Segundo investigações da Polícia Federal, a quadrilha do contraventor Adilsinho é dividida em vários setores 1-Patrões – estão no topo da hierarquia, auferem os maiores lucros e dão as principais ordens 2) assessores, responsáveis por coordenar as atividades administrativas e burocráticas, como realizar pagamentos e transferências em favor do patrão e sua própria família, normalmente por pessoas interpostas (3) gerentes de fábricas, responsáveis por coordenar os locais em que os cigarros são fabricados e falsificar os documentos que instruem a fabricação e o comércio do falso cigarro (como embalagens), bem como custeiam as despesas das fábricas e dos alojamentos dos trabalhadores escravizados, mantêm em depósito os produtos dos crimes, fornecem maquinário, insumo e matéria-prima; (4) comerciantes, são os responsáveis pela venda de cigarros aos consumidores finais, por meio de empresas interpostas; (5) fornecedores de bens e insumos, a quem incumbe fornecer insumos, maquinários, matéria-prima e imóveis que permitem a instalação e operação das fábricas clandestinas e a consequente produção de contrafeitos; (6) pistoleiros, que ficam a cargo da segurança patrimonial e pessoal do patrão, bem como seguem as ordens do líder ou dos assessores para assassinar alvos previamente definidos; (7) agentes públicos, que se valem de seus cargos públicos para executar e garantir o proveito dos crimes praticados pela malta criminosa;(8) os lavadores, responsáveis pelo branqueamento do capital adquirido ilicitamente (9) operadores, a quem incumbe operar a comercialização dos cigarros clandestinos, promovendo o depósito e comércio da mercadoria ilícita e recebendo os valores provenientes de sua comercialização, bem como distribuindo-os aos demais integrantes da organização; 10) traficantes de pessoas, que aliciam e recrutam estrangeiros, mediante fraude, grave ameaça e abuso, para que sejam submetidos a trabalho em condições análogas à escravidão; (11) transportadores, a quem compete transportar os insumos e mercados falsificados; (12) algozes, responsáveis por submeter os trabalhadores a regime de escravidão, valendo-se do uso de arma de fogo e restrição de liberdade.Diante da elevada sofisticação da organização criminosa, que, mesmo com outraS investigações pretéritas, continuou plenamente suas atividades ilícitas, promovendo fábricas clandestinas de cigarros e arregimentando paraguaios para trabalhar em condições análogas à de escravo. Com efeito, não bastasse a busca e apreensão feita em 20/03/2023, em que foram resgatados 19 paraguaios em uma fábrica em Duque de Caxias outra fábrica que operava sob idêntico modus operandi já havia sido desmantelada em 08/07/2022, ocasionando a libertação de 15 paraguaios, o que indica que possivelmente era o mesmo grupo criminoso que estava por trás dessas atividades clandestinas. Além disso, a organização criminosa conta com policiais e outros agentes públicos corruptos (inclusive, há suspeitas de que a subtração das máquinas de fabricação de cigarros do galpão da Cidade da Polícia esteja relacionada ao mesmo grupo), o que demonstra o enraizamento da organização criminosa dentro do próprio aparato repressivo do Estado, e, assim, demanda atitudes mais enérgicas para fazer cessar a atividade criminosa, a fim de garantir a ordem pública. No caso específico dos autos, foram desmontadas, inicialmente, duas fábricas clandestinas de cigarro com uso de mão de obra de cidadãos paraguaios em regime análogo ao da escravidão e, mesmo após essas operações, a suposta Organização Criminosa não desistiu da empreitada, pelo contrário, montou novas fábricas, como a que foi desmontada recentemente em Paty de Alferes. Rememore-se que, quando do início da investigação, maquinários foram apreendidos e alienados judicialmente, porém, antes de serem entregues, foram furtados da Cidade da Polícia onde estavam acautelados e levados para outras fábricas clandestinas. Some-se a isso que, em julho de 2024, sobreveio abordagem policial em uma terceira fábrica clandestina de cigarros, situada na Fazenda Pilão, em Paty do Alferes/RJ, ocasião em que a Polícia Militar flagrou trabalhadores paraguaios produzindo cigarros falsificados, seguido de confronto armado iniciado por atirador integrante da Organização Criminosa, que conseguiu fugir do local. Importante salientar, ainda, que, após o resgate dos trabalhadores, foi narrado o processo de cooptação e integralização idêntico aos narrados pelos trabalhadores encontrados nas fábricas desmontadas nos anos anteriores, bem como foram apreendidos material, maquinário, veículos e cigarros, sendo estes com o mesmo código de barras daqueles encontrados nas duas fábricas clandestinas em Duque de Caxias/RJ, em 2022 e 2023. Veja-se que, conforme ressaltado anteriormente, a quadrilha segue na produção clandestina de cigarros, mesmo após diversas abordagens e desmonte de fábricas, inclusive furtando maquinário custodiado na sede da Polícia, o que ressalta a gravidade da alteração do procedimento e, obviamente, a intenção de seguir na prática dos delitos. FONTE: Justiça Federal RJ