sido entregues a porcos, numa tentativa de destruir evidências e dificultar a localização do cadáver. A prisão de Isaias ocorre em um momento de forte tensão no Maciço da Tijuca, região que há meses vive uma guerra entre facções criminosas. O Comando Vermelho vem tentando expandir sua influência em áreas estratégicas da região, cenário que tem provocado confrontos armados, operações policiais e deixado moradores em constante clima de insegurança. Apontado pelas investigações como uma das lideranças históricas do CV no Borel, Isaias é considerado uma figura de peso dentro da estrutura da facção na Tijuca, uma das regiões mais disputadas por grupos criminosos na capital fluminense. Ao decretar as prisões preventivas, a Justiça destacou que há indícios de que o assassinato foi praticado no contexto de um “tribunal do tráfico” e ressaltou a gravidade concreta dos fatos. O magistrado também apontou o risco de reiteração criminosa e a possibilidade de intimidação de testemunhas caso os acusados permaneçam em liberdade. Na decisão, o juiz enfatizou que o modo como o crime foi executado — com tortura, esquartejamento e destruição dos restos mortais — demonstra elevado grau de violência e periculosidade dos investigados. Os mandados de prisão já foram expedidos. Caso não sejam localizados pelas forças de segurança, Isaias do Borel e Rafael passarão a ser considerados foragidos da Justiça. A decretação da prisão de Isaias ocorre em meio a uma das mais violentas disputas territoriais do Rio de Janeiro. Nos últimos meses, o Maciço da Tijuca tem sido palco de uma guerra envolvendo traficantes do Comando Vermelho, que tentam avançar sobre comunidades estratégicas da região, incluindo a Casa Branca e a Chácara do Céu, áreas dominadas por facções rivais.

Devido a discussão por videogame, mulher induziu criança a ir a boca de fumo em São Gonçalo acusar falsamente rapaz de estupro. Traficantes o agrediram até a morte

Uma criança de 14 anos foi instruída a ir a uma boca de fumo na comunidade Nova Grécia, em São Gonçalo, acusar um rapaz chamado Patrick de tê-la estuprado e que batia nos seus pais e irmãos. A falsa acusação arquitetada por terceiros acabou levando traficantes locais a capturá-lo e submetê-lo a inúmeras agressões físicas que culminaram no seu óbito. Segundo a investigação, uma das autoras da acusação tinha desavenças com a vítima por causa de uma disputa material mesquinha (a cobrança da devolução de um videogame) e acabou simulando uma grave ofensa sexual para instrumentalizar o braço armado do tráfico de drogas e obter a morte da vítima Um mototaxista levou rapaz até o ponto de venda de drogas e Patrick foi de bom grado acreditando ser uma situação que conseguiria resolver.Os bandidos então levaram Patrick que estava sendo acusado de estuprar uma bebê de quatro anos, uma menina de quatro anos e uma adolescente de 14 anos. Testemunhas foram a procura do rapaz. Uma delas foi impedida de subir para a boca de fumo. Elas passaram pelas comunidades da Favelinha e Mangueirinha. Uma destas testemunhas conversou novamente com o mototaxista que levou Patrick até os traficantes e ele lhe disse que o jovem não mais voltaria pois estava amarrado pelos pés e pelas mãos. O declarante retornou á Nova Grècia e soube que os traficantes conversaram com o chefe da boca que liberou a entrada de uma pessoa próxima a Patrick para verificar o corpo mas o rapaz ainda estava vivo. Os bandidos obrigaram essa pessoa a bater mais em Patrick com pedaço de madeira mas esta se recusou e o rapaz foi agredido ainda mais . Segundo os relatos, haviam seis homens com camisa amarrada no rosto. Eles gritaram que Patrick havia estuprado um bebê de quatro meses, uma menina de 04 anos e uma menina de 14 anos;. Um dos suspeitos estava muito alterado e gritando. “Você gostaria que fosse sua filha que tivesse sido estuprada” Os familiares de Patrick desceram com ele e o levaram ao hospital onde ele faleceum Uma testemunha relatou que a criança que acusou Patrick foi até a sua casa informando que estava assustada e que o rapaz apenas havia brincado com ela de colocar o pé na frente e que não tinha feito nada com ela. Falou que em 23 de fevereiro de 2026, apareceram dois homens em sua casa ameaçar sua família mas a situação depois ficou resolvida, O enterro de Patrick ocorreu no domingo de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, a testemunha conversou com o mototaxista que levou Patrick até a boca de fumo e este lhe disse que arrependeu do feito, A Justiça decretou a prisão preventiva deste mototaxista (vulgo Calabresa( e de uma mulher (conhecida como CR) que teria induzido a criança a fazer acusações contra Patrick,

Justiça manda prender cúpula do CV apontada como responsável por guerra sangrenta em Costa Barros. Traficante preso em cadeia federal comanda ações

A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de seis traficantes apontados como integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV) responsáveis por comandar as ofensivas armadas lançadas a partir do Complexo do Chapadão e da comunidade da Proença Rosa para tomar o controle do Morro do Chaves, em Costa Barros, na Zona Norte do Rio. Entre os alvos está Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o “Nando Bacalhau”,preso em penitenciária federal e apontado pelas investigações como uma das lideranças da guerra que há anos provoca mortes, tiroteios e sucessivas invasões na região. Além de Nando Bacalhau, tiveram a prisão preventiva decretada Rodrigo Santos, o “Pará da Xica”; Leandro dos Santos, conhecido como “Teta” ou “2T”; André Gonçalves, o “Gordão” ou “Javali”; Fabrício Ferreira da Silva, o “Bessa”; e Vinicius Santos Cardoso e Silva, o “Feijão”. A decisão foi tomada após denúncia do Ministério Público relacionada ao assassinato de Iury, morto em 14 de fevereiro deste ano durante uma incursão armada atribuída ao Comando Vermelho. Para a magistrada, porém, o crime não pode ser analisado de forma isolada, já que teria ocorrido dentro da disputa territorial travada entre CV e Terceiro Comando Puro (TCP) pelo controle do Morro do Chaves. Segundo a denúncia, Iury foi baleado durante uma invasão promovida por integrantes do Comando Vermelho em território então dominado pelo TCP. A mãe da vítima, Carla Cristiane, afirmou ter sido informada de que o filho foi atingido durante o confronto provocado pela invasão da facção. Outra testemunha, identificada como Jéssica, declarou ter conhecimento de que a comunidade sofreu uma tentativa de invasão naquela mesma noite. Já Brenda, companheira da vítima, relatou que Iury morreu ao tentar escapar da ofensiva armada promovida pelos criminosos. Os depoimentos reunidos pela investigação apontam que o Morro do Chaves era dominado pelo Terceiro Comando Puro e que existe há anos uma intensa disputa territorial entre a facção e o Comando Vermelho. As testemunhas afirmaram que o CV vinha realizando sucessivas investidas armadas na região para expandir seu domínio, promovendo ataques cujo objetivo era, segundo trecho reproduzido na decisão judicial, “matar quem estiver na pista e subtrair drogas e armas”. As declarações das testemunhas foram reforçadas por relatórios de inteligência da Polícia Civil que descrevem o Morro do Chaves como um dos principais focos da guerra entre facções na Zona Norte do Rio. De acordo com os investigadores, traficantes vinculados ao Complexo do Chapadão e à comunidade da Proença Rosa vinham promovendo sucessivas ofensivas contra áreas controladas pelo TCP. A decisão judicial destaca que essas ações eram encabeçadas e promovidas pelos denunciados, que teriam atuado na coordenação da estratégia de expansão territorial do Comando Vermelho. Segundo a investigação, as incursões não eram episódios isolados, mas operações inseridas em um plano contínuo para eliminar integrantes da facção rival e consolidar o domínio do tráfico de drogas na região. Ao analisar o pedido de prisão, a magistrada ressaltou que ações dessa natureza pressupõem uma estrutura organizada, com divisão de funções, cadeia hierárquica e planejamento prévio. Para a Justiça, há indícios de que os executores dos ataques atuavam como integrantes de uma engrenagem criminosa maior, subordinada às lideranças responsáveis pelas decisões estratégicas da facção. A decisão afirma ainda que existem elementos indicando que os autores diretos das invasões não agiam por iniciativa própria, mas como parte de uma ação coordenada pelo Comando Vermelho para eliminar rivais e ampliar seu domínio territorial. Nesse contexto, o homicídio de Iury teria ocorrido durante uma ofensiva inserida na estratégia de guerra da organização criminosa. A magistrada também menciona a existência de um “aparato organizado de poder”, no qual os executores funcionariam como agentes substituíveis dentro da estrutura criminosa, enquanto as lideranças exerceriam domínio sobre os fatos praticados por intermédio da organização, valendo-se da hierarquia e da disciplina impostas pela facção. Ao decretar as prisões, a Justiça destacou que os acusados integram uma organização criminosa armada com forte poder de fogo e influência sobre áreas conflagradas. A decisão afirma que o grupo promove um “verdadeiro regime de terror e guerra por domínio territorial”, circunstância que justificaria a necessidade da medida para garantir a ordem pública. A magistrada também considerou que a liberdade dos investigados representa risco concreto de continuidade das atividades criminosas e de novos episódios de violência, além da possibilidade de utilização da estrutura da facção para evitar a aplicação da lei penal. Os mandados de prisão expedidos pela Justiça têm validade de 20 anos.

Justiça afasta delegado após investigação levantar hipótese de que tiro que matou empresário Daniel Patrício não partiu de PMs

Um documento da Justiça do Rio de Janeiro trouxe um novo elemento para o caso da morte do empresário Daniel Patrício. Segundo decisão judicial, uma investigação complementar conduzida pela Delegacia de Homicídios passou a trabalhar com a hipótese de que o disparo que matou a vítima pode não ter sido efetuado pelos policiais militares acusados do crime. Os PMs Rafael Assunção Marinho e Rodrigo da Silva Alves respondem a uma ação penal por homicídio qualificado. No entanto, durante o andamento do processo, integrantes da investigação decidiram seguir uma nova linha de apuração. De acordo com a decisão, o delegado adjunto Robinson Gomes Pereira informou ao juízo que foi procurado por um perito criminal que teria identificado uma possível dinâmica diferente da apresentada até então no processo. A partir disso, foi iniciada uma série de diligências para reavaliar as circunstâncias da morte. O documento destaca que a autoridade policial chegou a registrar a existência de uma “suspeita de que o tiro não tenha partido dos policiais militares”. A manifestação causou forte reação da magistrada responsável pelo caso. Na decisão, a juíza afirmou considerar “incompreensível” a adoção dessa nova linha investigativa sem autorização judicial ou solicitação do Ministério Público, especialmente porque a ação penal já havia sido instaurada. Segundo a magistrada, a declaração da autoridade policial sobre a origem do disparo levantou dúvidas sobre a imparcialidade da investigação. A decisão afirma que a manifestação continha um juízo de valor sobre os fatos e registrou “estranheza em razão da quebra de imparcialidade na investigação”. Diante da situação, a Justiça determinou o afastamento cautelar do delegado adjunto Robinson Gomes Pereira de qualquer diligência relacionada ao inquérito e também do perito citado na decisão. Além disso, ordenou a apreensão imediata do inquérito policial e o envio dos autos ao juízo. A magistrada ainda cancelou uma reprodução simulada dos fatos que havia sido marcada para o dia 16 de junho de 2026 pela autoridade policial. O mérito da nova hipótese investigativa — de que o disparo fatal poderia ter sido efetuado por outra pessoa e não pelos policiais denunciados — ainda não foi analisado judicialmente. A decisão trata exclusivamente da forma como a investigação complementar foi conduzida e das medidas adotadas para preservar a regularidade do processo. O fato ocorrreu na madrugada de 22 de abril, na Pavuna, Zona Norte do Rio. De acordo com a denúncia, os agentes, lotados no 41º BPM, efetuaram mais de 20 disparos de fuzil contra a picape em que estavam Daniel e outras três pessoas. Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local. Os demais ocupantes não ficaram feridos. A denúncia também aponta que o crime foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com as investigações, os policiais acompanharam a movimentação na região por mais de uma hora, com acesso a informações em tempo real, e, a partir disso, definiram previamente a abordagem do veículo. Ainda de acordo com as apurações, não houve bloqueio, blitz ou ordem de parada ao empresário.

“Não morre, papai”: menina de 4 anos se jogou sobre o corpo do pai após execução em Itaboraí, diz decisão judicial

Uma das passagens mais emocionantes de uma recente decisão da Justiça do Rio de Janeiro descreve o desespero de uma menina de apenas quatro anos após presenciar o assassinato do próprio pai. Segundo o depoimento da mãe da criança, a pequena Alice correu até o corpo de ALEXANDRE DE OLIVEIRA SILVA, se jogou sobre ele e começou a gritar: “Não morre, papai, não morre”. O crime aconteceu na tarde de 5 de junho de 2024, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, e levou a Justiça a receber somente este ano a denúncia apresentada pelo Ministério Público e a decretar a prisão preventiva dos acusados. A decisão destaca que Alexandre foi morto diante da companheira e dos filhos em uma ação que, segundo a investigação, teve características de execução. Ameaças antes do assassinato De acordo com o depoimento da companheira de Alexandre, que também é mãe dos quatro filhos do casal, a vítima mantinha desavenças antigas com um dos denunciados. Segundo ela, no dia 4 de maio de 2024, Alexandre esteve na residência do suspeito quando ocorreu uma nova discussão. Durante o desentendimento, a testemunha afirmou ter ouvido uma ameaça direta contra a vítima. Segundo seu relato, o homem teria dito: “Mais tarde vou te provar que você não é Deus, que vou resolver esse problema que já temos há muito tempo.” Ainda conforme o depoimento, outro indivíduo que estava no local também teria participado da ameaça. A mulher afirmou que ficou assustada com a situação e pediu que Alexandre fosse embora, mas ele teria respondido que, se tivesse que morrer, morreria em sua própria casa. Ataque aconteceu diante dos filhos Segundo a denúncia do Ministério Público, por volta das 18 horas do dia seguinte, homens armados foram até a residência da vítima. Naquele momento, Alexandre estava na frente de casa varrendo a calçada ao lado das crianças. A companheira dele estava no quintal recolhendo roupas do varal quando ouviu os disparos. Em seu depoimento, ela afirmou ter visto os criminosos atirando contra Alexandre. Ainda segundo a testemunha, após os disparos, os homens chegaram a apontar armas em sua direção, mas desistiram após outros integrantes do grupo alertarem para a presença das crianças. “Não morre, papai” O momento mais marcante do depoimento foi destacado na própria decisão judicial. Segundo a mãe das crianças, três filhos do casal presenciaram toda a cena. Logo após Alexandre cair baleado, a filha mais nova, Alice, de apenas quatro anos, correu até o pai. A criança se jogou sobre o corpo da vítima e começou a implorar para que ele sobrevivesse. “Não morre, papai, não morre”, teria gritado a menina diante do corpo do pai. Medo de testemunhar Ao decretar a prisão preventiva dos denunciados, a Justiça também destacou o clima de medo existente na região. Segundo informações reunidas pela Polícia Civil durante a investigação, houve dificuldades para localizar e ouvir testemunhas porque moradores da área teriam receio de sofrer represálias. A companheira de Alexandre afirmou que não possui dúvidas sobre a identidade dos autores do crime e declarou que diversas pessoas da localidade saberiam quem são os responsáveis, mas evitariam falar por medo. Prisão preventiva decretada Na decisão, o magistrado ressaltou que há indícios suficientes de autoria e que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e proteger a instrução criminal. O juiz também destacou a extrema gravidade do caso, observando que a vítima foi morta por disparos de arma de fogo em via pública, diante da própria família e na presença de crianças. Além disso, a decisão menciona que Alexandre já havia registrado anteriormente uma ocorrência relacionada a uma suposta tentativa de homicídio. Com base nos elementos reunidos pela investigação, a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e determinou a prisão preventiva dos acusados, que responderão ao processo por homicídio qualificado.

Dedo-duro da guerra? Depoimento sobre mortes na Gardênia Azul teria deixado chefes do CV em alerta e reforçado caçada da Justiça

Um depoimento considerado estratégico pela investigação sobre a guerra entre o Comando Vermelho e a milícia na Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio, teria provocado preocupação dentro da própria facção e ajudado a sustentar a ação penal contra traficantes apontados como envolvidos em um ataque que terminou com um morto e dois feridos. Segundo a decisão judicial, R.R.G relatou aos investigadores informações que teria obtido diretamente de pessoas ligadas ao crime. Em seu depoimento, ele atribuiu participação no ataque a Francisco Glauber Costa de Oliveira, o “GL”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Gardênia Azul, além de Leonardo de Araújo Alves da Silva, o “Fielzinho”, e Aldenir Martins do Monte Júnior, o “China”. O caso investigado envolve a morte de Ricardo, a tentativa de homicídio contra William e lesões causadas em José, crimes que, segundo a acusação, ocorreram no contexto da sangrenta disputa territorial entre traficantes e milicianos pela região. Conversas revelaram preocupação na facção De acordo com o processo, mensagens interceptadas entre criminosos identificados como “Lesk” e “PTK” mostrariam preocupação com o fato de Rafael ter fornecido informações sobre diversos homicídios atribuídos ao Comando Vermelho durante a guerra da Gardênia Azul. Para a Justiça, as conversas reforçam os indícios reunidos ao longo da investigação e demonstram que os relatos do depoente repercutiram entre integrantes da própria organização criminosa. Justiça mantém prisão de acusados Ao analisar a defesa de GL, o juiz rejeitou os pedidos para anular provas, encerrar o processo e revogar a prisão preventiva. Na decisão, o magistrado destacou que existem elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal e que os fatos investigados possuem extrema gravidade por estarem relacionados à atuação de uma organização criminosa armada em disputa por território. Continuam presos por ordem judicial GL, Fielzinho e China. Já Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, e Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, também tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, mas ainda não foram capturados pelas autoridades. Segundo a decisão, a manutenção das prisões foi considerada necessária para garantir a ordem pública, proteger a instrução criminal e evitar novos episódios de violência relacionados à guerra entre facções e milicianos na Zona Oeste do Rio.

Peguei esse filho da p… e estou indo embora”: traficante do Complexo do Salgueiro é acusado de executar dono de provedor de internet por não obedecer ordens do Comando Vermelho em Magé

Um integrante do Comando Vermelho ligado ao Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, é acusado de executar o dono de um provedor de internet em Magé após a vítima se recusar a atender exigências impostas pelo tráfico de drogas que dominava a região da Vila Inca. A investigação aponta que o crime foi cometido para fortalecer o controle da facção sobre o mercado de provedores de internet e servir de exemplo para outras empresas que resistissem às ordens dos criminosos.. O crime ocorreu ano passasdo. A revelação consta em documentos da investigação que embasaram o pedido de prisão preventiva dos acusados. Segundo o Ministério Público, o homicídio está diretamente relacionado à disputa pelo controle dos serviços de internet na região, onde traficantes exigiam pagamento de propina e a instalação de câmeras de monitoramento para atender aos interesses da organização criminosa. Facção queria expulsar empresas de internet De acordo com a apuração, a vítima, identificada como Joanilson n Silva Gonçalves Júnior, de 29 anos, trabalhava com instalação de internet e teria se tornado alvo do tráfico após se recusar a colaborar com as exigências impostas pelos criminosos. Uma testemunha considerada fundamental para a investigação revelou à polícia que manteve um breve relacionamento com Mateus William, apontado como integrante do tráfico do Complexo do Salgueiro. Segundo seu depoimento, Mateus afirmou que os traficantes pretendiam retirar da Vila Inca todas as empresas de internet que não aceitassem colaborar com a facção. De acordo com a testemunha, ele chegou a dizer: “Vai ficar só a empresa que colaborou com eles.” Ainda segundo o relato, Mateus afirmou que Joanilson não havia aceitado as imposições do grupo criminoso. Adolescente teria sido usada para localizar a vítima As investigações apontam que, dias antes do assassinato, Mateus passou a utilizar a adolescente para monitorar os passos da vítima. Segundo o depoimento, ele determinou que ela o avisasse imediatamente caso Joanilson aparecesse na Vila Inca. A ordem teria sido acompanhada de uma ameaça de morte. No dia do crime, Mateus entrou em contato novamente perguntando se Joanilson estava realizando instalações de internet na região. A testemunha respondeu que sim. Pouco depois, o criminoso voltou a procurá-la. Desta vez queria saber exatamente onde o técnico estava. A localização foi repassada. Minutos depois, Joanilson seria morto. “Peguei esse filho da puta” Após a execução, Mateus teria feito contato com a testemunha e revelado o que havia acontecido. Segundo o termo de declaração anexado ao inquérito, ele afirmou: “Peguei, peguei esse filho da puta e estou indo embora.” Em outra conversa, segundo a investigação, o traficante admitiu a motivação do assassinato. “Matei o JOANILSON porque ele não quis respeitar a ordem do MANO.” A polícia identificou o homem citado como “Mano” como sendo um criminoso conhecido pelos apelidos de Manel e Zóio. Ordem teria partido de criminoso foragido Segundo a investigação, Mateus afirmou que o homicídio foi praticado a mando de Manel. Os investigadores apontam que o suspeito é um criminoso de alta periculosidade que estaria foragido do sistema prisional. A decisão menciona que contra ele existem quatro mandados de prisão pendentes e dezessete anotações criminais. Para a polícia, o crime foi uma demonstração de força da facção na região. Imagens registraram a fuga dos assassinos A investigação também reuniu imagens de câmeras de monitoramento instaladas na BR-116. Segundo o relatório policial, os equipamentos registraram dois homens praticando o crime e fugindo logo após a execução. As imagens passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Civil. Família relatou ameaças anteriores Além das imagens, a polícia ouviu familiares e sócios da vítima. Os depoimentos apontaram que Joanilson já enfrentava problemas relacionados à atuação do Comando Vermelho sobre provedores de internet na região. As testemunhas relataram ameaças e pressões para que empresas aceitassem as condições impostas pelos traficantes. Segundo a investigação, a recusa da vítima em se submeter às exigências criminosas teria sido determinante para sua morte. Crime serviu para intimidar outros empresários Na avaliação do Ministério Público, o assassinato não teve apenas o objetivo de eliminar Joanilson. Os promotores sustentam que a execução possuía um caráter intimidatório. O objetivo seria demonstrar o poder da facção e enviar uma mensagem a outros prestadores de serviço que atuam na região. A manifestação do Ministério Público afirma que o homicídio foi praticado em um contexto de imposição territorial por organização criminosa, destinado a consolidar o domínio do Comando Vermelho sobre a Vila Inca. Acusado desapareceu após o crime A investigação aponta ainda que Mateus fugiu da região logo após o homicídio. Segundo a polícia, ele não foi mais localizado. Os autos registram que, mesmo intimado para prestar depoimento, o suspeito não compareceu à delegacia. Para os investigadores, a conduta demonstra tentativa de escapar da responsabilização criminal. Prisões preventivas foram pedidas Diante das provas reunidas, o Ministério Público apoiou o pedido da Polícia Civil para decretar a prisão preventiva dos acusados. O órgão destacou a gravidade do crime, o envolvimento com o Comando Vermelho, o risco de intimidação de testemunhas e a possibilidade de fuga dos investigados. A Promotoria também ressaltou que a liberdade dos suspeitos representaria ameaça à ordem pública e à continuidade das investigações. O caso expõe mais um capítulo da disputa pelo controle dos serviços de internet em áreas dominadas pelo crime organizado, onde provedores e trabalhadores do setor têm sido alvo de ameaças, extorsões e violência por parte de facções criminosas.

Preso nesta semana, ex-PM apontado como chefe do Comando Vermelho já foi acusado de autorizar execução de homem que denunciou crimes da facção em São Gonçalo. Corpo foi jogado em um mangue

Preso essa semana apontado como integrante antigo da cúpula da facção criminosa Comando Vermelho, o ex-PM paulista Márcio Silva de Souza, o Verdão, estava entre os suspeitos da morte de Adriano Caldas Rodrigues; Ele chegou a ter a prisão preventiva decretada mas foi impronunciado (se livrou do júri popular). A vítima, segundo a Justiça, havia noticiado, nos autos do inquérito nº 072-08353/2022, as atividades ilícitas que Verdão e comparsas cometiam na região dos fatos (São Gonçalo) e, em retaliação, ceifaram a sua vida. O crime ocorreu em 2024. A partir de declarações prestadas pelas testemunhas em sede policial, além da análise do delito em tela com o inquérito Policial nº 072-08353/2022, o qual apura a prática do crime de associação para o tráfico pelos acusados: Verdão, Playboy e Rondinelle. Todos possuíam bastante influência e conhecimento na região, havendo testemunhas que residem e trabalham próximo ao local do crime e possuem algum tipo de relação com os acusados, de modo que estas se encontravam temerosas com a liberdade de Verdão e de seus comparsas.Verdão, segundo as investigações, , autorizou que os comparsas procedessem à execução da vítima, sendo certo que exercia posição de liderança na associação criminosa instalada na comunidade na qual o crime ocorreu. Segundo os autos, os autores ocultaram o cadáver da vítima Adriano, ao abandonarem o seu corpo em um mangue situado no interior da Comunidade da Cerâmica. Frisa-se que o irmão da vítima, em buscas por Adriano, foi o responsável por localizar o seu corpo no dia 17/06/2024, no interior do mangue, tendo arrastado o cadáver até a Praia das Pedrinhas, situada no bairro Porto do Rosa/SG.Qiuem é Verdão De acordo com as investigações, o criminoso é ex-policial militar do estado de São Paulo e, após deixar a corporação, passou a integrar o crime organizado. Ao longo dos anos, “Verdão” se consolidou como um dos principais fornecedores de drogas da facção e exerceu influência em regiões estratégicas do Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio. Ainda de acordo com os agentes, ele ganhou notoriedade em 2003, quando foi preso em uma operação policial é apontado como responsável pelo abastecimento de drogas para diversas áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Após passar cerca de 15 anos no sistema prisional, voltou à liberdade em 2018 e retomou posição de destaque na estrutura da organização criminosa. As investigações apontaram que o criminoso comandava as atividades da facção nas comunidades Porto do Rosa e Monte Verde, em São Gonçalo, sendo responsável pela coordenação do tráfico de drogas, controle territorial e gerenciamento de criminosos armados na região. Durante as diligências, os policiais constataram que ele utilizava documento falso para dificultar sua identificação e evitar o cumprimento de ordens judiciais. Contra o homem, foram cumpridos três mandados de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, homicídio e associação para o tráfico.

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