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Seis anos depois, PM abre processo que pode expulsar acusados de tortura brutal em Angra. SAIBA DETALHE POR DETALHE

Após mais de seis anos dos fatos, a Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina cinco policiais militares investigados por suposta prática de tortura em Angra dos Reis. O procedimento administrativo pode resultar na expulsão dos agentes dos quadros da corporação. De acordo com os autos, os episódios teriam ocorrido na madrugada de 19 de setembro de 2019, por volta das 1h50, no Conjunto Habitacional Parque Mambucaba, conhecido como “Predinhos”. Na ocasião, segundo a acusação, os militares teriam constrangido um homem mediante o uso de violência física com o objetivo de obter informações sobre a localização de drogas e valores relacionados ao tráfico. Ainda conforme a denúncia, as agressões teriam incluído socos, pontapés, golpes com pedaços de madeira contendo pregos, utilização de fios e aplicação de spray de pimenta, causando sofrimento físico e psicológico à vítima. Dias depois, segundo os elementos do processo, os mesmos policiais teriam agredido outra pessoa que havia acompanhado a primeira vítima até a 5ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) para formalizar denúncia contra os agentes. De acordo com o relato, essa segunda vítima teria sido submetida a tapas, chutes, socos e ameaças de morte, com a finalidade de assegurar a impunidade das condutas anteriores. A acusação também aponta a prática de tortura-castigo, que teria incluído agressões como apertar o pescoço da vítima, jogar água gelada e proferir ameaças, supostamente em razão de desentendimentos prévios com um dos policiais. No mesmo contexto, um dos agentes é acusado de ter subtraído um aparelho celular Motorola Moto G5, a quantia de R$ 50,00, além de chaves de veículo e de residência da vítima, após abordá-la, algemá-la e reduzi-la à impossibilidade de resistência. Na sequência, ainda segundo os autos, a vítima teria sido colocada algemada em uma viatura policial e levada à 166ª DP. No local, um dos policiais teria feito novas ameaças, afirmando que poderia imputar falsamente crimes como ameaça e associação ao tráfico, além de intimidá-la com a possibilidade de morte caso retornasse à região. Os autos também indicam que, já na unidade policial, os agentes teriam tentado intermediar contato com um suposto traficante conhecido como “BX”, a partir de ligação realizada com o celular da própria vítima, que estava sob posse de um dos policiais. A vítima foi liberada horas depois. A instauração do Conselho de Disciplina não implica condenação automática, mas representa um avanço no âmbito administrativo da corporação e pode culminar na exclusão dos policiais, caso as acusações sejam confirmadas ao longo do processo, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

Bomba na PM: três policiais podem ser expulsos após duas acusações explosivas — roubo de iPhones e cobrança de R$ 15 mil para liberar ônibus

A Polícia Militar decidiu submeter três policiais ao Conselho de Disciplina, procedimento que pode resultar na expulsão dos agentes da corporação, após o surgimento de duas acusações graves envolvendo abordagens a ônibus de turismo no Arco Metropolitano, na Baixada Fluminense. De acordo com os autos, o primeiro caso remonta a março do ano passado, quando os policiais, então em serviço no DPO de Jardim Primavera, abordaram um ônibus que transportava mercadorias adquiridas em São Paulo com destino a Campos dos Goytacazes. Segundo as investigações, após revista no veículo, os agentes teriam alegado a ausência de notas fiscais para justificar a apreensão dos produtos. No entanto, conforme a acusação, parte da carga não foi devidamente registrada, incluindo 11 aparelhos celulares da marca iPhone, que teriam sido subtraídos pelos policiais. Ainda de acordo com o procedimento, há relatos de que os passageiros foram colocados em condição de impossibilidade de reação durante a ação, o que agrava a natureza das acusações. Durante as diligências posteriores, materiais foram localizados na posse de um dos investigados. Os itens foram apreendidos e permanecem custodiados na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), devidamente lacrados, aguardando destinação conforme decisão judicial. Segunda acusação: cobrança em dinheiro para liberação de ônibus Os mesmos policiais também são alvo de uma segunda acusação, relacionada a um episódio ocorrido em 17 de novembro de 2025, também no Arco Metropolitano, na altura de Saracuruna, em Duque de Caxias. De acordo com o relato das vítimas, o grupo viajava em um ônibus de excursão quando foi abordado por uma viatura policial. Durante a fiscalização, os agentes teriam realizado uma revista no bagageiro, com relatos de danos a mercadorias transportadas. Ainda segundo os denunciantes, ao constatarem a ausência de notas fiscais, os policiais teriam exigido o pagamento de R$ 15 mil em espécie para liberar o veículo e permitir a continuidade da viagem. Processo pode levar à expulsão As duas ocorrências passaram a ser analisadas conjuntamente no âmbito administrativo, e a instauração do Conselho de Disciplina indica que a corporação identificou indícios considerados relevantes para a abertura do procedimento. O processo não implica culpa automática, e os policiais terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao final, o colegiado poderá recomendar sanções que vão desde advertências até a exclusão definitiva dos quadros da Polícia Militar. O caso segue em apuração.

PM parte para expulsão de agentes suspeitos de atuar na segurança do bicheiro Rogério Andrade

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — instância que pode resultar na expulsão da corporação — o subtenente inativo Machado e o sargento reformado Carneiro, apontados em investigação por suposto envolvimento com a estrutura de segurança do bicheiro Rogério Andrade. A medida ocorre no contexto de uma apuração que resultou na denúncia de diversos policiais militares da ativa, ex-policiais e outros agentes ligados ao esquema de proteção do contraventor. Segundo os elementos reunidos no inquérito, a segurança pessoal de Rogério Andrade operava com estrutura estável, organizada e hierarquizada. O grupo seria integrado por diversos agentes subordinados ao ex-subtenente Pinheiro, apontado como responsável direto pela segurança pessoal, e ao sargento reformado Araújo, indicado como chefe-geral do esquema. Durante as investigações, foi apreendida uma planilha que detalha a dimensão da estrutura: ao todo, 36 integrantes compunham o núcleo de segurança, com custo mensal estimado em R$ 207.600,00. Os vencimentos pagos aos policiais variavam entre R$ 5.600,00 e R$ 7.600,00, o que, de acordo com a apuração, evidencia a continuidade e a estabilidade da atuação do grupo armado. Outro ponto relevante destacado nos autos foi o afastamento do sigilo de dados telemáticos do aparelho celular apreendido com o ex-cabo Nelsinho. A análise revelou intensa atividade no grupo de WhatsApp denominado “Vampiros”, formado por integrantes da segurança do turno da noite. O grupo contava com 14 participantes e registrou 14.456 mensagens trocadas entre 30 de outubro de 2019 e 10 de maio de 2022. As conversas tratavam de escalas, pagamentos, orientações operacionais e informes internos relacionados à prestação de serviços ao bicheiro e a seus familiares. No caso do subtenente Machado, as investigações indicam que ele não apenas integrava o núcleo de segurança da organização criminosa, como também ocupava posição de destaque, sendo apontado como um dos líderes da equipe e integrante da cúpula do aparato de proteção. Em relação ao sargento reformado Carneiro, a denúncia aponta que ele mantinha vínculo direto com o ex-cabo Nelsinho, figurando nominalmente em listas de seguranças pessoais da organização e em diversas escalas de serviço compartilhadas no grupo “Vampiros” entre os dias 5 de fevereiro de 2020 e 5 de maio de 2022. Ainda segundo a acusação, foi imputado a Carneiro o crime de corrupção ativa, por supostamente atuar, em diversas ocasiões, em conjunto com o bicheiro na oferta e promessa de vantagens indevidas a policiais militares. O objetivo, de acordo com a denúncia, seria obter informações sigilosas, retardar ou omitir atos funcionais e favorecer os interesses da organização criminosa diante de grupos rivais. O Ministério Público ressalta que os acusados detinham elevado grau de confiança dentro da estrutura, integrando os níveis mais altos do esquema de segurança montado para assegurar o pleno funcionamento das atividades ilícitas atribuídas à quadrilha. A instauração do Conselho de Disciplina não representa, por si só, condenação, mas pode culminar na exclusão definitiva dos envolvidos dos quadros da Polícia Militar, caso as acusações sejam confirmadas ao longo do processo administrativo.

Operação histórica vira campo de guerra: PM relata ataque durante retirada de 48 toneladas de drogas”

A apreensão recorde de 48 toneladas de maconha no Complexo da Maré, na última terça-feira, foi marcada por momentos de alta tensão e confronto armado durante a operação. Segundo a Polícia Militar, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foram atacadas a tiros por criminosos no momento em que realizavam a retirada da droga. Houve revide e troca de tiros na região. Após o cessar do confronto, os agentes localizaram um homem apontado como suspeito de participação no ataque. Com ele, foi apreendido um quinto fuzil. O ferido foi socorrido ao Hospital de Bonsucesso, onde permanece internado sob custódia. A ação provocou um prejuízo estimado em R$ 50 milhões ao tráfico de drogas. O entorpecente foi localizado com o auxílio de cães farejadores do Batalhão de Ações com Cães (BAC), em uma laje no alto de uma construção abandonada, na comunidade Nova Holanda. De acordo com a corporação, o cão Hulck, da raça pastor belga de malinois, indicou alteração de comportamento ao se aproximar do imóvel, que funcionava como um verdadeiro bunker do tráfico. No local, além da grande quantidade de maconha, foram encontrados quatro fuzis e quatro pistolas. A retirada do material foi considerada uma operação complexa e demorada, levando cerca de cinco horas e mobilizando dezenas de policiais militares. Ao todo, foram necessários quatro caminhões para transportar a droga apreendida. Para efeito de comparação, a maior apreensão de drogas do país até então havia sido registrada em 2021, com 36,5 toneladas recolhidas pela Polícia Militar Rodoviária no Mato Grosso do Sul — número significativamente inferior ao volume encontrado na Maré. A operação contou com a atuação integrada de diversas unidades da PM, incluindo o BOPE, BAC, Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Rondas Especiais e Controle de Multidões (RECOM) e o Batalhão Tático de Motociclistas (BTM). As equipes atuaram tanto no interior das comunidades quanto no entorno do complexo, com o objetivo de evitar reações criminosas e possíveis bloqueios de vias. O trabalho também teve apoio aéreo do Grupamento Aeromóvel (GAM) e o uso de veículos blindados do Grupamento de Salvamento e Resgate (GESAR), em uma ofensiva de grande escala que expôs o nível de organização e poder de fogo das facções que atuam na região.

PMs combinaram assalto a caminhão de carga de guaraná para vendê-la a 100 mil reais para depósito

A investigaçâo contra PMs que veio à tona hoje pelo Ministerio Público Estadual do Rio apontou que os agentes suspeitos tramaram um assalto a um caminhão com carga de guaraná para posteriormente venderem a carga a um depósito, no valor de 100 mil reais a venda, sendo possível constatar o dono do depósito verificando o CPF do mesmo.  Supostamente houve troca de mensagens entre Ricardo e Raphael. planejando a venda de 140 quilos de maconha, sendo negociada inclusive comissão da venda ao entre eles uma vez encontrassem um comprador. A apuração apontou ndícios do envolvimento de policiais militares com as milícias alvo da operação, sendo possível constatar a troca de mensagens entre eles planejando negócios escusos, tais quais a venda de drogas, de armas apreendidas e o assalto a caminhão de carga. Foram constatadas ainda mais mensagens ligando os agentes da lei a uma estrutura maior, possibilitando ainda a identificação deles através do uso de seus dados pessoais, como CPF, para identificação de chaves PIX. Nesse sentido, foi possível constatar a maquinação entre os PMs Raphael, Ricardo e Thiago averiguando-se indícios contundentes de uma associação estável com o uso da função pública que possuem, de polícias militares, para a empresa de delitos.

Semana após publicarmos matéria, PM suspeitos de desviar armas, drogas e cargas foram denunciados

Semama após nossa reportagem denunciar o fato, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) ofereceu denúncia à Justiça Militar contra três policiais militares por desvio de armas apreendidas, drogas e cargas roubadas. Os sargentos Ricardo da Silva Ferreira, Raphael Nascimento Ribeiro e Thiago Corrêa da Costa responderão pelos crimes de associação criminosa e peculato. Uma operação foi realizada nesta terça-feira (07/04), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar, para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Auditoria da Justiça Militar contra os denunciados. A ação penal é um desdobramento das investigações do Ministério Público sobre uma milícia atuante no bairro de Anchieta, na Zona Norte do Rio, e na Baixada Fluminense. Durante as apurações, os promotores identificaram inicialmente o policial militar Ricardo Ferreira como revendedor de armas para a organização criminosa.O GAECO/MPRJ identificou, por exemplo, uma negociação entre Ricardo e Raphael para a venda de 140 quilos de maconha. Outro diálogo revela o planejamento para obtenção de lucro com a venda de uma carga de refrigerantes roubada. A denúncia relata, ainda, que Thiago Costa apreendia armas de fogo em incursões policiais e deixava de apresentá-las à autoridade policial, entregando-as de forma habitual a Ricardo. Relembre: https://www.fatospoliciais.com.br/pm-e-suspeito-de-negociar-pistola-argentina-e-maconha-com-narcomilicia-que-agia-em-anchieta//

Revoltados por não terem conseguido retomar a área, traficantes do CV incendiaram carros de moradores na Vila Sapê

A madrugada de sabado foi marcada por momentos de pânico na comunidade da Vila Sapê, em Curicica, na região de Jacarepaguá Segundo informações, criminosos do Comandl Vermelho tentaram retomar o controle da área, mas não conseguiram avançar. Revoltados, partiram para a covardia: vários carros de moradores foram incendiados deixando prejuízos para pessoas inocentes . A região já vem enfrentando constantes confrontos, com disputas violentas por território entre grupos criminosos. Mais uma vez, quem sofreu é o trabalhador, que vê seu patrimônio sendo destruído sem ter qualquer envolvimento com o crime. Clima de medo e insegurança toma conta da comunidade. Uma bomba chegou a atingir a casa de uma moradora na Rua Gâmbia, aumentando ainda mais o desespero de quem vive na área L

Tiroteio causa pânico na Vila Kennedy (CV) “Tive medo de morrer”

“Foi muito pânico e correria. Muitos homens armados começaram a atirar do nada. Tive medo de m0rrer na hora. Apavorante!” – relata uma moradora da Vila .Kennedy. Clima tenso na comunidade. Relatos de tiros preocupam moradores. Intenso confronto relatados por diversas pessoas. Alguns comércios suspenderam temporariamente entregas por questões de segurança. Lojas foram atingidas por disparos na região do Barrão. Boato de ataque de milicianos dó bando do PL. Ha relatos, não confirmados, que uma criança teria sido baleada PMs no local.

16 mortos e nenhum avanço: investigação de operação no Alemão (CV) em 2022 está parada há mais de um ano”

A defesa de uma moradora do Complexo do Alemão denunciou à Justiça que as investigações sobre a morte de seu marido — e de outras vítimas de uma operação policial realizada em julho de 2022 — estão paralisadas há mais de um ano. De acordo com os advogados, o inquérito 901-00648/2022 não registra avanços desde o dia 14 de outubro de 2026, apesar de ainda haver prazo aberto para cumprimento de diligências e elaboração do relatório final. A operação deixou 16 mortos. Segundo a defesa, até o momento foram colhidos apenas os depoimentos de familiares das vítimas, além da realização de exames de necropsia e análises de vestimentas. Para os advogados, as medidas são insuficientes diante da gravidade do caso. O marido da autora da ação, Diego, de 29 anos, foi morto com um tiro de fuzil nas costas durante a operação. A defesa sustenta que ele não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e trabalhava como autônomo, realizando fretes para mercados e auxiliando em obras, carregando materiais de construção e entulho, sendo responsável pelo sustento da família. Os advogados afirmam ainda que não há indicação de que Diego tenha oferecido resistência à abordagem policial no momento em que foi atingido. Na ação, a defesa também cita o caso de outra vítima da operação, Letícia Marinho Sales, de 50 anos. Segundo os autos, ela havia passado a noite na casa do namorado, no Alemão, após ajudar uma pastora a organizar um evento na comunidade. Ao deixar o local, Letícia foi surpreendida por um tiroteio. De acordo com o relato, dois veículos estavam parados lado a lado em um sinal de trânsito próximo a um cabo da Polícia Militar. O agente afirmou ter visto uma pessoa armada colocando um corpo para fora de um dos carros e, acreditando se tratar de um traficante, efetuou 12 disparos de fuzil. Um dos tiros atingiu o retrovisor de um veículo que não era o alvo e acabou acertando Letícia na região torácica. Ela não resistiu aos ferimentos. Para a defesa, os episódios reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações e responsabilização dos agentes envolvidos, diante das circunstâncias das mortes registradas na operação.

Órfã aos 5 anos: filha de homem morto com tiro nas costas em megaoperação na Penha e no Alemão pede pensão indenizatória ao Estado

A morte de mais de 120 pessoas durante a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, em 28 de outubro de 2025, começou a gerar desdobramentos na Justiça. Uma criança de apenas cinco anos ingressou com ação contra o Estado do Rio de Janeiro pedindo o pagamento de pensão indenizatória mensal após perder o pai na operação. De acordo com o processo, os advogados da menor solicitam que o Estado seja condenado a pagar o equivalente a um salário mínimo por mês até que a criança complete 25 anos de idade, considerando a possibilidade de continuidade dos estudos em nível superior. A ação relata que o pai da menina, Fernando Henrique, foi morto com um tiro nas costas durante a operação policial. Os autos não informam se ele possuía envolvimento com atividades criminosas. Para a defesa, as circunstâncias da morte levantam questionamentos relevantes sobre a versão de confronto armado frequentemente apresentada em ações dessa natureza. O fato de a vítima ter sido atingida pelas costas, segundo os advogados, coloca em dúvida a dinâmica do episódio. “A pequena Maria Eduarda, aos cinco anos de idade, passou a carregar as consequências de um episódio que jamais deveria ter ocorrido”, afirmam os autos. Os advogados sustentam que, embora a cobertura midiática inicial tenha apresentado os fatos sob a ótica de um suposto enfrentamento entre forças de segurança e criminosos, relatos posteriores e a própria dinâmica da operação indicariam um cenário que suscita dúvidas quanto à proporcionalidade e à legalidade da atuação estatal. Segundo a defesa, o que se tem como incontroverso é que a morte de Fernando Henrique decorreu diretamente da atuação de agentes públicos. “A morte não foi natural. A morte foi violenta. E foi causada por agentes investidos de autoridade estatal, cuja missão constitucional é justamente proteger a vida e garantir a aplicação da lei”, diz a ação. Os advogados destacam ainda que, mesmo diante de eventual suspeita sobre a conduta da vítima, a Constituição não admite execução sumária. “Ainda que se alegue eventual envolvimento da vítima em atividades ilícitas, é imprescindível recordar um princípio elementar do Estado Democrático de Direito: no Brasil não existe pena de morte. A Constituição assegura que qualquer cidadão tem direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Caso existisse qualquer imputação criminal, caberia ao Estado submetê-lo ao sistema de justiça penal, jamais substituí-lo pela eliminação física do indivíduo”, sustentam. Para a defesa, a morte de Fernando Henrique não representou apenas o fim de uma vida, mas a ruptura de um núcleo familiar, com impactos diretos sobre o desenvolvimento da criança. Segundo os advogados, ele exercia papel ativo na criação da filha, participando de sua formação afetiva e contribuindo financeiramente para sua subsistência. “A pequena Maria Eduarda, que até então contava com a presença e o apoio de seu pai, passou, de um momento para outro, a enfrentar a dura realidade da orfandade paterna causada por uma morte violenta. A perda de um pai já é, por si só, uma das experiências mais dolorosas que uma criança pode vivenciar. Quando essa perda ocorre em circunstâncias traumáticas, os impactos psicológicos e emocionais se tornam ainda mais profundos e duradouros”, afirmam os autos. Procurado, o Governo do Estado do Rio de Janeiro não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

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