Um processo sigiloso que tramita desde o ano passado revela detalhes de uma sessão de tortura seguida de homicídio contra uma mulher em Itaperuna, na Região Noroeste Fluminense. A vítima foi agredida com socos, chutes, coronhadas, golpes com vara de espinhos e afogamento e sofreu graves ameaças de morte por parte de criminosos com o fim de obterem a confissão de que ela teria delatado os mesmos para facção rival Comando Vermelho e levado seu ex-namorado para ser morto pelos membros da quadrilha. Em seguimento, teriam, com dolo de matar, os bandidos efeturam disparos de arma de fogo contra a vítima, causando-lhe lesões que foram a causa eficiente de sua morte. Os autores teriam ocultado o cadáver da vítima, jogando seu corpo no rio Muriaé. Narra a denúncia que a vítima estaria em um bar com seu companheiro quando um dos criminosos chegou ao local seguido de mais dois comparsas, tendo um deles perguntado à vítima “quem é você?” e ela respondeu que seria “Claudinha”. Em seguida, o criminoso mostrou que estava armado e disse à vítima “levanta e vai lá pro beco”, determinando que o companheiro dela seguisse para o mesmo local, ocasião em que todos seguiram para o bar de uma mulher, onde estavam os demais bandidos, portando armas de fogo. A vítima e seu companheiro foram, então, ordenados a se dirigirem ao “Beco do Jajá”, próximo à Cachoeira do Macaco, momento em que um dos criminosos disse para a dona do bar “fica na visão! Qualquer coisa me avisa!”, tendo ela respondido “pode deixar”. Chegando à cachoeira, os autores determinaram que o companheiro da vítima abaixasse a cabeça e começaram a desferir socos, chutes, coronhadas e varadas de espinhos contra ela, perguntando “quem te mandou aqui? Você que está entregando a gente pra outra facção do bairro Cehab? Foi você que levou o Pablo pra morrer?”. Em seguida, um dos bandidos pegou a vítima pelo cabelo, levando-a até a beira do rio, onde passou a afogá-la e agredi-la, dizendo “fala o que você sabe! Você sabe sim!”. Em razão da vítima permanecer negando os fatos, mesmo após pedirem para que seu companheiro a convencesse a falar o que eles queriam, um bandido o levou de volta ao bar, onde o ameaçou dizendo “se você abrir a boca, eu mato seu filho e vou atrás de você até onde você for!” e o liberou, ordenando que dois indivíduos que lá estavam o seguissem em outra motocicleta, enquanto ele ia embora. Após o companheiro da vítima ser liberado, Claudinha continuou sendo torturada, até que foram efetuados disparos de arma de fogo contra ela e seu corpo foi jogado no rio. FONTE: Site oficial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro