Envolvido na morte de três médicos na Barra da Tijuca, o traficante Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW, está ligado também a quadrilha comandada pelo bandido vulgo Comel, especializada em roubo de veículos e adulteração de sinal identificador. A base do grupo é a comunidade do Morro do Turano, que possui atuação da facção criminosa Comando Vermelho. Suspeitos se reúnem na favela para realizar o desmanche de veículos.A polícia apreendeu no local materiais para adulteração, dentre eles etiquetas e adesivos com números diversos para remarcação de chassis. Além de Comel e BMW, estão envolvidos no bando os traficantes Adidas, Jhoni, Bahia, Fooka, Budigo, Da Baixinha, Coroa e Biba, além de outros sem apelido identificado. Chegou a ser encontrada no interior de um desses veículos, uma agenda com anotações das atividades criminosas realizadas na região do Morro do Turano e adjacências, bem como anotações relativas a serviços e produtos comercializados pelo tráfico de drogas, com a utilização da sigla “CV NA”, fazendo clara alusão à facção criminosa Comando Vermelho. Dentre outras anotações, havia também uma extensa lista telefônica. HIERARQUIA Comel era o líder, determinava as ações, distribuía as funções, definindo o crime praticados pelo grupo, com evidente autoria intelectual de todas as infrações penais praticadas pela organização criminosa. O vulgo “Adidas” protagonizava com Comel”, a liderança do grupo criminoso, com a sua função de permitir ou não a prática de qualquer crime a partir do Morro do Turano, bem como de levar para aquela localidade veículos roubados ou produto de qualquer crime. Além disso, Adidas também encomendava veículos roubados de com “Comel”, e ficava com participação no lucro das atividades criminosas perpetradas. Jhoni, BMW, Bahia, Fooka, Valmir, Budigo e Da Baixinha”, compunham o braço armado da associação criminosa, sendo destacados para praticar roubos, sequestros, ocultação de cadáver e demais infrações penais idealizadas por “Comel” e “Adidas”. Coroa e Biba eram responsáveis por levar os veículos produto de crime aos compradores, cumprindo a função de atravessadores. O denunciado Vitor”, era o responsável por adulterar os sinais identificadores dos veículos, atuando como clonador. Nas conversas, foi identificar Comel e comparsas negociando o valor de carros roubados, solicitando autorização ao líder do tráfico para praticar roubos, acertando a entrega de veículos comprados e combinando a adulteração dos sinais identificadores dos veículos. A quadrilha possui ramificações no Complexo do Lins. O aparelho telefônico de Comel”, expõs conversa deste com “Adidas”, confirmando que as empreitadas criminosas só se iniciam após autorização de dele. Adidas também dava ordens de prática de crimes específicos, como o roubo de motocicletas. Jhoni” receberia os proveitos dos crimes praticados em conta corrente de sua própria titularidade, conforme extratos de transferências bancárias encontradas no celular de Comel”. Restou demonstrado que BMW, contato salvo como “Breno Minas”, teria disponibilizado conta corrente de titularidade da mãe de sua filha, para receber o pagamento pelos crimes. O vulgo Bahia envia um autorretrato em um grupo do WhatsApp utilizado pela associação criminosa armada, para combinar os crimes. Budigo usava sua própria conta corrente para recebes valores correspondentes à divisão do produto das atividades criminosas. Quando a associação armada conseguia êxito em subtrair algum veículo e consumar a adulteração dos seus sinais verificadores, cabia aos atravessadores a importante função de transportar os carros e motocicletas aos compradores ou revendedores. A investigação foi capaz de identificar dois atravessadores que atuavam nessa associação criminosa armada: Coroa e Biba O primeiro foi preso em flagrante em 01/01/2023 por receptação de veículos, ocasião em que admitiu atuar como atravessador de carros clonados. Identificou-se ainda que Vitor exercia a função de “clonador” na associação criminosa armada. Em conversas com Comel o denunciado Vitor envia duas chaves Pix para que fosse depositada a quantia fruto de empreitadas criminosas. Uma das chaves está vinculada à conta corrente cadastrada em seu próprio nome, enquanto a outra, no nome de seu irmão. Após a adulteração dos veículos roubados, cabia aos revendedores o contato direto com os compradores. Tal função era exercida pelos vulgos “Gordinho da CDD”, “Liza”, “DG”, “Buzines”, “Lucas” e “Badeco”. A investigação logrou êxito em identificar diversos crimes praticados pela associação criminosa armada que já são objeto de investigação em inquéritos policiais próprios. A 19ª Delegacia Policial instaurou o inquérito policial 019-00677/2022 para apurar a extorsão mediante sequestro de um chinês e esta investigação constatou que o crime foi cometido pelos denunciados. As conversas travadas pelos membros da organização criminosa no grupo de aplicativo de mensagens, devidamente extraídas e analisadas pelo setor de busca eletrônica da polícia, esclarecem toda a dinâmica criminosa. Em conversa interceptada. “Comel”, usuário “Deus Se Agrada Em Corações Puros”, informa aos demais participantes do grupo de WhatsApp que “Adidas”, liberou o sequestro do cidadão chinês, mediante o pagamento de 25% do que fosse arrecadado com o crime. Comel organizava com BMW a execução do crime, oportunidade em que este último indica os nomes de Bahia, Valmir e Budigo. Comel convocou Budigo para a empreitada criminosa, passando o contato de “Jhoni”, usuário “Jhoni Novo”. Horas depois, “Budigo”, enviou foto da vítima apoiada em um carro. Nas conversas interceptadas, Comeu chamou “Da Baixinha”, usuário “Baixinha Rt”, para participar do crime. As principais conversas sobre o sequestro são travadas entre Jhoni” e Comel. Horas depois, “Jhoni”, enviou fotos da vítima em um bar e, posteriormente, de seu carro em trânsito, que era seguido por integrantes do grupo criminoso. Por fim, encaminhou fotos e vídeos do momento após o arrebatamento, enquanto a vítima era roubada e extorquida. Embora não seja possível identificar todos os envolvidos nos crimes de extorsão mediante sequestro e roubo, resta claro que, ao menos Jhoni, BMW, Bahia, Pedro, Valmir, Budigo, Adidas Erick e Comel participaram da consumação dos delitos. Outro crime que chamou a atenção foi o praticado no Morro do São Carlos, quando, no dia 20/01/2022, integrantes do grupo trocaram mensagens externalizando preocupação em relação a publicações em rede social. Algumas postagens reportavam que um cadáver havia sido incendiado dentro de um carro no Morro do São Carlos, e a autoria teria sido atribuída a traficantes da Comunidade do Fallet. O