Relatório da investigação aponta o quem é quem em uma das maiores quadrilhas de receptação de celulares roubados ou furtados do Rio de Janeiro, alvo da Operação Rasteio. Cabia a coordenação geral e financiamento a um homem conhecido como Léo Moura, que era proprietário de um box no Mercado Popular da Uruguaiana, no Centro da cidade. China, que era proprietário de uma tabacaria no camelódromo da Uruguaiana, coordenava a corredor da tabacaria, a coordenação de aquisição e armazenamento dos aparelhos produtos de crime e a coordenação das negociações na praça da quadra C do espaço comercial;. Nininho fazia o armazenamento e comercialização de celulares em seu box na quadra B, Daniel fazia o financiamento e desbloqueio dos celulares a partir de sala alugada no Edifício Patriarca. Lucas Luki e Rondinei Bui faziam a intermediação de vendas e a efetivação de desbloqueio de aparelhos. Michael, Beiçola e Weslei WL cabiam a captação e intermediação de aparelhos. Cristiano cuidava da segurança e e intermediação das atividades. Rodrigo,a intermediação e transporte, Sebastião Timbalada, Lucas Novinho, Douglas Gordino, Marcos Vinicios, Izaias Cara de Índio e Rodrigo Archanjo ficavam com a parte operacional de captação de aparelhos. Através das imagens captadas pelo drone e pelo monitoramento velado, foi possível estabelecer o modus operandi da organização criminosa: Recepção/Aquisição: Os membros operacionais (captadores) permaneciam nas áreas de maior movimento do mercado, como a Rua Uruguaiana e esquinas com Rua Senhor dos Passos, bem como na praça da quadra C e Av Presidente Vargas, abordando pessoas que chegavam com aparelhos para vender. Distribuição: Após adquiridos, os aparelhos eram levados para boxes específicos Processamento: No escritório no Edifício Patriarca, os aparelhos eram desbloqueados e preparados para revenda ou para a prática de fraudes bancárias através de acesso aos aplicativos das vítimas. Comercialização: Os aparelhos processados eram revendidos por valores inferiores aos praticados no mercado regular, gerando lucro para a organização. Controle Territorial: A organização exercia controle territorial na região da Uruguaiana, impondo regras e intimidando até outros vendedores ilegais de celulares. Expansão de Operações: O grupo planejava atuar em grandes eventos, como foi constatado na preparação para ações durante o show da cantora Lady Gaga.’ O grupo criminoso atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas claramente definidas entre seus integrantes, mantinha pontos fixos (boxes) e um “escritório” equipado com tecnologia avançada para desbloqueio de dispositivos, operando em regime de 24 horas; As atividades criminosas englobavam desde a receptação de aparelhos roubados/furtados até fraudes bancárias realizadas por meio dos dispositivos subtraídos;A estrutura hierárquica da organização era bem definida, com lideranças, técnicos especializados, intermediários e membros operacionais; O modus operandi incluía atuação estratégica em grandes eventos, como constatado durante o planejamento [ para ações no show da cantora Lady Gaga. A “Operação Rastreio”, deflagrada pela DRCPIM no dia 03/05/2025, resultou na prisão de 16 integrantes da maior quadrilha de comércio de celulares subtraídos do estado, com atuação concentrada na região da Uruguaiana, no Centro do Rio de Janeiro. A operação representa uma ofensiva permanente contra roubos, furtos, receptação e fraudes envolvendo aparelhos celulares em todo o estado.’ A ofensiva foi precedida por três dias de monitoramento velado (30/04, 02/05 e 03/05), utilizando recursos humanos, tecnológicos, inteligência tática e apoio aéreo com drone, o qual foi responsável pela cobertura superior da Quadra C do camelódromo e adjacências. A operação contou com várias frentes de vigilância, destacando-se o uso de veículos descaracterizados, VTRs caracterizadas, monitoramento à pé e filmagens em pontos estratégicos. Cada equipe teve posicionamento predefinido e missão específica, com comunicação em tempo real via grupo operacional.’ A operação utilizou da infiltração de agentes à paisana, campana fixa, monitoramento aéreo, análise de dados e comunicação em tempo real entre agentes das diversas equipes da DRPCIM envolvidas entre os dias 30 de abril e 03 de maio de 2025, logrando a prisão, na noite de 03 de maio, dos 16 indiciados, além da apreensão de 150 celulares, 6 notebooks, de máquinas de cartão e peças eletrônicas, R$5 mil reais, um veículo Jeep Compass contendo aparelhos celulares produtos de crime e uma arma de choque, contendo com registros em vídeos das negociações entre integrantes da ORCRIM e atravessadores de telefones roubados e furtados. Nesta semana, a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) devolveu 1.400 celulares recuperados aos seus legítimos donos. Diversas pessoas foram à Cidade da Polícia, principal ponto de devolução, onde cerca de 700 aparelhos foram entregues aos verdadeiros proprietários. Além da Cidade da Polícia na Zona Norte do Rio, foram entregues 400 aparelhos na Baixada Fluminense e mais 300 no restante da Região Metropolitana e no interior do estado. “Essa fase é só o início. Desde maio, já são mais de 270 presos e cerca de 5 mil aparelhos recuperados. O celular é um bem muito importante na vida das pessoas, seja para trabalho ou na vida pessoal, com dados e fotos que são muitas vezes memórias insubstituíveis. Estamos aqui devolvendo hoje esses telefones, mas a Operação Rastreio é permanente”, afirmou o secretário de Estado de Polícia Civil, delegado Felipe Curi. Entre as vítimas que tiveram o aparelho restituído está Adriana, assaltada no Centro do Rio, em março deste ano. Ela tinha efetuado apenas o pagamento de uma parcela do financiamento do aparelho. “Ainda tenho a dívida para pagar, mas agora posso comemorar que tenho de volta o meu bem. Vou continuar pagando, agora com a felicidade de que ele está de volta para mim, graças à Polícia Civil”. FONTE: TJ-RJ