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Terceiro Comando Puro

Interior sob terror: jovem foi brutalmente espancado em “tribunal do tráfico” do TCP em plena luz do dia no RJ e teve que se mudar de cidade

Até mesmo em pacatas cidades do interior do Estado do Rio de Janeiro, cenas de extrema violência semelhantes às ocorridas na capital e Região Metropolitana costumam acontecer.. Foi o caso do município de Italva, no Noroeste Fluminense. No dia 22 de outubro de 2025 , entre 09h e 11h, no bairro São Caetano, traficantes do Terceiro Comando Puro submeteram um rapaz  a intenso sofrimento físico, mediante agressões com pedaços de madeira, em típico procedimento de “tribunal do tráfico”, com o objetivo de aplicar castigo pessoal, por suposta dívida de drogas com a facção. Os criminosos, agindo em conjunto, restringiram a liberdade da vítima, agredindo-a fisicamente e moralmente, inclusive com a participação de um adolescente, corrompido pelos adultos, conforme apurado nos autos. Os crimes foram praticados em contexto de domínio territorial do tráfico de drogas, com emprego de violência e grave ameaça, em plena luz do dia, em local público, visando impor temor à comunidade e reafirmar o poder da facção TCP.  A vítima, por medo de represálias, não formalizou registro de ocorrência imediatamente e mudou-se de Italva após os fatos, estando em local incerto e não sabido. O Ministério Público Estadual denunciou quatro suspeitos do crime, entre eles o traficante G3, gerente da facção e responsável por ordenar a execução do “tribunal do tráfico” contra a vítima. Um dos bandidos que participou diretamente das agrssões se descuidou e deixou documento e telefone celular na residência da vítima, evidenciando envolvimento ativo. Um terceiro ficou encarregado de dar pauladas na vítima e o quarto confessou ter desferido soco nas costas do rapaz.

Justiça decreta prisão de 8 do TCP da Serrinha por execuções na “Operação Caça Urso” com moradores obrigados a transportar corpos

A Justiça do Rio mandou prender oito integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) após uma ação da facção que terminou com duas execuções e moradores obrigados a remover os corpos das vítimas, em um dos pontos mais chocantes do caso. Segundo a decisão, após os assassinatos de Pedro Lucas Magevsky Carvalho e Jonathan Ribeiro de Sant’Anna, ocorridos em 22 de maio de 2025, criminosos coagiram um caminhoneiro e um mototaxista a transportar os cadáveres até a Rua Guaraúna, em Vicente de Carvalho, numa tentativa de ocultar o local original do crime. Para o juiz, o episódio evidencia o poder de intimidação da organização criminosa e o risco concreto às testemunhas, sendo um dos principais fundamentos para a decretação das prisões preventivas. De acordo com as investigações, os crimes ocorreram durante a chamada “Operação Especial Caça Urso”, uma ofensiva organizada pelo TCP para atacar rivais e expandir território, marcada pelo uso de armamento pesado e diversos disparos em via pública no Morro do Juramento, na Zona Norte. O nome da operação faz alusão a Doca, também apelidado de Urso, chefe da facção criminosa Comando Vermleho. A decisão judicial também detalha de forma clara a hierarquia da facção no Complexo da Serrinha, evidenciando uma estrutura organizada e com divisão de funções: No topo da organização está o traficante“Salomão” ou “Lacoste”, apontado como o líder máximo do TCP na região, responsável por definir estratégias e ordenar ataques contra grupos rivais. Na sequência aparece “Coelhão”, descrito como braço direito da liderança e responsável por coordenar diretamente as ações armadas, comandando a chamada “Tropa do Coelhão”. Em um nível intermediário da estrutura estão Boneco da Serrinha e Bonitão s apontados como gerentes do tráfico e integrantes da cúpula da organização, com participação no planejamento das ofensivas. Já na base operacional estão os executores: vulgos Atentado, Cocão, HG e BL , que, segundo as investigações, integrariam equipes responsáveis pela execução direta dos homicídios. O ataque, segundo a investigação, foi realizado com uso de fuzis e múltiplos disparos em via pública, evidenciando a alta periculosidade do grupo e o risco de novos crimes. Na decisão, o magistrado destacou a gravidade concreta dos fatos, a necessidade de garantir a ordem pública, evitar a repetição de crimes e assegurar a instrução do processo, diante do poder de intimidação da facção. Além de decretar as prisões, a Justiça também recebeu a denúncia do Ministério Público, que acusa os oito investigados por duplo homicídio qualificado e participação em organização criminosa. Com isso, eles passam a responder formalmente ao processo e podem ser levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Os mandados de prisão têm validade de 20 anos, e o caso segue agora para a fase de instrução, com coleta de depoimentos e análise das provas.

POLICIAL PENAL PRESO HOJE NOS EUA AVISAVA LÍDERES DO TRÁFICO SOBRE AÇÕES DA POLÍCIA. LEIA TRECHOS

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como “Bonitão”, preso nesta semana nos Estados Unidos, já havia sido condenado no Brasil por um esquema gravíssimo de vazamento de informações sigilosas diretamente para chefões do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Ele respondeu a processo iniciado em 2013 e acabou condenado em 2017 a 14 anos de reclusão em regime fechado, acusado de se aproveitar da própria função pública — e também de pessoas de seu círculo de relacionamento — para obter e repassar dados estratégicos sobre ações policiais e do sistema penitenciário a criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação no Complexo da Maré, Serrinha, Vila Aliança, Dendê e Rocinha — à época ainda dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA). As transcrições reunidas no processo são contundentes e mostram que esse verdadeiro “setor da quadrilha” recebia pagamentos semanais para coletar informações privilegiadas junto a órgãos de segurança e ao sistema prisional, repassando tudo aos traficantes. O esquema era ainda mais sofisticado: em acordo com criminosos, os envolvidos também ofereciam informações a outros policiais, como a localização de armas e drogas, numa estratégia para ganhar confiança e ampliar o acesso a dados sigilosos. A partir daí, alimentavam continuamente a facção com informações que fortaleciam suas operações ilegais. Para a Justiça, ficou evidenciado que os integrantes atuavam de forma associada, com o objetivo claro de violar sigilo profissional e vender informações estratégicas ao crime organizado, auxiliando diretamente os interesses das facções. Interceptações telefônicas escancararam o nível de envolvimento de Bonitão com os principais nomes do tráfico: No dia 27 de dezembro de 2013, Luciano informou ao traficante Menor P, então um dos chefões da Maré, sobre a existência de um informante policial atuando na comunidade, que estaria utilizando um dispositivo de filmagem. Em 24 de fevereiro de 2014, após ser alertado por um comparsa sobre uma operação policial no Morro do Dendê, Bonitão avisou Fernandinho Guarabu, líder do tráfico na região, sobre a presença de dois informantes da polícia que acompanhariam o efetivo na ação. Já no dia 7 de março de 2014, ele voltou a agir ao informar Menor P sobre uma operação do BOPE em comunidades da Nova Holanda, áreas sob controle do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, a prisão de Bonitão nos Estados Unidos ocorreu porque ele voltou a se envolver em um núcleo criminoso voltado à negociação de vantagens indevidas e venda de influência, desta vez para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. A captura foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência federal antidrogas do Departamento de Justiça dos EUA, após uma troca de informações com policiais federais do Rio de Janeiro. O caso expõe uma engrenagem profunda de corrupção e infiltração dentro do sistema de segurança, mostrando como um agente público condenado por ajudar facções no passado voltou a aparecer no centro de um esquema com ramificações internacionais.

PM descreveu como foi ataque que deixou cinco baleados no Para Pedro (TCP) em mais uma guerra de facções no Rio

A Polícia Militar descreveu como foi o ataque que deixou cinco baleados na tarde de hoje na comunidade do Pará Pedro, em Colégio, na Zons Norte do Rio. Segundo a corporacão, policiais militares foram acionados pelo PAM de Irajá, nesta quinta-feira (23/04), para verificar a entrada de cinco indivíduos feridos por disparos de arma de fogo.  Conforme as primeiras informações colhidas no local, eles foram atingidos enquanto participavam de uma festividade de São Jorge, na Rua Pedro Borges, na Comunidade Para Pedro. Segundo eles, os disparos foram feitos por homens que se aproximaram em uma moto.  Todos estão hospitalizados passando por atendimento médico.  Dos cinco atingidos, dois têm anotação na ficha criminal e um possui mandado de prisão em aberto. Ocorrência registrada na 27ªDP.   Entre os baleados, estão pai e filho, um deles atingido nas costas e o outro alvejado na cabeça, Em nota enviada à reporragem, a Polícia Civil dissse que o aso foi registrado na 27ª DP (Vicente de Carvalho). De acordo com informações preliminares, um motociclista efetuou disparos de arma de fogo, atingindo cinco pessoas, que foram socorridas para uma unidade de saúde. Diligências estão em andamento para identificar a autoria e esclarecer as circunstâncias do fato. Relatos nas redes sociais apontam que a comunidade dominada pelo Terceiro Comando Puro foi alvo de ataque de traficantes rivais do Comando Vermelho. Em resposta, os bandidos do.Para Pedro foram até o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, dominado prlo CV, fizeram disparos e deixaram um homem morto.

TCP se expande sem comando central: estrutura descentralizada impulsiona avanço da facção pelo país

Investigações recentes escancaram o funcionamento do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que deixou de ser apenas mais um grupo do narcotráfico fluminense para se consolidar como uma organização em expansão nacional, cada vez mais próxima do modelo de atuação das milícias. De acordo com documento obtido pela reportagem, o TCP herdou do antigo Terceiro Comando uma estrutura fragmentada, sem um comando central rígido. Na prática, cada comunidade dominada possui um “dono”, responsável por comandar as atividades criminosas de forma autônoma, sem interferência direta de outras lideranças. Essa descentralização, no entanto, não significa desorganização. Pelo contrário: os chefes locais se articulam para fortalecer seus negócios ilícitos, defender territórios, esconder criminosos e negociar armas e drogas, formando uma engrenagem criminosa eficiente e difícil de desarticular. As investigações identificam cinco grandes polos de poder no Rio de Janeiro que sustentam o avanço da facção: o Complexo da Maré, o Complexo do São Carlos, o Complexo de Israel, o Complexo do Dendê e o Complexo da Guacha, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Entre eles, o Complexo da Maré se destaca como principal base operacional do TCP. A região funciona como centro de distribuição de armas e drogas e como base para quadrilhas de roubo de cargas e veículos que atuam na capital. A disputa com o Comando Vermelho (CV) também se dá no campo simbólico. O TCP construiu uma identidade própria, adotando expressões como “Tudo 3”, “É a gente” e “Viva e deixe viver (V.D.V)”, numa tentativa de consolidar sua marca e ampliar sua influência. Outro aspecto que chama atenção é o uso de símbolos religiosos e a imposição de padrões de comportamento nas áreas dominadas. Há registros de intolerância a religiões de matriz africana e a utilização de referências ligadas ao universo evangélico. Em algumas comunidades, como no Complexo de Israel, a facção ostenta a bandeira de Israel, com a Estrela de Davi pintada em pontos estratégicos como símbolo de domínio territorial. A partir de 2020, o TCP passou a expandir suas atividades para além do tráfico de drogas, incorporando práticas típicas de milícia. A facção passou a extorquir comerciantes e moradores, além de explorar serviços básicos de forma coercitiva, como fornecimento de gás, água, energia, internet e TV clandestina. Também há indícios de corrupção de agentes públicos. Esse movimento ampliou significativamente as fontes de renda da organização e fortaleceu sua capacidade de expansão territorial, consolidando um modelo de exploração sistemática das comunidades. Esse avanço não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Desde 2021, surgem evidências claras da expansão do TCP para outros estados, como Espírito Santo, Ceará e Minas Gerais. A expansão ocorre principalmente por meio de conexões diretas entre lideranças. Criminosos de outros estados mantêm contato com chefes de comunidades do Rio, sendo acolhidos nessas áreas como forma de garantir proteção, esconderijo e suporte logístico. Caso não houvesse anuência dos chefes cariocas, a presença desses criminosos não seria permitida, o que reforça a existência de articulação estruturada, ainda que sem comando central formal. Fora do Rio, o TCP passou a replicar sua rivalidade com o Comando Vermelho, criando novos polos de conflito e, em alguns casos, se aliando a organizações como o PCC para ampliar sua força. No Espírito Santo, esse processo é evidente. O TCP se consolidou a partir da absorção de grupos locais, como a Associação Família Capixaba e o grupo Irmãos Vera. A facção passou a atuar como fornecedora de drogas e armas, atraindo organizações menores e impondo sua estrutura. Com o tempo, essas células passaram a adotar integralmente a sigla TCP. Hoje, a presença da facção já se materializa no território. Em parceria com o PCC, o TCP passou a controlar o narcotráfico em diversos bairros da Grande Vitória. Em Vitória, a atuação foi identificada em áreas como Itararé, Cruzamento e Tabuazeiro. Em Vila Velha, o domínio se estende por regiões como Ibes, Boa Vista, Cristóvão Colombo, Aribiri, Ilha das Flores e Santa Rita. Na Serra, há registros de atuação em Nova Almeida, Jardim Carapina, Central Carapina e Parque das Gaivotas. Em Cariacica, o grupo atua em Mucuri, Morro do Quiabo e Morro dos Gama. Também há presença em Conceição da Barra. Esse avanço territorial evidencia a consolidação da facção fora do Rio e mostra que a expansão não é apenas pontual, mas estruturada. O cenário atual no Espírito Santo é de divisão clara entre dois blocos criminosos: de um lado, TCP e PCC; do outro, Comando Vermelho e Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os impactos já aparecem nos indicadores de violência. Apenas entre janeiro e agosto de 2024, uma região de Vila Velha registrou 16 homicídios, sendo ao menos nove ligados ao tráfico, além de 32 tentativas de homicídio, das quais 21 relacionadas diretamente à disputa entre facções. A evolução do conflito também se reflete na disputa territorial. Após a prisão de lideranças locais, áreas antes controladas passaram a ser alvo de alianças e confrontos entre grupos rivais. A presença das facções é marcada por pichações e símbolos que indicam domínio, reforçando o clima de tensão nas comunidades. O TCP surgiu em 2002, a partir de uma dissidência do antigo Terceiro Comando, em meio a conflitos no sistema prisional fluminense. Desde então, expandiu sua atuação para diversas frentes criminosas, incluindo tráfico de drogas, comércio de armas, roubo de cargas e veículos e extorsão. Hoje, a facção reúne características que a colocam entre as principais ameaças à segurança pública: domínio territorial, uso de armamento pesado, enfrentamento ao Estado, expansão interestadual e adoção de práticas típicas de milícia. O avanço do TCP aponta para a consolidação de uma organização criminosa híbrida, que combina tráfico, controle territorial e exploração econômica, ampliando seu poder e o potencial de violência em diferentes regiões do país.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

Vídeo chocante mostra homem com braço sangrando sendo arrastado por traficantes na Maré armados com fuzis ; há suspeita de execução”

Um vídeo que circula nas redes sociais expõe uma cena de extrema violência: um homem, com o braço ensanguentado, é arrastado por uma rua enquanto é acompanhado por indivíduos armados com fuzis. As imagens são consideradas chocantes e, por esse motivo, não serão exibidas. A gravação é autêntica, mas os detalhes sobre o caso ainda não foram confirmados oficialmente. Versão que circula envolve disputa entre facções Após a divulgação do vídeo, passou a circular nas redes sociais uma versão para o ocorrido. Segundo esses relatos, traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que atuam no Complexo da Maré, teriam encontrado no celular do homem grupos ligados ao Comando Vermelho (CV). Ainda de acordo com essa narrativa, a descoberta teria motivado a abordagem violenta registrada nas imagens. As mesmas informações apontam que o homem poderia ser conhecido pelo apelido de “Abobrão”, mas não há confirmação oficial sobre sua identidade. Relatos falam em execução De acordo com o que vem sendo compartilhado, o homem teria tentado fugir para o Conjunto Esperança, mas acabou capturado. Há ainda menção à possibilidade de execução, além da existência de uma segunda vítima em circunstâncias semelhantes. Sem confirmação oficial até o momento Apesar da repercussão do vídeo, não há, até agora, confirmação oficial sobre a identidade da vítima, a dinâmica dos fatos ou a existência de corpos relacionados ao caso. Situações como essa, frequentemente baseadas em registros que circulam fora dos canais oficiais, podem levar tempo até serem esclarecidas pelas autoridades. Caso segue cercado de incertezas A gravidade das imagens chama atenção, mas a falta de informações oficiais mantém o episódio sob incerteza. A apuração será fundamental para esclarecer o que de fato ocorreu.

Brasil refém do crime: 90 facções dominam o país e 28 milhões vivem sob influência direta, diz CPI

Um levantamento detalhado da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), incorporado ao relatório da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, escancara a dimensão da presença das facções criminosas no país: ao menos 90 organizações atuavam no Brasil em 2025, espalhadas por praticamente todo o território nacional. Mais do que o número elevado de grupos, o dado que chama atenção é o alcance direto sobre a população. Segundo pesquisa do Datafolha citada no documento, pelo menos 28,5 milhões de brasileiros vivem em bairros sob influência do crime organizado, o que evidencia a capilaridade dessas organizações no cotidiano do país. De acordo com o mapeamento, a maior concentração de facções está no Nordeste, com 46 grupos identificados. Em seguida aparecem as regiões Sul (24), Sudeste (18), Norte (17) e Centro-Oeste (9). No Norte, o cenário ganha contornos ainda mais complexos com a presença de três organizações criminosas de origem venezuelana, indicando uma dimensão internacional do problema. O relatório também aponta diferentes níveis de atuação das facções: duas organizações teriam alcance nacional e internacional, 14 atuariam em nível regional e a grande maioria — 74 grupos — operaria de forma local. Ainda assim, dois desses grupos estariam presentes em 24 estados e no Distrito Federal, demonstrando alto grau de expansão territorial. O Rio Grande do Sul, segundo o levantamento, seria o único estado sem a presença simultânea dessas duas organizações. Embora o documento não cite nominalmente quais seriam essas facções de alcance nacional, a análise dos dados permite inferir que se tratam do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), historicamente apontados por autoridades como os principais grupos criminosos do país. Estimativas indicam que o PCC teria cerca de 40 mil integrantes, enquanto o CV reuniria aproximadamente 30 mil. Outro ponto que surge no relatório é o avanço de outras organizações. Há registros de que o Terceiro Comando Puro (TCP) estaria em expansão, com alianças estabelecidas em pelo menos dez estados brasileiros, ampliando ainda mais o cenário de disputa entre facções. Os dados revelam um quadro de pulverização e crescimento do crime organizado no Brasil, com atuação que vai do nível local ao transnacional e impacto direto sobre milhões de brasileiros.

“CPI DESCREVE FACÇÕES COMO ‘PARA-ESTADO’, APONTA USO DE RELIGIÃO E FRACASSO DE POLÍTICAS NO RJ”

O relatório final da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, divulgado nesta semana, traça um retrato duro da segurança pública no Rio de Janeiro e afirma que facções criminosas e milícias já operam, em diversas regiões, como verdadeiros “para-Estados”, exercendo controle territorial, impondo regras próprias, cobrando taxas ilegais e assumindo, na prática, funções que deveriam ser do poder público. Diante desse cenário, o documento sustenta que uma eventual intervenção federal na área de segurança pública pode se justificar como medida excepcional, ainda que essa avaliação dependa de decisão das autoridades competentes. A investigação aponta que organizações como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro atuam simultaneamente com milícias de origem paraestatal no território fluminense, criando uma configuração que, segundo a CPI, não encontra paralelo no restante do país. O Rio de Janeiro seria o único estado onde convivem, ao mesmo tempo, facções originadas no sistema prisional e grupos armados com raízes em estruturas ligadas historicamente a agentes ou ex-agentes públicos, herdeiros de antigos esquadrões da morte e grupos de extermínio. Esse cenário teria evoluído para uma dinâmica ainda mais complexa, com disputas territoriais constantes, reacomodações de poder e, em casos crescentes, a formação das chamadas “narcomilícias”, grupos que combinam controle paramilitar, exploração do tráfico de drogas e práticas sistemáticas de extorsão. Para a CPI, essa fusão de métodos revela um nível de sofisticação que exige respostas estatais de igual magnitude. O relatório também destaca que, ao longo dos anos, as políticas de enfrentamento adotadas pelo estado do Rio de Janeiro têm sido marcadas por avanços pontuais seguidos de recuos estruturais. O programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), lançado em 2008 e inicialmente celebrado como uma estratégia inovadora de retomada territorial, acabou esvaziado em meio a crises financeiras e políticas, inclusive com a prisão de governadores e ex-governadores, o que contribuiu para a perda gradual dos territórios anteriormente ocupados pelo Estado. Iniciativas posteriores, como o programa Cidade Integrada, tampouco teriam alcançado resultados duradouros. O próprio governo estadual, em documento apresentado ao Supremo Tribunal Federal no fim de 2025, reconheceu as falhas dessas experiências e a necessidade de políticas permanentes e de longo prazo para evitar que áreas retomadas voltem ao controle do crime. Para a CPI, esse ciclo de retomada e abandono evidencia uma incapacidade estrutural do estado de manter presença contínua e efetiva nos territórios mais vulneráveis. Outro ponto considerado sensível pelo relatório é a transformação do perfil das organizações criminosas. O Comando Vermelho, por exemplo, não dependeria mais exclusivamente do tráfico de drogas no varejo, tendo expandido sua atuação para atividades como extorsão, controle territorial, exploração de mercados com aparência lícita e até presença interestadual e internacional. A estratégia, segundo o documento, indica uma migração para modelos mais discretos e diversificados de obtenção de lucro ilícito. As milícias também teriam passado por mudanças relevantes. Embora mantenham vínculos históricos com agentes ou ex-agentes públicos, essas organizações hoje se apresentam de forma mais heterogênea, ampliando sua atuação para além do controle territorial e das cobranças ilegais, com conexões com outras economias ilícitas, como o jogo do bicho e o contrabando. O relatório ainda chama atenção para um elemento considerado particularmente grave: a instrumentalização de motivação religiosa por parte de grupos criminosos para impor medo e controle social. Segundo a CPI, essa prática foi identificada especialmente na atuação do Terceiro Comando Puro em determinadas regiões, onde o uso de discurso religioso teria sido empregado como ferramenta de intimidação e dominação da população local. A expansão territorial de facções também é contextualizada no documento com base em decisões judiciais recentes. No caso do avanço do Terceiro Comando Puro no Complexo de Israel, a CPI aponta que o crescimento do grupo ocorreu durante o período de vigência da ADPF 635, quando houve restrições à atuação policial em comunidades do Rio de Janeiro. Essa circunstância, segundo o relatório, foi posteriormente reconhecida por órgãos institucionais e é apresentada como um dos fatores que influenciaram a dinâmica de ocupação territorial, tema que segue em debate no âmbito do Judiciário. Embora o relatório não atribua culpa individual nem produza efeitos penais imediatos, suas conclusões desenham um cenário de alta gravidade, no qual o crime organizado não apenas confronta o Estado, mas, em diversas áreas, atua paralelamente a ele, exercendo poder, influenciando rotinas e explorando economicamente territórios inteiros. Diante desse diagnóstico, a CPI reforça a necessidade de respostas estruturais e de longo prazo — e deixa no ar uma questão que começa a ganhar força nos bastidores: se o Estado falhou em conter o avanço dessas organizações ao longo das últimas décadas, qual será o caminho para retomar, de forma duradoura, o controle sobre esses territórios.

Consórcio do tráfico (TCP)”: inquérito revela aliança com 36 criminosos entre São Carlos e Maré

Um inquérito que tramita sob sigilo na Justiça desde 2021 revelou a denúncia de 36 integrantes do tráfico de drogas ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP), expondo uma estrutura integrada de atuação entre os complexos do São Carlos e da Maré, no Rio de Janeiro. De acordo com os autos, os grupos mantinham um acordo estruturado de cooperação, que incluía o compartilhamento de homens armados para reforço de pontos de venda, fornecimento de entorpecentes, distribuição de material bélico e oferta de esconderijos para integrantes durante operações das forças de segurança. A investigação também identificou o uso de um mesmo responsável pela preparação química das drogas. A apuração aponta a existência de múltiplos núcleos criminosos interligados, com base no Complexo do São Carlos — que engloba, além do próprio morro, as comunidades da Mineira, Zinco, Querosene e a chamada “Boca da Laura”. Esta última é descrita como uma concentração de pontos de venda com acesso facilitado, localizada nas imediações das ruas Laura Araújo, Aníbal Benévolo e São Martinho, próximas ao Sambódromo e à estação de metrô da Praça Onze. Segundo a investigação, a engrenagem criminosa se sustenta não apenas pela atuação territorial, mas também por alianças firmadas com integrantes da mesma facção em outras regiões da cidade. Entre os denunciados estão nomes apontados como lideranças do São Carlos, como Coelho, Léo Empada, Menor Cheru e Limão, além de integrantes da Maré, como Menor P e Mangolé. O inquérito teve início após a expulsão de uma mulher de sua residência por traficantes do São Carlos, em represália ao fato de seu filho — também ligado ao tráfico — ter migrado para outra facção criminosa. Preso à época, o filho da vítima colaborou com as investigações e realizou o reconhecimento de diversos integrantes, com os quais afirmou ter convivido por anos. Em depoimento, ele não apenas identificou os envolvidos, como detalhou as funções exercidas por cada integrante dentro da organização criminosa. Os autos indicam que o tráfico na região operava de forma estruturada há mais de duas décadas, com cadeia organizada de fornecimento, distribuição e controle de pontos de venda. Durante a investigação, policiais localizaram aparelhos celulares nas celas onde estavam presos os traficantes Menor P e Coelho. Após a quebra de sigilo dos dispositivos, foi identificado um volume expressivo de conteúdo relacionado a atividades criminosas, incluindo indícios de comercialização de cocaína dentro do sistema prisional, com estrutura semelhante à de uma “boca de fumo”. Outro episódio descrito nos autos aponta que integrantes do grupo, em deslocamento em comboio, teriam atacado uma equipe da Polícia Rodoviária Federal, dando início a um intenso confronto armado. A investigação também mapeou detalhadamente a estrutura operacional do tráfico no São Carlos, identificando responsáveis por diferentes funções, como a gestão de pontos de venda — incluindo locais conhecidos como Volta, Bairro, Capela, Santos e Brinquedo —, além de seguranças armados, responsáveis pelo abastecimento de maconha e cocaína, integrantes envolvidos em roubos de carga e veículos e até mesmo o responsável pela contabilidade da organização. Também foi identificado o responsável pelo tráfico na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, apontado como executor de rivais da organização criminosa. Segundo os autos, a atuação do grupo é marcada por elevado grau de violência, com relatos de ameaças, expulsões de moradores e imposição de regras nas comunidades dominadas, onde a população convive sob constante risco de confrontos armados. Os fatos descritos no inquérito ainda serão analisados pela Justiça, sendo assegurados aos denunciados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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